Bebê – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 18 Sep 2026 18:41:10 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Bebê – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Retinoblastoma: o tumor ocular da primeira infância https://spsp.org.br/retinoblastoma-o-tumor-ocular-da-primeira-infancia/ Fri, 18 Sep 2026 18:40:24 +0000 https://spsp.org.br/?p=59096 O Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma acontece em 18 de setembro. O retinoblastoma é um tumor maligno originado na retina que acomete sobretudo crianças nos primeiros anos de vida. É o câncer intraocular mais frequente da infância, com cerca de 400 novos casos estimados por ano no Brasil, o que significa que muitos pediatras atenderão pouquíssimos casos ao longo da carreira e que a maior parte das famílias nunca ouviu falar da doença até que ela apareça em alguém próximo. Essa raridade torna o tema delicado. Como doença que pode demorar para ser detectada, no caso do retinoblastoma, o intervalo entre a primeira alteração percebida e a avaliação oftalmológica tem relevância no desfecho. Quando o tumor ainda está restrito ao olho, as taxas de cura são altas e existe chance concreta de preservar o globo ocular e alguma visão útil. Em fases mais avançadas, o tratamento se torna mais complexo e as alternativas se estreitam. O sinal mais característico é a leucocoria, um reflexo esbranquiçado na pupila que substitui o reflexo avermelhado normal. Costuma aparecer em fotografias com flash ou quando a criança olha em determinada direção sob certa iluminação, e é conhecida popularmente como “olho de gato”. A leucocoria tem várias causas possíveis, entre elas catarata congênita e outras doenças da retina, e na maioria das vezes não se trata de câncer. O que não se pode fazer é observar a alteração e esperar que ela desapareça. O segundo sinal relevante é o estrabismo, particularmente quando surge em uma criança cujos olhos eram alinhados. Alterações na visão, olho vermelho que não melhora, dor ocular e aumento do volume do olho também podem ocorrer, embora sejam manifestações mais tardias ou menos frequentes. Uma dúvida comum das famílias é como o tumor pode estar presente se a criança parece enxergar normalmente. Crianças pequenas raramente percebem ou verbalizam que a visão piorou ou que está embaçada, e quando um dos olhos está preservado vai compensar a perda, de modo que a criança continua brincando, reconhecendo pessoas e se deslocando sem dificuldade aparente. Por isso a observação dos adultos importa mais do que a queixa da criança, e qualquer mudança no aspecto da pupila ou no alinhamento dos olhos merece avaliação, mesmo que tudo o mais pareça normal. O retinoblastoma pode acometer um olho ou os dois. A maioria dos casos é unilateral, enquanto as formas bilaterais estão associadas a alterações genéticas hereditárias e tendem a se manifestar mais cedo. Quando há história familiar da doença, irmãos ou futuros filhos precisam de acompanhamento oftalmológico desde o nascimento, e o aconselhamento genético passa a fazer parte do cuidado. O tratamento é definido caso a caso, considerando tamanho e localização do tumor, estadiamento e envolvimento de um ou dos dois olhos. Existem hoje terapias locais, como laser e crioterapia, quimioterapia sistêmica, intra-arterial e intravítrea, além da braquiterapia, e a retirada do olho continua sendo necessária em parte dos casos mais avançados. A ordem de prioridades é sempre a mesma: preservar a vida da criança e, sempre que isso for possível, preservar o olho e a visão. A Sociedade de Pediatria de São Paulo aproveita este mês para reforçar uma orientação prática aos pais e pediatras. Se uma fotografia mostrar um reflexo esbranquiçado em uma das pupilas, se um olho começar a desviar ou se algo no olhar da criança parecer diferente, o encaminhamento ao oftalmologista deve ser feito urgentemente, e não na próxima consulta de rotina. Relator:Marcelo Alexandre A. CavalcantePresidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP]]>

O Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma acontece em 18 de setembro.

O retinoblastoma é um tumor maligno originado na retina que acomete sobretudo crianças nos primeiros anos de vida. É o câncer intraocular mais frequente da infância, com cerca de 400 novos casos estimados por ano no Brasil, o que significa que muitos pediatras atenderão pouquíssimos casos ao longo da carreira e que a maior parte das famílias nunca ouviu falar da doença até que ela apareça em alguém próximo.

Essa raridade torna o tema delicado. Como doença que pode demorar para ser detectada, no caso do retinoblastoma, o intervalo entre a primeira alteração percebida e a avaliação oftalmológica tem relevância no desfecho. Quando o tumor ainda está restrito ao olho, as taxas de cura são altas e existe chance concreta de preservar o globo ocular e alguma visão útil. Em fases mais avançadas, o tratamento se torna mais complexo e as alternativas se estreitam.

O sinal mais característico é a leucocoria, um reflexo esbranquiçado na pupila que substitui o reflexo avermelhado normal. Costuma aparecer em fotografias com flash ou quando a criança olha em determinada direção sob certa iluminação, e é conhecida popularmente como “olho de gato”. A leucocoria tem várias causas possíveis, entre elas catarata congênita e outras doenças da retina, e na maioria das vezes não se trata de câncer. O que não se pode fazer é observar a alteração e esperar que ela desapareça.

O segundo sinal relevante é o estrabismo, particularmente quando surge em uma criança cujos olhos eram alinhados. Alterações na visão, olho vermelho que não melhora, dor ocular e aumento do volume do olho também podem ocorrer, embora sejam manifestações mais tardias ou menos frequentes.

Uma dúvida comum das famílias é como o tumor pode estar presente se a criança parece enxergar normalmente. Crianças pequenas raramente percebem ou verbalizam que a visão piorou ou que está embaçada, e quando um dos olhos está preservado vai compensar a perda, de modo que a criança continua brincando, reconhecendo pessoas e se deslocando sem dificuldade aparente. Por isso a observação dos adultos importa mais do que a queixa da criança, e qualquer mudança no aspecto da pupila ou no alinhamento dos olhos merece avaliação, mesmo que tudo o mais pareça normal.

O retinoblastoma pode acometer um olho ou os dois. A maioria dos casos é unilateral, enquanto as formas bilaterais estão associadas a alterações genéticas hereditárias e tendem a se manifestar mais cedo. Quando há história familiar da doença, irmãos ou futuros filhos precisam de acompanhamento oftalmológico desde o nascimento, e o aconselhamento genético passa a fazer parte do cuidado.

O tratamento é definido caso a caso, considerando tamanho e localização do tumor, estadiamento e envolvimento de um ou dos dois olhos. Existem hoje terapias locais, como laser e crioterapia, quimioterapia sistêmica, intra-arterial e intravítrea, além da braquiterapia, e a retirada do olho continua sendo necessária em parte dos casos mais avançados.

A ordem de prioridades é sempre a mesma: preservar a vida da criança e, sempre que isso for possível, preservar o olho e a visão.

A Sociedade de Pediatria de São Paulo aproveita este mês para reforçar uma orientação prática aos pais e pediatras. Se uma fotografia mostrar um reflexo esbranquiçado em uma das pupilas, se um olho começar a desviar ou se algo no olhar da criança parecer diferente, o encaminhamento ao oftalmologista deve ser feito urgentemente, e não na próxima consulta de rotina.

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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Uma data para reforçar cuidados que devem ser diários https://spsp.org.br/uma-data-para-reforcar-cuidados-que-devem-ser-diarios/ Wed, 09 Sep 2026 16:09:49 +0000 https://spsp.org.br/?p=58947 Mais uma vez somos lembrados de que os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF), entre eles a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), quadro mais grave e completo desses transtornos, podem ser totalmente prevenidos. Em nível global, no dia 9 de setembro comemora-se o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal. Os TEAF podem se manifestar em qualquer pessoa que tenha sido exposta ao álcool durante a vida intrauterina. Durante a gestação, quando uma mulher consome álcool etílico (etanol), este, por meio da placenta, chega ao embrião/feto em desenvolvimento. Essa droga lícita, presente em todas as bebidas alcoólicas, mas também em outros produtos, como diversos alimentos, é capaz de interferir na multiplicação, organização e amadurecimento de quaisquer células. Assim, pode alterar o desenvolvimento anatômico e funcional de diferentes órgãos, principalmente do cérebro, que começa a sua formação nas primeiras semanas de gravidez e só termina, muito tempo depois, já na vida extrauterina. A ação do álcool na vida intrauterina pode levar a manifestações capazes de se perpetuar por toda a vida do indivíduo acometido. Além das malformações com as quais pode nascer, uma criança com TEAF pode apresentar comprometimento de diferentes áreas do neurodesenvolvimento, como o de atenção, aprendizado, memória, comportamento, controle das emoções e de impulsos, linguagem, habilidades sociais e a realização de atividades do dia a dia. Algumas dessas dificuldades são reconhecidas apenas com o crescimento da criança e, muitas vezes, são confundidas com preguiça, desobediência ou falta de interesse. Com frequência são taxadas como sendo crianças “mal-educadas”, mas, na verdade, possuem um cérebro que funciona diferente e que, assim, precisa ser entendido, para ser ajudado. E para ser ajudado durante toda a sua vida, já que a cura não existe. Não existe um período da gestação em que se possa afirmar que o consumo de álcool é seguro. Não se conhece uma quantidade de álcool que possa ser considerada segura para o desenvolvimento do embrião/feto. Cada organismo é único e responde de maneira diferente. Não é possível prever quem será afetado ou qual será a intensidade das futuras consequências. Por isso, durante a gestação, a escolha mais segura é não consumir álcool em nenhum período, nem em nenhuma quantidade. E, na situação em que a gestante já tenha consumido álcool, a orientação deve ser a de interromper o seu consumo. A interrupção do consumo de álcool reduz a continuidade da exposição do embrião/feto e, por consequência, o risco e a severidade dessa exposição. Nenhuma mulher deveria e/ou precisa fazer isso sozinha. Apoiar uma gestante a não consumir álcool, oferecer alternativas sem álcool com naturalidade, evitar pressões sociais para o seu consumo e conversar sobre o assunto, de maneira respeitosa, são formas de prevenção que podem e devem ser exercidas pelos companheiros, familiares, amigos, profissionais de saúde e por toda a sociedade. Os profissionais de saúde, entre eles os pediatras, têm um papel fundamental. Devem perguntar sobre o consumo de álcool com respeito e acolhimento, orientar sem julgamentos e oferecer ajuda e apoio quando necessário. Como muitas gestações não são planejadas ou reconhecidas no seu início, conversar sobre álcool e saúde reprodutiva com mulheres em idade fértil é uma forma importante de cuidado da mulher e da futura criança. Uma forma indispensável para se prevenir possíveis danos que podem acompanhar uma pessoa por toda a vida. Dia 9 de setembro não é apenas uma data de conscientização. É, também, uma data para reforçar cuidados que devem ser diários: Relatora: Maria dos Anjos MesquitaVice-Presidente do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP]]>

