Sinais e sintomas – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 18 Sep 2026 18:41:10 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Sinais e sintomas – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Retinoblastoma: o tumor ocular da primeira infância https://spsp.org.br/retinoblastoma-o-tumor-ocular-da-primeira-infancia/ Fri, 18 Sep 2026 18:40:24 +0000 https://spsp.org.br/?p=59096 O Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma acontece em 18 de setembro. O retinoblastoma é um tumor maligno originado na retina que acomete sobretudo crianças nos primeiros anos de vida. É o câncer intraocular mais frequente da infância, com cerca de 400 novos casos estimados por ano no Brasil, o que significa que muitos pediatras atenderão pouquíssimos casos ao longo da carreira e que a maior parte das famílias nunca ouviu falar da doença até que ela apareça em alguém próximo. Essa raridade torna o tema delicado. Como doença que pode demorar para ser detectada, no caso do retinoblastoma, o intervalo entre a primeira alteração percebida e a avaliação oftalmológica tem relevância no desfecho. Quando o tumor ainda está restrito ao olho, as taxas de cura são altas e existe chance concreta de preservar o globo ocular e alguma visão útil. Em fases mais avançadas, o tratamento se torna mais complexo e as alternativas se estreitam. O sinal mais característico é a leucocoria, um reflexo esbranquiçado na pupila que substitui o reflexo avermelhado normal. Costuma aparecer em fotografias com flash ou quando a criança olha em determinada direção sob certa iluminação, e é conhecida popularmente como “olho de gato”. A leucocoria tem várias causas possíveis, entre elas catarata congênita e outras doenças da retina, e na maioria das vezes não se trata de câncer. O que não se pode fazer é observar a alteração e esperar que ela desapareça. O segundo sinal relevante é o estrabismo, particularmente quando surge em uma criança cujos olhos eram alinhados. Alterações na visão, olho vermelho que não melhora, dor ocular e aumento do volume do olho também podem ocorrer, embora sejam manifestações mais tardias ou menos frequentes. Uma dúvida comum das famílias é como o tumor pode estar presente se a criança parece enxergar normalmente. Crianças pequenas raramente percebem ou verbalizam que a visão piorou ou que está embaçada, e quando um dos olhos está preservado vai compensar a perda, de modo que a criança continua brincando, reconhecendo pessoas e se deslocando sem dificuldade aparente. Por isso a observação dos adultos importa mais do que a queixa da criança, e qualquer mudança no aspecto da pupila ou no alinhamento dos olhos merece avaliação, mesmo que tudo o mais pareça normal. O retinoblastoma pode acometer um olho ou os dois. A maioria dos casos é unilateral, enquanto as formas bilaterais estão associadas a alterações genéticas hereditárias e tendem a se manifestar mais cedo. Quando há história familiar da doença, irmãos ou futuros filhos precisam de acompanhamento oftalmológico desde o nascimento, e o aconselhamento genético passa a fazer parte do cuidado. O tratamento é definido caso a caso, considerando tamanho e localização do tumor, estadiamento e envolvimento de um ou dos dois olhos. Existem hoje terapias locais, como laser e crioterapia, quimioterapia sistêmica, intra-arterial e intravítrea, além da braquiterapia, e a retirada do olho continua sendo necessária em parte dos casos mais avançados. A ordem de prioridades é sempre a mesma: preservar a vida da criança e, sempre que isso for possível, preservar o olho e a visão. A Sociedade de Pediatria de São Paulo aproveita este mês para reforçar uma orientação prática aos pais e pediatras. Se uma fotografia mostrar um reflexo esbranquiçado em uma das pupilas, se um olho começar a desviar ou se algo no olhar da criança parecer diferente, o encaminhamento ao oftalmologista deve ser feito urgentemente, e não na próxima consulta de rotina. Relator:Marcelo Alexandre A. CavalcantePresidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP]]>

O Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma acontece em 18 de setembro.

O retinoblastoma é um tumor maligno originado na retina que acomete sobretudo crianças nos primeiros anos de vida. É o câncer intraocular mais frequente da infância, com cerca de 400 novos casos estimados por ano no Brasil, o que significa que muitos pediatras atenderão pouquíssimos casos ao longo da carreira e que a maior parte das famílias nunca ouviu falar da doença até que ela apareça em alguém próximo.

Essa raridade torna o tema delicado. Como doença que pode demorar para ser detectada, no caso do retinoblastoma, o intervalo entre a primeira alteração percebida e a avaliação oftalmológica tem relevância no desfecho. Quando o tumor ainda está restrito ao olho, as taxas de cura são altas e existe chance concreta de preservar o globo ocular e alguma visão útil. Em fases mais avançadas, o tratamento se torna mais complexo e as alternativas se estreitam.

O sinal mais característico é a leucocoria, um reflexo esbranquiçado na pupila que substitui o reflexo avermelhado normal. Costuma aparecer em fotografias com flash ou quando a criança olha em determinada direção sob certa iluminação, e é conhecida popularmente como “olho de gato”. A leucocoria tem várias causas possíveis, entre elas catarata congênita e outras doenças da retina, e na maioria das vezes não se trata de câncer. O que não se pode fazer é observar a alteração e esperar que ela desapareça.

O segundo sinal relevante é o estrabismo, particularmente quando surge em uma criança cujos olhos eram alinhados. Alterações na visão, olho vermelho que não melhora, dor ocular e aumento do volume do olho também podem ocorrer, embora sejam manifestações mais tardias ou menos frequentes.

Uma dúvida comum das famílias é como o tumor pode estar presente se a criança parece enxergar normalmente. Crianças pequenas raramente percebem ou verbalizam que a visão piorou ou que está embaçada, e quando um dos olhos está preservado vai compensar a perda, de modo que a criança continua brincando, reconhecendo pessoas e se deslocando sem dificuldade aparente. Por isso a observação dos adultos importa mais do que a queixa da criança, e qualquer mudança no aspecto da pupila ou no alinhamento dos olhos merece avaliação, mesmo que tudo o mais pareça normal.

O retinoblastoma pode acometer um olho ou os dois. A maioria dos casos é unilateral, enquanto as formas bilaterais estão associadas a alterações genéticas hereditárias e tendem a se manifestar mais cedo. Quando há história familiar da doença, irmãos ou futuros filhos precisam de acompanhamento oftalmológico desde o nascimento, e o aconselhamento genético passa a fazer parte do cuidado.

O tratamento é definido caso a caso, considerando tamanho e localização do tumor, estadiamento e envolvimento de um ou dos dois olhos. Existem hoje terapias locais, como laser e crioterapia, quimioterapia sistêmica, intra-arterial e intravítrea, além da braquiterapia, e a retirada do olho continua sendo necessária em parte dos casos mais avançados.

A ordem de prioridades é sempre a mesma: preservar a vida da criança e, sempre que isso for possível, preservar o olho e a visão.

A Sociedade de Pediatria de São Paulo aproveita este mês para reforçar uma orientação prática aos pais e pediatras. Se uma fotografia mostrar um reflexo esbranquiçado em uma das pupilas, se um olho começar a desviar ou se algo no olhar da criança parecer diferente, o encaminhamento ao oftalmologista deve ser feito urgentemente, e não na próxima consulta de rotina.

