Blog – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Mon, 02 May 2022 12:27:19 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Blog – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Eu cuido, eu confio, eu vacino https://spsp.org.br/eu-cuido-eu-confio-eu-vacino/ Sat, 30 Apr 2022 12:11:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=32222 A pandemia impôs desafios maiores aos que já estávamos vivenciando desde 2016, com a queda das coberturas de vacinação. É essencial que esteja alerta com a atualização da carteira de vacinação das crianças e adolescentes.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 30/04/2022


Este mês é o Abril Azul, mês da Campanha Eu Cuido, Eu Confio, Eu Vacino.

A SPSP traz para os pais e responsáveis dados de alerta para que este não seja apenas um mês de conscientização sobre a importância da vacinação, mas também um mês de vacinAÇÃO.

A partir de 2020, a pandemia impôs desafios maiores aos que já estávamos vivenciando desde 2016, com a queda das coberturas de vacinação.

O temor dos pediatras se consolidou com a restrição importante do deslocamento das pessoas para reduzir a circulação do novo coronavírus, associada à mobilização de equipes da saúde para cuidar de doentes com covid-19. No Brasil, de 15 vacinas que deveriam ser aplicadas até o quarto ano de vida e sobre as quais há mais informações disponíveis publicamente, pelo menos nove alcançaram índices inferiores aos recomendados pelas autoridades da saúde. Essas vacinas protegem contra pelo menos 17 doenças infecciosas graves, algumas delas altamente transmissíveis, como o sarampo e a coqueluche, ou incapacitantes, como a meningite e a infecção pelo vírus da poliomielite, que causa paralisia infantil e pode matar.

Fonte: Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/o-tombo-na-vacinacao-infantil/. Acesso em 07/03/2020.

Em 24 de fevereiro de 2022, o mundo assistia aos primeiros movimentos da invasão da Ucrânia pela Rússia. Além da gravidade que uma guerra traz para a sociedade, o fato de milhões de refugiados se deslocarem para inúmeros países adicionou outro temor entre especialistas de saúde pública: com tantas pessoas amontoadas para embarcar em trens, dormir em espaços lotados e viajar em grande número sem máscaras, o risco de propagação de doenças se torna outra arma invisível nesta guerra que atingirá todo o mundo.

A história já ensinou o que o cenário atual traz para a saúde global, mas precisamos lembrar para aqueles que possam ter esquecido. A guerra e a doença são companheiras próximas, e as crises humanitárias e de refugiados que agora se desenrolam na Europa Oriental levarão à consequências duradouras para a saúde, exacerbadas pela pandemia de coronavírus.

Sabemos que vírus e bactérias ficam felizes em explorar as situações em que os seres humanos são pressionados. Condições de superlotação, sem água suficiente, sem alimentação adequada e sem saneamento, associadas à baixa cobertura vacinal, aumentam o risco de surtos entre uma população.

Em 18 de fevereiro de 2022, o país do sudeste africano, Malawi, reportou, após 5 anos, o primeiro novo caso de poliovírus selvagem do tipo 1 em uma criança de 3 anos de idade, que trouxe o vírus do Paquistão e apresentou paralisia infantil em novembro de 2021. Já em 07 de março foi detectado um poliovírus derivado da vacina tipo 3, que desde 1989 não circulava em Israel, em uma criança de 3 anos de idade que mora em Jerusalém e que não estava vacinada.

E a pergunta que fica é? E o Brasil? Sabe-se, também, que desde 1989 não foi identificado mais nenhum caso no país. Será que teremos que vivenciar a tragédia que as pessoas, em especial acima dos 60 anos, sabem bem o que é ao ver uma criança acometida por paralisia infantil? É triste e preocupante pensar que, uma doença como a poliomielite, que está erradicada no Brasil e na maioria dos países do mundo, pode retornar.

Poderíamos aqui falar da gravidade das meningites, coqueluche, covid-19 e tantas outras doenças, mas o foco é alertar para a percepção do risco invisível. SIM, infelizmente ele está entre nós, sempre à espera de uma oportunidade para atacar.

A história em nosso próprio país pode também refrescar a memória daqueles que fazem questão de apagar essa temática destruidora e negativa que é o acometimento de uma sociedade por uma doença que poderia ser prevenida por vacina. Mas a nossa função é aprender com as experiências negativas. Então vamos lembrar que fomos acometidos nos últimos anos por surtos importantes como gripe (final do ano 2021 e início de 2022), febre amarela (anos 2016 e 2017) e sarampo (anos 2018 e 2019) antes que o novo coronavírus surgisse por aqui em 2020. Um contingente sem precedente de vidas foi ceifado e todas tinham em comum o fato de não estarem em dia com a vacinação.

