Momento Saúde – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 26 Aug 2026 13:22:09 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Momento Saúde – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Um dia para celebrar e cuidar da gestante  https://spsp.org.br/um-dia-para-celebrar-e-cuidar-da-gestante/ Sat, 15 Aug 2026 14:57:19 +0000 https://spsp.org.br/?p=58338 O dia 15 de agosto é dedicado à saúde e ao bem-estar das gestantes. Instituído pela Lei Estadual nº 10.822/2001 em São Paulo, o Dia da Gestante logo ganhou reconhecimento nacional. Recentemente, a Lei Federal nº 15.221/25 reforçou essa data ao instituir a Semana Nacional de Conscientização sobre os Cuidados com as Gestantes e as Mães, celebrada anualmente na semana do dia 15 de agosto. A legislação tem como principais metas:  ● Divulgar os direitos e cuidados relacionados à saúde da mulher durante a gestação, o parto, o pós-parto e a primeira infância, com ênfase nos primeiros mil dias de vida do bebê  ● Valorizar o cuidado paterno e o envolvimento da família nesse momento tão especial ● Incentivar a amamentação, reconhecendo seus benefícios para a saúde da mãe e do bebê ● Prevenir acidentes domésticos e combater a exposição precoce das crianças a telas e a alimentos que contribuem para a obesidade, seguindo orientações do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria. A gestação é um período de intensas transformações físicas e emocionais. Por isso, o acompanhamento pré-natal regular é fundamental para garantir a saúde da mãe e do bebê. As consultas periódicas permitem identificar precocemente possíveis complicações e garantir um parto mais seguro. Toda gestante tem direitos garantidos por lei, incluindo: Assistência humanizada durante a gestação, pré-parto, parto e puerpério; Licença-maternidade e garantia de vínculo empregatício; Atendimento prioritário e reserva de assentos preferenciais em locais públicos e Acesso a um pré-natal de qualidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A nova lei destaca a importância de prevenir a obesidade infantil desde os primeiros dias de vida. Durante a gestação, é essencial manter uma alimentação equilibrada, com orientação médica, e evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, que podem contribuir para problemas de saúde futuros. O Dia da Gestante é uma oportunidade para celebrar a vida, mas também para refletir sobre a importância dos cuidados adequados durante esse período transformador.  Informe-se, cuide-se e compartilhe essas orientações com outras gestantes. A gestação é um momento único, e cada gestante merece vivenciá-lo com saúde, respeito e acolhimento. Relator: Theo LernerPresidente do Departamento Científico de Ginecologia e Obstetrícia da SPSP]]>

O dia 15 de agosto é dedicado à saúde e ao bem-estar das gestantes. Instituído pela Lei Estadual nº 10.822/2001 em São Paulo, o Dia da Gestante logo ganhou reconhecimento nacional. Recentemente, a Lei Federal nº 15.221/25 reforçou essa data ao instituir a Semana Nacional de Conscientização sobre os Cuidados com as Gestantes e as Mães, celebrada anualmente na semana do dia 15 de agosto.

A legislação tem como principais metas: 

● Divulgar os direitos e cuidados relacionados à saúde da mulher durante a gestação, o parto, o pós-parto e a primeira infância, com ênfase nos primeiros mil dias de vida do bebê 

● Valorizar o cuidado paterno e o envolvimento da família nesse momento tão especial

● Incentivar a amamentação, reconhecendo seus benefícios para a saúde da mãe e do bebê

● Prevenir acidentes domésticos e combater a exposição precoce das crianças a telas e a alimentos que contribuem para a obesidade, seguindo orientações do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria.

A gestação é um período de intensas transformações físicas e emocionais. Por isso, o acompanhamento pré-natal regular é fundamental para garantir a saúde da mãe e do bebê. As consultas periódicas permitem identificar precocemente possíveis complicações e garantir um parto mais seguro.

Toda gestante tem direitos garantidos por lei, incluindo: Assistência humanizada durante a gestação, pré-parto, parto e puerpério; Licença-maternidade e garantia de vínculo empregatício; Atendimento prioritário e reserva de assentos preferenciais em locais públicos e Acesso a um pré-natal de qualidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A nova lei destaca a importância de prevenir a obesidade infantil desde os primeiros dias de vida. Durante a gestação, é essencial manter uma alimentação equilibrada, com orientação médica, e evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, que podem contribuir para problemas de saúde futuros.