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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Linfomas são altamente curáveis na infância https://spsp.org.br/linfomas-sao-altamente-curaveis-na-infancia/ Tue, 15 Sep 2026 14:07:54 +0000 https://spsp.org.br/?p=59023 No dia 15 de setembro é celebrado o Dia Mundial da Conscientização dos Linfomas, uns dos principais tipos de câncer na infância e sobretudo na adolescência. São doenças altamente curáveis e este texto visa chamar a atenção dos adolescentes, familiares, médicos, pediatras ou clínicos sobre os sintomas mais comuns. Os linfomas são neoplasias malignas com origem no sistema linforreticular. Este sistema é o responsável pela resposta imune, vigilância e detecção de elementos estranhos ao organismo, e está presente nos locais onde há um primeiro contato com o que ingerimos ou respiramos, como o trato gastrointestinal e as vias aéreas superiores. Está bem representado também nos linfonodos ou gânglios, estruturas que filtram o que não é desejado no organismo e produzem células de defesa, principalmente linfócitos. Os linfomas surgem quando ocorre uma mutação nos linfócitos e estes começam a se proliferar sem controle e se disseminar em outros linfonodos. Os linfonodos ou gânglios, também popularmente conhecidos como ínguas, são frequentemente palpáveis em crianças, nas regiões do pescoço, axilas e virilhas. Isto ocorre em geral em resposta a infecções de pele (couro cabeludo, mãos, pés), de boca, da faringe e do ouvido, comuns na infância. Podem ocorrer também como resposta inflamatória após a colocação de brincos e piercings em adolescentes. Os gânglios nestas situações crescem, podem ser dolorosos, apresentar vermelhidão e o paciente pode ter febre durante o processo. Uma vez encerrada a infecção ou a inflamação, os linfonodos tendem a regredir, porém podem não desaparecer. Nos linfomas, os linfonodos começam a aumentar de tamanho, e não param de crescer, formando em algumas situações blocos ganglionares. Podem ser indolores, não são necessariamente endurecidos, e em geral, não são móveis. No linfoma de Hodgkin, o câncer mais comum no adolescente, o processo se inicia na região do pescoço e se dissemina por contiguidade para as demais cadeias linfáticas: fossas supraclaviculares (conhecidas como “saboneteiras”), axilas, mediastino (espaço no centro do tórax onde existem gânglios), cavidade abdominal (em linfonodos e/ou no baço, órgão do sistema linforreticular), e região inguinal ou virilhas. Quando os gânglios crescem sem parar, são maiores de 3 cm de diâmetro, são coalescentes formando blocos e estão em locais não usuais, como fossa supraclavicular. Deve ser sempre realizada biópsia para esclarecer a causa da doença. O aumento de gânglios em mediastino pode causar dor torácica e falta de ar, e o acometimento dos linfonodos abdominais ou do baço pode causar dor e inchaço na barriga. Outros sintomas podem estar presentes, tais como febre, em geral vespertina, sudorese noturna e perda de peso. O pediatra ou clínico, frente a um paciente com estes sintomas, pode solicitar alguns exames simples e de rápida realização, tais como radiografia de tórax para avaliar o mediastino ou ultrassonografia de abdome; não deve atrasar o encaminhamento do paciente para um centro de oncologia pediátrica, visando ao diagnóstico mais preciso e início rápido de tratamento adequado. Nesses centros, exames de imagem mais acurados definem toda a extensão da doença e a biópsia de um gânglio acometido, define o tipo de câncer e suas características moleculares. A abordagem dos linfomas envolve múltiplas modalidades terapêuticas, como quimioterapia com drogas administradas em doses convencionais ou em altas doses para eliminar as células tumorais, a radioterapia nos locais acometidos, terapia-alvo contra alterações moleculares específicas e imunoterapia. O linfoma de Hodgkin é curável em cerca de 90% dos casos atualmente e os linfomas não Hodgkin, há variação de 70%-90%. A atenção aos sinais e sintomas por parte das famílias e médicos e o encaminhamento para centros especializados possibilitam essa história de sucesso na oncologia pediátrica. Relatora:Ethel F. GorenderPresidente do Departamento Científico de Oncologia da SPSP]]>

No dia 15 de setembro é celebrado o Dia Mundial da Conscientização dos Linfomas, uns dos principais tipos de câncer na infância e sobretudo na adolescência. São doenças altamente curáveis e este texto visa chamar a atenção dos adolescentes, familiares, médicos, pediatras ou clínicos sobre os sintomas mais comuns. Os linfomas são neoplasias malignas com origem no sistema linforreticular. Este sistema é o responsável pela resposta imune, vigilância e detecção de elementos estranhos ao organismo, e está presente nos locais onde há um primeiro contato com o que ingerimos ou respiramos, como o trato gastrointestinal e as vias aéreas superiores. Está bem representado também nos linfonodos ou gânglios, estruturas que filtram o que não é desejado no organismo e produzem células de defesa, principalmente linfócitos. Os linfomas surgem quando ocorre uma mutação nos linfócitos e estes começam a se proliferar sem controle e se disseminar em outros linfonodos.

Os linfonodos ou gânglios, também popularmente conhecidos como ínguas, são frequentemente palpáveis em crianças, nas regiões do pescoço, axilas e virilhas. Isto ocorre em geral em resposta a infecções de pele (couro cabeludo, mãos, pés), de boca, da faringe e do ouvido, comuns na infância. Podem ocorrer também como resposta inflamatória após a colocação de brincos e piercings em adolescentes. Os gânglios nestas situações crescem, podem ser dolorosos, apresentar vermelhidão e o paciente pode ter febre durante o processo. Uma vez encerrada a infecção ou a inflamação, os linfonodos tendem a regredir, porém podem não desaparecer.

Nos linfomas, os linfonodos começam a aumentar de tamanho, e não param de crescer, formando em algumas situações blocos ganglionares. Podem ser indolores, não são necessariamente endurecidos, e em geral, não são móveis. No linfoma de Hodgkin, o câncer mais comum no adolescente, o processo se inicia na região do pescoço e se dissemina por contiguidade para as demais cadeias linfáticas: fossas supraclaviculares (conhecidas como “saboneteiras”), axilas, mediastino (espaço no centro do tórax onde existem gânglios), cavidade abdominal (em linfonodos e/ou no baço, órgão do sistema linforreticular), e região inguinal ou virilhas. Quando os gânglios crescem sem parar, são maiores de 3 cm de diâmetro, são coalescentes formando blocos e estão em locais não usuais, como fossa supraclavicular. Deve ser sempre realizada biópsia para esclarecer a causa da doença. O aumento de gânglios em mediastino pode causar dor torácica e falta de ar, e o acometimento dos linfonodos abdominais ou do baço pode causar dor e inchaço na barriga. Outros sintomas podem estar presentes, tais como febre, em geral vespertina, sudorese noturna e perda de peso.

O pediatra ou clínico, frente a um paciente com estes sintomas, pode solicitar alguns exames simples e de rápida realização, tais como radiografia de tórax para avaliar o mediastino ou ultrassonografia de abdome; não deve atrasar o encaminhamento do paciente para um centro de oncologia pediátrica, visando ao diagnóstico mais preciso e início rápido de tratamento adequado. Nesses centros, exames de imagem mais acurados definem toda a extensão da doença e a biópsia de um gânglio acometido, define o tipo de câncer e suas características moleculares.

A abordagem dos linfomas envolve múltiplas modalidades terapêuticas, como quimioterapia com drogas administradas em doses convencionais ou em altas doses para eliminar as células tumorais, a radioterapia nos locais acometidos, terapia-alvo contra alterações moleculares específicas e imunoterapia.

O linfoma de Hodgkin é curável em cerca de 90% dos casos atualmente e os linfomas não Hodgkin, há variação de 70%-90%. A atenção aos sinais e sintomas por parte das famílias e médicos e o encaminhamento para centros especializados possibilitam essa história de sucesso na oncologia pediátrica.

Relatora:
Ethel F. Gorender
Presidente do Departamento Científico de Oncologia da SPSP