Entretanto, apesar destes graves alertas, a mensagem que queremos transmitir no final é de ESPERANÇA. A boa notícia é que dispomos do Programa Nacional de Imunizações (PNI), responsável por um dos melhores calendários de vacinação infantil do mundo, com uma tradição de quase 50 anos para continuarmos protegendo as nossas crianças e adolescentes com várias vacinas eficazes e seguras. Os pediatras são os alicerces fundamentais para os pais e responsáveis obterem informações seguras para que possamos retomar as coberturas de vacinação.

Portanto, pedimos a você que esteja alerta com a atualização da carteira de vacinação das crianças e adolescentes que precisam tanto de proteção, não somente no mês Abril Azul, mas durante o ano todo.

Relatora:
Melissa Palmieri
Membro dos Departamentos Científicos de Infectologia, de Imunizações e de Pediatria Legal da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Revisor:
Marcelo Otsuka
Vice-presidente dos Departamentos Científicos de Infectologia e de Imunizações da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Como funcionam e o que esperar das vacinas de gripe em crianças? https://spsp.org.br/como-funcionam-e-o-que-esperar-das-vacinas-de-gripe-em-criancas/ Fri, 03 Apr 2020 16:44:11 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3104 A gripe é uma infecção respiratória causada pelo vírus influenza. Ela é muito mais perigosa que o resfriado comum: a cada ano, milhões de crianças ficam doentes com gripe sazonal e, desses, milhares são hospitalizadas por pneumonia e desidratação, além de centenas de mortes. A melhor forma de se prevenir é através da vacinação – ela é segura para qualquer pessoa com seis meses de idade ou mais e protege a criança e as pessoas ao redor dela da infecção e de suas complicações.

belchonock | depositphotos.com

Por que as crianças devem receber a vacina contra a gripe?

As sociedades médicas de todo o mundo recomendam vacinação universal anual contra influenza para todos as crianças com seis meses de idade ou mais, adolescentes, adultos e idosos. O foco especial em crianças existe, pois aquelas com menos de cinco anos de idade – especialmente as menores de dois anos – correm alto risco de desenvolver complicações graves relacionadas à gripe. Além disso, são capazes de transmitir o vírus influenza de forma muito eficiente para indivíduos com alto risco de complicações relacionadas à infecção.

Como funcionam as vacinas contra a gripe?

As vacinas contra gripe são produzidas usando pequenos fragmentos de vírus inativados (denominadas fragmentadas inativadas) ou usando partículas projetadas para parecer com um vírus da gripe no sistema imunológico (chamadas subunitárias). Dessa forma, não são capazes de causar gripe no indivíduo vacinado, mas estimulam o sistema imunológico a produzir anticorpos cerca de duas semanas após a vacinação. Esses anticorpos fornecerão proteção unicamente contra os vírus que estão na vacina.

Os tipos de vírus contidos nas vacinas podem variar conforme o país e os produtos disponíveis em um determinado ano. Algumas das vacinas protegem contra quatro vírus da gripe diferentes, sendo chamadas quadrivalentes ou tetravalentes: dois vírus influenza A (um H1N1 e um H3N2) e dois vírus influenza B. Existem também algumas vacinas contra gripe que protegem contra três vírus diferentes, sendo chamadas trivalentes: dois vírus influenza A (um H1N1 e um H3N2) e um vírus influenza B. Na rede pública, este é o único tipo de vacina disponível até o momento.

Por que, diferentemente das outras vacinas do calendário de imunizações, devo vacinar contra gripe todos os anos?

Crianças entre seis meses e nove anos que tomam a vacina da gripe pela primeira vez devem receber duas doses com intervalo de, pelo menos, 30 dias entre elas. A partir dos anos seguintes, uma dose da vacina contra a gripe é necessária a cada ano por dois motivos. Primeiro porque, apesar da proteção imunológica de uma pessoa pela vacinação ser mais robusta nos 3-4 meses após a vacinação, ela diminui consideravelmente ao longo do tempo. Isso significa que, se a criança for vacinada em março/abril, a proteção será significativamente menor a partir de setembro/outubro do mesmo ano. Portanto, é necessária uma dose anual antes do período de circulação do vírus (preferencialmente em março) para uma proteção ideal em cada temporada de gripe. Segundo: como os vírus da gripe mudam constantemente, as vacinas contra influenza costumam sofrer atualizações de uma estação para a outra, de acordo com os vírus que circularam com maior frequência na temporada anterior. Assim, embora alguns indivíduos vacinados contra a gripe retenham a imunidade protetora de uma estação para a outra, isso é menos provável quando o tipo de vírus circulante muda.

