Blog – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 31 Jul 2026 18:43:16 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Blog – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona https://spsp.org.br/amamentacao-para-um-comeco-de-vida-sustentavel-fortaleca-o-que-funciona/ Sat, 01 Aug 2026 11:00:00 +0000 https://spsp.org.br/?p=58009 Chegamos a mais um mês de agosto, período em que celebramos o Agosto Dourado, campanha dedicada à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, reconhecido como o padrão-ouro da alimentação infantil. Todos os anos, a WABA apresenta um tema e um símbolo que orientam as ações da Semana Mundial de Aleitamento Materno, estimulando governos, profissionais de saúde, empresas e a sociedade a ampliar o conhecimento sobre a importância da amamentação. Em 2026, o tema da campanha mundial da World Alliance for Breastfeeding Action (WABA) é “Amamentação para um Começo de Vida Sustentável: Fortaleça o que Funciona”, reforçando que investir na amamentação é investir na saúde das crianças, na segurança alimentar, na sustentabilidade ambiental e na redução das desigualdades sociais. Segundo a WABA, o logotipo da campanha (acima) foi cuidadosamente concebido para representar esses princípios. A tríade forma um coração, simbolizando o compromisso global com o aleitamento materno como fundamento para a nutrição ideal, a segurança alimentar e a redução da pobreza. A folha verde representa um começo de vida sustentável, refletindo o papel essencial da amamentação na construção de um futuro mais saudável para as crianças e para o planeta. A campanha está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas, especialmente ao ODS 1 – Erradicação da Pobreza, uma vez que o aleitamento materno se constitui em estratégia de baixo custo, altamente efetiva e capaz de promover melhores condições de saúde, nutrição e desenvolvimento humano desde o nascimento até a idade adulta. Atualmente, há evidências consistentes de que o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida, seguido da introdução oportuna e adequada da alimentação complementar com manutenção da amamentação até dois anos ou mais, exerce papel fundamental no crescimento, no desenvolvimento e, especialmente, no neurodesenvolvimento infantil. Nas últimas décadas, inúmeros estudos têm investigado a influência do leite humano sobre o desenvolvimento cerebral. Entre os temas mais estudados estão as possíveis associações entre o aleitamento materno e a ocorrência de transtornos do neurodesenvolvimento. De modo geral, as pesquisas demonstram que crianças amamentadas, particularmente aquelas que receberam aleitamento materno exclusivo por maior tempo, apresentam melhores indicadores de desenvolvimento cognitivo e neurológico. Entretanto, as evidências atuais ainda não permitem estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre a amamentação e a prevenção do Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma vez que diversos fatores genéticos, ambientais e sociais também influenciam o neurodesenvolvimento. Ainda assim, os resultados reforçam a necessidade de ampliar as pesquisas sobre os componentes bioativos do leite humano e seus possíveis efeitos na maturação cerebral. No Brasil, temos importantes políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno que precisam ser preservadas e fortalecidas. Destacam-se a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, considerada a maior e mais complexa do mundo, com mais de 238 Bancos de Leite Humano e aproximadamente 261 Postos de Coleta, além da Iniciativa Hospital Amigo da Criança, que conta com 334 hospitais credenciados até o momento, desempenhando papel fundamental na implementação de boas práticas de atenção ao nascimento e ao aleitamento materno. Além da manutenção dessas estratégias, é indispensável monitorar e avaliar continuamente os indicadores de aleitamento materno no país. O acompanhamento sistemático dos resultados permite identificar avanços, reconhecer desafios, direcionar investimentos e fortalecer programas e políticas públicas que comprovadamente produzem benefícios para a saúde materno-infantil. Neste Agosto Dourado, o convite é para que todos — profissionais de saúde, gestores, pesquisadores, empregadores e famílias — unam esforços para garantir que cada criança tenha a oportunidade de receber o melhor começo de vida possível por meio da amamentação. Relatora: Rosangela Gomes dos SantosPresidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SPSP]]>


Chegamos a mais um mês de agosto, período em que celebramos o Agosto Dourado, campanha dedicada à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, reconhecido como o padrão-ouro da alimentação infantil.

Todos os anos, a WABA apresenta um tema e um símbolo que orientam as ações da Semana Mundial de Aleitamento Materno, estimulando governos, profissionais de saúde, empresas e a sociedade a ampliar o conhecimento sobre a importância da amamentação.

Em 2026, o tema da campanha mundial da World Alliance for Breastfeeding Action (WABA) é “Amamentação para um Começo de Vida Sustentável: Fortaleça o que Funciona”, reforçando que investir na amamentação é investir na saúde das crianças, na segurança alimentar, na sustentabilidade ambiental e na redução das desigualdades sociais.

Segundo a WABA, o logotipo da campanha (acima) foi cuidadosamente concebido para representar esses princípios. A tríade forma um coração, simbolizando o compromisso global com o aleitamento materno como fundamento para a nutrição ideal, a segurança alimentar e a redução da pobreza. A folha verde representa um começo de vida sustentável, refletindo o papel essencial da amamentação na construção de um futuro mais saudável para as crianças e para o planeta.

A campanha está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas, especialmente ao ODS 1 – Erradicação da Pobreza, uma vez que o aleitamento materno se constitui em estratégia de baixo custo, altamente efetiva e capaz de promover melhores condições de saúde, nutrição e desenvolvimento humano desde o nascimento até a idade adulta.