O Dia da Gestante é uma oportunidade para celebrar a vida, mas também para refletir sobre a importância dos cuidados adequados durante esse período transformador. 

Informe-se, cuide-se e compartilhe essas orientações com outras gestantes.

A gestação é um momento único, e cada gestante merece vivenciá-lo com saúde, respeito e acolhimento.

Relator:

Theo Lerner
Presidente do Departamento Científico de Ginecologia e Obstetrícia da SPSP

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Colesterol alto também é coisa de criança: a prevenção começa na infância https://spsp.org.br/colesterol-alto-tambem-e-coisa-de-crianca-a-prevencao-comeca-na-infancia/ Fri, 07 Aug 2026 13:54:13 +0000 https://spsp.org.br/?p=58126 Quando pensamos em colesterol alto, é natural imaginar um problema que aparece apenas na vida adulta. No entanto, essa alteração também pode estar presente na infância e na adolescência, geralmente de forma silenciosa. É justamente por não causar sintomas que o colesterol elevado costuma passar despercebido, tornando o diagnóstico precoce um importante aliado na prevenção das doenças cardiovasculares. O colesterol é uma gordura essencial para o organismo. Ele participa da formação das células, da produção de hormônios e da vitamina D, entre outras funções. O problema surge quando há excesso do colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”. Ao longo dos anos, esse excesso pode se depositar nas paredes das artérias, favorecendo o desenvolvimento da aterosclerose. Já o HDL, chamado de “colesterol bom”, ajuda a retirar parte dessa gordura da circulação e exerce um efeito protetor. Hoje sabemos que a aterosclerose, responsável por infartos e acidentes vasculares cerebrais na vida adulta, pode começar ainda na infância. Embora os sintomas só apareçam décadas depois, os fatores de risco costumam estar presentes desde cedo. Por isso, cuidar da saúde cardiovascular das crianças significa investir na saúde dos adultos que elas se tornarão. No consultório, é comum que pais e responsáveis se surpreendam quando um exame de sangue revela colesterol elevado em uma criança aparentemente saudável. Afinal, ela brinca, corre, cresce normalmente e não sente absolutamente nada. Diferentemente de muitas doenças, o colesterol alto quase nunca dá sinais de alerta. Na maioria das vezes, ele é descoberto durante uma consulta de rotina ou quando o pediatra investiga um histórico familiar sugestivo. Essa situação é mais frequente do que muitos imaginam. Estima-se que cerca de uma em cada cinco crianças e adolescentes apresente alguma alteração no perfil lipídico. O aumento da obesidade infantil, do sedentarismo e do consumo de alimentos ultraprocessados contribui para esse cenário. Entretanto, nem sempre a alimentação é a principal responsável. Existe uma condição genética chamada hipercolesterolemia familiar, em que a criança já nasce com níveis elevados de colesterol LDL. Nesses casos, mesmo sendo magra, praticando atividade física e mantendo uma alimentação equilibrada, ela pode apresentar colesterol alto. Sem diagnóstico e tratamento adequados, o risco de desenvolver doença cardiovascular precocemente é significativamente maior. Por esse motivo, conhecer o histórico de saúde da família é fundamental. Casos de colesterol muito elevado, infarto ou acidente vascular cerebral em idade precoce podem indicar a necessidade de uma investigação antecipada. Além disso, algumas condições aumentam o risco de alterações no colesterol, como excesso de peso, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, doença renal crônica e outras doenças crônicas. Atualmente, recomenda-se que todas as crianças realizem uma avaliação do perfil lipídico entre 9 e 11 anos de idade, repetindo o rastreamento entre 17 e 21 anos. Nos casos em que existem fatores de risco ou história familiar importante, essa investigação pode ser indicada mais cedo, sempre com orientação do pediatra. A recomendação do rastreamento universal existe porque muitas crianças com colesterol elevado não apresentam obesidade, não têm sintomas e sequer possuem um histórico familiar conhecido. Se apenas aquelas consideradas de maior risco fossem investigadas, um número importante de crianças permaneceria sem diagnóstico. Quando uma alteração é identificada, o primeiro passo do tratamento é promover mudanças no estilo de vida. Mais do que restringir alimentos, o objetivo é construir hábitos saudáveis que possam acompanhar a criança por toda a vida. Uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, leite e derivados, carnes magras e peixes, deve fazer parte da rotina familiar. Em contrapartida, refrigerantes, bebidas açucaradas, embutidos, salgadinhos, biscoitos recheados, doces e outros alimentos ultraprocessados devem ser consumidos apenas ocasionalmente. A prática regular de atividade física é outro pilar fundamental. Não é preciso que a criança seja atleta: brincar ao ar livre, andar de bicicleta, correr, dançar, nadar ou jogar bola já traz benefícios importantes para o coração. Da mesma forma, reduzir o tempo de telas favorece um estilo de vida mais ativo. Talvez a mensagem mais importante seja que nenhuma criança muda seus hábitos sozinha. Alimentação saudável, atividade física e uma rotina equilibrada são construídas dentro de casa. Quando toda a família participa, as mudanças deixam de ser uma obrigação e passam a fazer parte do dia a dia de forma natural. Em algumas situações, especialmente na hipercolesterolemia familiar, as mudanças no estilo de vida não são suficientes para controlar os níveis de colesterol. Nesses casos, o acompanhamento especializado é essencial para definir o momento adequado de iniciar o tratamento medicamentoso, quando necessário. O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado em 8 de agosto, é uma oportunidade para lembrar que a prevenção das doenças cardiovasculares começa muito antes da vida adulta. Conhecer o histórico familiar, manter consultas regulares com o pediatra, realizar os exames quando indicados e incentivar hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida são atitudes capazes de reduzir significativamente o risco de doenças cardiovasculares no futuro. Cuidar do colesterol na infância vai muito além de evitar um exame alterado. É oferecer às crianças a oportunidade de crescer com mais saúde e construir, desde cedo, um futuro com um coração mais saudável. Relatoras: Natália Tonon DominguesMédica Pediatra e Endocrinologista Pediátrica pela Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB-UNESP)Mestrado e Doutorado pela FMB-UNESPMembro dos Departamentos Científicos de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários, Endocrinologia e Nutrição da SPSPMembro do Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes da SPSP Lygia Mendes dos Santos BörderMédica Pediatra pela Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP)Mestre em Ciências da Saúde pelo IAMSPE – Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público EstadualVice-Presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSPMembro do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP]]>

