Blog – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 12 Aug 2022 19:39:27 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Blog – SPSP https://spsp.org.br 32 32 A importância de se avaliar a saúde mental e o risco de suicídio em adolescentes https://spsp.org.br/a-importancia-de-se-avaliar-a-saude-mental-e-o-risco-de-suicidio-em-adolescentes/ Fri, 12 Aug 2022 15:31:20 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=33763 A adolescência para a OMS (Organização Mundial da Saúde) inicia-se aos dez anos e estende-se até os 19 anos completos. Essa é uma fase complexa, em que]]>

A adolescência para a OMS (Organização Mundial da Saúde) inicia-se aos dez anos e estende-se até os 19 anos completos. Essa é uma fase complexa, em que o meio ambiente interage com as particularidades do desenvolvimento físico e psicológico, sendo um importante agente de agravos à saúde. As quatro principais causas de morte de adolescentes no Brasil são de fatores externos. A taxa de mortalidade/100.000 habitantes na faixa etária de 10 a 24 anos, das 4 principais causas, em 2019, nas meninas foram: acidentes de trânsito: 6,1; violência interpessoal (homicídio): 6,0; transtornos maternos: 2,3; autolesão (suicídio): 2,0. E nos meninos foram: violência interpessoal: 78,9; acidentes de trânsito: 26,6; autolesão: 6,5; afogamento: 5,3.

Em estudo de 2016, 30% dos adolescentes brasileiros apresentavam doença mental. No último censo sobre saúde escolar (PeNSE, 2019), 21% dos adolescentes avaliados referiam que a vida não valia a pena ser vivida na maioria das vezes ou sempre nos últimos 30 dias da pesquisa. Nos últimos anos, tem sido notificado um aumento dos casos de suicídios no Brasil em todas as faixas etárias, mas chama a atenção a sua ocorrência na infância e principalmente entre 15 e 19 anos.

Se a saúde mental dos adolescentes já não estava boa, a pandemia a afetou ainda mais, pois levou ao isolamento social, afastou os adolescentes da escola e de seus amigos, gerou o luto pela perda de familiares, aumentou incertezas e inseguranças. O impacto da pandemia na saúde mental dos adolescentes não ocorreu somente no Brasil; no mundo todo se observou aumento de casos de suicídios nessa faixa etária.

Os adolescentes mais vulneráveis são os que têm história familiar de tentativas de suicídio ou suicídio, problemas de saúde mental dos pais, questões quanto à orientação sexual e/ou identidade de gênero, histórico de abuso físico, psíquico ou sexual, abuso de álcool ou outras substâncias psicoativas (álcool, maconha, cigarro e outras drogas). Entretanto, existem dois fatores socioambientais que são muito relevantes na infância e adolescência – o bullying e o uso abusivo de internet.

O bullying continua sendo muito frequente nas escolas e, em alguns países como a Inglaterra, foi associado a 50% das tentativas de suicídio. É importante salientar que essa alta associação entre bullying e suicídio ocorre tanto para quem é alvo de bullying como para quem o pratica. O mau uso ou o uso abusivo da internet está associado ao risco aumentado de depressão, de exposição ao cyberbullying e ao fácil acesso a informações sobre tópicos relacionados ao suicídio.

Por tudo isso, apesar da adolescência ser um período de poucas infecções e os pais se preocuparem menos com a saúde física de seus filhos, é importante manter consultas médicas periódicas. Nessa fase, a partir dos dez anos, a consulta médica deve incluir um período de entrevista somente com os adolescentes, sem a presença dos pais ou responsáveis, para que se avaliem comportamentos de risco, a saúde mental deles e para que se possa realizar intervenções preventivas. É importante o uso de questionários padronizados para que a percepção e os vieses do profissional não influenciem sua avaliação.

O médico pediatra conhece o adolescente e a família em um acompanhamento de longo prazo e, portanto, conhece a dinâmica familiar e pode auxiliar os pais a terem um papel positivo junto aos adolescentes e jovens, para que estes desenvolvam ferramentas sociais que os auxiliem no autocuidado.