Atualmente, há evidências consistentes de que o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida, seguido da introdução oportuna e adequada da alimentação complementar com manutenção da amamentação até dois anos ou mais, exerce papel fundamental no crescimento, no desenvolvimento e, especialmente, no neurodesenvolvimento infantil.

Nas últimas décadas, inúmeros estudos têm investigado a influência do leite humano sobre o desenvolvimento cerebral. Entre os temas mais estudados estão as possíveis associações entre o aleitamento materno e a ocorrência de transtornos do neurodesenvolvimento.

De modo geral, as pesquisas demonstram que crianças amamentadas, particularmente aquelas que receberam aleitamento materno exclusivo por maior tempo, apresentam melhores indicadores de desenvolvimento cognitivo e neurológico. Entretanto, as evidências atuais ainda não permitem estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre a amamentação e a prevenção do Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma vez que diversos fatores genéticos, ambientais e sociais também influenciam o neurodesenvolvimento. Ainda assim, os resultados reforçam a necessidade de ampliar as pesquisas sobre os componentes bioativos do leite humano e seus possíveis efeitos na maturação cerebral.

No Brasil, temos importantes políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno que precisam ser preservadas e fortalecidas. Destacam-se a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, considerada a maior e mais complexa do mundo, com mais de 238 Bancos de Leite Humano e aproximadamente 261 Postos de Coleta, além da Iniciativa Hospital Amigo da Criança, que conta com 334 hospitais credenciados até o momento, desempenhando papel fundamental na implementação de boas práticas de atenção ao nascimento e ao aleitamento materno.

Além da manutenção dessas estratégias, é indispensável monitorar e avaliar continuamente os indicadores de aleitamento materno no país. O acompanhamento sistemático dos resultados permite identificar avanços, reconhecer desafios, direcionar investimentos e fortalecer programas e políticas públicas que comprovadamente produzem benefícios para a saúde materno-infantil.

Neste Agosto Dourado, o convite é para que todos — profissionais de saúde, gestores, pesquisadores, empregadores e famílias — unam esforços para garantir que cada criança tenha a oportunidade de receber o melhor começo de vida possível por meio da amamentação.

Relatora:

Rosangela Gomes dos Santos
Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SPSP

]]>
Doação de leite humano: solidariedade que nutre, vida que cresce https://spsp.org.br/doacao-de-leite-humano-solidariedade-que-nutre-vida-que-cresce/ Tue, 19 May 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57031 ]]>

Acima está o slogan vencedor deste ano da campanha celebrada em 19 de maio – o Dia Nacional da Doação de Leite Humano.

O leite humano é o alimento mais completo para nutrir os recém-nascidos nos primeiros dias de vida, sendo rico em nutrientes e substâncias que promovem saúde, desenvolvimento e qualidade de vida. Mas você sabia que esse alimento tão especial também pode salvar vidas quando é doado?

Muitas mulheres que amamentam produzem mais leite do que seus bebês necessitam. Esse excedente não deve ser desprezado, pois pode ser destinado aos Bancos de Leite Humano e utilizado em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal, contribuindo para a sobrevivência de muitos bebês. Esta afirmação é muito verdadeira: “cada gota salva vidas”.

Mas por que alguns bebês não podem ser amamentados por suas próprias mães? Em algumas situações, como em casos de doenças, como Aids, hepatites, uso de determinados medicamentos, entre outras condições, o leite materno da própria mãe não pode ser oferecido com segurança. Nesses casos, o leite doado torna-se essencial.

Embora o Brasil possua a maior rede de Bancos de Leite Humano do mundo, ainda não é possível atender a todos os bebês que necessitam desse alimento tão rico em nutrientes e anticorpos.

A doação de leite humano é um ato de solidariedade que faz toda a diferença, especialmente para bebês prematuros ou doentes que estão internados e não podem ser amamentados diretamente por suas mães. Para esses pequenos, cada gota de leite é valiosa.

Mulheres que possuem produção excedente podem se tornar doadoras e ajudar outros bebês. O processo de doação é simples, seguro e orientado por profissionais de saúde. O leite coletado passa por rigorosos controles de qualidade antes de ser oferecido aos recém-nascidos, garantindo sua segurança.

Além disso, a doação também beneficia a própria doadora. A retirada do excesso de leite pode evitar desconfortos, como o ingurgitamento mamário, que pode causar dor e inflamação nas mamas.

Doar leite não prejudica a amamentação do próprio filho. Pelo contrário, a retirada regular pode até estimular e manter a produção de leite. Além disso, a doadora ajuda muito outras crianças e suas famílias, fortalecendo uma rede de cuidado, amor e solidariedade.

Os Bancos de Leite Humano estão preparados para orientar, apoiar e acompanhar todo o processo de doação. Em muitos casos, oferecem coleta domiciliar e fornecem os materiais necessários, facilitando a participação das mães.

Se você pode doar, informe-se. Sua solidariedade pode salvar vidas e ajudar muitos bebês a crescerem fortes e saudáveis.

Para doar, entre no site da rede de Banco de Leite Humano* e localize o banco de leite mais próximo de sua residência.