Mais uma vez somos lembrados de que os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF), entre eles a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), quadro mais grave e completo desses transtornos, podem ser totalmente prevenidos. Em nível global, no dia 9 de setembro comemora-se o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal.

Os TEAF podem se manifestar em qualquer pessoa que tenha sido exposta ao álcool durante a vida intrauterina.

Durante a gestação, quando uma mulher consome álcool etílico (etanol), este, por meio da placenta, chega ao embrião/feto em desenvolvimento. Essa droga lícita, presente em todas as bebidas alcoólicas, mas também em outros produtos, como diversos alimentos, é capaz de interferir na multiplicação, organização e amadurecimento de quaisquer células. Assim, pode alterar o desenvolvimento anatômico e funcional de diferentes órgãos, principalmente do cérebro, que começa a sua formação nas primeiras semanas de gravidez e só termina, muito tempo depois, já na vida extrauterina.

A ação do álcool na vida intrauterina pode levar a manifestações capazes de se perpetuar por toda a vida do indivíduo acometido. Além das malformações com as quais pode nascer, uma criança com TEAF pode apresentar comprometimento de diferentes áreas do neurodesenvolvimento, como o de atenção, aprendizado, memória, comportamento, controle das emoções e de impulsos, linguagem, habilidades sociais e a realização de atividades do dia a dia. Algumas dessas dificuldades são reconhecidas apenas com o crescimento da criança e, muitas vezes, são confundidas com preguiça, desobediência ou falta de interesse. Com frequência são taxadas como sendo crianças “mal-educadas”, mas, na verdade, possuem um cérebro que funciona diferente e que, assim, precisa ser entendido, para ser ajudado. E para ser ajudado durante toda a sua vida, já que a cura não existe.

Não existe um período da gestação em que se possa afirmar que o consumo de álcool é seguro. Não se conhece uma quantidade de álcool que possa ser considerada segura para o desenvolvimento do embrião/feto. Cada organismo é único e responde de maneira diferente. Não é possível prever quem será afetado ou qual será a intensidade das futuras consequências.

Por isso, durante a gestação, a escolha mais segura é não consumir álcool em nenhum período, nem em nenhuma quantidade. E, na situação em que a gestante já tenha consumido álcool, a orientação deve ser a de interromper o seu consumo. A interrupção do consumo de álcool reduz a continuidade da exposição do embrião/feto e, por consequência, o risco e a severidade dessa exposição.

Nenhuma mulher deveria e/ou precisa fazer isso sozinha. Apoiar uma gestante a não consumir álcool, oferecer alternativas sem álcool com naturalidade, evitar pressões sociais para o seu consumo e conversar sobre o assunto, de maneira respeitosa, são formas de prevenção que podem e devem ser exercidas pelos companheiros, familiares, amigos, profissionais de saúde e por toda a sociedade.

Os profissionais de saúde, entre eles os pediatras, têm um papel fundamental. Devem perguntar sobre o consumo de álcool com respeito e acolhimento, orientar sem julgamentos e oferecer ajuda e apoio quando necessário.

Como muitas gestações não são planejadas ou reconhecidas no seu início, conversar sobre álcool e saúde reprodutiva com mulheres em idade fértil é uma forma importante de cuidado da mulher e da futura criança. Uma forma indispensável para se prevenir possíveis danos que podem acompanhar uma pessoa por toda a vida.

Dia 9 de setembro não é apenas uma data de conscientização. É, também, uma data para reforçar cuidados que devem ser diários:

  • Álcool e gestação não combinam.
  • Não existe quantidade nem momento seguro de consumo de álcool durante a gestação.
  • Informação não julga. Ela pode proteger vidas.
  • Prevenção começa antes da primeira dose. O cuidado é necessário por toda a vida.
  • Prevenir os TEAF, entre eles a SAF, é uma responsabilidade compartilhada.

Relatora:

Maria dos Anjos Mesquita
Vice-Presidente do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP

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Por uma geração livre de nicotina https://spsp.org.br/por-uma-geracao-livre-de-nicotina/ Fri, 28 Aug 2026 17:01:09 +0000 https://spsp.org.br/?p=58668 Quando pensamos em tabagismo, é comum lembrarmos imediatamente das doenças que podem atingir quem fuma. Mas, quando existem crianças e adolescentes por perto, a questão vai muito além: eles também podem sofrer as consequências do cigarro, mesmo sem nunca terem fumado. A fumaça do cigarro contém milhares de substâncias químicas, muitas delas tóxicas. Quando uma pessoa fuma perto de uma criança, ela respira parte dessas substâncias. É o chamado tabagismo passivo. Essa exposição está associada a maior risco respiratório, com crises de asma, infecções respiratórias, além de otites e outros agravos à saúde. Para os bebês, além de tudo, aumenta o risco da síndrome da morte súbita. Não há uma quantidade de fumaça considerada segura para uma criança. “Puxa, eu nunca fumo perto do meu filho!” Isso é muito importante, mas existe outro problema menos conhecido: o chamado tabagismo de terceira mão. Depois que o cigarro é apagado, resíduos de nicotina e de outras substâncias permanecem no ambiente, podendo se depositar nas roupas, cabelos, sofás, cortinas, tapetes, paredes e bancos dos automóveis. Crianças pequenas são particularmente vulneráveis porque engatinham, brincam no chão, colocam objetos e as próprias mãos na boca e têm contato muito próximo com os adultos. A propósito: abrir a janela, fumar em outro cômodo, ligar o ventilador ou usar spray aromatizante não transformam o ambiente em um local livre de tabaco. A recomendação mais segura é simples: casa e carro devem ser ambientes 100% livres de cigarro … e vapes.! Isso mesmo: vapes (cigarros eletrônicos). O aerossol produzido pelos dispositivos eletrônicos pode conter nicotina, partículas ultrafinas, compostos orgânicos voláteis, metais e outras substâncias potencialmente prejudiciais. Além do fato de que muitos dispositivos conseguem fornecer grandes quantidades de nicotina: aparelhos descartáveis ou recarregáveis de grande capacidade (com 10 ml a 20 ml de líquido) acumulam uma carga de nicotina equivalente a dezenas de maços de cigarro tradicional! O adolescente pode começar experimentando por curiosidade, influência dos amigos, pelos sabores atrativos ou pela ideia de que “vape não faz mal”. A nicotina chega ao cérebro em cerca de oito segundos após a tragada e gera uma sensação de prazer. Com o uso repetido, porém, pode surgir a necessidade de consumir nicotina em quantidade e frequência cada vez maior para conseguir o mesmo efeito, fenômeno conhecido como TOLERÂNCIA. A dependência química está instalada: quando o nível da substância cai no sangue, o corpo reage com irritação, ansiedade, insônia e falta de concentração, fenômenos de abstinência. A dependência de nicotina é real e parar pode ser difícil. Por isso, a conversa sobre vape não deve começar apenas quando os pais descobrem um dispositivo escondido na mochila. A prevenção deve começar antes da primeira experimentação. E lembre-se: o exemplo dos adultos também importa. O Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, não deve ser apenas uma data para falar com quem já fuma. É também uma oportunidade para falar sobre prevenção. Proteger crianças da fumaça e dos resíduos do tabaco, impedir o acesso precoce à nicotina e conversar abertamente com adolescentes sobre cigarros eletrônicos são medidas que podem ter repercussões por toda a vida. “A melhor relação de uma criança ou adolescente com a nicotina é aquela que nunca começa”. Relatora: Tania ZamataroPresidente do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSPCoordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP]]>

Quando pensamos em tabagismo, é comum lembrarmos imediatamente das doenças que podem atingir quem fuma. Mas, quando existem crianças e adolescentes por perto, a questão vai muito além: eles também podem sofrer as consequências do cigarro, mesmo sem nunca terem fumado.

A fumaça do cigarro contém milhares de substâncias químicas, muitas delas tóxicas. Quando uma pessoa fuma perto de uma criança, ela respira parte dessas substâncias. É o chamado tabagismo passivo. Essa exposição está associada a maior risco respiratório, com crises de asma, infecções respiratórias, além de otites e outros agravos à saúde. Para os bebês, além de tudo, aumenta o risco da síndrome da morte súbita.

Não há uma quantidade de fumaça considerada segura para uma criança. “Puxa, eu nunca fumo perto do meu filho!”