 

Figura 1: Evolução das taxas de mortalidade por suicídio, por idade 2010-2019

Boletim Epidemiológico | Secretaria de Vigilância em Saúde | Ministério da Saúde 4 Volume 52 | Nº 33 | Set. 2021

 

Procure Ajuda

Caso você perceba que seu filho esteja com sofrimento emocional, praticando autoagressão não suicida (cutting), esteja se isolando, deixando de fazer coisas que antes considerava prazerosas e que esteja pensando em cometer suicídio, procure ajuda especializada. Você pode falar com seu pediatra, psicólogo ou procurar um CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) de sua cidade. Ou ligue para o CVV (Centro de Valorização da Vida) https://www.cvv.org.br/, que funciona 24 horas por dia, incluindo finais de semana e feriados, pelo telefone 188, pelo e-mail, chat ou pessoalmente (verifique se existe um posto de atendimento em sua cidade).  

 

Relatoras:
Elizete Prescinotti Andrade
Lilia D’Souza Li
Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: hay dmitriy | depositphotos.com

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Aumento do consumo de doces durante a pandemia https://spsp.org.br/aumento-do-consumo-de-doces-durante-a-pandemia/ Mon, 16 May 2022 19:09:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=32511 Durante a pandemia, as pessoas ficaram com maior dificuldade para ir ao supermercado ou feiras livres, passando a optar por alimentos industrializados por serem mais duráveis e baratos que os alimentos saudáveis. ]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 16/05/2022


Durante a pandemia, as pessoas ficaram confinadas em casa, com maior dificuldade para ir ao supermercado ou feiras livres, então, muitos optaram por alimentos industrializados por serem mais duráveis e mais baratos. Segundo o UNICEF, 54% das pessoas que participaram de uma pesquisa relacionada à alimentação durante este período reportaram mudanças de hábitos alimentares e 34% das famílias com crianças relataram aumento do consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas.

A infância, principalmente os primeiros anos, é um período importante para o desenvolvimento de preferências e do autocontrole de ingestão de alimentos. Os hábitos alimentares se constroem nos primeiros anos de vida. O açúcar é altamente calórico, desprovido de nutrientes e é hiperpalatável, levando a um desequilíbrio do paladar, fazendo com que a criança passe a preferir alimentos doces. Por ser hipercalórico leva ao ganho de peso e até à obesidade, se não houver gasto energético suficiente através das atividades físicas. Pode levar também à resistência à insulina, diabetes tipo II, hipertensão arterial, problemas ortopédicos e ainda causar danos aos dentes. Por tudo isso, é importante uma dieta equilibrada. O açúcar (hidrato de carbono) deve fazer parte da dieta e pode ser consumido de forma saudável através das frutas, cereais, sementes e legumes.

A alimentação na primeira infância inicia-se com o leite materno, que na sua constituição tem açúcar – a lactose – que tem muitas funções e, dentre elas, uma muito importante, a de estabelecer uma flora intestinal saudável. Por outro lado, o açúcar pode levar a um ganho de peso inadequado e causar doenças crônicas no adulto. A criança, segundo o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras menores de 2 anos – versão resumida (Ministério da Saúde/2021, pág. 40), já apresenta uma tendência natural a aceitar o paladar doce; se for acostumada a receber alimentos adoçados, poderá rejeitar aqueles que despertam outros sabores, podendo vir a ter dificuldade de comer verduras e legumes. Nessa fase é muito importante a construção do paladar. A alimentação variada estimula os sentidos com as cores, sabores e texturas diferentes.

O hidrato de carbono faz parte da nossa alimentação e não deve ser supervalorizado. A proibição exacerba a curiosidade e a criança entende que esse alimento dá prazer. O doce industrializado pode ser trocado por frutas, bolachinhas integrais e doces caseiros com ingredientes saudáveis. Deve-se evitar a frequência exagerada de alguns hábitos rotineiros, como a sobremesa doce ou fazer lanches contendo doce. Os pais podem variar usando açúcar de coco ou mascavo e ainda frutas de paladar doce nas preparações de sobremesas, a banana é uma ótima opção, além de sorvete de frutas, como o de manga. Se a criança já está acostumada a comer doces, a redução deve ser gradual. Precisamos lembrar também que o exemplo é uma forma muito importante de estímulo. 