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Um chamado à escuta e à conexão https://spsp.org.br/um-chamado-a-escuta-e-a-conexao/ Thu, 10 Sep 2026 19:56:56 +0000 https://spsp.org.br/?p=58975 Dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio e assistimos, entristecidos, a um aumento de casos entre jovens. Pensando nesse cenário, é importante refletirmos tanto sobre os sinais de atenção que devemos perceber quanto a respeito das ações que possam contribuir para a transformação desse quadro atual. De partida, é fundamental esclarecer que o suicídio tem causa multifatorial. Trata-se de um fenômeno complexo que não pode ser reduzido a explicações únicas e simplistas. Diante da dor que causa tanto ao sujeito quanto a todos que fazem parte de sua vida, é um tema que exige extrema delicadeza ao ser abordado. Todo respeito ao tema, porém, não deve afastar a importância de tratarmos dele. Pensar sobre o assunto é uma tentativa de avançarmos socialmente em um diálogo que, de tão sensível, historicamente permanece entre as subnotificações de causa mortis. O que já era delicado adquiriu caráter ainda mais desafiador nos tempos atuais, ao assistirmos, nos meios digitais e redes sociais, jovens criando fóruns de compartilhamento de conteúdo que vão desde o incentivo a desafios potencialmente mortíferos até transmissões ao vivo de suicídio. Diante desse cenário sócio-histórico, refletir sobre a sua prevenção, torna-se ainda mais urgente. Existem sinais de alerta e fatores associados a um maior risco de suicídio de forma geral, como tentativas anteriores, dependência ou abuso de álcool e drogas, comportamento autolesivo, histórico de abusos e traumas e transtornos mentais. É fundamental alertar que nenhum desses sinais, isoladamente, sentencia que algo dessa ordem acontecerá; eles podem, apenas, ser tomados como sinalizadores para um maior cuidado. A adolescência é um período em que ocorrem transformações velozes e grandiosas na vida de uma pessoa, tanto do ponto de vista biológico quanto psíquico. As transformações do corpo caminham de mãos dadas com a necessidade de maturidade psíquica para lidar com o complexo mundo dos relacionamentos e com as expectativas da futura vida adulta – com todos os desafios que ela envolve: a dimensão da vida sexual, os relacionamentos interpessoais mais refinados com os pares, a escolha da futura profissão e as exigências acadêmicas. O adolescente é convidado pelo mundo a abandonar seus aspectos infantis e seguir rumo a uma jornada da qual ele ainda tem poucas respostas. Ele experimenta um luto pela criança que foi e tem diante de si indagações sobre quem será. Junto desse processo de luto e transformações, é esperado – ainda que transitoriamente – que ele experiencie oscilações de sentimentos diante do turbilhão que vive. Nesse sentido, é fundamental estarmos atentos às conexões que o jovem estabelece com várias dimensões de sua vida, observando suas interações sociais de forma geral. É preciso ir além do âmbito do rendimento escolar e estar atento também aos engajamentos em grupos sociais (sejam amigos, esportes, música ou religião). São justamente essas conexões afetivas e sociais os grandes fatores de proteção nessa etapa da vida. Durante a adolescência, a noção de pertencimento ao grupo ganha uma importância enorme. Estar engajado com seus pares e ter ideais pelos quais se sinta conectado é o que contribuirá para que o jovem se sinta amarrado ao seu futuro e aos sonhos que eleger sonhar. De outro lado, existem situações que, quando presentes, exigem um olhar mais atento. Embora façam parte do período de experimentações de qualquer adolescência, podem traduzir uma expressão de sofrimento maior: isolamento súbito ou excessivo, compulsões em geral (por comida, telas, jogos, álcool ou drogas), praticar ou sofrer bullying, colocar-se constantemente em situações de risco e transtornos alimentares. Por ser a adolescência um período tão desafiador e importante, é fundamental olhar e acolher com atenção esses sinais quando surgem, interpretando-os como oportunidades de cuidado. Um sofrimento psicológico não precisa ser agravado para que possa ser acolhido como demanda de cuidado. Criar oportunidades de escuta ativa e qualificada para as angústias e desafios dessa fase da vida, portanto, é um elemento protetor quando pensamos em prevenção ao suicídio. Quando um sujeito se sente acompanhado e compartilha suas angústias, já não está mais só. Isso, em situações-limite de grande angústia, pode fazer toda a diferença no desfecho de um período de maior sofrimento. Pensando em elementos que contribuam para a prevenção ao suicídio entre os jovens, é interessante refletir como os tempos atuais e as configurações sociais a que estamos expostos impõem um grande desafio a essa discussão. Vivemos em uma era de extrema aceleração, em que os cuidadores de crianças e adolescentes, na maioria das configurações familiares, trabalham. Quando a família se reúne no fim do dia, em geral todos estão conectados em mídias digitais, muito cansados e atarefados, e invariavelmente não compartilham vivências e angústias uns com os outros. As muitas ferramentas digitais e sociais se tornaram incontornavelmente parte da vida de todos, inclusive de crianças e adolescentes. Se a escuta do sofrimento é parte fundamental da prevenção, devemos estar atentos ao tipo de escuta que podemos ter e oferecer a eles. Buscar conexões com os filhos, nesse sentido, é elemento fundamental nessa equação. É um desafio no nosso cenário sócio-histórico, porém essencial. Essa conexão pode não ser de longas horas diárias, mas deve se traduzir em uma busca por interesse mútuo, na criação de um espaço de diálogo e de algum prazer que possam usufruir juntos. A escola também terá papel fundamental se puder proporcionar espaços de conexão e reflexão entre os adolescentes sobre seus sentimentos e desafios. Ampliar todas essas redes de apoio faz com que o jovem não fique restrito à versão única que ele eventualmente possa encontrar em interações potencialmente nocivas nas mídias digitais, como os tais fóruns de incentivo a toda sorte de crueldades e situações perigosas. Por fim, e não menos importante, é fundamental ampliarmos a discussão sobre políticas públicas que respaldem as famílias nesse cuidado e na proteção digital dos jovens, com o intuito de evitar situações de risco como as que temos assistido atualmente. É igualmente importante que as redes de atenção em saúde mental forneçam informações pertinentes sobre a prevenção ao suicídio de forma permanente, disponibilizando dados sobre os locais...]]>

Dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio e assistimos, entristecidos, a um aumento de casos entre jovens. Pensando nesse cenário, é importante refletirmos tanto sobre os sinais de atenção que devemos perceber quanto a respeito das ações que possam contribuir para a transformação desse quadro atual.

De partida, é fundamental esclarecer que o suicídio tem causa multifatorial. Trata-se de um fenômeno complexo que não pode ser reduzido a explicações únicas e simplistas. Diante da dor que causa tanto ao sujeito quanto a todos que fazem parte de sua vida, é um tema que exige extrema delicadeza ao ser abordado. Todo respeito ao tema, porém, não deve afastar a importância de tratarmos dele. Pensar sobre o assunto é uma tentativa de avançarmos socialmente em um diálogo que, de tão sensível, historicamente permanece entre as subnotificações de causa mortis.

O que já era delicado adquiriu caráter ainda mais desafiador nos tempos atuais, ao assistirmos, nos meios digitais e redes sociais, jovens criando fóruns de compartilhamento de conteúdo que vão desde o incentivo a desafios potencialmente mortíferos até transmissões ao vivo de suicídio. Diante desse cenário sócio-histórico, refletir sobre a sua prevenção, torna-se ainda mais urgente.

Existem sinais de alerta e fatores associados a um maior risco de suicídio de forma geral, como tentativas anteriores, dependência ou abuso de álcool e drogas, comportamento autolesivo, histórico de abusos e traumas e transtornos mentais. É fundamental alertar que nenhum desses sinais, isoladamente, sentencia que algo dessa ordem acontecerá; eles podem, apenas, ser tomados como sinalizadores para um maior cuidado.

A adolescência é um período em que ocorrem transformações velozes e grandiosas na vida de uma pessoa, tanto do ponto de vista biológico quanto psíquico. As transformações do corpo caminham de mãos dadas com a necessidade de maturidade psíquica para lidar com o complexo mundo dos relacionamentos e com as expectativas da futura vida adulta – com todos os desafios que ela envolve: a dimensão da vida sexual, os relacionamentos interpessoais mais refinados com os pares, a escolha da futura profissão e as exigências acadêmicas.

O adolescente é convidado pelo mundo a abandonar seus aspectos infantis e seguir rumo a uma jornada da qual ele ainda tem poucas respostas. Ele experimenta um luto pela criança que foi e tem diante de si indagações sobre quem será. Junto desse processo de luto e transformações, é esperado – ainda que transitoriamente – que ele experiencie oscilações de sentimentos diante do turbilhão que vive.

Nesse sentido, é fundamental estarmos atentos às conexões que o jovem estabelece com várias dimensões de sua vida, observando suas interações sociais de forma geral. É preciso ir além do âmbito do rendimento escolar e estar atento também aos engajamentos em grupos sociais (sejam amigos, esportes, música ou religião). São justamente essas conexões afetivas e sociais os grandes fatores de proteção nessa etapa da vida. Durante a adolescência, a noção de pertencimento ao grupo ganha uma importância enorme. Estar engajado com seus pares e ter ideais pelos quais se sinta conectado é o que contribuirá para que o jovem se sinta amarrado ao seu futuro e aos sonhos que eleger sonhar.

De outro lado, existem situações que, quando presentes, exigem um olhar mais atento. Embora façam parte do período de experimentações de qualquer adolescência, podem traduzir uma expressão de sofrimento maior: isolamento súbito ou excessivo, compulsões em geral (por comida, telas, jogos, álcool ou drogas), praticar ou sofrer bullying, colocar-se constantemente em situações de risco e transtornos alimentares.

Por ser a adolescência um período tão desafiador e importante, é fundamental olhar e acolher com atenção esses sinais quando surgem, interpretando-os como oportunidades de cuidado. Um sofrimento psicológico não precisa ser agravado para que possa ser acolhido como demanda de cuidado. Criar oportunidades de escuta ativa e qualificada para as angústias e desafios dessa fase da vida, portanto, é um elemento protetor quando pensamos em prevenção ao suicídio. Quando um sujeito se sente acompanhado e compartilha suas angústias, já não está mais só. Isso, em situações-limite de grande angústia, pode fazer toda a diferença no desfecho de um período de maior sofrimento.

Pensando em elementos que contribuam para a prevenção ao suicídio entre os jovens, é interessante refletir como os tempos atuais e as configurações sociais a que estamos expostos impõem um grande desafio a essa discussão. Vivemos em uma era de extrema aceleração, em que os cuidadores de crianças e adolescentes, na maioria das configurações familiares, trabalham. Quando a família se reúne no fim do dia, em geral todos estão conectados em mídias digitais, muito cansados e atarefados, e invariavelmente não compartilham vivências e angústias uns com os outros.