Isso é muito importante, mas existe outro problema menos conhecido: o chamado tabagismo de terceira mão. Depois que o cigarro é apagado, resíduos de nicotina e de outras substâncias permanecem no ambiente, podendo se depositar nas roupas, cabelos, sofás, cortinas, tapetes, paredes e bancos dos automóveis. Crianças pequenas são particularmente vulneráveis porque engatinham, brincam no chão, colocam objetos e as próprias mãos na boca e têm contato muito próximo com os adultos.

A propósito: abrir a janela, fumar em outro cômodo, ligar o ventilador ou usar spray aromatizante não transformam o ambiente em um local livre de tabaco.

A recomendação mais segura é simples: casa e carro devem ser ambientes 100% livres de cigarro … e vapes.!

Isso mesmo: vapes (cigarros eletrônicos). O aerossol produzido pelos dispositivos eletrônicos pode conter nicotina, partículas ultrafinas, compostos orgânicos voláteis, metais e outras substâncias potencialmente prejudiciais. Além do fato de que muitos dispositivos conseguem fornecer grandes quantidades de nicotina: aparelhos descartáveis ou recarregáveis de grande capacidade (com 10 ml a 20 ml de líquido) acumulam uma carga de nicotina equivalente a dezenas de maços de cigarro tradicional!

O adolescente pode começar experimentando por curiosidade, influência dos amigos, pelos sabores atrativos ou pela ideia de que “vape não faz mal”. A nicotina chega ao cérebro em cerca de oito segundos após a tragada e gera uma sensação de prazer. Com o uso repetido, porém, pode surgir a necessidade de consumir nicotina em quantidade e frequência cada vez maior para conseguir o mesmo efeito, fenômeno conhecido como TOLERÂNCIA. A dependência química está instalada: quando o nível da substância cai no sangue, o corpo reage com irritação, ansiedade, insônia e falta de concentração, fenômenos de abstinência.

A dependência de nicotina é real e parar pode ser difícil. Por isso, a conversa sobre vape não deve começar apenas quando os pais descobrem um dispositivo escondido na mochila. A prevenção deve começar antes da primeira experimentação.

E lembre-se: o exemplo dos adultos também importa.

O Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, não deve ser apenas uma data para falar com quem já fuma. É também uma oportunidade para falar sobre prevenção.

Proteger crianças da fumaça e dos resíduos do tabaco, impedir o acesso precoce à nicotina e conversar abertamente com adolescentes sobre cigarros eletrônicos são medidas que podem ter repercussões por toda a vida.

A melhor relação de uma criança ou adolescente com a nicotina é aquela que nunca começa”.

Relatora:

Tania Zamataro
Presidente do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Orientações para crianças com Gastrostomia https://spsp.org.br/orientacoes-para-criancas-com-gastrostomia/ Fri, 21 Aug 2026 18:36:06 +0000 https://spsp.org.br/?p=58489 Introdução Estas orientações foram elaboradas para apoiar mães e cuidadores de crianças que necessitam de gastrostomia. O objetivo é explicar de forma simples o que são esses procedimentos, por que são indicados, quais os cuidados necessários no dia a dia e quais complicações podem ocorrer. O que é a Gastrostomia? A gastrostomia é um procedimento em que se coloca uma sonda ou botão no estômago, por meio de um pequeno orifício no abdome, permitindo alimentação e medicação diretamente. ● Indicações principais: o Dificuldade de engolir (disfagia) ou risco de aspiração. o Necessidade de nutrição especial por tempo prolongado. o Falha no ganho de peso com alimentação oral. Cuidados diários ● Higiene: limpar ao redor do botão/sonda com água e sabão neutro diariamente, ou soro fisiológico, e secando a pele posteriormente. Você pode manter uma gaze ao redor da gastrostomia que deverá ser trocada sempre que houver umidade ou sujidade. ● Protetor cutâneo: pode ser usado protetor cutâneo spray para promover a proteção da pele ao redor da gastrostomia (por exemplo o Cavilon® ou similares) ● Administração da dieta: sempre devagar, conforme prescrição, evitando refluxo. ● Posição: manter a criança semideitada (cabeceira elevada) durante e após a alimentação. ● Manutenção do dispositivo: trocar sondas ou botões no prazo recomendado pela equipe de saúde. O extensor da gastrostomia deve ser higienizado sempre antes e após as refeições. No caso de botton, a extensão deve ser limpa sempre com água morna e detergente para retirar os resíduos. Após a limpeza, deve-se injetar ar para secar a parte interna do tubo. Preparação antes da alimentação ou medicação ● Higiene das mãos: lave bem as mãos antes de manusear a sonda/botão e os utensílios. ● Ambiente limpo e tranquilo: evite correria e distrações. ● Na administração de dieta, checar a posição da criança: mantenha-a semissentada (cabeceira elevada a 30–45°), tanto durante como por pelo menos 30 minutos após a dieta, para prevenir refluxo e engasgos. ● Ao final da dieta e medicação: SEMPRE fazer um flush (lavagem) com 10–20 ml de água filtrada ou fervida, para evitar entupimento. ● Verificar o dispositivo: observe se não há vermelhidão, vazamento, secreção ou dor no local. Tipos de dieta ● Dieta industrializada enteral: fórmulas prontas, balanceadas, prescritas pelo nutricionista. ● Dieta caseira liquidificada/peneirada: alimentos naturais preparados em casa, desde que bem processados e coados, seguindo orientação profissional. ● Hidratação: pode ser necessário oferecer água ou soro entre as dietas, conforme prescrição. Formas de administração Existem duas principais maneiras: a) Bolus (seringa ou gravidade) ● Coloca-se a dieta em uma seringa grande (sem êmbolo) ou frasco e deixa-se escorrer lentamente por gravidade. ● O tempo médio deve ser de 15 a 30 minutos. ● Nunca empurrar a dieta com força — isso pode causar refluxo, vômito e desconforto. b) Infusão contínua (bomba de infusão) ● A dieta é administrada lentamente por várias horas através de bomba ou equipo de gotejamento. ● Geralmente indicada para crianças que não toleram bolus ou têm refluxo grave. Cuidados durante e após a alimentação ● Observar sinais de desconforto: tosse, engasgos, distensão abdominal, vômitos. ● Nunca deitar a criança imediatamente após a dieta. ● Manter rotina de horários regulares, conforme orientação do nutricionista. ● Administrar medicações somente com orientação médica e sempre lavando a sonda antes e depois. Possíveis complicações ● Vômitos/ Refluxo gastroesofágico: pode ser excesso de volume ou dieta rápida demais. ● Entupimento da sonda: geralmente por dieta grossa ou falta de lavagem com água. ● Vazamento no local: pode indicar problema de posicionamento do botão. ● Dor abdominal: deve ser avaliada pelo médico. ● Infecção ou vermelhidão no local. ● Granulação ao redor do orifício. Quando procurar ajuda médica imediata o Vermelhidão intensa, pus ou sangramento. o Febre sem causa aparente. o Vômitos frequentes ou dor abdominal forte. o Rompimento do balão da sonda/botton o Saída acidental do dispositivo com dificuldade ou impossibilidade de recolocar a mesma sonda/botton. *A imagem de ilustração, publicada antes do texto, foi desenhada por IA (ChatGPT) Relatora:Monica Yukie KagoharaMembro do Departamento Científico de Atenção Domiciliar da SPSP]]>

Introdução

Estas orientações foram elaboradas para apoiar mães e cuidadores de crianças que necessitam de gastrostomia. O objetivo é explicar de forma simples o que são esses procedimentos, por que são indicados, quais os cuidados necessários no dia a dia e quais complicações podem ocorrer.

O que é a Gastrostomia?

A gastrostomia é um procedimento em que se coloca uma sonda ou botão no estômago, por meio de um pequeno orifício no abdome, permitindo alimentação e medicação diretamente.

● Indicações principais:

o Dificuldade de engolir (disfagia) ou risco de aspiração.

o Necessidade de nutrição especial por tempo prolongado.

o Falha no ganho de peso com alimentação oral.

Cuidados diários

● Higiene: limpar ao redor do botão/sonda com água e sabão neutro diariamente, ou soro fisiológico, e secando a pele posteriormente. Você pode manter uma gaze ao redor da gastrostomia que deverá ser trocada sempre que houver umidade ou sujidade.

● Protetor cutâneo: pode ser usado protetor cutâneo spray para promover a proteção da pele ao redor da gastrostomia (por exemplo o Cavilon® ou similares)

● Administração da dieta: sempre devagar, conforme prescrição, evitando refluxo.

● Posição: manter a criança semideitada (cabeceira elevada) durante e após a alimentação.

● Manutenção do dispositivo: trocar sondas ou botões no prazo recomendado pela equipe de saúde. O extensor da gastrostomia deve ser higienizado sempre antes e após as refeições. No caso de botton, a extensão deve ser limpa sempre com água morna e detergente para retirar os resíduos. Após a limpeza, deve-se injetar ar para secar a parte interna do tubo.

Preparação antes da alimentação ou medicação

● Higiene das mãos: lave bem as mãos antes de manusear a sonda/botão e os utensílios.

● Ambiente limpo e tranquilo: evite correria e distrações.

● Na administração de dieta, checar a posição da criança: mantenha-a semissentada (cabeceira elevada a 30–45°), tanto durante como por pelo menos 30 minutos após a dieta, para prevenir refluxo e engasgos.

● Ao final da dieta e medicação: SEMPRE fazer um flush (lavagem) com 10–20 ml de água filtrada ou fervida, para evitar entupimento.

● Verificar o dispositivo: observe se não há vermelhidão, vazamento, secreção ou dor no local.

