blog – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Thu, 06 Jul 2023 13:52:52 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png blog – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Plásticos: uma nova pandemia? https://spsp.org.br/plasticos-uma-nova-pandemia/ Thu, 06 Jul 2023 13:42:33 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=38498 As práticas atuais de produção, uso e descarte de plásticos causam grandes danos à saúde humana e ao meio ambiente global e não são sustentáveis. Esses danos surgem em todas as fases]]>

As práticas atuais de produção, uso e descarte de plásticos causam grandes danos à saúde humana e ao meio ambiente global e não são sustentáveis. Esses danos surgem em todas as fases do ciclo de vida do plástico.

Incluem impactos na saúde humana, como toxicidade neurológica, no desenvolvimento, desregulação endócrina e carcinogênese (processo em que as células neoplásicas proliferam e dão origem a um tumor). No oceano, os estragos dos plásticos vão muito além daqueles que são visíveis e bem reconhecidos do lixo das praias, destacando-se giros oceânicos (correntes marinhas rotativas, particularmente as que estão relacionadas com os grandes movimentos do vento) contaminados e danos físicos às espécies marinhas, que incluem deteriorações extensas aos ecossistemas marinhos.

Desde a década de 1970, a taxa de produção de plástico cresceu mais rapidamente do que a de qualquer outro material. Mais de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas a cada ano em todo o mundo e metade desse plástico é projetada para ser usada apenas uma vez. Da produção total, menos de 10% é reciclado.

Estima-se que 19 a 23 milhões de toneladas acabem anualmente em lagos, rios e mares. Se as tendências históricas de crescimento continuarem, a produção global de plástico primário deverá atingir 1.100 milhões de toneladas até 2050. Estima-se que o processo de degradação do plástico pode levar até 450 anos. Neste tempo, ele espalha-se pelo meio ambiente, podendo ser inalado ou ingerido pelos seres humanos. As consequências disto para a saúde humana ainda não foram totalmente esclarecidas.

A maioria dos itens de plástico nunca desaparece totalmente, apenas se quebra em pedaços cada vez menores. Os microplásticos – pequenas partículas de plástico de até 5 mm de diâmetro – podem ser encontrados em alimentos, água e ar e agora são onipresentes em nosso ambiente natural. Eles estão se tornando parte do registro fóssil da Terra e um marcador do Antropoceno, nossa atual era geológica. Por este motivo, até deram seu nome a um novo habitat microbiano marinho, chamado “plastisfera”.

Estima-se que em 2015 os custos relacionados à saúde da produção de plástico ultrapassaram US$ 250 bilhões globalmente e que, somente nos EUA, os custos de saúde de doenças, incapacidades e mortes prematuras, causadas apenas por três produtos químicos plásticos – PBDE (éteres difenílicos polibromados), BPA (bisfenol A) e DEHP [di (2etilhexil) ftalato], ultrapassaram US$ 920 bilhões.

O custo das emissões de gases de efeito estufa (GEE) do plástico causa danos econômicos avaliados em US$ 341 bilhões anualmente.

A Assembleia Ambiental das Nações Unidas do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) adotou uma resolução histórica em março de 2022, sobre a poluição plástica e o ciclo de vida dos plásticos.

Alguns itens merecem destaque:

–  produtos químicos são parte integrante dos plásticos. Até agora, há mais de 13.000 substâncias, como certos monômeros, por exemplo: ftalatos e bisfenóis;

–  produtos químicos preocupantes podem ser liberados do plástico ao longo de todo o seu ciclo de vida, durante a extração de matérias-primas, produção de polímeros e fabricação de produtos plásticos, mas também na reciclagem de plásticos e circularidade de materiais (por exemplo, através da  contaminação de novos produtos feitos de plásticos reciclados);

– produtos químicos preocupantes foram encontrados em plásticos de vários produtos, como brinquedos e outros produtos infantis, embalagens, equipamentos elétricos e eletrônicos, veículos, têxteis sintéticos, móveis, materiais de construção, dispositivos médicos, de cuidados pessoais, produtos domésticos, agricultura, aquicultura e pesca;

Ampla pesquisa científica com dados sobre os potenciais impactos adversos de cerca de 7.000 substâncias mostrou que mais de 3.200 delas têm produtos químicos que são persistentes e móveis no ambiente, acumulam-se no corpo, podem imitar, bloquear ou alterar as ações dos hormônios, reduzir a fertilidade, danificar o sistema nervoso e câncer.