As muitas ferramentas digitais e sociais se tornaram incontornavelmente parte da vida de todos, inclusive de crianças e adolescentes. Se a escuta do sofrimento é parte fundamental da prevenção, devemos estar atentos ao tipo de escuta que podemos ter e oferecer a eles. Buscar conexões com os filhos, nesse sentido, é elemento fundamental nessa equação. É um desafio no nosso cenário sócio-histórico, porém essencial. Essa conexão pode não ser de longas horas diárias, mas deve se traduzir em uma busca por interesse mútuo, na criação de um espaço de diálogo e de algum prazer que possam usufruir juntos.

A escola também terá papel fundamental se puder proporcionar espaços de conexão e reflexão entre os adolescentes sobre seus sentimentos e desafios. Ampliar todas essas redes de apoio faz com que o jovem não fique restrito à versão única que ele eventualmente possa encontrar em interações potencialmente nocivas nas mídias digitais, como os tais fóruns de incentivo a toda sorte de crueldades e situações perigosas.

Por fim, e não menos importante, é fundamental ampliarmos a discussão sobre políticas públicas que respaldem as famílias nesse cuidado e na proteção digital dos jovens, com o intuito de evitar situações de risco como as que temos assistido atualmente. É igualmente importante que as redes de atenção em saúde mental forneçam informações pertinentes sobre a prevenção ao suicídio de forma permanente, disponibilizando dados sobre os locais disponíveis para acolhimento e escuta em situações-limite. Um jovem cercado de múltiplas referências, conexões e possibilidades de escuta terá maiores chances de ser acolhido em um eventual momento de maior desamparo.

Relatora:

Flavia Schimith Escrivão
Psicóloga e Psicanalista
Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da SPSP

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Miopia em crianças: quando enxergar de longe começa a ficar difícil https://spsp.org.br/miopia-em-criancas-quando-enxergar-de-longe-comeca-a-ficar-dificil/ Fri, 04 Sep 2026 16:19:03 +0000 https://spsp.org.br/?p=58911 “Meu filho está apertando os olhos para enxergar a lousa.” “Ele quer assistir TV bem próximo da televisão.” “Será que prejudica passar muito tempo no celular?” Essas são dúvidas bastante comuns entre os pais. E podem indicar e ser sinais de que é hora de avaliar a visão da criança. A miopia é uma condição visual na qual a criança consegue ver bem os objetos próximos, mas tem dificuldade para enxergar os que estão mais distantes. Por isso, uma criança míope pode ler um livro ou usar o celular sem problemas, mas ter dificuldade para ver o que está escrito na lousa da escola. A miopia está se tornando cada vez mais comum entre crianças e adolescentes em várias partes do mundo. E isso merece atenção, porque quanto mais cedo a miopia aparece e quanto mais ela aumenta ao longo da infância, maior pode ser o grau no futuro. Altos graus de miopia estão associados a um maior risco de problemas oculares ao longo da vida. Como saber se uma criança está ficando míope? Nem sempre a criança vai chegar aos pais e dizer: “não estou enxergando bem”. Ela pode simplesmente achar que todo mundo enxerga daquele jeito. Por isso, alguns comportamentos podem servir de alerta: É importante lembrar que esses sinais não significam necessariamente que a criança tenha miopia. Eles apenas mostram que vale a pena avaliar a visão. E o celular? Ele causa miopia? Essa é provavelmente uma das perguntas que os pais mais fazem. A resposta não é simplesmente “sim”. O aumento do uso de celulares, tablets e computadores faz parte de uma mudança maior no estilo de vida das crianças. Hoje elas passam mais tempo dentro de casa, realizando atividades de perto (usando celular) e menos tempo brincando ao ar livre. Estudos indicam que passar pouco tempo ao ar livre é um dos fatores mais relacionados ao desenvolvimento da miopia. Atividades de perto por muito tempo, como usar o celular ou ler, também podem estar ligadas ao risco, principalmente quando feitas por longos períodos e muito perto dos olhos. Por isso, mais do que simplesmente proibir o celular, precisamos ajudar as crianças a encontrar um equilíbrio entre atividades de perto e tempo ao ar livre. Brincar ao ar livre faz bem para os olhos. Essa talvez seja uma das recomendações mais simples e importantes. Incentivar a criança a brincar, caminhar, praticar esportes ou simplesmente passar tempo ao ar livre durante o dia – a recomendação é passar entre 90 minutos a 2 horas por dia ao ar livre – pode ajudar a prevenir ou atrasar e reduzir o risco de desenvolver miopia. Não precisa ser uma atividade específica. O importante é sair de casa e passar tempo em ambientes externos, com luz natural. E se a criança já tem miopia? Nesse caso, o acompanhamento é ainda mais importante. Ter miopia não significa apenas precisar de óculos. Em algumas crianças, o grau pode aumentar rapidamente durante os anos escolares. Por isso, o acompanhamento com o oftalmologista é fundamental. Hoje existem diferentes estratégias para o controle da progressão da miopia, incluindo algumas lentes especiais para óculos, lentes de contato específicas e tratamentos medicamentosos, que serão prescritos pelo oftalmologista infantil quando indicado. Seu uso depende da idade da criança, do grau, da velocidade de progressão e de outras características individuais. Por isso, não existe uma única solução que sirva para todas as crianças. O que os pais podem fazer? Algumas atitudes simples podem fazer parte da rotina da família: •Mais tempo ao ar livre: incentive a criança a brincar e praticar atividades fora de casa, se possível todos os dias. •Pausas nas atividades de perto: durante o uso de telas, leitura ou estudos, faça pausas regulares e evite longos períodos contínuos olhando para perto.  •Distância adequada: livros, cadernos e telas não devem ficar excessivamente próximos dos olhos. •Óculos quando prescritos: se a criança precisa de correção, é importante utilizar os óculos conforme a orientação do oftalmologista. Usar óculos não faz a miopia aumentar. •Acompanhamento: crianças com miopia precisam ser acompanhadas regularmente para verificar se o grau está estável ou aumentando. Cuidar da visão é cuidar do futuro. A miopia não deve ser encarada apenas como uma questão de “colocar óculos”. Quando aparece muito cedo ou evolui rapidamente, ela merece acompanhamento porque o aumento excessivo da miopia pode elevar, no futuro, o risco de algumas doenças oculares. A boa notícia é que hoje sabemos muito mais sobre miopia do que sabíamos alguns anos atrás. E algumas medidas são simples, seguras e fazem parte de uma infância mais saudável: menos tempo em atividades de perto, mais brincadeiras ao ar livre e acompanhamento oftalmológico adequado. No fim das contas, cuidar da visão da criança para evitar a miopia é ajudar a montar uma rotina mais equilibrada, com espaço para estudar, brincar, usar a tecnologia, descansar e, claro, garantir momentos ao ar livre, longe das telas. Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS), International Myopia Institute (IMI) e Sociedade Brasileira de Pediatria. Relator:Marcelo Alexandre A. CavalcantePresidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP]]>

“Meu filho está apertando os olhos para enxergar a lousa.”

“Ele quer assistir TV bem próximo da televisão.”

“Será que prejudica passar muito tempo no celular?”

Essas são dúvidas bastante comuns entre os pais. E podem indicar e ser sinais de que é hora de avaliar a visão da criança.

A miopia é uma condição visual na qual a criança consegue ver bem os objetos próximos, mas tem dificuldade para enxergar os que estão mais distantes. Por isso, uma criança míope pode ler um livro ou usar o celular sem problemas, mas ter dificuldade para ver o que está escrito na lousa da escola.

A miopia está se tornando cada vez mais comum entre crianças e adolescentes em várias partes do mundo. E isso merece atenção, porque quanto mais cedo a miopia aparece e quanto mais ela aumenta ao longo da infância, maior pode ser o grau no futuro. Altos graus de miopia estão associados a um maior risco de problemas oculares ao longo da vida.

Como saber se uma criança está ficando míope?

Nem sempre a criança vai chegar aos pais e dizer: “não estou enxergando bem”.

Ela pode simplesmente achar que todo mundo enxerga daquele jeito.

Por isso, alguns comportamentos podem servir de alerta:

  • apertar os olhos para enxergar de longe;
  • aproximar-se muito da televisão ou de outros objetos;
  • ter dificuldade para enxergar a lousa na escola;
  • sentar cada vez mais perto da tela;
  • apresentar dores de cabeça ou cansaço visual;
  • perder o interesse por atividades que dependem da visão de longe;
  • apresentar queda no rendimento escolar.

É importante lembrar que esses sinais não significam necessariamente que a criança tenha miopia. Eles apenas mostram que vale a pena avaliar a visão.

E o celular? Ele causa miopia?

Essa é provavelmente uma das perguntas que os pais mais fazem.

A resposta não é simplesmente “sim”.

O aumento do uso de celulares, tablets e computadores faz parte de uma mudança maior no estilo de vida das crianças. Hoje elas passam mais tempo dentro de casa, realizando atividades de perto (usando celular) e menos tempo brincando ao ar livre.