Tipos de dieta

● Dieta industrializada enteral: fórmulas prontas, balanceadas, prescritas pelo nutricionista.

● Dieta caseira liquidificada/peneirada: alimentos naturais preparados em casa, desde que bem processados e coados, seguindo orientação profissional.

● Hidratação: pode ser necessário oferecer água ou soro entre as dietas, conforme prescrição.

Formas de administração

Existem duas principais maneiras:

a) Bolus (seringa ou gravidade)

● Coloca-se a dieta em uma seringa grande (sem êmbolo) ou frasco e deixa-se escorrer lentamente por gravidade.

● O tempo médio deve ser de 15 a 30 minutos.

● Nunca empurrar a dieta com força — isso pode causar refluxo, vômito e desconforto.

b) Infusão contínua (bomba de infusão)

● A dieta é administrada lentamente por várias horas através de bomba ou equipo de gotejamento.

● Geralmente indicada para crianças que não toleram bolus ou têm refluxo grave.

Cuidados durante e após a alimentação

● Observar sinais de desconforto: tosse, engasgos, distensão abdominal, vômitos.

● Nunca deitar a criança imediatamente após a dieta.

● Manter rotina de horários regulares, conforme orientação do nutricionista.

● Administrar medicações somente com orientação médica e sempre lavando a sonda antes e depois.

Possíveis complicações

● Vômitos/ Refluxo gastroesofágico: pode ser excesso de volume ou dieta rápida demais.

● Entupimento da sonda: geralmente por dieta grossa ou falta de lavagem com água.

● Vazamento no local: pode indicar problema de posicionamento do botão.

● Dor abdominal: deve ser avaliada pelo médico.

● Infecção ou vermelhidão no local.

● Granulação ao redor do orifício.

Quando procurar ajuda médica imediata

o Vermelhidão intensa, pus ou sangramento.

o Febre sem causa aparente.

o Vômitos frequentes ou dor abdominal forte.

o Rompimento do balão da sonda/botton

o Saída acidental do dispositivo com dificuldade ou impossibilidade de recolocar a mesma sonda/botton.

*A imagem de ilustração, publicada antes do texto, foi desenhada por IA (ChatGPT)


Relatora:
Monica Yukie Kagohara
Membro do Departamento Científico de Atenção Domiciliar da SPSP

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Orientações para crianças com Traqueostomia https://spsp.org.br/orientacoes-para-criancas-com-traqueostomia/ Tue, 18 Aug 2026 18:52:41 +0000 https://spsp.org.br/?p=58393 O que é a Traqueostomia? A traqueostomia é um procedimento cirúrgico no qual é feito um orifício na traqueia (pescoço), permitindo a entrada e saída de ar diretamente pelos pulmões. Como são as cânulas de traqueostomia? Atualmente existem diferentes marcas e tipos de materiais, com ou sem balonete (também chamado de cuff) Indicações principais: Cuidados Diários ● Higiene: manter o local limpo e seco, trocando as fitas de fixação sempre que estiverem úmidas ou sujas. Pode-se utilizar gaze ou espuma de proteção. ● Aspirar secreções sempre que houver chiado, tosse sem expulsão da secreção ou dificuldade para respirar. ● Banho: atenção para não deixar entrar água ou outros produtos. Passe água com sabonete ou xampu neutro na cabeça (pode virar a cabeça para trás) e na região cervical, limpe com suas mãos a região ao redor da cânula. FIQUE tranquilo, pois o pouco de água que possa entrar ao redor da cânula não causará problemas, no máximo alguma tosse ● Troca da cânula: deve ser feita de acordo com a orientação médica. ● Atenção: nunca deixar a criança sem supervisão. Passo a passo da aspiração traqueal 1. Higienização das mãos 2. Preparar o material 3. Posicionar o paciente 4. Colocar luvas 5. Introduzir a sonda 6. Realizar a aspiração 7. Repetir (se necessário) 8. Finalização Cuidados importantes ● Não aspirar por tempo prolongado → pode causar falta de ar e lesão na mucosa. ● Não usar pressão de sucção muito alta. ● Evitar aspiração muito frequente sem necessidade (apenas quando houver secreção visível ou sinais de obstrução). ● Observar sinais de desconforto: queda de saturação, batimento acelerado, coloração arroxeada, tosse intensa. ● A aspiração traqueal deve ser feita com técnica limpa, calma e rápida, sempre observando os sinais do paciente. Possíveis Complicações ● Perfuração do cuff ou quebra da cânula – ocorrem principalmente em crianças mais agitadas e que se movimentam muito, principalmente quando acopladas em ventilação mecânica. ● Obstrução da cânula – geralmente ocorre por secreções. Neste caso você pode prevenir realizando a umidificação no circuito da ventilação ou nebulização/inalação com soro fisiológico. ● Infecções locais – atenção à vermelhidão e secreção ao redor da traqueostomia. ● Sangramento – pode acontecer durante aspiração traqueal por trauma. ● Granulações – são pequenos tecidos ao redor do orifício. ● Deslocamento ou perda acidental da cânula – essa é a maior preocupação dos pais e da equipe, pois, dependendo do caso, pode colocar em risco a vida da criança. Atenção à fixação frouxa e à movimentação excessiva da criança. ● Quando Procurar Ajuda Médica Imediata  Lembrando que… 1- A Traqueostomia por si só não impede a realização de estimulação motora. 2- É possível comer pela boca mesmo com traqueostomia, desde que não exista comprometimento da deglutição e haja avaliação e liberação da equipe de saúde (fonoaudiólogo, médico). 3- É possível falar com traqueostomia, e isso pode ser feito de forma espontânea (tampando o orifício com o dedo, em alguns casos) ou com dispositivos especiais como Válvula de fala (ex.: Passy-Muir) ou tampas específicas de traqueostomia (cap de fala). É fundamental ter avaliação de fonoaudiólogo e médico antes de iniciar o treino de voz. 4- Crianças podem e devem brincar como qualquer outra criança: sempre com um adulto por perto para evitar que outras crianças possam puxar a cânula ou que a traqueostomia possa se prender em algum brinquedo. Apoio às Mães e Famílias A traqueostomia é um procedimento que pode melhorar muito a qualidade de vida da criança, garantindo respiração segura. Com informação, prática e apoio profissional, as mães podem cuidar com segurança, prevenindo complicações e proporcionando bem-estar aos filhos. *A imagem de ilustração, publicada antes do texto, foi desenhada por IA (ChatGPT) Relatora: Monica Yukie Kagohara Membro do Departamento Científico de Atenção Domiciliar da SPSP]]>

O que é a Traqueostomia?

A traqueostomia é um procedimento cirúrgico no qual é feito um orifício na traqueia (pescoço), permitindo a entrada e saída de ar diretamente pelos pulmões.

Como são as cânulas de traqueostomia?

Atualmente existem diferentes marcas e tipos de materiais, com ou sem balonete (também chamado de cuff)

Indicações principais:

  • Obstruções das vias aéreas superiores (ex.: malformações, tumores, estreitamentos).
  • Crianças que necessitam de ventilação mecânica prolongada.
  • Síndromes genéticas, doenças neurológicas ou musculares que dificultam a respiração.

Cuidados Diários

● Higiene: manter o local limpo e seco, trocando as fitas de fixação sempre que estiverem úmidas ou sujas. Pode-se utilizar gaze ou espuma de proteção.

● Aspirar secreções sempre que houver chiado, tosse sem expulsão da secreção ou dificuldade para respirar.

● Banho: atenção para não deixar entrar água ou outros produtos. Passe água com sabonete ou xampu neutro na cabeça (pode virar a cabeça para trás) e na região cervical, limpe com suas mãos a região ao redor da cânula. FIQUE tranquilo, pois o pouco de água que possa entrar ao redor da cânula não causará problemas, no máximo alguma tosse

● Troca da cânula: deve ser feita de acordo com a orientação médica.

● Atenção: nunca deixar a criança sem supervisão.

Passo a passo da aspiração traqueal

1. Higienização das mãos

  • Lavar bem com água e sabão ou usar álcool gel 70%.

2. Preparar o material

  • Colocar a sonda no aspirador.

3. Posicionar o paciente

  • Cabeça levemente inclinada para trás.
  • Se acamado, elevar a cabeceira a 30–45°.

4. Colocar luvas

  • Usar técnica limpa ou estéril, dependendo da orientação médica.

5. Introduzir a sonda

  • Sem aspirar, introduzir a sonda suavemente pela cânula até encontrar resistência leve ou o paciente tossir.
  • Nunca forçar a sonda.

6. Realizar a aspiração

  • Iniciar a sucção enquanto retira a sonda, fazendo movimentos circulares.
  • Tempo máximo de aspiração: 10–15 segundos.
  • Deixar o paciente descansar entre uma aspiração e outra (oxigenar, se necessário).

7. Repetir (se necessário)

  • Se ainda houver secreção, repetir o procedimento após alguns segundos de pausa.

8. Finalização

  • Lavar a sonda com soro fisiológico se for reutilizável no mesmo  procedimento.
  • Descartar materiais conforme normas de biossegurança.
  • Higienizar as mãos novamente.

Cuidados importantes

● Não aspirar por tempo prolongado → pode causar falta de ar e lesão na mucosa.

● Não usar pressão de sucção muito alta.

● Evitar aspiração muito frequente sem necessidade (apenas quando houver secreção visível ou sinais de obstrução).

● Observar sinais de desconforto: queda de saturação, batimento acelerado, coloração arroxeada, tosse intensa.

● A aspiração traqueal deve ser feita com técnica limpa, calma e rápida, sempre observando os sinais do paciente.