O organismo da criança que recebe doce como prêmio estimula áreas do hipotálamo relacionadas ao prazer e ao sistema de recompensa. Desta forma, por entender que comer doce é uma forma de prazer, poderá ter consumo exagerado em situações de estresse ou tristeza.

A alimentação equilibrada deve ser preocupação de todos os indivíduos, em especial mulheres grávidas. Durante o desenvolvimento fetal, a mãe, através de ganho adequado de peso, dieta equilibrada e vida saudável, permitirá que seus filhos obtenham modificações no seu DNA (Ácido Desoxirribonucleico – é uma molécula que está presente em todas as células dos seres vivos e carrega toda a informação genética), que os protegerá das doenças crônicas do adulto. A continuidade dessa ação de proteção se dá através do leite materno, por mecanismos epigenéticos (são aqueles que podem ser herdados e não alteram a sequência do DNA na expressão dos genes), principalmente pela ação dos micro-RNAs (RNA é a sigla para o ácido ribonucleico, molécula responsável pela codificação da síntese de proteínas – que transmite informações genéticas do DNA) do leite humano. A má nutrição no início da vida pode contribuir para o maior risco de doenças crônicas no adulto. O nosso material genético é especialmente plástico em algumas fases do desenvolvimento, como a pré-concepção, desenvolvimento fetal, infância e puberdade, daí a necessidade de nutrição correta, exercícios físicos e ambientes adequados, fundamentais para o crescimento e a vida feliz e saudável.

 

Relatora:
Marisa da Matta Aprile
Membro do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Fonte: spotmatikphoto | depositphotos.com

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H3N2: Não é só Covid-19 que requer cuidados https://spsp.org.br/h3n2-nao-e-so-covid-19-que-requer-cuidados/ Mon, 20 Dec 2021 17:00:56 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30842 A cepa H3N2 está contida na vacina do Programa Nacional de Imunizações (PNI), mas a atual variante, responsável pelo recente surto no Rio de Janeiro e em São Paulo, não é adequadamente coberta pela vacina atual.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 20/12/2021


A cepa H3N2 está contida na vacina do Programa Nacional de Imunizações (PNI), mas a atual variante, responsável pelo recente surto no Rio de Janeiro e em São Paulo, não é adequadamente coberta pela vacina atual. No entanto, mesmo assim, é importante realizar a vacinação contra a gripe.

Temos duas situações que afetaram sobremaneira este surto. A primeira é que a cobertura vacinal contra a gripe foi muito baixa e isso não só permitiu que muitas pessoas estivessem suscetíveis a contrair infecção pelovírus Influenza, como também resultou na manutenção da circulação do vírus. Junta-se a isso pequenas mudanças nas variantes (no caso a H3N2) que não são adequadamente protegidas pela vacina. A segunda situação é o tempo de eficácia da vacina, que é curto. Ou seja, além de termos permitido que o vírus continuasse circulando, pela baixa cobertura vacinal, neste momento temos pessoas que podem ficar novamente vulneráveis à doença.

A redução das medidas não farmacológicas para proteção contra o Covid-19 (como o uso de máscara, isolamento social e medidas de higiene) acaba por permitir novamente a circulação do vírus influenza, o que está provocando este surto mesmo fora de época.

Pessoas que não foram vacinadas, especialmente aquelas que são de grupos de risco, devem receber a sua dose, pois nada impede que os vírus abrangidos pela vacina não tenham aumento na sua circulação. Demais indivíduos também podem ser vacinados. Não há contraindicação. E, a partir da época correta de vacinação no ano que vem, podem tomar normalmente.

A indicação da vacina contra a gripe é a partir de 6 meses, idade em que foi demonstrada sua eficácia. Gestantes, idosos, crianças (principalmente menores de 2 anos) e grupos de risco são prioritários e devem tomar sua dose caso ainda não tenham recebido este ano, mesmo sendo fora de época, pois temos observado mudanças no perfil epidemiológico dos vírus respiratórios, que têm acontecido muito fora do período mais tradicional. Por isso, temos hoje os prontos-socorros cheios e, no caso das crianças, por vários vírus que não Covid-19 e Influenza.

Vale lembrar que a vacina é feita em duas aplicações, com intervalo de 1 mês em crianças até 9 anos de idade. Se a vacinação for realizada em dezembro de 2021, por exemplo, e a 2° dose em janeiro de 2022, assim que iniciar a campanha contra gripe em 2022 essas crianças já devem ser vacinadas novamente.