Estudos indicam que passar pouco tempo ao ar livre é um dos fatores mais relacionados ao desenvolvimento da miopia. Atividades de perto por muito tempo, como usar o celular ou ler, também podem estar ligadas ao risco, principalmente quando feitas por longos períodos e muito perto dos olhos.

Por isso, mais do que simplesmente proibir o celular, precisamos ajudar as crianças a encontrar um equilíbrio entre atividades de perto e tempo ao ar livre.

Brincar ao ar livre faz bem para os olhos. Essa talvez seja uma das recomendações mais simples e importantes.

Incentivar a criança a brincar, caminhar, praticar esportes ou simplesmente passar tempo ao ar livre durante o dia – a recomendação é passar entre 90 minutos a 2 horas por dia ao ar livre – pode ajudar a prevenir ou atrasar e reduzir o risco de desenvolver miopia.

Não precisa ser uma atividade específica. O importante é sair de casa e passar tempo em ambientes externos, com luz natural.

E se a criança já tem miopia?

Nesse caso, o acompanhamento é ainda mais importante.

Ter miopia não significa apenas precisar de óculos. Em algumas crianças, o grau pode aumentar rapidamente durante os anos escolares. Por isso, o acompanhamento com o oftalmologista é fundamental.

Hoje existem diferentes estratégias para o controle da progressão da miopia, incluindo algumas lentes especiais para óculos, lentes de contato específicas e tratamentos medicamentosos, que serão prescritos pelo oftalmologista infantil quando indicado. Seu uso depende da idade da criança, do grau, da velocidade de progressão e de outras características individuais.

Por isso, não existe uma única solução que sirva para todas as crianças.

O que os pais podem fazer? Algumas atitudes simples podem fazer parte da rotina da família:

•Mais tempo ao ar livre: incentive a criança a brincar e praticar atividades fora de casa, se possível todos os dias.

•Pausas nas atividades de perto: durante o uso de telas, leitura ou estudos, faça pausas regulares e evite longos períodos contínuos olhando para perto.

 •Distância adequada: livros, cadernos e telas não devem ficar excessivamente próximos dos olhos.

•Óculos quando prescritos: se a criança precisa de correção, é importante utilizar os óculos conforme a orientação do oftalmologista. Usar óculos não faz a miopia aumentar.

•Acompanhamento: crianças com miopia precisam ser acompanhadas regularmente para verificar se o grau está estável ou aumentando.

Cuidar da visão é cuidar do futuro. A miopia não deve ser encarada apenas como uma questão de “colocar óculos”.

Quando aparece muito cedo ou evolui rapidamente, ela merece acompanhamento porque o aumento excessivo da miopia pode elevar, no futuro, o risco de algumas doenças oculares.

A boa notícia é que hoje sabemos muito mais sobre miopia do que sabíamos alguns anos atrás. E algumas medidas são simples, seguras e fazem parte de uma infância mais saudável: menos tempo em atividades de perto, mais brincadeiras ao ar livre e acompanhamento oftalmológico adequado.

No fim das contas, cuidar da visão da criança para evitar a miopia é ajudar a montar uma rotina mais equilibrada, com espaço para estudar, brincar, usar a tecnologia, descansar e, claro, garantir momentos ao ar livre, longe das telas.

Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS), International Myopia Institute (IMI) e Sociedade Brasileira de Pediatria.

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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Hepatites virais na infância no Brasil: epidemiologia, sinais de alerta e prevenção https://spsp.org.br/57944-2/ Tue, 28 Jul 2026 12:32:51 +0000 https://spsp.org.br/?p=57944 O Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais é celebrado em 28 de julho, com o objetivo de conscientizar sobre a prevenção, testagem e tratamento das infecções que atingem o fígado. A data integra as mobilizações do Julho Amarelo, campanha oficial de combate a essas doenças no Brasil. As hepatites virais representam um grave desafio de saúde pública no país, com mais de 826 mil casos confirmados entre os anos de 2000 e 2024. Embora existam avanços tecnológicos e tratamentos eficazes, o ritmo para alcançar as metas de eliminação da Organização Mundial da Saúde (OMS) até 2030 ainda é considerado lento e desigual em nível global. O cenário epidemiológico no Brasil A distribuição das hepatites no país é heterogênea. A hepatite C é a forma mais letal, sendo responsável por 75,3% dos óbitos associados a hepatites virais no período analisado, seguida pela hepatite B, com 22%. Muitas dessas infecções são “silenciosas”, em que o paciente não apresenta sintomas por anos, permitindo que a doença progrida para danos graves no fígado, como a cirrose, antes do diagnóstico. Dessa maneira, o reconhecimento precoce dos sinais de alerta é essencial para identificar pacientes com risco de insuficiência hepática aguda. Devem ser considerados sinais de gravidade a piora progressiva da icterícia, alteração do nível de consciência, sonolência excessiva, irritabilidade, confusão mental, sangramentos espontâneos, equimoses, vômitos persistentes, hipoglicemia, edema importante, ascite, redução importante da diurese e aumento rápido do tempo de protrombina ou do INR. Crianças com suspeita de insuficiência hepática aguda devem ser encaminhadas imediatamente para centros especializados, preferencialmente com experiência em hepatologia pediátrica e transplante hepático. Diferenças entre os tipos de hepatite Prevenção e o calendário de vacinação A vacinação é a estratégia mais eficaz de controle. O Calendário Nacional de Vacinação de 2026 e as diretrizes do Ministério da Saúde estabelecem: Desafios e metas para 2030 O Brasil é signatário do compromisso mundial de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, o que exige reduzir as incidências em 90% e a mortalidade em 65%. Para acelerar esse processo, o governo instituiu o Programa Brasil Saudável, focado em enfrentar doenças determinadas socialmente pela pobreza e iniquidades. Apesar da importante redução da incidência das hepatites virais pediátricas no Brasil, essas doenças continuam exigindo vigilância constante. O conhecimento da epidemiologia, a identificação precoce dos sinais de alerta, o reconhecimento das manifestações clínicas e a adoção rigorosa das medidas preventivas são fundamentais para evitar formas graves, reduzir a transmissão e contribuir para a meta da Organização Mundial da Saúde de eliminação das hepatites virais como problema de saúde pública. Nesse sentido, a campanha Julho Amarelo – Mês de Luta contra as Hepatites Virais, oficializada pela Lei nº 13.802/2019, desempenha um papel crucial na conscientização, incentivando a testagem rápida e o diagnóstico precoce por meio do SUS, que oferece tecnologias modernas de prevenção e cura gratuitamente para toda a população. Relatora: Irene Kazue MiuraPresidente do Departamento Científico de Hepatologia da SPSP]]>

O Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais é celebrado em 28 de julho, com o objetivo de conscientizar sobre a prevenção, testagem e tratamento das infecções que atingem o fígado. A data integra as mobilizações do Julho Amarelo, campanha oficial de combate a essas doenças no Brasil.

As hepatites virais representam um grave desafio de saúde pública no país, com mais de 826 mil casos confirmados entre os anos de 2000 e 2024. Embora existam avanços tecnológicos e tratamentos eficazes, o ritmo para alcançar as metas de eliminação da Organização Mundial da Saúde (OMS) até 2030 ainda é considerado lento e desigual em nível global.

O cenário epidemiológico no Brasil

A distribuição das hepatites no país é heterogênea. A hepatite C é a forma mais letal, sendo responsável por 75,3% dos óbitos associados a hepatites virais no período analisado, seguida pela hepatite B, com 22%. Muitas dessas infecções são “silenciosas”, em que o paciente não apresenta sintomas por anos, permitindo que a doença progrida para danos graves no fígado, como a cirrose, antes do diagnóstico.

Dessa maneira, o reconhecimento precoce dos sinais de alerta é essencial para identificar pacientes com risco de insuficiência hepática aguda. Devem ser considerados sinais de gravidade a piora progressiva da icterícia, alteração do nível de consciência, sonolência excessiva, irritabilidade, confusão mental, sangramentos espontâneos, equimoses, vômitos persistentes, hipoglicemia, edema importante, ascite, redução importante da diurese e aumento rápido do tempo de protrombina ou do INR. Crianças com suspeita de insuficiência hepática aguda devem ser encaminhadas imediatamente para centros especializados, preferencialmente com experiência em hepatologia pediátrica e transplante hepático.

Diferenças entre os tipos de hepatite

  • Hepatite A: Transmitida principalmente pela via fecal-oral, através de água ou alimentos contaminados e falta de saneamento básico. É geralmente benigna, mas sua letalidade aumenta com a idade.
  • Hepatites B e C: São transmitidas pelo contato com sangue ou secreções, incluindo relações sexuais desprotegidas e compartilhamento de objetos perfurocortantes. A hepatite B possui elevado risco de cronificação quando adquirida no período neonatal.
  • Hepatite D: Ocorre apenas em pessoas já infectadas pelo vírus da hepatite B.
  • Hepatite E: Transmitida via fecal-oral, é rara no Brasil e costuma ter curso benigno, exceto em gestantes.