Quais são os grupos considerados de risco para evoluírem com infecção grave por influenza e suas complicações?

Crianças menores de cinco anos de idade e idosos (acima de 65 anos) ocupam posição de destaque entre os indivíduos de risco aumentado. Gestantes e puérperas, trabalhadores em área de saúde, indígenas e professores também são grupos prioritários. Além disso, as seguintes condições clínicas se aplicam a todas as faixas etárias: doença respiratória crônica (incluindo asma), doença cardíaca crônica (incluindo cardiopatias congênitas), diabetes, doença neurológica crônica, imunossupressão (de qualquer tipo e causa), obesidade, doença renal crônica, doença hepática crônica, trissomias (alterações genéticas dos cromossomos) e transplantados.

O que posso esperar das vacinas contra a gripe nas crianças?

As vacinas contra gripe têm um excelente histórico de segurança. Centenas de milhões de brasileiros receberam vacinas contra a gripe com segurança nos últimos 40 anos, além de extensas pesquisas reforçando o seu perfil de segurança. Os efeitos colaterais comuns da vacina contra a gripe são geralmente leves e autolimitados (<72h) e incluem:
• Dor, vermelhidão e/ou inchaço no local da injeção
• Dor de cabeça
• Febre (em geral baixa)
• Náusea
• Dores musculares

Como outras injeções, pode ocasionalmente causar desmaios, especialmente em crianças maiores e adolescentes. Assim como em qualquer vacina, fique atento para condições incomuns como febre alta, alterações de comportamento ou sinais de reação alérgica grave após a vacinação. Reações alérgicas potencialmente fatais são extremamente raras e provavelmente aconteceriam de alguns minutos a algumas horas após a administração da vacina.

___
Relator:
Dr. Daniel Jarovsky
Departamento Científico de Imunizações da Sociedade de Pediatria de São Paulo

abril azul - confianca nas vacinas


]]>
Campanha Abril Azul – Confiança nas vacinas: eu cuido, eu confio, eu vacino https://spsp.org.br/campanha-abril-azul-confianca-nas-vacinas-eu-cuido-eu-confio-eu-vacino-2/ Mon, 01 Apr 2019 22:36:38 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2508 Em abril, a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) promove a campanha Abril Azul – Confiança nas vacinas: eu cuido, eu confio, eu vacino, uma iniciativa dos Departamentos Científicos de Imunizações e Infectologia da SPSP, cujo objetivo primordial é levar informações sobre a importância da vacinação, aumentando, assim, a confiança e a valorização das vacinas, além de discutir e mostrar os riscos da recusa vacinal.

abril azul - confianca nas vacinas

De acordo com o pediatra Marco Aurélio Sáfadi, presidente do Departamento de Imunizações da SPSP e coordenador da campanha Abril Azul, poucas intervenções em saúde pública tiveram tanto impacto na humanidade como as vacinas. “Os benefícios são inequívocos, com redução de mortes, hospitalizações, sequelas, e especialmente contribuindo para a melhora da qualidade de vida da nossa população”, salienta o médico. Ele comenta que essa história de sucesso iniciou-se no século XVIII, com as pesquisas do médico inglês Edward Jenner, que culminaram com o desenvolvimento da vacina contra a varíola, responsável pela erradicação dessa doença no mundo no final da década de 1970.

“Para termos uma ideia da magnitude dessa conquista, estima-se que a varíola foi responsável pela morte de 300 milhões de pessoas durante o século XX”, explica o pediatra. Ele revela que as vacinas contribuíram, ainda, para a eliminação de doenças como a poliomielite (hoje restrita a poucos países no mundo), e controle de outras, como o sarampo, a rubéola, a difteria e o tétano (reduzidas a um número muito menor de ocorrências em comparação ao passado). “Nesse contexto, a campanha Abril Azul – Confiança nas vacinas tem como objetivo essencial reforçar a credibilidade das vacinas, destacar a importância de mantermos elevadas coberturas vacinais, impedindo, dessa forma, o ressurgimento dessas temidas doenças na nossa comunidade”, declara.