Os principais cuidados devem ser o isolamento daqueles confirmados com a infecção ou com suspeita. Usar máscaras novamente ganha importância neste momento, não só para não adquirir a infecção como para evitar a transmissão. Medidas de higiene, cuidados nas escolas e trabalho devem ser tomados sempre.

Relator:
Marcelo Otsuka
Vice-presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Foto: tashatuvango | depositphptps.com.br

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Toda criança tem direito a um futuro! https://spsp.org.br/toda-crianca-tem-direito-a-um-futuro/ Mon, 06 Dec 2021 17:58:13 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30672 O nascimento de uma criança é antes de tudo um sopro de esperança para a humanidade. Mais uma oportunidade de renovação e criatividade. Cada criança traz em si um vir-a-ser de novidades. Na diversidade é que há renovação.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 06/12/2021


O nascimento de uma criança é antes de tudo um sopro de esperança para a humanidade. Mais uma oportunidade de renovação e criatividade. Cada criança traz em si um vir-a-ser de novidades. Na diversidade é que há renovação.

Sim, toda criança tem direito a um futuro.

Que futuro? Aquele que lhe é possível, dado pelo potencial inato que carrega em si.

Do que depende esse futuro? Do desenvolvimento pleno de cada etapa do seu crescimento e de sua maturação.

Quais os determinantes dessa construção de futuro? Acolhimento, amor, cuidado, oportunidades, educação, proteção, saúde.

Na dependência de quem este futuro está?  Da cota de responsabilidades partilhada pela família original, pelo Estado, pela Sociedade.

Cada uma no seu papel: singular e intransferível.

Como essas tarefas podem ser perceptíveis no dia a dia? Em um pré-natal efetivo, numa atenção ao parto adequada, em um acompanhamento médico periódico, na prevenção de doenças pela vacinação, na escola acolhedora, desafiadora e estimulante, na oportunidade de emprego, na justiça social, na distribuição das riquezas e oportunidades, na inclusão, no tratamento equânime dos recursos, num arcabouço jurídico protetor de direitos, num ambiente natural sustentável.

Qual o papel dos pediatras nessa construção? Ser um dos guardiões desse futuro.

Estamos num limiar, quase transpondo a demarcação de um novo mundo pós-pandêmico. Há um futuro pela frente. Nossas crianças necessitam que as capacitemos com um “kit” mínimo de habilidades pessoais: elas precisam de confiança, da sensação de proteção e cuidado, de metas para alcançar que valham à pena perseguir… Crianças precisam de sonhos, de utopias.  

Precisamos contar mais histórias fantásticas nas quais o possível não é contido pelo real imanente, mas pelo desejo, pelos afetos, pela beleza, pela arte, pela poesia, pela exuberância da natureza, pela simplicidade.

#Esperançar.

Esperançar é verbo. Não é atitude passiva de esperar, antes é ação que busca promover a realização do que se espera alcançar.

Bora!

Relator
Fernando M F Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: hay dmitriy | depositphotos.com

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Recomendações para férias seguras ainda em tempos de Covid-19 https://spsp.org.br/recomendacoes-para-ferias-seguras-ainda-em-tempos-de-covid-19/ Fri, 03 Dec 2021 14:37:13 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30656 As férias escolares estão quase aí. Apesar de parte da população estar vacinada e a queda de novos casos, das mortes e da ocupação hospitalares, não é hora de relaxar os cuidados contra a Covid-19.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 03/12/2021


As férias escolares estão quase aí. No entanto, apesar de parte da população estar vacinada e a consequente queda de novos casos, das mortes e da ocupação dos leitos hospitalares, não é hora de relaxar os cuidados contra a Covid-19.

Todas as medidas de prevenção deverão permanecer mesmo com a flexibilização e retorno à “normalidade”: lavagem constante das mãos com água e sabão ou uso do álcool em gel (sob a supervisão de um adulto), uso de máscaras faciais, considerando a idade da criança e sua capacidade de usá-las de forma apropriada, e evitar grandes aglomerações.