Quando pensamos em colesterol alto, é natural imaginar um problema que aparece apenas na vida adulta. No entanto, essa alteração também pode estar presente na infância e na adolescência, geralmente de forma silenciosa. É justamente por não causar sintomas que o colesterol elevado costuma passar despercebido, tornando o diagnóstico precoce um importante aliado na prevenção das doenças cardiovasculares.

O colesterol é uma gordura essencial para o organismo. Ele participa da formação das células, da produção de hormônios e da vitamina D, entre outras funções. O problema surge quando há excesso do colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”. Ao longo dos anos, esse excesso pode se depositar nas paredes das artérias, favorecendo o desenvolvimento da aterosclerose. Já o HDL, chamado de “colesterol bom”, ajuda a retirar parte dessa gordura da circulação e exerce um efeito protetor.

Hoje sabemos que a aterosclerose, responsável por infartos e acidentes vasculares cerebrais na vida adulta, pode começar ainda na infância. Embora os sintomas só apareçam décadas depois, os fatores de risco costumam estar presentes desde cedo. Por isso, cuidar da saúde cardiovascular das crianças significa investir na saúde dos adultos que elas se tornarão.

No consultório, é comum que pais e responsáveis se surpreendam quando um exame de sangue revela colesterol elevado em uma criança aparentemente saudável. Afinal, ela brinca, corre, cresce normalmente e não sente absolutamente nada. Diferentemente de muitas doenças, o colesterol alto quase nunca dá sinais de alerta. Na maioria das vezes, ele é descoberto durante uma consulta de rotina ou quando o pediatra investiga um histórico familiar sugestivo.

Essa situação é mais frequente do que muitos imaginam. Estima-se que cerca de uma em cada cinco crianças e adolescentes apresente alguma alteração no perfil lipídico. O aumento da obesidade infantil, do sedentarismo e do consumo de alimentos ultraprocessados contribui para esse cenário. Entretanto, nem sempre a alimentação é a principal responsável.

Existe uma condição genética chamada hipercolesterolemia familiar, em que a criança já nasce com níveis elevados de colesterol LDL. Nesses casos, mesmo sendo magra, praticando atividade física e mantendo uma alimentação equilibrada, ela pode apresentar colesterol alto. Sem diagnóstico e tratamento adequados, o risco de desenvolver doença cardiovascular precocemente é significativamente maior.