Possíveis Complicações

● Perfuração do cuff ou quebra da cânula – ocorrem principalmente em crianças mais agitadas e que se movimentam muito, principalmente quando acopladas em ventilação mecânica.

● Obstrução da cânula – geralmente ocorre por secreções. Neste caso você pode prevenir realizando a umidificação no circuito da ventilação ou nebulização/inalação com soro fisiológico.

● Infecções locais – atenção à vermelhidão e secreção ao redor da traqueostomia.

● Sangramento – pode acontecer durante aspiração traqueal por trauma.

● Granulações – são pequenos tecidos ao redor do orifício.

● Deslocamento ou perda acidental da cânula – essa é a maior preocupação dos pais e da equipe, pois, dependendo do caso, pode colocar em risco a vida da criança. Atenção à fixação frouxa e à movimentação excessiva da criança.

● Quando Procurar Ajuda Médica Imediata

  • Dificuldade para respirar mesmo após aspiração.
  • Cânula que saiu ou entupiu e não pode ser substituída.
  • Sangramento intenso.

 Lembrando que…

1- A Traqueostomia por si só não impede a realização de estimulação motora.

2- É possível comer pela boca mesmo com traqueostomia, desde que não exista comprometimento da deglutição e haja avaliação e liberação da equipe de saúde (fonoaudiólogo, médico).

3- É possível falar com traqueostomia, e isso pode ser feito de forma espontânea (tampando o orifício com o dedo, em alguns casos) ou com dispositivos especiais como Válvula de fala (ex.: Passy-Muir) ou tampas específicas de traqueostomia (cap de fala). É fundamental ter avaliação de fonoaudiólogo e médico antes de iniciar o treino de voz.

4- Crianças podem e devem brincar como qualquer outra criança: sempre com um adulto por perto para evitar que outras crianças possam puxar a cânula ou que a traqueostomia possa se prender em algum brinquedo.

Apoio às Mães e Famílias

  • Sempre mantenha contato com a equipe multiprofissional (pediatra, cirurgião, fonoaudiólogo, nutricionista e enfermagem).
  • Participe de treinamentos sobre manuseio da traqueostomia.
  • Não hesite em pedir apoio emocional e psicológico, pois o cuidado é intenso e pode gerar sobrecarga.

A traqueostomia é um procedimento que pode melhorar muito a qualidade de vida da criança, garantindo respiração segura. Com informação, prática e apoio profissional, as mães podem cuidar com segurança, prevenindo complicações e proporcionando bem-estar aos filhos.

*A imagem de ilustração, publicada antes do texto, foi desenhada por IA (ChatGPT)

Relatora:

Monica Yukie Kagohara

Membro do Departamento Científico de Atenção Domiciliar da SPSP

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Um dia para celebrar e cuidar da gestante  https://spsp.org.br/um-dia-para-celebrar-e-cuidar-da-gestante/ Sat, 15 Aug 2026 14:57:19 +0000 https://spsp.org.br/?p=58338 O dia 15 de agosto é dedicado à saúde e ao bem-estar das gestantes. Instituído pela Lei Estadual nº 10.822/2001 em São Paulo, o Dia da Gestante logo ganhou reconhecimento nacional. Recentemente, a Lei Federal nº 15.221/25 reforçou essa data ao instituir a Semana Nacional de Conscientização sobre os Cuidados com as Gestantes e as Mães, celebrada anualmente na semana do dia 15 de agosto. A legislação tem como principais metas:  ● Divulgar os direitos e cuidados relacionados à saúde da mulher durante a gestação, o parto, o pós-parto e a primeira infância, com ênfase nos primeiros mil dias de vida do bebê  ● Valorizar o cuidado paterno e o envolvimento da família nesse momento tão especial ● Incentivar a amamentação, reconhecendo seus benefícios para a saúde da mãe e do bebê ● Prevenir acidentes domésticos e combater a exposição precoce das crianças a telas e a alimentos que contribuem para a obesidade, seguindo orientações do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria. A gestação é um período de intensas transformações físicas e emocionais. Por isso, o acompanhamento pré-natal regular é fundamental para garantir a saúde da mãe e do bebê. As consultas periódicas permitem identificar precocemente possíveis complicações e garantir um parto mais seguro. Toda gestante tem direitos garantidos por lei, incluindo: Assistência humanizada durante a gestação, pré-parto, parto e puerpério; Licença-maternidade e garantia de vínculo empregatício; Atendimento prioritário e reserva de assentos preferenciais em locais públicos e Acesso a um pré-natal de qualidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A nova lei destaca a importância de prevenir a obesidade infantil desde os primeiros dias de vida. Durante a gestação, é essencial manter uma alimentação equilibrada, com orientação médica, e evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, que podem contribuir para problemas de saúde futuros. O Dia da Gestante é uma oportunidade para celebrar a vida, mas também para refletir sobre a importância dos cuidados adequados durante esse período transformador.  Informe-se, cuide-se e compartilhe essas orientações com outras gestantes. A gestação é um momento único, e cada gestante merece vivenciá-lo com saúde, respeito e acolhimento. Relator: Theo LernerPresidente do Departamento Científico de Ginecologia e Obstetrícia da SPSP]]>

O dia 15 de agosto é dedicado à saúde e ao bem-estar das gestantes. Instituído pela Lei Estadual nº 10.822/2001 em São Paulo, o Dia da Gestante logo ganhou reconhecimento nacional. Recentemente, a Lei Federal nº 15.221/25 reforçou essa data ao instituir a Semana Nacional de Conscientização sobre os Cuidados com as Gestantes e as Mães, celebrada anualmente na semana do dia 15 de agosto.

A legislação tem como principais metas: 

● Divulgar os direitos e cuidados relacionados à saúde da mulher durante a gestação, o parto, o pós-parto e a primeira infância, com ênfase nos primeiros mil dias de vida do bebê 

● Valorizar o cuidado paterno e o envolvimento da família nesse momento tão especial

● Incentivar a amamentação, reconhecendo seus benefícios para a saúde da mãe e do bebê

● Prevenir acidentes domésticos e combater a exposição precoce das crianças a telas e a alimentos que contribuem para a obesidade, seguindo orientações do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria.

A gestação é um período de intensas transformações físicas e emocionais. Por isso, o acompanhamento pré-natal regular é fundamental para garantir a saúde da mãe e do bebê. As consultas periódicas permitem identificar precocemente possíveis complicações e garantir um parto mais seguro.

Toda gestante tem direitos garantidos por lei, incluindo: Assistência humanizada durante a gestação, pré-parto, parto e puerpério; Licença-maternidade e garantia de vínculo empregatício; Atendimento prioritário e reserva de assentos preferenciais em locais públicos e Acesso a um pré-natal de qualidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A nova lei destaca a importância de prevenir a obesidade infantil desde os primeiros dias de vida. Durante a gestação, é essencial manter uma alimentação equilibrada, com orientação médica, e evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, que podem contribuir para problemas de saúde futuros.

O Dia da Gestante é uma oportunidade para celebrar a vida, mas também para refletir sobre a importância dos cuidados adequados durante esse período transformador. 

Informe-se, cuide-se e compartilhe essas orientações com outras gestantes.

A gestação é um momento único, e cada gestante merece vivenciá-lo com saúde, respeito e acolhimento.

Relator:

Theo Lerner
Presidente do Departamento Científico de Ginecologia e Obstetrícia da SPSP

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Não à degradação da qualidade ambiental https://spsp.org.br/nao-a-degradacao-da-qualidade-ambiental/ Fri, 14 Aug 2026 11:17:24 +0000 https://spsp.org.br/?p=58260 Em 14/8 celebramos o Dia Nacional de Combate à Poluição. Tal data foi criada em 1975 a fim de alertar a sociedade sobre os danos causados ao meio ambiente pela atividade humana, implementar leis e políticas públicas para proteção de ecossistemas e estimular práticas sustentáveis. Essa necessidade de garantir desenvolvimento com preservação ambiental ganhou as agendas de entidades governamentais internacionais a partir da segunda metade do século XX. Em nosso país, vivíamos intensa aceleração da industrialização e da urbanização, com grande aumento do número de carros. O despejo de resíduos poluentes no ar, água e solo impulsionou a criação de programas regulatórios, tendo o ápice na promulgação da Constituição Federal em 1988, onde o Artigo 225 garante que um ambiente ecologicamente saudável é direito de todos. Apesar de tantos esforços jurídicos e dos alertas de entidades científicas, vivemos hoje uma crise climática sem precedentes, causada pela poluição antropogênica (gerada diretamente pelas ações humanas). Ondas de calor extremo, incêndios florestais, tempestades e inundações têm sido frequentes nos noticiários, mas são apenas a parte mais visível de uma situação dramática. Para exemplificar, vamos nos reservar a expor alguns dados que afetam diretamente a vida e saúde infantil, afinal estamos em um blog feito por pediatras para aqueles que cuidam de nossas crianças. Diante desse cenário, podemos nos perguntar, o que fazer? Algumas atitudes individuais são importantes, como o descarte adequado do lixo doméstico, o consumo consciente, a busca por meios de transporte mais sustentáveis, frequentar ambientes com áreas verdes, garantir alimentação saudável às nossas crianças, etc. Mas tão importante quanto, é necessária a cobrança dos poderes públicos e dos gestores da garantia da fiscalização e aplicação das leis e programas relacionados à proteção do meio ambiente. Relatora: Regina CarnaúbaMembro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP]]>

Em 14/8 celebramos o Dia Nacional de Combate à Poluição. Tal data foi criada em 1975 a fim de alertar a sociedade sobre os danos causados ao meio ambiente pela atividade humana, implementar leis e políticas públicas para proteção de ecossistemas e estimular práticas sustentáveis.