*https://rblh.fiocruz.br/localizacao-dos-blhs

 

Relatora:
Rosangela Gomes dos Santos
Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SPSP

]]>
A jornada da amamentação e o papel do odontopediatra https://spsp.org.br/a-jornada-da-amamentacao-e-o-papel-do-odontopediatra/ Fri, 19 Sep 2025 11:53:43 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53252 A amamentação é uma jornada única e desafiadora, cheia de aprendizados para a mãe e para o bebê. O recém-nascido, mesmo que tenha nascido a termo, ainda está desenvolvendo]]>

A amamentação é uma jornada única e desafiadora, cheia de aprendizados para a mãe e para o bebê. O recém-nascido, mesmo que tenha nascido a termo, ainda está desenvolvendo a coordenação complexa de sugar, deglutir e respirar. Essa habilidade, que é essencial para extrair o leite, é aprendida e aprimorada a cada mamada.

Nos primeiros três meses, o aprendizado da amamentação passa por uma autorregulação. O bebê se adapta para coordenar a sucção e a deglutição, enquanto o corpo da mãe se ajusta para produzir leite de forma constante. Esse período nem sempre é simples, mas um manejo adequado da amamentação pode fazer toda a diferença. Dificuldades como a pega incorreta podem causar dor e ferimentos na mãe, podendo levar a um desmame precoce.

Em alguns casos, as dificuldades na amamentação podem estar relacionadas a problemas na cavidade oral do bebê. É aí que o odontopediatra se torna um aliado na equipe que atende a família, diagnosticando e tratando condições como:

  • Lesões na cavidade oral
  • Pouca abertura de boca, retrognatia mandibular (situação quando a mandíbula está posicionada mais para trás do que o normal, podendo resultar em recuo do queixo)
  • Dentes natais (presentes ao nascer) ou neonatais (que aparecem no primeiro mês de vida)
  • Anquiloglossia (a famosa “língua presa”), que limita os movimentos da língua, e outros freios orais que podem estar alterados e impactando na movimentação local.

 

Anquiloglossia: a “língua presa”

A anquiloglossia é um dos desafios de amamentação mais discutidos. O diagnóstico é complexo e deve ser feito por uma equipe transdisciplinar.

É crucial que o pediatra avalie o bebê, para que possa ser realizada qualquer intervenção, até mesmo uma simples manipulação.

O bebê é um paciente que deve ser considerado especial e, portanto, cuidados específicos devem ser tomados, como evitar excesso de manipulação, dor, etc., que possam causar estresse ao bebê e desorganizar o aprendizado de funções básicas!

Embora não exista consenso na literatura, muitos estudos e a prática clínica têm demonstrado que a liberação do freio lingual pode melhorar a pega do seio materno pelo bebê e a dor da mãe durante as mamadas. Em casos de dúvida, uma abordagem conservadora, com acompanhamento e suporte contínuos, é a mais indicada, conforme a Nota Técnica 52/2023 do Ministério da Saúde.

 

A importância do acompanhamento multidisciplinar

A língua é um órgão composto por vários músculos, que precisam trabalhar em equilíbrio e harmonia. A anquiloglossia pode afetar o desenvolvimento da língua na forma e função e, por isso, mesmo após a cirurgia de liberação do freio, o acompanhamento com um fonoaudiólogo é essencial. Esse profissional auxilia na reabilitação muscular e da mamada, garantindo que a língua ganhe a forma e função necessárias e a dupla mãe-bebê alcance uma amamentação eficiente.

Cada família é singular e o diagnóstico e plano de tratamento devem ser personalizados. É fundamental evitar o sobretratamento (procedimentos cirúrgicos desnecessários), quanto o subdiagnóstico e o subtratamento (falha em identificar e tratar problemas reais), que podem prejudicar o crescimento e desenvolvimento do bebê!

Atender uma família nesse momento vulnerável exige conhecimento, empatia e, acima de tudo, uma abordagem cuidadosa, criteriosa e transdisciplinar.

 

Relatora:
Adriana Cátia Mazzoni
Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Oral da SPSP

Colaboradoras:
Cristina Giovannetti Del Conte
Mary Odete da Silva
Sylvia Lavínia Ferreira
Núcleo de Estudos de Saúde Oral da SPSP

]]>
Um gesto humanitário que alimenta esperança https://spsp.org.br/um-gesto-humanitario-que-alimenta-esperanca/ Mon, 19 May 2025 11:32:18 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51410 No dia 19 de maio celebramos o Dia Mundial de Doação de Leite Humano, uma data que reforça a importância da solidariedade entre mulheres e o poder transformador do leite humano]]>

No dia 19 de maio celebramos o Dia Mundial de Doação de Leite Humano, uma data que reforça a importância da solidariedade entre mulheres e o poder transformador do leite humano para salvar vidas e mudar o futuro de inúmeras crianças.

A campanha deste ano reforça a doação de leite humano com o slogan “Um gesto humanitário que alimenta esperança”. Esperança é o que os bebês que estão em UTIs podem ter ao receber leite materno, pelos inúmeros benefícios que traz para a sua sobrevida e, principalmente, para as que, por algum motivo, estão impossibilitadas de receber o leite da própria mãe.

Doar é simples, seguro e pode ser feito por meio de qualquer Banco de Leite Humano autorizado pelo Ministério da Saúde e pela Fiocruz. Basta estar saudável, não usar drogas, não tomar medicamentos que interfiram na amamentação, estar amamentando o seu filho e extrair o leite excedente. Devem seguir as orientações de higiene e armazenamento fornecidas pela equipe do Banco de Leite Humano.