Dê preferência às brincadeiras e passeios ao ar livre, como praças e parques, incentivando o contato com a natureza. Pequenas viagens podem ser programadas, de preferência para locais com espaços ao ar livre, como sítios, fazendas e praias, sempre se atentando para a segurança das crianças e dos adolescentes. Se a família for viajar de avião ou ônibus, cheque as exigências das companhias ou do local de destino (como certificado de vacinação para os adultos ou PCR negativo nas últimas 72 horas).

Mantenha o distanciamento e mínimo contato físico com outras pessoas, principalmente em áreas comuns como parquinhos, pracinhas e condomínios. Faça a limpeza constante de brinquedos de uso frequente, em especial aqueles utilizados fora do domicílio e que tenham sido compartilhados com outras crianças.

Visitas a museus e a espaços culturais e esportivos são bons programas, observando sempre se os protocolos de segurança sanitária estão sendo seguidos e sinalizados corretamente para a proteção da saúde dos visitantes.

Atente para que a criança não toque com as mãos superfícies como corrimão de escadas, painel de elevadores e assentos de uso comum, devendo-se sempre realizar a higienização constante das mãos. Preste também atenção na higiene e na forma de servir as refeições em espaços públicos.

A recomendação mais importante é verificar o cartão vacinal de toda família. Se houver alguma vacina em atraso, recomenda-se colocá-la em dia. E a vacinação contra Covid-19 é atualmente a principal estratégia de prevenção de saúde pública para acabar com a pandemia. As vacinas atualmente aprovadas e autorizadas no Brasil são altamente eficazes na proteção contra doenças graves de Covid-19. Pessoas totalmente vacinadas têm menos probabilidade de serem infectadas e, se infectadas, têm menos chances de desenvolver sintomas e correm risco substancialmente reduzido de doença grave e morte por Covid-19 em comparação com pessoas não vacinadas.

Temos que lembrar também que as crianças ainda não estão imunizadas contra a Covid-19 e, portanto, podem adoecer durante o passeio. Vale pesquisar sobre o sistema de saúde da região para onde a família irá viajar.

Enfim, ainda não podemos relaxar com os cuidados que aprendemos a incorporar em nossa rotina: não existe risco zero de contaminação numa viagem, mas com cautela e responsabilidade, as férias de verão podem ser proveitosas e trazer muita diversão e relaxamento para a família.

Relatores
Alexandre Massashi Hirata
Regina Sílvia Costa Caranaúba
Departamento Científico de Segurança Infantil da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: lopolo | depositphotos.com

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A pandemia não acabou. O Hemisfério Norte é logo aí https://spsp.org.br/a-pandemia-nao-acabou-o-hemisferio-norte-e-logo-ai/ Tue, 16 Nov 2021 16:05:34 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30352 Pela primeira vez, desde a primeira morte por Covid-19 no Brasil, o dia 7 de novembro pode ser considerado um marco importante dessa pandemia. Essa segunda-feira registrou ZERO óbitos por Covid-19 em São Paulo ]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 16/11/2021


Pela primeira vez, desde a primeira morte por Covid-19 no Brasil (março de 2020), o dia 7 de novembro pode ser considerado um marco importante dessa pandemia. Essa segunda-feira registrou ZERO óbitos por Covid-19 em São Paulo e em mais outros 8 estados (Acre, Amapá, Goiás, Minas Gerais, Piauí, Rondônia, Roraima e Sergipe). 

Sabe-se que às segundas-feiras a notificação é menor, como reflexo da demora aos finais de semana. Mas, 82 semanas após o primeiro óbito por Covid-19 no Brasil, essa é a primeira vez que isso acontece e isso deve ser comemorado, porém, ainda, com muitos cuidados: estamos em plena pandemia. A média de mortes no Brasil atinge 235 por dia (na última semana) – isso representa 1.645 mortes por semana, 7.050 por mês, 84.600 por ano, um número incomparável dentre as causas mais prevalentes de letalidade no país. 

SEMPRE vale reforçar que:

– Quanto mais pessoas vacinadas, menos doentes e muito menos mortes por Covid-19;

– Quanto mais completo o esquema vacinal contra Covid-19, menos doentes e muito menos mortes;

– Uso de máscara protege.