Essa necessidade de garantir desenvolvimento com preservação ambiental ganhou as agendas de entidades governamentais internacionais a partir da segunda metade do século XX. Em nosso país, vivíamos intensa aceleração da industrialização e da urbanização, com grande aumento do número de carros. O despejo de resíduos poluentes no ar, água e solo impulsionou a criação de programas regulatórios, tendo o ápice na promulgação da Constituição Federal em 1988, onde o Artigo 225 garante que um ambiente ecologicamente saudável é direito de todos.

Apesar de tantos esforços jurídicos e dos alertas de entidades científicas, vivemos hoje uma crise climática sem precedentes, causada pela poluição antropogênica (gerada diretamente pelas ações humanas). Ondas de calor extremo, incêndios florestais, tempestades e inundações têm sido frequentes nos noticiários, mas são apenas a parte mais visível de uma situação dramática. Para exemplificar, vamos nos reservar a expor alguns dados que afetam diretamente a vida e saúde infantil, afinal estamos em um blog feito por pediatras para aqueles que cuidam de nossas crianças.

  • Poluição do ar: É causada pela queima de combustíveis fósseis no transporte, pela indústria e pelas queimadas agrossilvipastoris. Segundo a OMS, mais de 99% da população mundial respira um ar considerado de qualidade inadequada, o que é responsável pela perda de 600.000 vidas ao ano. Provoca partos prematuros, crianças com baixo peso ao nascer, doenças respiratórias, endócrinas, reumatológicas, dermatológicas neurológicas e psiquiátricas.
  • Poluição da água: Causada pela presença de componentes químicos, elementos radioativos e organismos patógenos. Responsável pela morte anual de 4,6 milhões de crianças menores de cinco anos, devido a doenças diarreicas e infecções (OMS), além de comprometimento do desenvolvimento físico e cognitivo.
  • Poluição do solo: Causada pela presença de agrotóxicos, metais pesados e resíduos industriais, contaminando alimentos e levando a doenças neurológicas, hormonais e câncer.
  • Poluição sonora e luminosa: O ruído excessivo e a exposição exagerada à luz artificial, presentes principalmente em áreas urbanas, causam distúrbios do sono, estresse crônico, redução da capacidade cognitiva, obesidade e distúrbios endócrinos.

Diante desse cenário, podemos nos perguntar, o que fazer? Algumas atitudes individuais são importantes, como o descarte adequado do lixo doméstico, o consumo consciente, a busca por meios de transporte mais sustentáveis, frequentar ambientes com áreas verdes, garantir alimentação saudável às nossas crianças, etc. Mas tão importante quanto, é necessária a cobrança dos poderes públicos e dos gestores da garantia da fiscalização e aplicação das leis e programas relacionados à proteção do meio ambiente.

Relatora:

Regina Carnaúba
Membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP

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Alimentos OGM: o que é importante saber https://spsp.org.br/alimentos-ogm-o-que-e-importante-saber/ Tue, 04 Aug 2026 12:19:41 +0000 https://spsp.org.br/?p=58101 O que são alimentos OGM? Quando a sigla OGM (Organismos Geneticamente Modificados) é mencionada, é comum que surjam dúvidas ou preocupações. Mas na prática, o que isso implica? Alimentos OGM são aqueles derivados de plantas ou microrganismos cujo material genético foi modificado em laboratório. Essa modificação pode ter diversos propósitos, como aumentar a resistência da planta a pragas, elevar a produtividade, melhorar a resistência à seca ou enriquecer os nutrientes que normalmente estão em níveis insuficientes. No Brasil, os OGMs mais frequentes na alimentação são a soja, o milho e o algodão geneticamente modificados. Esses ingredientes estão presentes de forma discreta em uma variedade de produtos industrializados que consumimos diariamente — desde óleos vegetais e farinhas até alimentos destinados a bebês e crianças. Por que essa questão é especialmente relevante para crianças? As crianças não são apenas adultos em miniatura. Seus corpos ainda estão em desenvolvimento — incluindo o cérebro, o sistema imunológico e o sistema digestório —, o que pode torná-las mais suscetíveis a algumas substâncias do que os adultos. Em 2023, a revista Pediatrics — publicação oficial da Academia Americana de Pediatria — apresentou as opiniões de especialistas em saúde infantil e ambiental. A conclusão foi equilibrada: os alimentos OGM aprovados pelas agências reguladoras não demonstram risco direto comprovado à saúde das crianças. Entretanto, os especialistas destacaram um alerta importante: o uso extensivo de herbicidas nas lavouras, como o glifosato, pode deixar resíduos nos alimentos, o que é motivo de preocupação real na Pediatria. Os benefícios reais são: •Maior produção de alimentos: plantas resistentes a pragas geram mais, com menos perdas. Em áreas onde a fome ainda é um problema, isso impacta diretamente a disponibilidade de alimentos; •Alimentos enriquecidos: pesquisadores estão criando culturas biofortificadas — como o “Arroz Dourado”, enriquecido com vitamina A — voltadas para crianças de regiões com carências nutricionais; •Ingredientes seguros para fórmulas infantis: a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) já aprovou ingredientes produzidos por microrganismos geneticamente modificados para uso em fórmulas infantis, como a 3-fucosilactose, um açúcar naturalmente presente no leite materno. Os riscos que preocupam os especialistassão:  • Resíduos de herbicidas: a maior preocupação em relação à saúde infantil é o aumento no uso de herbicidas associado a determinadas culturas OGM. O glifosato pode permanecer nos alimentos e, quando consumido em quantidades acumuladas, gera incertezas sobre seus efeitos no desenvolvimento neurológico e hormonal das crianças.  • Alergenicidade – Quando um gene é inserido em uma planta, surge a questão: a nova proteína produzida pode provocar reações alérgicas? Estudos recentes indicam que, até o momento, não houve reações alérgicas clinicamente comprovadas associadas aos OGMs aprovados. No entanto, especialistas defendem a necessidade de avaliações de segurança contínuas e rigorosas. • Falta de estudos de longo prazo em crianças — essa é a grande incógnita: ainda não há pesquisas de acompanhamento que avaliem os efeitos do consumo contínuo de OGMs ao longo da infância e da adolescência. A ciência disponível é boa — mas ainda não é completa. O que ainda não sabemos — a ciência é sincera ao reconhecer seus próprios limites. Entre as questões que necessitam de mais investigação estão: Quais são os efeitos cumulativos dos resíduos de herbicidas durante o crescimento infantil? Como os OGMs interagem com a microbiota intestinal das crianças — essenciais para a imunidade? Existem grupos mais vulneráveis — como crianças prematuras, com sistemas imunológicos comprometidos ou com doenças intestinais — que precisam de orientações específicas? Essas indagações não indicam que os OGMs sejam perigosos. Elas mostram que a ciência ainda está em busca de respostas — e que, nesse ínterim, a precaução é uma abordagem sensata. Dicas práticas para pais e cuidadores Conclusão Os alimentos OGM são uma realidade na mesa das famílias brasileiras. Com base nas evidências científicas disponíveis, os que foram aprovados por agências reguladoras não apresentam risco comprovado à saúde das crianças. Contudo, a questão dos resíduos de herbicidas, as lacunas nos estudos de longo prazo e a necessidade de monitoramento contínuo são motivos válidos para cautela e atenção. Informação de qualidade, diversificação alimentar e acompanhamento pediátrico regular permanecem as melhores formas de proteger a saúde de nossos filhos. Relator: Mauro FisbergCoordenador do Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares (CENDA), do Instituto Pensi – São PauloProfessor Sênior Doutor do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo.Presidente do Departamento Científico de Nutrição da SPSP]]>

O que são alimentos OGM? Quando a sigla OGM (Organismos Geneticamente Modificados) é mencionada, é comum que surjam dúvidas ou preocupações. Mas na prática, o que isso implica?

Alimentos OGM são aqueles derivados de plantas ou microrganismos cujo material genético foi modificado em laboratório. Essa modificação pode ter diversos propósitos, como aumentar a resistência da planta a pragas, elevar a produtividade, melhorar a resistência à seca ou enriquecer os nutrientes que normalmente estão em níveis insuficientes.

No Brasil, os OGMs mais frequentes na alimentação são a soja, o milho e o algodão geneticamente modificados. Esses ingredientes estão presentes de forma discreta em uma variedade de produtos industrializados que consumimos diariamente — desde óleos vegetais e farinhas até alimentos destinados a bebês e crianças.

Por que essa questão é especialmente relevante para crianças? As crianças não são apenas adultos em miniatura. Seus corpos ainda estão em desenvolvimento — incluindo o cérebro, o sistema imunológico e o sistema digestório , o que pode torná-las mais suscetíveis a algumas substâncias do que os adultos.

Em 2023, a revista Pediatrics — publicação oficial da Academia Americana de Pediatria — apresentou as opiniões de especialistas em saúde infantil e ambiental. A conclusão foi equilibrada: os alimentos OGM aprovados pelas agências reguladoras não demonstram risco direto comprovado à saúde das crianças. Entretanto, os especialistas destacaram um alerta importante: o uso extensivo de herbicidas nas lavouras, como o glifosato, pode deixar resíduos nos alimentos, o que é motivo de preocupação real na Pediatria.