Para Claudio Barsanti, presidente da SPSP, as vacinas têm um papel extremamente importante na erradicação e controle de doenças e a recusa vacinal pode ter um impacto muito negativo para a saúde pública, inclusive contribuindo para emergir doenças que já estavam controladas ou até mesmo erradicadas. “Vale lembrar que a vacina tem também grande relevância na nossa economia e aspecto social. A vacinação leva a uma redução de custos com consultas, tratamentos e internações e proporciona melhores condições de saúde”, afirma o médico.

Segundo a pediatra Silvia Regina Marques, presidente do Departamento de Infectologia da SPSP, as vacinas representam a melhor intervenção em saúde em termos de custo-benefício, evitam dois a três milhões de mortes a cada ano em todo o mundo e aumentam a expectativa de vida. “Não vacinar as crianças coloca-as em risco de desenvolver doenças potencialmente fatais (sarampo, tétano, difteria meningite etc.) e causadoras de sequelas para o resto da vida, como paralisia (poliomielite), surdez (meningite por H influenzae, caxumba), retardo no desenvolvimento, entre outras”, alerta a especialista.

Silvia relembra que a região das Américas foi a primeira do mundo a receber, em 2016, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), o certificado da erradicação do sarampo, rubéola e rubéola congênita. “No entanto, o Brasil acaba de perder esse certificado em março deste ano, considerando o número crescente de casos em alguns estados brasileiros. As baixas taxas de cobertura vacinal contra a doença foram as responsáveis por este insucesso”, lamenta a médica.

Movimentos antivacinas

Sáfadi explica que a situação do sarampo na Europa ilustra muito bem as consequências negativas de movimentos antivacinas, que insinuavam associações mentirosas e falsos eventos adversos às vacinas, levando à queda das coberturas vacinais. “Em 2018 foram reportados mais de 12 mil casos de sarampo na Europa, com 33 mortes. Recentemente, tivemos a confirmação do primeiro caso de tétano nos últimos 30 anos no Oregon, EUA, em um menino de seis anos não vacinado”, relata.

“Temos ainda o total descaso e abandono das autoridades sanitárias, como o que está ocorrendo atualmente na Venezuela, que fez com que o esse país tivesse o registro de surtos de sarampo e difteria com centenas de mortes e hospitalizações associadas”, continua o pediatra, informando que a entrada de imigrantes venezuelanos no Brasil deflagrou o retorno do sarampo ao nosso País, com mais de dez mil casos e pelo menos 12 mortes registradas em 2018. “Isso demonstra a fragilidade das nossas coberturas vacinais e a presença de grandes bolsões de suscetibilidade às doenças imunopreveníveis”, acrescenta.

O especialista diz que, por tudo isso, a campanha Abril Azul é essencial. Claudio Barsanti comenta que a SPSP organiza, para abril, uma programação especial para ampliar os conhecimentos a respeito de assunto tão importante, como é a questão da vacinação. “Essas ações são fundamentais porque, enquanto sociedade científica, somos formadores de opinião, e não só da sociedade em geral, mas dos médicos pediatras. Portanto, é nosso dever informar o que está acontecendo e tentar reverter os rumos da história da recusa vacinal”, conclui o presidente da SPSP.

___
Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP.

Publicado em 1/04/2019.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

]]>
Abril Azul – Confiança nas vacinas https://spsp.org.br/abril-azul-confianca-nas-vacinas-2/ Fri, 13 Apr 2018 18:31:07 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2028 A vacina, provavelmente junto com a água potável, representa uma das mais importantes conquistas da humanidade no campo da saúde pública, contribuindo inclusive para o aumento da expectativa de vida observado nas últimas décadas nas diversas populações. Ainda sim, alguns grupos acreditam que vacinas não devem ser indicadas. “Infelizmente, temos observado que as taxas de coberturas vacinais – tanto no Estado de São Paulo como no País –, outrora em níveis bastante elevados, têm consistentemente apresentado reduções expressivas”, afirma Marco Aurélio Palazzi Sáfadi, presidente do Departamento de Imunizações da SPSP. “Muitas notícias falsas, amparadas em estudos inidôneos, além de radicalismos dentre alguns (e – ainda bem – raros) profissionais de saúde, fizeram com que dúvidas sobre a eficácia, e mais grave, sobre ‘grandes riscos” relacionados às vacinas tomassem corpo e conduzissem a um aumento na recusa vacinal”, comenta Claudio Barsanti, presidente da SPSP. É uma situação alarmante, que coloca a população em risco de voltar a conviver com doenças já controladas, ou mesmo eliminadas, no Brasil, como por exemplo, sarampo, rubéola, difteria, entre outras.