Há alguns dias, o mundo atingiu a marca de 5 milhões de mortes pela Covid-19 (desde março de 2020), mesmo com a vacinação já adiantada em várias regiões, o que não tem sido suficiente para conter o número de casos e mortes recentes.  

A OMS trouxe um alerta (09/11) que a pandemia está tomando novo fôlego na Europa, inclusive em alguns países que tinham os casos mais controlados. É esperado que os países europeus representem o novo epicentro da 4° onda (pela variante Delta) e pela época de inverno que se aproxima. 

A França prorrogou o passe de saúde sanitário até 31 de julho pelo aumento de casos acima do limite de alerta (62 casos para cada 100 mil habitantes).

A Alemanha está com taxas em franca elevação, atingindo 200 casos por 100 mil pessoas, considerada a maior desde o início da pandemia. Além disso, instituiu a 3° dose da vacina para todos, 6 meses após a 2° dose.

A Áustria, com o nível mais alto de casos em 2021, anunciou a proibição da entrada em bares, cafés, restaurantes e cabeleireiros de pessoas sem comprovante vacinal.

No Reino Unido, apesar do aumento de 8,2% do número de mortes na última semana, ainda não se cogita um novo lockdown, mas um reforço nas campanhas de vacinação. 

No leste europeu, a situação é bem crítica, até pela baixa cobertura vacinal, como na Romênia (40%) e na Bulgária (27%), além de níveis recordes de casos na Ucrânia, Grécia e Rússia.

O Hemisfério Norte é logo ali e, com a liberação das viagens, estará cada vez mais próximo de nós, aumentando o risco dessa transmissão. 

Temos motivos para nos sentirmos mais seguros, mas ainda está muito longe a fase de podermos relaxar. Outras experiências mundiais ainda mostram que a Covid-19 está aí, que cuidados ainda precisam ser mantidos e que a vacinação de todos é FUNDAMENTAL para sairmos dessa, juntos, vivos e com esperança.       

Relator

Moises Chencinski   

Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: spyrakot | depositphotos.com

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Muita tela, pouco sono! https://spsp.org.br/muita-tela-pouco-sono/ Mon, 08 Nov 2021 18:17:52 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30313 Os avanços tecnológicos nas últimas décadas impulsionaram o consumo de telas entre os jovens para o ponto mais alto da história. As estatísticas sobre o uso desse tipo de tecnologia entre crianças e adolescentes é alarmante e eles têm o hábito na hora de dormir.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 08/11/2021


Os avanços tecnológicos nas últimas décadas impulsionaram o consumo de telas entre os jovens para o ponto mais alto da história. As estatísticas sobre o uso desse tipo de tecnologia entre crianças e adolescentes é alarmante e a maior parte deles tem este hábito na hora de dormir.

Não restam dúvidas de que um sono adequado seja um ingrediente essencial para uma boa qualidade de vida. Os impactos negativos da privação de sono em crianças e adolescentes também são bem documentados, tais como prejuízo no desenvolvimento, na consolidação da memória, na atenção, no comportamento, além de reflexo direto na saúde dessas crianças.

A medida que o consumo de tecnologia pelos jovens aumentou, cada vez mais tem sido feitas pesquisas explorando o efeito do uso das telas nos hábitos e eficiência do sono, e de fato o impacto é grande. O que observamos é que a quantidade de tecnologia usada na hora antes de dormir é significativamente relacionada à dificuldade em adormecer e à frequência de relatos de sono “não reparador”, sugerindo que a estimulação causada por estes dispositivos certamente interfere no sono.

Isso se explica em parte pelo fato de, além da excitação psicológica, a luz brilhante emitida pelas telas interferir na produção e liberação da melatonina, um hormônio que, dentre diversas outras funções, é importantíssimo para a regulação do nosso ciclo sono-vigília.

Relatora
Renata Prado Gobetti
Departamento Científico de Medicina do Sono na Criança e no Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo


Foto: jekatarinka | depositphotos.com

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Sobre segurança e saúde nas escolas https://spsp.org.br/sobre-seguranca-e-saude-nas-escolas/ Fri, 08 Oct 2021 16:29:41 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=29970 No dia 10 de outubro comemora-se o Dia Nacional de Segurança e de Saúde nas Escolas. Nada melhor do que pensarmos nesta data a partir da vivência extremamente nova e desafiadora trazida pela pandemia de covid-19.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 08/10/2021


A escola constitui um ecossistema que é a ampliação do lar para a criança, onde ela pode desenvolver-se e aprender a usar suas habilidades físicas, emocionais e sociais. É um ambiente de construção que marca definitivamente a vida dos alunos.