Os benefícios reais são:

•Maior produção de alimentos: plantas resistentes a pragas geram mais, com menos perdas. Em áreas onde a fome ainda é um problema, isso impacta diretamente a disponibilidade de alimentos;

•Alimentos enriquecidos: pesquisadores estão criando culturas biofortificadas — como o “Arroz Dourado”, enriquecido com vitamina A — voltadas para crianças de regiões com carências nutricionais;

•Ingredientes seguros para fórmulas infantis: a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) já aprovou ingredientes produzidos por microrganismos geneticamente modificados para uso em fórmulas infantis, como a 3-fucosilactose, um açúcar naturalmente presente no leite materno.

Os riscos que preocupam os especialistassão: 

• Resíduos de herbicidas: a maior preocupação em relação à saúde infantil é o aumento no uso de herbicidas associado a determinadas culturas OGM. O glifosato pode permanecer nos alimentos e, quando consumido em quantidades acumuladas, gera incertezas sobre seus efeitos no desenvolvimento neurológico e hormonal das crianças.

 • Alergenicidade – Quando um gene é inserido em uma planta, surge a questão: a nova proteína produzida pode provocar reações alérgicas? Estudos recentes indicam que, até o momento, não houve reações alérgicas clinicamente comprovadas associadas aos OGMs aprovados. No entanto, especialistas defendem a necessidade de avaliações de segurança contínuas e rigorosas.

• Falta de estudos de longo prazo em crianças — essa é a grande incógnita: ainda não há pesquisas de acompanhamento que avaliem os efeitos do consumo contínuo de OGMs ao longo da infância e da adolescência. A ciência disponível é boa — mas ainda não é completa.

O que ainda não sabemos — a ciência é sincera ao reconhecer seus próprios limites. Entre as questões que necessitam de mais investigação estão:

Quais são os efeitos cumulativos dos resíduos de herbicidas durante o crescimento infantil? Como os OGMs interagem com a microbiota intestinal das crianças — essenciais para a imunidade? Existem grupos mais vulneráveis — como crianças prematuras, com sistemas imunológicos comprometidos ou com doenças intestinais — que precisam de orientações específicas? Essas indagações não indicam que os OGMs sejam perigosos. Elas mostram que a ciência ainda está em busca de respostas — e que, nesse ínterim, a precaução é uma abordagem sensata.

Dicas práticas para pais e cuidadores

  1. Optem por alimentos in natura ou minimamente processados. Frutas, legumes, verduras, ovos, carnes e grãos inteiros têm menos aditivos e resíduos, independentemente de serem OGM ou não.
  2. Verifiquem os rótulos. No Brasil, produtos que contenham mais de 1% de ingrediente transgênico devem exibir o símbolo do triângulo amarelo com a letra “T”.
  3. Diminuam o consumo de ultraprocessados. Grande parte da exposição infantil a ingredientes OGM provém de biscoitos recheados, salgadinhos, cereais açucarados e bebidas industrializadas. Reduzi-los faz diferença — e não apenas por conta dos OGMs.
  4. Variem a alimentação. A diversidade alimentar é uma proteção. Uma criança que consome uma ampla gama de alimentos naturais está menos exposta a substâncias específicas — e é mais bem nutrida.
  5. Consultem o pediatra. Se seu filho tem alergias, doenças intestinais ou imunidade comprometida, discuta essas questões com o médico. Cada criança tem sua própria história.
  6. Desconfiem de extremos. Tanto o alarmismo (“OGM é veneno!”) quanto a complacência total (“não há nenhum risco”) são posturas equivocadas diante da ciência atual. A posição crítica equilibrada é a mais honesta.

Conclusão

Os alimentos OGM são uma realidade na mesa das famílias brasileiras. Com base nas evidências científicas disponíveis, os que foram aprovados por agências reguladoras não apresentam risco comprovado à saúde das crianças. Contudo, a questão dos resíduos de herbicidas, as lacunas nos estudos de longo prazo e a necessidade de monitoramento contínuo são motivos válidos para cautela e atenção.

Informação de qualidade, diversificação alimentar e acompanhamento pediátrico regular permanecem as melhores formas de proteger a saúde de nossos filhos.

Relator:

Mauro Fisberg
Coordenador do Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares (CENDA), do Instituto Pensi – São Paulo
Professor Sênior Doutor do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo.
Presidente do Departamento Científico de Nutrição da SPSP

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Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona https://spsp.org.br/amamentacao-para-um-comeco-de-vida-sustentavel-fortaleca-o-que-funciona/ Sat, 01 Aug 2026 11:00:00 +0000 https://spsp.org.br/?p=58009 Chegamos a mais um mês de agosto, período em que celebramos o Agosto Dourado, campanha dedicada à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, reconhecido como o padrão-ouro da alimentação infantil. Todos os anos, a WABA apresenta um tema e um símbolo que orientam as ações da Semana Mundial de Aleitamento Materno, estimulando governos, profissionais de saúde, empresas e a sociedade a ampliar o conhecimento sobre a importância da amamentação. Em 2026, o tema da campanha mundial da World Alliance for Breastfeeding Action (WABA) é “Amamentação para um Começo de Vida Sustentável: Fortaleça o que Funciona”, reforçando que investir na amamentação é investir na saúde das crianças, na segurança alimentar, na sustentabilidade ambiental e na redução das desigualdades sociais. Segundo a WABA, o logotipo da campanha (acima) foi cuidadosamente concebido para representar esses princípios. A tríade forma um coração, simbolizando o compromisso global com o aleitamento materno como fundamento para a nutrição ideal, a segurança alimentar e a redução da pobreza. A folha verde representa um começo de vida sustentável, refletindo o papel essencial da amamentação na construção de um futuro mais saudável para as crianças e para o planeta. A campanha está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas, especialmente ao ODS 1 – Erradicação da Pobreza, uma vez que o aleitamento materno se constitui em estratégia de baixo custo, altamente efetiva e capaz de promover melhores condições de saúde, nutrição e desenvolvimento humano desde o nascimento até a idade adulta. Atualmente, há evidências consistentes de que o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida, seguido da introdução oportuna e adequada da alimentação complementar com manutenção da amamentação até dois anos ou mais, exerce papel fundamental no crescimento, no desenvolvimento e, especialmente, no neurodesenvolvimento infantil. Nas últimas décadas, inúmeros estudos têm investigado a influência do leite humano sobre o desenvolvimento cerebral. Entre os temas mais estudados estão as possíveis associações entre o aleitamento materno e a ocorrência de transtornos do neurodesenvolvimento. De modo geral, as pesquisas demonstram que crianças amamentadas, particularmente aquelas que receberam aleitamento materno exclusivo por maior tempo, apresentam melhores indicadores de desenvolvimento cognitivo e neurológico. Entretanto, as evidências atuais ainda não permitem estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre a amamentação e a prevenção do Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma vez que diversos fatores genéticos, ambientais e sociais também influenciam o neurodesenvolvimento. Ainda assim, os resultados reforçam a necessidade de ampliar as pesquisas sobre os componentes bioativos do leite humano e seus possíveis efeitos na maturação cerebral. No Brasil, temos importantes políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno que precisam ser preservadas e fortalecidas. Destacam-se a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, considerada a maior e mais complexa do mundo, com mais de 238 Bancos de Leite Humano e aproximadamente 261 Postos de Coleta, além da Iniciativa Hospital Amigo da Criança, que conta com 334 hospitais credenciados até o momento, desempenhando papel fundamental na implementação de boas práticas de atenção ao nascimento e ao aleitamento materno. Além da manutenção dessas estratégias, é indispensável monitorar e avaliar continuamente os indicadores de aleitamento materno no país. O acompanhamento sistemático dos resultados permite identificar avanços, reconhecer desafios, direcionar investimentos e fortalecer programas e políticas públicas que comprovadamente produzem benefícios para a saúde materno-infantil. Neste Agosto Dourado, o convite é para que todos — profissionais de saúde, gestores, pesquisadores, empregadores e famílias — unam esforços para garantir que cada criança tenha a oportunidade de receber o melhor começo de vida possível por meio da amamentação. Relatora: Rosangela Gomes dos SantosPresidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SPSP]]>


Chegamos a mais um mês de agosto, período em que celebramos o Agosto Dourado, campanha dedicada à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, reconhecido como o padrão-ouro da alimentação infantil.

Todos os anos, a WABA apresenta um tema e um símbolo que orientam as ações da Semana Mundial de Aleitamento Materno, estimulando governos, profissionais de saúde, empresas e a sociedade a ampliar o conhecimento sobre a importância da amamentação.

Em 2026, o tema da campanha mundial da World Alliance for Breastfeeding Action (WABA) é “Amamentação para um Começo de Vida Sustentável: Fortaleça o que Funciona”, reforçando que investir na amamentação é investir na saúde das crianças, na segurança alimentar, na sustentabilidade ambiental e na redução das desigualdades sociais.

Segundo a WABA, o logotipo da campanha (acima) foi cuidadosamente concebido para representar esses princípios. A tríade forma um coração, simbolizando o compromisso global com o aleitamento materno como fundamento para a nutrição ideal, a segurança alimentar e a redução da pobreza. A folha verde representa um começo de vida sustentável, refletindo o papel essencial da amamentação na construção de um futuro mais saudável para as crianças e para o planeta.

A campanha está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas, especialmente ao ODS 1 – Erradicação da Pobreza, uma vez que o aleitamento materno se constitui em estratégia de baixo custo, altamente efetiva e capaz de promover melhores condições de saúde, nutrição e desenvolvimento humano desde o nascimento até a idade adulta.

Atualmente, há evidências consistentes de que o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida, seguido da introdução oportuna e adequada da alimentação complementar com manutenção da amamentação até dois anos ou mais, exerce papel fundamental no crescimento, no desenvolvimento e, especialmente, no neurodesenvolvimento infantil.