Mulheres e crianças são particularmente suscetíveis a esses produtos químicos tóxicos, sendo que a exposição pode afetar próximas gerações. Exposições durante o desenvolvimento fetal e em crianças podem causar transtornos relacionados ao neurodesenvolvimento/neurocomportamentais, prematuridade, doenças pulmonares e até câncer. Nos homens, pode ocorrer queda da fertilidade.

 

As principais medidas para prevenir a exposição aos plásticos são:

– Evitar o uso de produtos químicos preocupantes em plásticos;

– Ter acesso à informação e aumentar a conscientização sobre produtos químicos em plásticos ao longo da cadeia de produção;

– Aumentar a disponibilidade e acessibilidade de alternativas mais seguras e sustentáveis.

A poluição plástica e seus impactos prejudiciais à saúde, economia e meio ambiente não podem ser ignorados. Chamar atenção em relação à exposição das crianças diante desta “nova pandemia” exige uma ação global e urgente para lidar contra a poluição plástica, proteger a saúde humana, o meio ambiente e promover a transição para uma economia circular, livre de tóxicos e sustentável.

 

Saiba mais:

– UNEA Resolution 5/14 entitled “End plastic pollution: Towards an international legally binding instrument”. Chemicals in Plastics – A Technical Report.

Disponível em: https://wedocs.unep.org/bitstream/handle/20.500.11822/39812/OEWG_PP_1_INF_1_UNEA%20resolution.pdf

– UN environment programme. Our planet is choking on plastic. Disponível em: https://www.unep.org/interactives/beat-plastic-pollution/?lang=EN

– Kortenkamp et al. Combined exposures to bisphenols, polychlorinated dioxins, paracetamol, and phthalates as drivers of deteriorating semen quality. Environment International, 2022;165:107322. Disponível em:

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35691715/

– Christopher, J. Plastic pollution and potential solutions. 2018;101:207-260. Science Progress. London Vol. 101, Ed. 3, DOI:10.3184/003685018X15294876706211

 

Relatora:
Kristine Fahl Cahali
Mentora do Programa de Embaixadores Saúde Planetária – PESP
Departamento Científico de Alergia e Imunologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial da Urticária https://spsp.org.br/dia-mundial-da-urticaria/ Fri, 30 Sep 2022 18:08:57 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=34719 ]]>

A urticária afeta por volta de 20% da população, desde a criança ao idoso, o que significa que uma em cada cinco pessoas apresenta pelo menos um episódio da doença em algum momento da vida. Dada a sua elevada prevalência, além do impacto na vida dos acometidos, em 2014 uma organização espanhola, a Asociación de Afectados de Urticaria Crónica (AAUC), criou o ‘Dia Mundial da Urticária’ em 1º de outubro, com o propósito de promover o intercâmbio de informações e experiências com a população. No Brasil, essa data marca um momento de conscientização sobre a doença, especialmente para aqueles que convivem cronicamente com o problema.

Podemos descrever a urticária como: lesões elevadas e avermelhadas na pele, à semelhança de vergões, que podem se confluir em placas fugazes de vários tamanhos, que mudam de lugar, durando na maioria dos casos menos de 24 horas. O impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes é proveniente do incômodo causado pela coceira importante, irritação e interferência no sono, que levam até à ansiedade e depressão. Algumas vezes é acompanhada de um inchaço mais profundo na pele das pálpebras, lábios, mãos, pés e/ou genitais, recebendo o nome de angioedema.

Há dois tipos de urticária e a mais frequente na criança é a aguda, que dura pouco tempo. O outro tipo é a crônica, que dura mais de seis semanas e pode ser induzida (por fatores físicos ou outros agentes) ou espontânea. Embora os sintomas de urticária crônica possam causar transtornos avassaladores no comportamento dos pacientes, a doença aguda pode ser temerária.

Sintomas raros, mas perigosos, podem ser facilmente identificados caso a criança apresente falta de ar, dificuldade para engolir ou para falar, barulhos na respiração, palidez, arroxeamento da pele, sonolência, muita irritabilidade ou perda de consciência. Nesses casos, os responsáveis devem procurar imediatamente um serviço de emergência.

Tanto as crianças e/ou adolescentes que vivem a experiência crônica desses sintomas, como aqueles que já apresentaram quadros agudos graves, devem procurar o alergista/imunologista pediátrico para o devido acompanhamento.

 

Relatora:
Vera Esteves Vagnozzi Rullo
Departamento Científico de Alergia e Imunologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: @ShevtsovaYuliya / www.freepik.com

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