Por isso, é de suma importância o envolvimento dos pais e da comunidade com as unidades escolares. Mais do que um “depósito” de crianças e adolescentes, para que tenham ocupação enquanto os pais trabalham, a escola deve ser um ponto de encontro e de apoio para a comunidade desenvolver programas de saúde e de segurança.

Se considerarmos que os fatores externos (acidentes e violência) são as principais causas de morte de crianças e adolescentes em idade escolar, o comprometimento da família e da comunidade com a equipe escolar faz-se muito necessário. Recomenda-se a criação em cada escola de Comissões de Prevenção de Acidentes e Violência Escolar (CIPAVE), com participação de pais, alunos, profissionais e professores, a fim de discutir e exercer o importante papel da promoção de saúde e de prevenção da violência – como o bullying e cyberbullying, por exemplo. Assim, ao construir uma cultura de paz com a participação democrática de todos, podemos trazer para a escola o papel de fórum comunitário, onde se promove a saúde e a segurança.

Pais, participem ativamente da vida escolar de seus filhos e motivem a comunidade a fazer o mesmo. Todos só terão a ganhar com isso.

Relator
Fausto Flor Carvalho
Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: fam veldman | depositphotos.com

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O ensino online e a pandemia https://spsp.org.br/o-ensino-online-e-a-pandemia/ Thu, 01 Jul 2021 16:22:32 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=28854 A educação foi um dos setores mais afetados durante a pandemia do coronavírus. Repentinamente as escolas tiveram que se adaptar e passaram a ter a difícil missão de conquistar a atenção dos estudantes de todas as idades, agora de forma virtual.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 01/07/2021


A educação foi um dos setores mais afetados durante a pandemia do coronavírus. Repentinamente as escolas tiveram que se adaptar e passaram a ter a difícil missão de conquistar a atenção dos estudantes, agora de forma virtual. Para todas as idades, esse desafio foi imenso: seja pela compreensão da lógica das interações virtuais, seja pela falta dos contatos mais descontraídos e menos expostos, seja pela capacidade de concentração.

A falta do lugar da escola pode significar o não pertencimento a essa. O deslocamento, o uniforme, os sinais entre um período e outro são elementos da escola responsáveis por uma organização que não é ao acaso, nem por conveniência. A separação da criança da família e o descobrimento de um espaço de relações próprio é processo essencial a construção do indivíduo.

Crianças e adolescentes necessitam de auxílio para construírem sua própria organização e a escola também tem essa função. As relações, diálogos e a convivência na escola são importantes para o desenvolvimento humano e na escola há o professor, que também vai ser o mediador dessas relações. Estas relações professor-aluno e aluno-escola foram quebradas abruptamente, e as adaptações foram testadas intensamente com “o barco andando”, sem que nem a escola, os alunos ou pais pudessem ter formação e preparação para tal.

A pandemia está fazendo com que crianças e adolescentes tenham que lidar com grandes quebras de expectativa. É uma convivência diária com frustrações relacionadas ao convívio limitado com colegas, amigos e familiares, além da privação de diversas atividades extracurriculares e possibilidades de gasto energético e de socialização, de movimento, de ação, de espontaneidade… tão caros a essa faixa etária como um todo.

Para as crianças e adolescentes a adaptação ao ensino online pode ter sido complicada, mas ela foi ainda mais difícil e os prejuízos acadêmicos foram ainda maiores para aqueles que já apresentavam algum tipo de dificuldade escolar ou algum transtorno de aprendizagem, de linguagem, de atenção ou dificuldades de socialização e cognitivas. Isso levou ao aumento do desnivelamento desses estudantes em relação a seus pares – sem aprofundarmos as possibilidades discrepantes de ensino dentre diferentes escolas, público ou privada.