De acordo com Regina Célia Succi, membro do Departamento de Infectologia da SPSP, em 2016, após uma queda nas taxas de imunização nos estados de Pernambuco e Ceará, o País registrou o primeiro surto de sarampo desde 2000. Também em 2016 a taxa de imunização contra poliomielite foi a menor dos últimos doze anos (84,4%). “Não há dados suficientes para definir se essa queda na cobertura vacinal persistirá, mas há preocupações a respeito”, comenta a infectologista.

Os benefícios diretos e indiretos gerados com ações de imunizações são inequívocos e surpreendentes: inúmeras evidências demonstram seu potencial de redução da mortalidade entre crianças, adolescentes e adultos, melhoria das condições de saúde e bem-estar das comunidades. “Além de representar economia para a sociedade, tanto através de redução de custos com consultas, tratamentos e internações hospitalares decorrentes das doenças, como de menor absenteísmo escolar e de trabalho”, explica Sáfadi. “A imunização é o investimento em saúde com melhor custo-efetividade e a Organização Mundial de Saúde estima que as imunizações evitem entre dois e três milhões de mortes a cada ano no mundo”, complementa Regina Célia. Ela esclarece que, apesar dos benefícios serem indiscutíveis, só podem ser obtidos com elevado custo financeiro e o empenho de uma grande estrutura dos programas públicos de vacinas e autoridades sanitárias, além da atuação individual dos profissionais de saúde. “O Programa Nacional de Imunizações (PNI) no Brasil é competente e reconhecido, e tem obtido coberturas vacinais superiores a 90% para quase todos os imunobiológicos distribuídos na rede pública nas últimas décadas”, informa a médica.

“No sentido mais amplo do cuidar, os pais e responsáveis que se sentem inseguros evitam a aplicação das vacinas, o que traz repercussões individuais e coletivas de grande risco, comprometendo não só a saúde do indivíduo não vacinado, mas também, de toda a população”, alerta Barsanti. O presidente do Departamento de Imunizações lista: as vacinas foram responsáveis pela erradicação da varíola no mundo, eliminaram a poliomielite, o sarampo e a rubéola em vários países, além de terem reduzido e controlado doenças que eram responsáveis por milhares de mortes, sequelas e hospitalizações, como o tétano, as meningites causadas pelo Haemophilus influenzae b, meningococo e pneumococo, a caxumba, a varicela, a diarreia pelo rotavírus, as hepatites A e B, entre outras.

Campanha Abril Azul

O profissional de saúde, especialmente o pediatra, é considerado a principal e mais confiável fonte de informação para as famílias sobre a importância das vacinas. “Atualmente, há uma crescente disponibilidade de novas vacinas e frequentes atualizações dos calendários vacinais, o que exige atualizações frequentes do pediatra”, conta Regina Célia Succi. Nesse sentido, a Sociedade de Pediatria de São Paulo lançou a campanha Abril Azul – Eu cuido, eu confio, eu vacino. Um dos objetivos é conscientizar o profissional de saúde do seu papel fundamental na manutenção da confiança e credibilidade das vacinas, habilitando-o a enfrentar a questão da hesitação ou recusa vacinal de forma ética e segura. “A confiança dos pais e responsáveis no pediatra e em suas orientações é uma verdade e se mostra como o principal caminho para que se demonstre a importância de um calendário vacinal completo”, defende o presidente da SPSP.

Outro objetivo é o de apoiar, através de educação, informação e conscientização, ações que promovam o alcance das imunizações à nossa população. “Creio ser uma obrigação da comunidade científica, neste momento em que as notícias falsas e manipuladas se tornaram cotidianas, desempenhar o seu papel de esclarecimento, enfatizando o impacto proporcionado pelos programas de imunização na prevenção de doenças e todos os desfechos associados a elas, como sequelas, hospitalizações e mortes”, enfatiza Marco Aurélio Palazzi Sáfadi. “Vamos todos participar, explicando a todos os envolvidos na atenção à criança e ao adolescente que as vacinas são aliadas e não inimigas na busca da saúde”, finaliza Claudio Barsanti.

___
Publicado em 13/04/2018

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

]]>