Mães que produzem leite em excesso podem entrar em contato com um Banco de Leite Humano para realizar a doação, processo que será orientado por profissionais de saúde capacitados. O leite doado passa pelo processo de pasteurização e rigorosos testes de qualidade antes de ser distribuído aos bebês que mais precisam e que estão em UTIs neonatais. A maioria dos bancos de Leite Humano faz a coleta do leite humano excedente na casa da doadora.

Ao doar leite materno, uma mulher contribui diretamente para a saúde de outras crianças, ajuda a reduzir a mortalidade infantil e traz esperança para uma qualidade de vida futura.

Quem quiser contribuir com os bancos de Leite Humano entre em contato com a Rede Brasileira de Banco de Leite Humano pelo site: rblh.fiocruz.br e encontre o Banco de Leite Humano mais próximo.

 

Relatora:
Rosangela Gomes dos Santos
Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
HIV: Posso me infectar durante o aleitamento materno? https://spsp.org.br/hiv-posso-me-infectar-durante-o-aleitamento-materno/ Fri, 29 Nov 2024 12:31:02 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=49228 Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), dia 1º de dezembro é a data escolhida para que, internacionalmente, possamos unir esforços no combate ao HIV/Aids]]>

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), dia 1º de dezembro é a data escolhida para que, internacionalmente, possamos unir esforços no combate ao HIV/Aids, recordando e ressaltando tantos avanços conseguidos no transcorrer desses 40 anos de história com o vírus e lutando contra o preconceito, estigma e discriminação das pessoas que vivem com HIV, melhorando dessa forma o entendimento da população sobre o vírus e suas repercussões, reconhecendo-o como um problema de saúde pública global.

O UNAIDS é um programa conjunto das Nações Unidas que tem como objetivo liderar e coordenar a resposta global à epidemia de HIV/Aids. O órgão publica relatórios periódicos mostrando a situação no mundo, em seus diferentes locais e as metas a serem alcançadas. Uma delas é acabar com a Aids como uma ameaça à saúde pública até 2030. As estatísticas mostram que infelizmente estamos longe de chegar ao nosso objetivo.

Globalmente, temos 39,9 milhões de pessoas vivendo com HIV, sendo 1,3 milhão de novas infecções em 2023. Por minuto, uma pessoa ainda morre por causas relacionadas à Aids no planeta.

Um grupo que se mostra bastante vulnerável à evolução mais complicada da doença são as crianças, em decorrência de vários fatores, como imaturidade imunológica, dependência total da família ou cuidadores para serem tratadas, menor oferta de medicações disponíveis que sejam específicas para essa faixa etária, entre outros. Sendo assim, todos os esforços devem ser feitos para que as crianças não se infectem e adoeçam.

A principal forma de infecção das crianças é a transmissão vertical, ou seja, da mãe para o filho, que pode acontecer durante a gestação, parto ou no aleitamento materno.

Temos no Brasil hoje um protocolo de prevenção da transmissão vertical muito bem estabelecido: medicação antirretroviral para gestante durante toda a gravidez mantendo-a estável clínica e laboratorialmente, escolha da via de parto adequada, medicação para criança por 28 dias e não amamentar. Com todas essas medidas estabelecidas, a chance de uma criança se infectar é muito baixa, cerca de 0% a 3%.

Como a política pública de saúde do Brasil tem como regra a testagem de todas as gestantes durante o pré-natal e parto (envolvendo as atendidas na saúde pública ou privada), espera-se que a imensa maioria delas sejam diagnosticadas e poderão receber todo esse protocolo. Porém, um grupo que nos preocupa muito e tem aumentado é o das pessoas que são negativas para os exames de HIV na gestação e parto e se infectam durante o aleitamento materno; e sim, isso é possível!!!

Temos de lembrar que pessoas que amamentam são sexualmente ativas na imensa maioria dos casos, correndo o risco de se infectar por HIV. Isso ocorrendo, há um risco altíssimo da criança se infectar, que pode chegar a até 30% a 40%, dependendo da situação materna.

Segundo levantamento da Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo, de 2019 para cá, 14,7% das infecções pelo HIV por transmissão vertical foram pelo aleitamento materno de pessoas exatamente com esse perfil, ou seja, pessoas que eram negativas e se infectaram durante o aleitamento.

Infelizmente, não temos ainda como política pública a obrigatoriedade da testagem para o HIV nas lactantes, como temos para as gestantes. A testagem regular permitiria o diagnóstico precoce das pessoas lactantes e dos bebês, podendo estes serem tratados e evitando o adoecimento.

Pensando em todo esse contexto, recomendo fortemente que pessoas em aleitamento discutam com seus médicos a possibilidade de testagem regular e mesmo de uso de outras formas de prevenção, como uso de preservativo, de medicamentos para prevenção de infecção para o HIV, a depender da sua situação de vida. Cada caso é um caso e as condutas e direcionamentos devem sempre ser individualizados e discutidos com seu médico.

As medidas de proteção da infecção pelo HIV são necessárias em todas as fases de vida do indivíduo e o período de aleitamento deve ser visto da mesma forma.

Divulgar e veicular de forma ampla o assunto HIV/Aids, abordando também questões de prevenção, não apenas no mês de dezembro, mas sempre, em todas as oportunidades, facilita o acesso a essas informações, podendo prevenir aparecimento de novas infecções, além de possibilitar maior acolhimento e menor discriminação de quem vive com HIV.