Além disso, a ausência da escola tem levado muitos jovens ao isolamento social, à desmotivação, à tristeza e à depressão. A criança e o adolescente precisam do seu par (amigo, colega, grupo) para a construção do seu próprio eu, por isso o grupo é tão importante para eles. Essa desmotivação também pode afetar a concentração nas aulas online. Os pais devem ficar atentos aos sentimentos dos filhos, conversar e acolher. Cobrar desempenho, mesmo de alunos que costumavam ser excelentes, pode ser mais um fator de prejuízo emocional. Ouvir e de fato compreender quais são as dificuldades que os filhos possam estar passando nessa modalidade de ensino; tentar entender as dificuldades que as escolas e os professores estão tendo em ensinar; conhecer seus próprios filhos e o que lhes falta nesse momento em termos sociais e atividades motoras. Não culpabilizar a criança e nem a escola…tentar se adaptar o quanto for possível, dar suporte e ajustar as expectativas de todos – sem que os pais tentem assumir o papel de professor, mas tentando dar apoio como pais, dentro de suas disponibilidades.

Organizar o tempo para as atividades escolares – como fazer lições e provas junto com eles – pode ser útil, assim como ajudar a organizar o local do estudo em casa, evitando distrações como animais, celulares, tablets e muita circulação de pessoas. Fazer pausas de telas, permitir gasto energético, praticar exercícios e atividades físicas e promover interações em tempo real, presenciais em pequenas bolhas, quando possível; ou mesmo virtuais, mas com trocas em tempo real e, de preferência, com imagens e olhares.

Haverá tempo para recuperar os conteúdos perdidos, por pior que seja essa perda. Mais importante, porém, é passar segurança para que as crianças e adolescentes desenvolvam sua autoconfiança, preservem a autoestima, construam e mantenham vínculos afetivos e se organizem para poderem atravessar esta fase tão difícil da melhor maneira possível.

Assim como vidas não se recuperam, a construção da personalidade e de uma vida saudável do ponto de vista físico e mental depende muito do ambiente em que estamos inseridos nessa fase de constituição e de como aprendemos a reagir a ele.

Relatoras:
Adriana Monteiro de Barros Pires
Larissa Rezende Mauro
Mariana Facchini Granato
Grupo de Trabalho de Desenvolvimento e Aprendizagem Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: halfpoint | depositphotos.com

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CoronaVac também pode induzir a produção de anticorpos no leite materno https://spsp.org.br/coronavac-tambem-pode-induzir-a-producao-de-anticorpos-no-leite-materno/ Wed, 30 Jun 2021 18:42:15 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=28845 Início de 2021, foram publicados alguns estudos que identificaram anticorpos no leite materno de lactantes vacinadas com a vacina da Pfizer-BioNTech, à época não disponível no Brasil.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 30/06/2021


No início de 2021, foram publicados alguns estudos, em especial um israelense (Perl e colaboradores) e outro americano (Gray e colaboradores), que identificaram anticorpos no leite materno de lactantes vacinadas com a vacina da Pfizer-BioNTech, à época não disponível no Brasil. Esses anticorpos poderiam, provavelmente, proteger os recém-nascidos e crianças maiores em aleitamento materno contra a Covid-19.

Foi iniciado, então, estudo semelhante no Instituto da Criança e do Adolescente do HCFMUSP, utilizando o leite doado por 20 voluntárias vacinadas com duas doses da vacina CoronaVac (da Sinovac Biotech) em janeiro e fevereiro. Avaliou-se a presença do anticorpo IgA (imunoglobulina A) específico para o SARS-CoV-2 em amostras coletadas antes da vacina e semanalmente até a 3ª semana após a segunda dose. Demonstraram-se picos de anticorpos IgA na 1ª e 2ª semanas após a primeira dose e níveis mais elevados na 5ª e 6ª semanas após a primeira dose (1ª e 2ª semanas após a segunda dose). Amostras coletadas 4 meses após a 1ª dose ainda mostraram níveis significativos de anticorpos em 50% das nutrizes.

Esses resultados têm que ser muito celebrados e mostram que a vacina CoronaVac também pode induzir a produção de anticorpos IgA no leite materno de nutrizes vacinadas, com grande potencial de proteção para a criança amamentada contra a Covid-19.

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Relatora:
Valdenise Martins Laurindo Tuma Calil
Departamento Científico de Aleitamento da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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