Prevenção e o calendário de vacinação

A vacinação é a estratégia mais eficaz de controle. O Calendário Nacional de Vacinação de 2026 e as diretrizes do Ministério da Saúde estabelecem:

  • Hepatite B: A primeira dose deve ser administrada preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida, ainda na maternidade, para prevenir a transmissão vertical (de mãe para filho). O esquema completo para crianças, adolescentes e adultos envolve três doses.
  • Hepatite A: Faz parte do calendário infantil, com uma dose única aos 15 meses de idade (podendo ser aplicada até os 5 anos incompletos). Graças à vacinação, houve uma redução de 99,9% na taxa de incidência em crianças menores de 5 anos entre 2014 e 2024.

Desafios e metas para 2030

O Brasil é signatário do compromisso mundial de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, o que exige reduzir as incidências em 90% e a mortalidade em 65%. Para acelerar esse processo, o governo instituiu o Programa Brasil Saudável, focado em enfrentar doenças determinadas socialmente pela pobreza e iniquidades.

Apesar da importante redução da incidência das hepatites virais pediátricas no Brasil, essas doenças continuam exigindo vigilância constante. O conhecimento da epidemiologia, a identificação precoce dos sinais de alerta, o reconhecimento das manifestações clínicas e a adoção rigorosa das medidas preventivas são fundamentais para evitar formas graves, reduzir a transmissão e contribuir para a meta da Organização Mundial da Saúde de eliminação das hepatites virais como problema de saúde pública.

Nesse sentido, a campanha Julho Amarelo – Mês de Luta contra as Hepatites Virais, oficializada pela Lei nº 13.802/2019, desempenha um papel crucial na conscientização, incentivando a testagem rápida e o diagnóstico precoce por meio do SUS, que oferece tecnologias modernas de prevenção e cura gratuitamente para toda a população.


Relatora:

Irene Kazue Miura
Presidente do Departamento Científico de Hepatologia da SPSP

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Enxergar bem é fundamental para crescer, aprender e descobrir o mundo https://spsp.org.br/enxergar-bem-e-fundamental-para-crescer-aprender-e-descobrir-o-mundo/ Fri, 10 Jul 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57771 Você já parou para pensar em quantas descobertas uma criança faz todos os dias através dos olhos? Desde o início da vida, é observando os pais, brincando, lendo, desenhando e explorando o ambiente ao seu redor que a criança aprende e se desenvolve. Por isso, no Dia Mundial da Saúde Ocular, celebrado em 10 de julho, vale lembrar que cuidar da visão é cuidar da saúde, do aprendizado e da qualidade de vida. A visão desempenha um papel fundamental no desenvolvimento infantil. Grande parte das informações que as crianças recebem sobre o mundo chega por meio dos olhos. Quando existe algum problema visual não identificado, podem surgir dificuldades que afetam o desempenho escolar, a participação em atividades esportivas, a socialização e até a autoestima. E existe um detalhe que muitos pais desconhecem: a criança nem sempre percebe que está enxergando mal. Como ela nunca enxergou de outra forma, costuma acreditar que aquilo que vê é normal. Por isso, alguns problemas visuais podem passar despercebidos durante muito tempo. Alguns sinais merecem atenção, como aproximar-se muito dos livros e telas, apertar os olhos para enxergar, queixar-se de dores de cabeça frequentes, apresentar dificuldade escolar ou demonstrar desinteresse por atividades que exigem atenção visual. Entre os problemas mais comuns na infância estão a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo, que geralmente podem ser corrigidos com o uso de óculos. Também merecem atenção condições como o estrabismo, quando os olhos não estão alinhados, e a ambliopia, conhecida como “olho preguiçoso”, uma das principais causas de redução visual evitável na infância. Além dessas alterações mais frequentes, existem doenças oculares mais raras, mas que exigem diagnóstico precoce, como catarata congênita, glaucoma congênito e algumas doenças da retina. Nesses casos, identificar o problema nos primeiros meses ou anos de vida pode fazer toda a diferença para o desenvolvimento visual da criança. Outro desafio crescente é o aumento da miopia entre crianças e adolescentes. Especialistas do mundo todo observam um crescimento expressivo do número de jovens míopes nas últimas décadas. Entre os fatores associados estão o aumento do tempo em frente às telas e a diminuição das atividades ao ar livre. A boa notícia é que algumas atitudes simples ajudam a proteger a saúde visual: •Incentivar brincadeiras e atividades ao ar livre, se possível, diariamente; •Fazer pausas regulares durante o uso de celulares, tablets e computadores; •Manter uma distância adequada das telas e dos materiais de leitura; •Observar sinais que possam indicar dificuldade para enxergar;  •Realizar consultas oftalmológicas periódicas. Também é importante lembrar que os cuidados com os olhos começam logo após o nascimento. A avaliação oftalmológica infantil permite identificar precocemente alterações que muitas vezes não apresentam sintomas evidentes, aumentando as chances de tratamento e preservação da visão. A infância passa rápido. Cada fase traz novas descobertas, aprendizados e experiências. Garantir que uma criança enxergue bem é oferecer a ela melhores oportunidades para aprender, brincar, desenvolver sua autonomia e alcançar todo o seu potencial. Neste Dia Mundial da Saúde Ocular, o convite é simples: reserve um momento para olhar com atenção para a saúde visual dos seus filhos. Muitas vezes, uma consulta de rotina pode fazer uma grande diferença no presente e no futuro de uma criança. Relator:Marcelo Alexandre A. CavalcantePresidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP]]>

Você já parou para pensar em quantas descobertas uma criança faz todos os dias através dos olhos?

Desde o início da vida, é observando os pais, brincando, lendo, desenhando e explorando o ambiente ao seu redor que a criança aprende e se desenvolve. Por isso, no Dia Mundial da Saúde Ocular, celebrado em 10 de julho, vale lembrar que cuidar da visão é cuidar da saúde, do aprendizado e da qualidade de vida.

A visão desempenha um papel fundamental no desenvolvimento infantil. Grande parte das informações que as crianças recebem sobre o mundo chega por meio dos olhos. Quando existe algum problema visual não identificado, podem surgir dificuldades que afetam o desempenho escolar, a participação em atividades esportivas, a socialização e até a autoestima.

E existe um detalhe que muitos pais desconhecem: a criança nem sempre percebe que está enxergando mal. Como ela nunca enxergou de outra forma, costuma acreditar que aquilo que vê é normal. Por isso, alguns problemas visuais podem passar despercebidos durante muito tempo.

Alguns sinais merecem atenção, como aproximar-se muito dos livros e telas, apertar os olhos para enxergar, queixar-se de dores de cabeça frequentes, apresentar dificuldade escolar ou demonstrar desinteresse por atividades que exigem atenção visual.

Entre os problemas mais comuns na infância estão a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo, que geralmente podem ser corrigidos com o uso de óculos. Também merecem atenção condições como o estrabismo, quando os olhos não estão alinhados, e a ambliopia, conhecida como “olho preguiçoso”, uma das principais causas de redução visual evitável na infância.

Além dessas alterações mais frequentes, existem doenças oculares mais raras, mas que exigem diagnóstico precoce, como catarata congênita, glaucoma congênito e algumas doenças da retina. Nesses casos, identificar o problema nos primeiros meses ou anos de vida pode fazer toda a diferença para o desenvolvimento visual da criança.

Outro desafio crescente é o aumento da miopia entre crianças e adolescentes. Especialistas do mundo todo observam um crescimento expressivo do número de jovens míopes nas últimas décadas. Entre os fatores associados estão o aumento do tempo em frente às telas e a diminuição das atividades ao ar livre.

A boa notícia é que algumas atitudes simples ajudam a proteger a saúde visual:

•Incentivar brincadeiras e atividades ao ar livre, se possível, diariamente;

•Fazer pausas regulares durante o uso de celulares, tablets e computadores;

•Manter uma distância adequada das telas e dos materiais de leitura;

•Observar sinais que possam indicar dificuldade para enxergar;

 •Realizar consultas oftalmológicas periódicas.

Também é importante lembrar que os cuidados com os olhos começam logo após o nascimento. A avaliação oftalmológica infantil permite identificar precocemente alterações que muitas vezes não apresentam sintomas evidentes, aumentando as chances de tratamento e preservação da visão.

A infância passa rápido. Cada fase traz novas descobertas, aprendizados e experiências. Garantir que uma criança enxergue bem é oferecer a ela melhores oportunidades para aprender, brincar, desenvolver sua autonomia e alcançar todo o seu potencial.