 

Relatora:
Daniela Vinhas Bertolini
Membro do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

]]>
Dia Mundial da Gestante https://spsp.org.br/dia-mundial-da-gestante-2/ Thu, 15 Aug 2024 10:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47549 Em 15 de agosto de 1943 foi apresentado ao mundo o primeiro computador, portanto essa data também é considerada o “Dia da Informática”. Importante? Muito! Já imaginou como seria sem]]>

Em 15 de agosto de 1943 foi apresentado ao mundo o primeiro computador, portanto essa data também é considerada o “Dia da Informática”.

Importante? Muito! Já imaginou como seria sem o computador nos dias de hoje?

Mas ele, o computador, não é o tópico de hoje.

Em 2023 tivemos no Brasil 1.400.000 registros de nascidos, ainda com uma assistência pobre às mulheres gestantes e recém-nascidos; 11% dos nascimentos são prematuros.

A confirmação da gestação é revestida de muita emoção e de várias outras sensações, como: surpresa, felicidade, medo e uma enxurrada de palpites. A Internet está repleta de informações, por vezes incorretas, ambíguas e muito “minha opinião” ou “eu acho”, mas também muita informação boa. Em sites oficiais (Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Pediatria-SBP, Sociedade de Pediatria de São Paulo-SPSP e Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia – FEBRASGO, SOCESP) as famílias conseguem informações adequadas e sérias.

O obstetra é o primeiro profissional a atender a nova família: mãe, pai e bebê ainda embrião. Forma-se um vínculo de confiança. Devem procurar um obstetra que lhes escute, que possam trocar ideias, que mostre as vantagens e desvantagens do parto cirúrgico versus via vaginal, que examine detalhadamente, que oriente os cuidados com as mamas, a vacinação da gestante, do pai e das pessoas que terão contato próximo, que oriente em relação à alimentação, suplementos vitamínicos, atividade física, trabalho, transporte e outros assuntos mais. Afinal, o bebê se desenvolve e utiliza tudo que necessita da mãe.

Além do mais, verifiquem se o médico é defensor do aleitamento materno. Vencida essa fase, chega mais uma etapa muito importante: encontrar um pediatra para chamar de SEU.

O obstetra acompanha a família durante o período gestacional e após, nas rotinas necessárias. O pediatra vai até a entrada na vida adulta, é alguém que vai estar muito junto da família, compartilhando conhecimentos e expectativas.

A SBP e a SPSP orientam para que seja realizada uma consulta com o pediatra na 32ª semana de gestação. Essa consulta é de extrema importância, pelo menos neste momento. Vocês poderão conhecer o futuro pediatra de seu bebê. Assim como o obstetra, procurem um pediatra defensor do aleitamento materno. Tirem dúvidas quanto a tudo que vai acontecer na maternidade: banho, sono, mamadas, tipo de parto, o que levar para o hospital, quais exames serão realizados, quais vacinas o bebê irá tomar, cadeirinha para o transporte no carro na hora da alta.

“As mães sempre sabem”, conhecem os filhos pelo olhar. E os bebês reconhecem a mãe pelo cheiro. Com dez semanas de gestação, o bebê sente o odor proveniente do líquido amniótico, que varia com a genética da mãe e pelos tipos de alimentos que ela ingere. Experiências mostram que se colocarmos no ombro de diferentes mães leite materno, o bebê acerta direitinho qual é o de sua mãe.

Falta muito para conseguirmos proteger as mães gestantes e seus filhos. O trabalho informal e as leis trabalhistas, que caminham muito lentamente, colocam em risco nossas gestantes. A criação do Dia da Gestante em agosto, que é o mês do Aleitamento Materno, o Agosto Dourado, poderia trazer um grande reforço na importância da amamentação. Mas o trabalho é de formiguinha, todos fazendo sua parte, para que a soma de esforços faça a real diferença.

 

Relatora:
Isis Dulce Pezzuol
Membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

 

]]>
Amamentação:  Apoio em todas as situações https://spsp.org.br/amamentacao-apoio-em-todas-as-situacoes/ Thu, 01 Aug 2024 12:29:17 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47358 A Semana Mundial de Amamentação iniciou suas comemorações no ano de 1992, a partir da Declaração de Innocenti de 1990. Este documento reconhece o direito fundamental]]>

A Semana Mundial de Aleitamento Materno iniciou suas comemorações no ano de 1992, a partir da Declaração de Innocenti de 1990. Este documento reconhece o direito fundamental de mães amamentarem e bebês serem amamentados como fator importante para saúde e bem-estar de ambos.

Em 2024 a WABA (Word Alliance for Breastfeeding Action), que é uma rede global de indivíduos e organizações dedicadas à proteção, promoção e apoio à amamentação em todo o mundo, e a IBFAN Brasil (Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar – International Baby Food Action Network), que têm lutado por um mundo sem pressões comerciais, para que as mulheres possam tomar decisões informadas quanto à alimentação infantil de forma adequada. Estas organizações trazem como tema deste ano, no Agosto Dourado, o APOIO À AMAMENTAÇÃO EM TODAS AS SITUAÇÕES, reduzindo as desigualdades. 

Segundo estas instituições, a SMAM (Semana Mundial de Aleitamento Materno) está apoiada em 4 pilares que são:

Informar: sobre as desigualdades existentes no apoio à amamentação e sobre os seus indicadores.

Promover: ações para reduzir as desigualdades no apoio à amamentação com foco em grupos de apoio.  