Nas últimas décadas, inúmeros estudos têm investigado a influência do leite humano sobre o desenvolvimento cerebral. Entre os temas mais estudados estão as possíveis associações entre o aleitamento materno e a ocorrência de transtornos do neurodesenvolvimento.

De modo geral, as pesquisas demonstram que crianças amamentadas, particularmente aquelas que receberam aleitamento materno exclusivo por maior tempo, apresentam melhores indicadores de desenvolvimento cognitivo e neurológico. Entretanto, as evidências atuais ainda não permitem estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre a amamentação e a prevenção do Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma vez que diversos fatores genéticos, ambientais e sociais também influenciam o neurodesenvolvimento. Ainda assim, os resultados reforçam a necessidade de ampliar as pesquisas sobre os componentes bioativos do leite humano e seus possíveis efeitos na maturação cerebral.

No Brasil, temos importantes políticas públicas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno que precisam ser preservadas e fortalecidas. Destacam-se a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, considerada a maior e mais complexa do mundo, com mais de 238 Bancos de Leite Humano e aproximadamente 261 Postos de Coleta, além da Iniciativa Hospital Amigo da Criança, que conta com 334 hospitais credenciados até o momento, desempenhando papel fundamental na implementação de boas práticas de atenção ao nascimento e ao aleitamento materno.

Além da manutenção dessas estratégias, é indispensável monitorar e avaliar continuamente os indicadores de aleitamento materno no país. O acompanhamento sistemático dos resultados permite identificar avanços, reconhecer desafios, direcionar investimentos e fortalecer programas e políticas públicas que comprovadamente produzem benefícios para a saúde materno-infantil.

Neste Agosto Dourado, o convite é para que todos — profissionais de saúde, gestores, pesquisadores, empregadores e famílias — unam esforços para garantir que cada criança tenha a oportunidade de receber o melhor começo de vida possível por meio da amamentação.

Relatora:

Rosangela Gomes dos Santos
Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SPSP

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Hepatites virais na infância no Brasil: epidemiologia, sinais de alerta e prevenção https://spsp.org.br/57944-2/ Tue, 28 Jul 2026 12:32:51 +0000 https://spsp.org.br/?p=57944 O Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais é celebrado em 28 de julho, com o objetivo de conscientizar sobre a prevenção, testagem e tratamento das infecções que atingem o fígado. A data integra as mobilizações do Julho Amarelo, campanha oficial de combate a essas doenças no Brasil. As hepatites virais representam um grave desafio de saúde pública no país, com mais de 826 mil casos confirmados entre os anos de 2000 e 2024. Embora existam avanços tecnológicos e tratamentos eficazes, o ritmo para alcançar as metas de eliminação da Organização Mundial da Saúde (OMS) até 2030 ainda é considerado lento e desigual em nível global. O cenário epidemiológico no Brasil A distribuição das hepatites no país é heterogênea. A hepatite C é a forma mais letal, sendo responsável por 75,3% dos óbitos associados a hepatites virais no período analisado, seguida pela hepatite B, com 22%. Muitas dessas infecções são “silenciosas”, em que o paciente não apresenta sintomas por anos, permitindo que a doença progrida para danos graves no fígado, como a cirrose, antes do diagnóstico. Dessa maneira, o reconhecimento precoce dos sinais de alerta é essencial para identificar pacientes com risco de insuficiência hepática aguda. Devem ser considerados sinais de gravidade a piora progressiva da icterícia, alteração do nível de consciência, sonolência excessiva, irritabilidade, confusão mental, sangramentos espontâneos, equimoses, vômitos persistentes, hipoglicemia, edema importante, ascite, redução importante da diurese e aumento rápido do tempo de protrombina ou do INR. Crianças com suspeita de insuficiência hepática aguda devem ser encaminhadas imediatamente para centros especializados, preferencialmente com experiência em hepatologia pediátrica e transplante hepático. Diferenças entre os tipos de hepatite Prevenção e o calendário de vacinação A vacinação é a estratégia mais eficaz de controle. O Calendário Nacional de Vacinação de 2026 e as diretrizes do Ministério da Saúde estabelecem: Desafios e metas para 2030 O Brasil é signatário do compromisso mundial de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, o que exige reduzir as incidências em 90% e a mortalidade em 65%. Para acelerar esse processo, o governo instituiu o Programa Brasil Saudável, focado em enfrentar doenças determinadas socialmente pela pobreza e iniquidades. Apesar da importante redução da incidência das hepatites virais pediátricas no Brasil, essas doenças continuam exigindo vigilância constante. O conhecimento da epidemiologia, a identificação precoce dos sinais de alerta, o reconhecimento das manifestações clínicas e a adoção rigorosa das medidas preventivas são fundamentais para evitar formas graves, reduzir a transmissão e contribuir para a meta da Organização Mundial da Saúde de eliminação das hepatites virais como problema de saúde pública. Nesse sentido, a campanha Julho Amarelo – Mês de Luta contra as Hepatites Virais, oficializada pela Lei nº 13.802/2019, desempenha um papel crucial na conscientização, incentivando a testagem rápida e o diagnóstico precoce por meio do SUS, que oferece tecnologias modernas de prevenção e cura gratuitamente para toda a população. Relatora: Irene Kazue MiuraPresidente do Departamento Científico de Hepatologia da SPSP]]>

O Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais é celebrado em 28 de julho, com o objetivo de conscientizar sobre a prevenção, testagem e tratamento das infecções que atingem o fígado. A data integra as mobilizações do Julho Amarelo, campanha oficial de combate a essas doenças no Brasil.

As hepatites virais representam um grave desafio de saúde pública no país, com mais de 826 mil casos confirmados entre os anos de 2000 e 2024. Embora existam avanços tecnológicos e tratamentos eficazes, o ritmo para alcançar as metas de eliminação da Organização Mundial da Saúde (OMS) até 2030 ainda é considerado lento e desigual em nível global.

O cenário epidemiológico no Brasil

A distribuição das hepatites no país é heterogênea. A hepatite C é a forma mais letal, sendo responsável por 75,3% dos óbitos associados a hepatites virais no período analisado, seguida pela hepatite B, com 22%. Muitas dessas infecções são “silenciosas”, em que o paciente não apresenta sintomas por anos, permitindo que a doença progrida para danos graves no fígado, como a cirrose, antes do diagnóstico.

Dessa maneira, o reconhecimento precoce dos sinais de alerta é essencial para identificar pacientes com risco de insuficiência hepática aguda. Devem ser considerados sinais de gravidade a piora progressiva da icterícia, alteração do nível de consciência, sonolência excessiva, irritabilidade, confusão mental, sangramentos espontâneos, equimoses, vômitos persistentes, hipoglicemia, edema importante, ascite, redução importante da diurese e aumento rápido do tempo de protrombina ou do INR. Crianças com suspeita de insuficiência hepática aguda devem ser encaminhadas imediatamente para centros especializados, preferencialmente com experiência em hepatologia pediátrica e transplante hepático.

Diferenças entre os tipos de hepatite

  • Hepatite A: Transmitida principalmente pela via fecal-oral, através de água ou alimentos contaminados e falta de saneamento básico. É geralmente benigna, mas sua letalidade aumenta com a idade.
  • Hepatites B e C: São transmitidas pelo contato com sangue ou secreções, incluindo relações sexuais desprotegidas e compartilhamento de objetos perfurocortantes. A hepatite B possui elevado risco de cronificação quando adquirida no período neonatal.
  • Hepatite D: Ocorre apenas em pessoas já infectadas pelo vírus da hepatite B.
  • Hepatite E: Transmitida via fecal-oral, é rara no Brasil e costuma ter curso benigno, exceto em gestantes.

Prevenção e o calendário de vacinação

A vacinação é a estratégia mais eficaz de controle. O Calendário Nacional de Vacinação de 2026 e as diretrizes do Ministério da Saúde estabelecem:

  • Hepatite B: A primeira dose deve ser administrada preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida, ainda na maternidade, para prevenir a transmissão vertical (de mãe para filho). O esquema completo para crianças, adolescentes e adultos envolve três doses.
  • Hepatite A: Faz parte do calendário infantil, com uma dose única aos 15 meses de idade (podendo ser aplicada até os 5 anos incompletos). Graças à vacinação, houve uma redução de 99,9% na taxa de incidência em crianças menores de 5 anos entre 2014 e 2024.

Desafios e metas para 2030

O Brasil é signatário do compromisso mundial de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, o que exige reduzir as incidências em 90% e a mortalidade em 65%. Para acelerar esse processo, o governo instituiu o Programa Brasil Saudável, focado em enfrentar doenças determinadas socialmente pela pobreza e iniquidades.

Apesar da importante redução da incidência das hepatites virais pediátricas no Brasil, essas doenças continuam exigindo vigilância constante. O conhecimento da epidemiologia, a identificação precoce dos sinais de alerta, o reconhecimento das manifestações clínicas e a adoção rigorosa das medidas preventivas são fundamentais para evitar formas graves, reduzir a transmissão e contribuir para a meta da Organização Mundial da Saúde de eliminação das hepatites virais como problema de saúde pública.

Nesse sentido, a campanha Julho Amarelo – Mês de Luta contra as Hepatites Virais, oficializada pela Lei nº 13.802/2019, desempenha um papel crucial na conscientização, incentivando a testagem rápida e o diagnóstico precoce por meio do SUS, que oferece tecnologias modernas de prevenção e cura gratuitamente para toda a população.


Relatora:

Irene Kazue Miura
Presidente do Departamento Científico de Hepatologia da SPSP

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