Neste Dia Mundial da Saúde Ocular, o convite é simples: reserve um momento para olhar com atenção para a saúde visual dos seus filhos. Muitas vezes, uma consulta de rotina pode fazer uma grande diferença no presente e no futuro de uma criança.

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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Vitiligo: o que pais e cuidadores precisam saber https://spsp.org.br/vitiligo-o-que-pais-e-cuidadores-precisam-saber/ Thu, 25 Jun 2026 19:22:57 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57589 ]]>

O Dia Mundial do Vitiligo, celebrado em 25 de junho, é uma oportunidade para ampliar o conhecimento sobre essa condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo crianças e adolescentes. Apesar de ser relativamente comum, o vitiligo ainda é cercado por dúvidas, mitos e preconceitos, o que pode gerar sofrimento emocional para quem convive com a doença.

O vitiligo é uma condição crônica caracterizada pelo aparecimento de manchas brancas na pele. Essas manchas surgem porque os melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina (pigmento que dá cor à pele, aos cabelos e aos pelos), deixam de funcionar ou são destruídos pelo próprio sistema imunológico.

O vitiligo é contagioso?

Não. O vitiligo não é contagioso e não pode ser transmitido pelo contato físico, compartilhamento de objetos, piscinas ou qualquer outra forma de convivência. Essa é uma das informações mais importantes para combater o preconceito e promover a inclusão das crianças afetadas.

Por que o vitiligo aparece?

A causa exata ainda não é totalmente compreendida, mas sabe-se que o vitiligo é uma doença de origem multifatorial. Há participação de fatores genéticos, imunológicos e ambientais.

Crianças que têm familiares com vitiligo ou outras doenças autoimunes, como tireoidites, diabetes tipo 1, alopecia areata e algumas doenças reumatológicas podem apresentar maior predisposição ao seu desenvolvimento. Entretanto, na maioria dos casos não é possível identificar um fator desencadeante específico.

Como o vitiligo se manifesta na infância?

O principal sinal é o surgimento de manchas mais claras ou completamente brancas na pele. Elas podem aparecer em qualquer região do corpo, mas são frequentes na face, ao redor dos olhos e da boca, nas mãos, joelhos, cotovelos e pés.

Em algumas crianças, também pode ocorrer o embranquecimento de pelos, sobrancelhas ou cílios na área afetada.

As manchas geralmente não causam dor, coceira ou outros sintomas físicos. Muitas vezes, a principal preocupação está relacionada ao aspecto estético e ao impacto emocional.

O vitiligo pode piorar?

A evolução é bastante variável. Algumas crianças apresentam poucas manchas, que permanecem estáveis por muitos anos. Em outras, podem surgir novas áreas ao longo do tempo.

Traumas repetidos na pele, como arranhões, escoriações ou atrito constante podem favorecer o aparecimento de novas lesões em indivíduos predispostos, fenômeno conhecido como fenômeno de Koebner.

Por isso, é importante cuidar adequadamente da pele e evitar agressões desnecessárias.

Como é feito o diagnóstico?

Na maioria das vezes, o diagnóstico é clínico, realizado pelo dermatologista por meio da avaliação das manchas e da história da criança.

Em algumas situações, podem ser solicitados exames complementares para investigar doenças associadas, especialmente alterações da tireoide e outras condições autoimunes.

Existe tratamento?

Sim. Embora ainda não exista uma cura definitiva para todos os casos, há diversas opções terapêuticas capazes de controlar a doença e estimular a repigmentação da pele.

O tratamento é individualizado e pode incluir medicamentos tópicos, fototerapia e, em situações específicas, outras abordagens definidas pelo dermatologista.

Quanto mais precocemente o tratamento for iniciado, maiores costumam ser as chances de obter bons resultados em algumas formas da doença.

É importante lembrar que o tratamento exige paciência. A repigmentação costuma ocorrer de forma gradual e pode levar meses.

A importância da proteção solar

As áreas com vitiligo possuem pouca ou nenhuma melanina, tornando-se mais sensíveis à radiação ultravioleta.

Por isso, a fotoproteção deve fazer parte da rotina diária. Algumas orientações incluem:

  • Utilizar protetor solar adequado para a idade da criança;
  • Reaplicar o produto conforme orientação médica e do fabricante;
  • Usar chapéus, bonés e roupas com proteção solar quando possível;
  • Evitar exposição excessiva ao sol, especialmente nos horários de maior intensidade.

Além de prevenir queimaduras, a proteção solar reduz o contraste entre a pele normal e as áreas despigmentadas.

Cuidando da autoestima

O impacto emocional do vitiligo pode ser tão importante quanto as manifestações na pele. Crianças e adolescentes podem enfrentar comentários inadequados, curiosidade excessiva, isolamento social ou episódios de bullying.

Pais e cuidadores têm papel fundamental nesse processo. Algumas atitudes podem ajudar:

  • Conversar abertamente sobre a doença, utilizando linguagem adequada à idade;
  • Reforçar que o vitiligo não diminui o valor, a capacidade ou a beleza da criança;
  • Incentivar a participação em atividades escolares, esportivas e sociais;
  • Orientar familiares, professores e colegas quando necessário;
  • Procurar apoio psicológico caso a criança demonstre sofrimento emocional significativo.

A construção de uma autoestima saudável é uma parte importante do tratamento.

Quando procurar ajuda médica?

A avaliação médica deve ser realizada sempre que surgirem manchas brancas na pele, especialmente quando aumentam de tamanho ou aparecem em novas áreas.

O diagnóstico precoce permite diferenciar o vitiligo de outras condições que também podem causar manchas claras e possibilita o início oportuno do tratamento.

Uma mensagem para as famílias

O vitiligo é uma condição dermatológica relativamente frequente, não contagiosa e que pode ser tratada. Mais do que cuidar das manchas, é essencial acolher a criança, fortalecer sua autoestima e combater o preconceito.

Informação, apoio familiar e acompanhamento médico adequado são os principais aliados para que crianças e adolescentes com vitiligo cresçam com confiança, qualidade de vida e bem-estar.

 

Relatora:

Silmara da Costa P. Cestari
Presidente do Departamento Científico de Dermatologia da SPSP

 

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Respirar bem também é coisa de criança https://spsp.org.br/respirar-bem-tambem-e-coisa-de-crianca/ Mon, 22 Jun 2026 18:29:12 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57548 ]]>

Em 21 de junho, lembramos o Dia Nacional de Controle da Asma, uma data importante para reforçar que a asma é comum, pode ser séria, mas tem tratamento eficaz. Para muitas crianças e famílias, a asma não significa apenas “chiado no peito”. Ela pode trazer noites mal dormidas, faltas à escola, limitação para brincar, medo de crises, idas frequentes ao pronto-atendimento e grande ansiedade para pais e responsáveis.

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias. Isso significa que os brônquios ficam mais sensíveis e podem reagir exageradamente a vírus respiratórios, poeira, mofo, ácaros, fumaça, cheiros fortes, mudanças de temperatura, esforço físico e outros gatilhos. Durante uma crise, pode haver tosse persistente, chiado, falta de ar, cansaço, aperto no peito ou dificuldade para falar e se alimentar, podendo em casos graves necessitar de atendimento de urgência.

Apesar disso, a mensagem principal é positiva: a maioria das crianças com asma pode levar uma vida normal quando recebe diagnóstico adequado, acompanhamento regular e tratamento preventivo. Com a doença controlada, a criança dorme bem, brinca, pratica atividades físicas e frequenta a escola sem limitações importantes.

Ao longo da história, a asma já foi tratada de muitas formas. Algumas fazem sentido até hoje; outras ficaram no passado. Pode parecer absurdo, mas já existiram “cigarros para asma”, usados em uma época em que se entendia muito menos sobre a doença e sobre os riscos da fumaça. Hoje sabemos que qualquer exposição ao tabaco, inclusive fumo passivo, piora a saúde respiratória e deve ser evitada.

Por outro lado, alguns tratamentos antigos continuam atuais quando bem indicados. É o caso da imunoterapia alérgeno-específica, conhecida como “vacina para alergia”. Em pacientes com asma alérgica e com sensibilização comprovada (especialmente a ácaros, pólens ou outros alérgenos inalatórios), a imunoterapia pode reduzir sintomas, diminuir a necessidade de medicamentos e modificar a evolução da doença alérgica. Deve ser sempre indicada e acompanhada por especialista.

Nas últimas décadas, houve avanços importantes: medicamentos inalatórios mais seguros e eficazes, dispositivos melhores e, para casos selecionados de asma grave, medicamentos biológicos. Eles atuam em mecanismos específicos da inflamação e podem mudar a vida de crianças e adolescentes que continuam com sintomas ou crises apesar do tratamento convencional. Não são necessários para a maioria dos pacientes, mas representam uma grande conquista para os casos mais difíceis.