Consolidar: a amamentação como um fator que contribui para diminuir as diferenças na sociedade.

Envolver: líderes como pessoas e organizações para colaborar e apoiar a amamentação.

Inúmeras são as situações em que as mães e os bebês precisam de apoio. 

Dentre as situações em que as lactantes devem ser apoiadas, temos:  as mulheres que trabalham de maneira formal e informal na volta ao trabalho; as mães de prematuros; nas crises climáticas (enchentes, tufões, terremotos etc.); nas diferenças de gênero e raça e várias outras situações cujo apoio é fundamental para que o aleitamento materno seja exclusivo até o sexto mês e complementado até dois anos ou mais, segundo a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O que podemos fazer? 

Para a mulher trabalhadora formal, devemos promover legislações que permitam que amamentem, exclusivamente, até o sexto mês, além de trabalhar com sindicalistas para informar aos trabalhadores sobre os seus direitos.  Para as trabalhadoras informais, é necessário fornecer locais para que elas possam amamentar e coletar o seu leite perto do local de trabalho, assim como receber ajuda financeira para que possam permanecer mais tempo em casa com seus filhos.

Para as mães de prematuros, o apoio nas maternidades, para evitar o desmame precoce, é de fundamental importância para que os bebês possam sair de alta em aleitamento materno exclusivo. Este apoio passa por orientações sobre a importância da amamentação, estimular que os bebês prematuros possam ir de forma precoce para o seio materno e estimulação à coleta frequente do leite materno para que a produção láctea da mãe não diminua.

Nas crises climáticas, os profissionais da saúde devem ficar atentos ao assédio das indústrias de fórmulas infantis nas doações e distribuições de forma indiscriminadas. Devemos ficar atentos ao Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno (NBCAL) que regulamenta a distribuição de fórmulas.

Nos casos de diferenças racial e social, que existam sistemas públicos que ofereçam grupos de apoio à mulher e às suas famílias com informações oportunas e precisas, bem como apoio prático e emocional para promover a amamentação ideal na iniciação e estimulação à manutenção do aleitamento materno.  

O aleitamento materno é um dos melhores investimentos em Saúde Global. Ao intervir para que possamos prolongar a amamentação, melhoraremos a saúde e sobrevivência de mães e crianças e teremos a melhoria do meio ambiente, que ficarão mais livres de resíduos e substâncias tóxicas.    

ESTE MATERIAL FOI ELABORADO A PARTIR DO SITE DA WABA E DA IBFAN BRASIL.

Saiba mais:

– WABA (Word Alliance for Breastfeeding Action). https://waba.org.my/

– IBFAN (Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar – International Baby Food Action Network). http://www.ibfan.org.br/site/

 

Relatora:
Rosângela Gomes dos Santos
Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Amor em cada gota doada, vida em cada gota recebida https://spsp.org.br/amor-em-cada-gota-doada-vida-em-cada-gota-recebida/ Sun, 19 May 2024 09:00:32 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46118 Você sabia que no dia 19 de maio comemoramos o Dia Nacional de Doação de Leite Humano? Esse dia, 19 de maio, e a Semana Nacional de Doação de Leite Humano foram cria]]>

Você sabia que no dia 19 de maio comemoramos o Dia Nacional de Doação de Leite Humano?

Esse dia, 19 de maio, e a Semana Nacional de Doação de Leite Humano foram criados pela Lei nº 13.227/2015 e representam uma forma de sensibilizar e chamar a sociedade para a importância da DOAÇÃO DE LEITE HUMANO, promover debates sobre a importância da amamentação e divulgar o trabalho dos Bancos de Leite Humano nos Estados e Municípios – atualmente com 233 e 240 postos de coleta de leite humano, o Brasil é referência mundial em Bancos de Leite Humano.

O leite humano é um alimento complexo e balanceado em sua composição, contendo carboidratos, proteínas, vitaminas, açúcares, lipídios, minerais, substâncias imunocompetentes (imunoglobulina A, enzimas, interferon), fatores moduladores de crescimento e água. Além de fatores emocionais e psicológicos. Devido a sua composição única, é a forma mais importante de nutrição exclusiva para bebês até seis meses de vida.


Principais benefícios do leite materno:

–Protege a criança contra diarreias, infecções respiratórias e alergias;

–Reduz em até 13% a mortalidade em crianças menores de 5 anos;

–Diminui o risco de desenvolver hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade na vida adulta.

Qualquer quantidade de leite materno doada pode ajudar. Para se ter uma ideia, 1 ml de leite já é suficiente para nutrir um recém-nascido a cada refeição, dependendo do peso. O pote não precisa estar cheio para ser levado ao Banco de Leite Humano. Cada pote de 300 ml pode ajudar até 10 recém-nascidos por dia. Toda mulher que amamenta é uma possível doadora de leite humano. Para doar, basta ser saudável, ter excedente de leite e não estar usando nenhum medicamento que interfira na amamentação. (Fonte: Ministério da Saúde)

Quer doar leite humano?