Um ponto essencial é evitar o tratamento inadequado baseado apenas em crises. Muitas crianças recebem repetidas doses de corticoide sistêmico, como prednisolona ou dexametasona, em pronto-atendimento, mas continuam sem tratamento preventivo adequado. O corticoide oral ou injetável pode ser necessário em algumas crises, porém seu uso repetido não é inofensivo. Quando usado com frequência, pode causar efeitos indesejáveis, como ganho de peso, alterações de comportamento e sono, aumento da pressão, alteração da glicemia, prejuízo ao crescimento e maior risco de outros problemas. Se a criança precisa ir muitas vezes ao pronto-atendimento, usar inalador de alívio com frequência ou receber corticoide sistêmico repetidamente, isso é sinal de alerta: a asma não está bem controlada.

Também é importante lembrar que o tratamento preventivo da asma não deve ser interrompido sem recomendação médica. Muitas vezes, quando a criança melhora, a família tem a impressão de que o medicamento não é mais necessário. No entanto, a melhora geralmente acontece justamente porque a inflamação dos brônquios está controlada. Quando o tratamento é suspenso antes da hora, essa inflamação pode voltar silenciosamente, aumentando o risco de novas crises, piora progressiva dos sintomas, faltas à escola, procura por pronto-atendimento e necessidade de corticoide sistêmico. Por isso, qualquer redução ou suspensão do tratamento deve ser planejada pelo médico, de forma segura e no momento adequado.

O pediatra tem papel central no cuidado da criança com asma. Ele pode reconhecer os sintomas, orientar o uso correto dos inaladores, acompanhar o crescimento, revisar gatilhos ambientais, tratar doenças associadas, como rinite alérgica, e ajustar o tratamento preventivo. Nos casos mais persistentes, graves, com dúvida diagnóstica, internações, uso frequente de corticoide sistêmico ou necessidade de terapias mais avançadas, a avaliação conjunta com alergista pediátrico e pneumologista pediátrico é muito importante.

Algumas atitudes simples ajudam muito: não expor a criança à fumaça de cigarro ou de cigarro eletrônico; manter acompanhamento regular, mesmo fora das crises; usar os medicamentos exatamente como prescritos; aprender a técnica correta dos inaladores, muitas vezes com espaçador; tratar a rinite quando presente; reconhecer sinais de piora; e ter um plano de ação para saber o que fazer em casa e quando procurar atendimento.

No Dia Nacional de Controle da Asma, vale lembrar: asma não deve ser tratada apenas na emergência. Controle de verdade acontece no acompanhamento, na prevenção e na parceria entre família, pediatra e especialistas quando necessário. Respirar bem é parte indispensável de uma infância feliz e ativa.

 

Relator:
Tim Markus Müller
Presidente do Departamento Científico de Alergia e Imunologia da SPSP

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Glaucoma também afeta crianças e muitas vezes começa sem aviso https://spsp.org.br/glaucoma-tambem-afeta-criancas-e-muitas-vezes-comeca-sem-aviso/ Tue, 26 May 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57049 ]]>

O glaucoma é uma doença que pode comprometer a visão de forma silenciosa. Na maioria das vezes, não causa dor, não dá sinais no começo e evolui lentamente. Quando a pessoa percebe, parte da visão já pode ter sido perdida de forma definitiva.

Por isso, o glaucoma é conhecido como o “ladrão silencioso da visão”.

No Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, lembrado em 26 de maio, o principal alerta é simples: não espere sintomas para cuidar da saúde dos olhos.

O que é o glaucoma?

O glaucoma é uma doença que afeta o nervo óptico, responsável por levar as imagens dos olhos até o cérebro. Quando esse nervo sofre danos, a visão vai sendo comprometida, geralmente começando pelas laterais (visão periférica).

Na maioria dos casos, está associado ao aumento da pressão dentro do olho. Mas nem sempre. Algumas pessoas desenvolvem glaucoma mesmo com pressão normal, o que reforça a importância da avaliação oftalmológica completa e periódica.

Por que ele é tão perigoso?

Porque evolui sem dar sinais claros. A perda visual acontece aos poucos, e o cérebro consegue compensar essa falha por um tempo. Isso faz com que muitas pessoas só percebam o problema em fases mais avançadas.

O mais importante é lembrar que a visão que se perde por causa do glaucoma não volta.

Quem tem mais risco?

Idade acima de 40 anos; histórico familiar de glaucoma; miopia elevada; uso prolongado de corticoides; doenças como diabetes e hipertensão.

Mas qualquer pessoa pode ter glaucoma, mesmo sem fatores de risco aparentes.

E nas crianças?

Embora seja mais raro, o glaucoma também pode afetar bebês e crianças, e nesses casos o diagnóstico precoce é ainda mais importante.

Fiquem atentos a sinais como olhos maiores que o normal, lacrimejamento frequente, sensibilidade à luz, olho esbranquiçado e irritabilidade sem causa clara.

Nas crianças, o tratamento precoce pode preservar o desenvolvimento da visão, mas o dano ao nervo óptico não volta ao normal.

Como é feito o diagnóstico?

O glaucoma é diagnosticado por exames realizados pelo oftalmologista, que avaliam a pressão do olho, a saúde do nervo óptico, da visão e possíveis alterações no campo visual.

Mesmo sem sintomas, é fundamental realizar consultas oftalmológicas regulares.

O glaucoma tem tratamento?

Sim. Embora não tenha cura, o glaucoma pode ser controlado com colírios ou cirurgia, dependendo do caso. O tratamento só funciona se for seguido corretamente.

Um cuidado que não pode esperar. O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. Em muitos casos, o diagnóstico precoce permite controlar a doença e evitar a perda de visão.

Cuidar da visão também é fazer prevenção.

 

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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Lúpus – importância da informação, diagnóstico precoce e cuidado contínuo https://spsp.org.br/lupus-importancia-da-informacao-diagnostico-precoce-e-cuidado-continuo/ Sun, 10 May 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56906 ]]>

No dia 10 de maio, celebramos o Dia Mundial do Lúpus, uma data dedicada a ampliar a conscientização sobre essa doença autoimune crônica, que pode afetar pessoas de todas as idades – inclusive crianças e adolescentes.

O lúpus eritematoso sistêmico juvenil ocorre quando o sistema imunológico, responsável por defender o organismo contra infecções, passa a atacar os próprios tecidos saudáveis. Esse processo pode atingir diferentes órgãos, como pele, articulações, rins, sangue e sistema nervoso.

Embora seja mais comum em adultos, cerca de 15% a 20% dos casos começam na infância e adolescência. Nessa faixa etária, a doença pode se manifestar de forma mais intensa e, muitas vezes, mais abrupta.

Os sinais e sintomas podem variar bastante e, por vezes, se confundem com outras doenças, o que pode dificultar o reconhecimento precoce. Entre os principais sinais de alerta estão febre sem causa aparente, cansaço excessivo, dores e inchaço nas articulações, manchas na pele – especialmente no rosto, em formato de “asa de borboleta” –, queda de cabelo, aftas na boca, inchaço nas pernas ou ao redor dos olhos e alterações no exame de urina, como presença de sangue ou proteína. Na infância, a doença pode apresentar maior comprometimento de órgãos como os rins (nefrite lúpica), o sangue e o sistema nervoso, e se instala de forma mais aguda que nos adultos.

O diagnóstico é realizado a partir da combinação de avaliação clínica e exames laboratoriais. Não existe um único exame que confirme a doença, mas testes como o fator antinuclear (FAN), além de exames de sangue e urina, ajudam na investigação. Por isso, a avaliação por um reumatologista pediátrico é fundamental.

Apesar de não ter cura, o lúpus tem tratamento e o acompanhamento adequado permite controlar a doença e melhorar a qualidade de vida do paciente. O tratamento é individualizado e depende dos sintomas apresentados, podendo incluir medicamentos para controlar a inflamação e modular o sistema imunológico, além de medidas importantes, como proteção solar, alimentação equilibrada e acompanhamento regular. Outro ponto essencial é o suporte emocional e o envolvimento da família, já que o diagnóstico pode impactar a rotina escolar, social e o bem-estar da criança ou adolescente.

A conscientização sobre o lúpus é fundamental para reduzir atrasos no diagnóstico e evitar complicações. Reconhecer os sinais precoces e buscar atendimento médico especializado faz toda a diferença no prognóstico. Neste Dia Mundial do Lúpus, reforçamos a importância da informação, do diagnóstico precoce e do cuidado contínuo, para que crianças e adolescentes com lúpus possam ter uma vida ativa, saudável e com qualidade.

 

Relatora:
Annelyse de Araújo Pereira
Secretária do Departamento Científico de Reumatologia da SPSP

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