Basta seguir os seguintes passos:

Preparo do frasco para estocar o leite materno

1 – Lave um frasco de vidro (não serve de plástico) de boca larga com tampa de plástico (do tipo café solúvel), retire o rótulo e o papel de dentro da tampa;

2 – Coloque tampa e frasco em uma panela com água de forma que a água cubra os dois;

3 – Deixe ferver por 15 minutos, contando o tempo a partir do borbulhamento da água;

4 – Retire após esse tempo, com cuidado para não se queimar e escorra com a abertura do vidro voltada para baixo, sobre um pano limpo até secar, não use qualquer material para limpar o interior do frasco caso permaneçam gotículas de água;

5 – Caso não for utilizar imediatamente, guarde fechado na geladeira, tendo o cuidado de não tocar na parte interna da tampa ao fechar o frasco.


Para a coleta

1 – Use uma touca ou um lenço para cobrir os cabelos e uma fralda de pano ou máscara sobre o nariz e a boca;

2 – Lave mãos e braços até o cotovelo com bastante água e sabão;

3 – Lave as mamas apenas com água e seque com toalha limpa;

4 – Escolha para a coleta um lugar limpo, confortável e tranquilo, que não deve ser nunca um banheiro;

5 – Forre um lugar com pano limpo para apoiar frasco e tampa;

6 – Evite conversar ou falar ao celular durante a coleta.


Para a coleta do leite da mama

1 – Massageie as mamas com a ponta dos dedos, fazendo movimentos circulares no sentido da parte escura (aréola) para o corpo; coloque o polegar acima na linha entre a parte mais escura e mais clara da mama; coloque o dedo indicador e médio abaixo da aréola; firme os dedos e empurre para trás em direção ao corpo; aperte o polegar contra os outros dedos até saírem gotas de leite;

2 – Despreze as primeiras gotas;

3 – Colha o leite no frasco, colocando-o debaixo da aréola;

4 – Ao término, feche o frasco, identifique com nome e data e guarde no congelador ou freezer.

5 – Caso o frasco não esteja completamente cheio, ele poderá ser completado na próxima coleta até o volume de 2 dedos antes da tampa. Lembrar que o leite humano deve ser sempre conservado congelado.

6 – A doadora também poderá colher seu leite com bombas elétricas, sempre com os cuidados necessários na higienização dos componentes da bomba conforme orientação do fabricante.

O leite humano extraído para doação pode ficar no freezer ou no congelador da geladeira por até dez dias. Nesse período, deverá ser transportado ao Banco de Leite Humano, onde será feita a seleção, classificação, processamento, controle de qualidade e distribuição para UTIs neonatais para a utilização na alimentação dos prematuros, que são os consumidores preferenciais do leite humano pasteurizado.

Para se cadastrar como doadora, basta entrar em contato com o Banco de Leite Humano mais próximo de sua região, que poderá ser encontrado no site da Rede Brasileira de Banco de Leite Humano (rblh.fiocruz.br). A maioria dos Bancos de Leite faz a coleta no domicílio da doadora e orienta a forma de extração e ordenha.

VEM SER UMA DOADORA!

Relatora:
Rosângela Gomes dos Santos
Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Revista Crescer – Uso de medicamentos durante a amamentação, com Rosângela Gomes dos Santos https://spsp.org.br/revista-crescer-uso-de-medicamentos-durante-a-amamentacao-com-rosangela-gomes-dos-santos/ Sun, 05 May 2024 17:39:24 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46142 Veículo: Revista Crescer

Data: 05/05/2024

A pediatra Rosângela Gomes dos Santos, presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SPSP, foi uma das entrevistadas pela revista Crescer para falar sobre o uso de medicamentos durante o aleitamento materno. A reportagem explica que, durante o período da amamentação, as mães precisam estar atentas a práticas que podem comprometer a saúde de seus filhos, principalmente quando se trata do uso de alguns remédios. Dúvidas, como a utilização de antibióticos e pílulas anticoncepcionais, em que situações a amamentação deve ser suspensa, o uso de antidepressivos, entre outras, foram esclarecidas.

Leia mais: https://revistacrescer.globo.com/bebes/amamentacao/noticia/2024/05/8-duvidas-sobre-uso-de-medicamentos-durante-a-amamentacao.ghtml

]]> Você sabia que existe uma Semana Mundial de Aleitamento Materno? https://spsp.org.br/voce-sabia-que-existe-uma-semana-mundial-de-aleitamento-materno/ Tue, 01 Aug 2023 19:16:46 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=38874 Em 2023 celebramos a 32ª Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM), que acontece entre os dias 1º e 7 de agosto e tem como tema: “APOIE]]>

Em 2023 celebramos a 32ª Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM), que acontece entre os dias 1º e 7 de agosto e tem como tema: “APOIE A AMAMENTAÇÃO. FAÇA A DIFERENÇA PARA MÃES E PAIS QUE TRABALHAM”.

No Brasil, a lei federal nº 13.435/17 institui o mês de agosto como o Mês do Aleitamento Materno, criando assim o AGOSTO DOURADO (o leite materno é considerado o padrão ouro da alimentação infantil), desde 2017.

O ponto de partida para a criação da SMAM foi uma reunião (“Amamentação na década de 1990: uma Iniciativa Global“), realizada em Florença, na Itália, de 30 de julho a 1º de agosto de 1990, no Spedale degli Innocenti (Hospital dos Inocentes), com a presença de formuladores de políticas da OMS/UNICEF, copatrocinada pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (A.I.D.) e a Autoridade Internacional de Desenvolvimento da Suécia (SIDA), com uma proposta de ações até 1995.

O resultado desse encontro foi a Declaração de Innocenti, assinada por 40 representantes de 30 países, do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), OMS, FAO (Organização para Alimentação e Agricultura), do Banco Mundial e outras instituições.

Em fevereiro de 1991 foi criada a WABA (World Alliance for Breastfeeding Action), em uma reunião de ONGs (IBFAN, La Leche League, ILCA, ABM, entre outras), com a ideia inicial de celebrar um dia (1º de agosto, pela data da assinatura da Declaração de Innocenti), para reforçar a importância do aleitamento materno e discutir formas de implementar a sua prática de forma ampla. Assim, o que começou com um dia (1º de agosto), passou a uma semana em 1992 e, no Brasil, desde 2017, tem um mês (agosto) dedicado à proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno.

A cada ano, a WABA estabelece um tema a ser trabalhado mundialmente, cria um slogan e uma proposta de ações para que cada país aplique dentro de sua cultura, suas características sociais e econômicas, mas sempre com a intenção de proteger, promover e apoiar a amamentação. Assim, a 1ª SMAM foi oficializada em 1992, com o tema: “Iniciativa Hospitais Amigos da Criança”.

Muito se fala sobre a Declaração de Innocenti, mas a imensa maioria dos profissionais de saúde materno-infantil desconhece o seu teor. Esse documento de 1990 traz, já na sua essência, grande parte das propostas que se discutem ano após ano, incluindo a de 2023 sobre as condições de trabalho para as mães, especialmente quando voltam de sua licença-maternidade.

Muitos foram os temas das Semanas Mundiais definidos pela WABA, desde a Iniciativa Hospital Amigo da Criança (1992 e 2010), passando pelos direitos da mulher no trabalho (1993, 2015 e agora em 2023), pelo Código Internacional de Substitutos do Leite Materno (1994 e 2006) e por questões a respeito da era da informação, rede de apoio, saúde materno-infantil, aleitamento materno na primeira hora de vida, exclusivo até o sexto mês e a introdução de novos alimentos.

E assim, ano a ano, se levanta uma nova frente de resistência e de luta, mas sem que se deixem de lado as temáticas anteriores. Vale ressaltar que o aleitamento materno aparece como coadjuvante e parceiro em outras datas representativas durante o ano, como no OUTUBRO ROSA, de prevenção ao câncer de mama, pela proteção conferida através do leite humano. O NOVEMBRO ROXO, mês dedicado à prematuridade, também reforça a importância do leite humano como melhor forma de nutrição para diminuir os quadros de doenças e oferecer maior chance de alta mais precoce para as díades mães-bebês. Em 19 de maio celebra-se o Dia Nacional e Mundial de Doação de Leite Humano, destacando a importância da nossa Rede de Bancos de Leite Humano, a maior do mundo, que inclusive exporta tecnologia para muitos países. “Um pequeno gesto pode alimentar um grande sonho: Doe leite materno”. Esse foi o tema oficial da campanha deste ano.

O Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo lançou um e-book: “30 anos de história da Semana Mundial de Aleitamento Materno”. Nesse documento, estão os temas de cada ano, com uma explicação sobre as ações propostas pela WABA e aplicadas no Brasil desde 1991, sobre o início da caminhada, até 2021, com a 30ª SMAM.

A amamentação é um processo único que:

  • fornece nutrição ideal para bebês e contribui para seu crescimento e desenvolvimento saudáveis;
  • reduz a incidência e gravidade de doenças infecciosas, diminuindo assim a morbimortalidade infantil;
  • contribui para a saúde da mulher, ao reduzir o risco de câncer de mama e ovário, ao aumentar o espaçamento entre as gestações;
  • fornece benefícios sociais e econômicos para a família e a nação;
  • proporciona à maioria das mulheres uma sensação de satisfação quando realizada com sucesso.

 

Pesquisas recentes descobriram que:

  • esses benefícios aumentam com o aumento da exclusividade da amamentação durante os primeiros seis meses de vida e, posteriormente, com o aumento da duração da amamentação com alimentos complementares;
  • as intervenções do programa podem resultar em mudanças positivas no comportamento da amamentação.

Como meta global para a saúde e nutrição materno-infantil ideais, todas as mulheres devem poder praticar a amamentação exclusiva e todos os bebês devem ser alimentados exclusivamente com leite materno desde o nascimento até os 4-6 meses de idade. Depois disso, as crianças devem continuar a ser amamentadas, até dois anos de idade ou mais, e receber alimentos complementares apropriados e adequados. Esse ideal de alimentação infantil deve ser alcançado criando um ambiente apropriado de conscientização e apoio para que as mulheres possam amamentar dessa maneira.”

Esses são alguns trechos da Declaração de Innocenti sobre a proteção, promoção e apoio à amamentação (vale a leitura na íntegra), que trazem informações interessantes sobre o aleitamento materno, o leite humano e as propostas para a compreensão dos desafios que as mães superam quando querem amamentar seus filhos.

E essa é uma responsabilidade de todos nós, governo e suas políticas públicas; empresas e licenças maternidade e paternidade, com salas de apoio à amamentação; da sociedade, sem preconceitos; das mídias e das redes sociais, com informação científica ética, atualizada e sem fake news; das escolas, desde o fundamental até as universidades, com educação continuada sobre o tema; dos profissionais de saúde materno-infantil, com estudos constantes, prática ética, sem conflitos de interesse; da família e redes de apoio, permitindo que a díade mãe-bebê se beneficie do padrão ouro da alimentação infantil.

Relator:
Moises Chencinski
Membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

]]>