Por esse motivo, conhecer o histórico de saúde da família é fundamental. Casos de colesterol muito elevado, infarto ou acidente vascular cerebral em idade precoce podem indicar a necessidade de uma investigação antecipada. Além disso, algumas condições aumentam o risco de alterações no colesterol, como excesso de peso, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, doença renal crônica e outras doenças crônicas.

Atualmente, recomenda-se que todas as crianças realizem uma avaliação do perfil lipídico entre 9 e 11 anos de idade, repetindo o rastreamento entre 17 e 21 anos. Nos casos em que existem fatores de risco ou história familiar importante, essa investigação pode ser indicada mais cedo, sempre com orientação do pediatra.

A recomendação do rastreamento universal existe porque muitas crianças com colesterol elevado não apresentam obesidade, não têm sintomas e sequer possuem um histórico familiar conhecido. Se apenas aquelas consideradas de maior risco fossem investigadas, um número importante de crianças permaneceria sem diagnóstico.

Quando uma alteração é identificada, o primeiro passo do tratamento é promover mudanças no estilo de vida. Mais do que restringir alimentos, o objetivo é construir hábitos saudáveis que possam acompanhar a criança por toda a vida.

Uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, leite e derivados, carnes magras e peixes, deve fazer parte da rotina familiar. Em contrapartida, refrigerantes, bebidas açucaradas, embutidos, salgadinhos, biscoitos recheados, doces e outros alimentos ultraprocessados devem ser consumidos apenas ocasionalmente.

A prática regular de atividade física é outro pilar fundamental. Não é preciso que a criança seja atleta: brincar ao ar livre, andar de bicicleta, correr, dançar, nadar ou jogar bola já traz benefícios importantes para o coração. Da mesma forma, reduzir o tempo de telas favorece um estilo de vida mais ativo.

Talvez a mensagem mais importante seja que nenhuma criança muda seus hábitos sozinha. Alimentação saudável, atividade física e uma rotina equilibrada são construídas dentro de casa. Quando toda a família participa, as mudanças deixam de ser uma obrigação e passam a fazer parte do dia a dia de forma natural.

Em algumas situações, especialmente na hipercolesterolemia familiar, as mudanças no estilo de vida não são suficientes para controlar os níveis de colesterol. Nesses casos, o acompanhamento especializado é essencial para definir o momento adequado de iniciar o tratamento medicamentoso, quando necessário.

O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado em 8 de agosto, é uma oportunidade para lembrar que a prevenção das doenças cardiovasculares começa muito antes da vida adulta. Conhecer o histórico familiar, manter consultas regulares com o pediatra, realizar os exames quando indicados e incentivar hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida são atitudes capazes de reduzir significativamente o risco de doenças cardiovasculares no futuro.

Cuidar do colesterol na infância vai muito além de evitar um exame alterado. É oferecer às crianças a oportunidade de crescer com mais saúde e construir, desde cedo, um futuro com um coração mais saudável.

Relatoras:

Natália Tonon Domingues
Médica Pediatra e Endocrinologista Pediátrica pela Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB-UNESP)
Mestrado e Doutorado pela FMB-UNESP
Membro dos Departamentos Científicos de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários, Endocrinologia e Nutrição da SPSP
Membro do Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes da SPSP

Lygia Mendes dos Santos Börder
Médica Pediatra pela Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP)
Mestre em Ciências da Saúde pelo IAMSPE – Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual
Vice-Presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP
Membro do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP

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Alimentos OGM: o que é importante saber https://spsp.org.br/alimentos-ogm-o-que-e-importante-saber/ Tue, 04 Aug 2026 12:19:41 +0000 https://spsp.org.br/?p=58101 O que são alimentos OGM? Quando a sigla OGM (Organismos Geneticamente Modificados) é mencionada, é comum que surjam dúvidas ou preocupações. Mas na prática, o que isso implica? Alimentos OGM são aqueles derivados de plantas ou microrganismos cujo material genético foi modificado em laboratório. Essa modificação pode ter diversos propósitos, como aumentar a resistência da planta a pragas, elevar a produtividade, melhorar a resistência à seca ou enriquecer os nutrientes que normalmente estão em níveis insuficientes. No Brasil, os OGMs mais frequentes na alimentação são a soja, o milho e o algodão geneticamente modificados. Esses ingredientes estão presentes de forma discreta em uma variedade de produtos industrializados que consumimos diariamente — desde óleos vegetais e farinhas até alimentos destinados a bebês e crianças. Por que essa questão é especialmente relevante para crianças? As crianças não são apenas adultos em miniatura. Seus corpos ainda estão em desenvolvimento — incluindo o cérebro, o sistema imunológico e o sistema digestório —, o que pode torná-las mais suscetíveis a algumas substâncias do que os adultos. Em 2023, a revista Pediatrics — publicação oficial da Academia Americana de Pediatria — apresentou as opiniões de especialistas em saúde infantil e ambiental. A conclusão foi equilibrada: os alimentos OGM aprovados pelas agências reguladoras não demonstram risco direto comprovado à saúde das crianças. Entretanto, os especialistas destacaram um alerta importante: o uso extensivo de herbicidas nas lavouras, como o glifosato, pode deixar resíduos nos alimentos, o que é motivo de preocupação real na Pediatria. Os benefícios reais são: •Maior produção de alimentos: plantas resistentes a pragas geram mais, com menos perdas. Em áreas onde a fome ainda é um problema, isso impacta diretamente a disponibilidade de alimentos; •Alimentos enriquecidos: pesquisadores estão criando culturas biofortificadas — como o “Arroz Dourado”, enriquecido com vitamina A — voltadas para crianças de regiões com carências nutricionais; •Ingredientes seguros para fórmulas infantis: a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) já aprovou ingredientes produzidos por microrganismos geneticamente modificados para uso em fórmulas infantis, como a 3-fucosilactose, um açúcar naturalmente presente no leite materno. Os riscos que preocupam os especialistassão:  • Resíduos de herbicidas: a maior preocupação em relação à saúde infantil é o aumento no uso de herbicidas associado a determinadas culturas OGM. O glifosato pode permanecer nos alimentos e, quando consumido em quantidades acumuladas, gera incertezas sobre seus efeitos no desenvolvimento neurológico e hormonal das crianças.  • Alergenicidade – Quando um gene é inserido em uma planta, surge a questão: a nova proteína produzida pode provocar reações alérgicas? Estudos recentes indicam que, até o momento, não houve reações alérgicas clinicamente comprovadas associadas aos OGMs aprovados. No entanto, especialistas defendem a necessidade de avaliações de segurança contínuas e rigorosas. • Falta de estudos de longo prazo em crianças — essa é a grande incógnita: ainda não há pesquisas de acompanhamento que avaliem os efeitos do consumo contínuo de OGMs ao longo da infância e da adolescência. A ciência disponível é boa — mas ainda não é completa. O que ainda não sabemos — a ciência é sincera ao reconhecer seus próprios limites. Entre as questões que necessitam de mais investigação estão: Quais são os efeitos cumulativos dos resíduos de herbicidas durante o crescimento infantil? Como os OGMs interagem com a microbiota intestinal das crianças — essenciais para a imunidade? Existem grupos mais vulneráveis — como crianças prematuras, com sistemas imunológicos comprometidos ou com doenças intestinais — que precisam de orientações específicas? Essas indagações não indicam que os OGMs sejam perigosos. Elas mostram que a ciência ainda está em busca de respostas — e que, nesse ínterim, a precaução é uma abordagem sensata. Dicas práticas para pais e cuidadores Conclusão Os alimentos OGM são uma realidade na mesa das famílias brasileiras. Com base nas evidências científicas disponíveis, os que foram aprovados por agências reguladoras não apresentam risco comprovado à saúde das crianças. Contudo, a questão dos resíduos de herbicidas, as lacunas nos estudos de longo prazo e a necessidade de monitoramento contínuo são motivos válidos para cautela e atenção. Informação de qualidade, diversificação alimentar e acompanhamento pediátrico regular permanecem as melhores formas de proteger a saúde de nossos filhos. Relator: Mauro FisbergCoordenador do Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares (CENDA), do Instituto Pensi – São PauloProfessor Sênior Doutor do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo.Presidente do Departamento Científico de Nutrição da SPSP]]>

O que são alimentos OGM? Quando a sigla OGM (Organismos Geneticamente Modificados) é mencionada, é comum que surjam dúvidas ou preocupações. Mas na prática, o que isso implica?

Alimentos OGM são aqueles derivados de plantas ou microrganismos cujo material genético foi modificado em laboratório. Essa modificação pode ter diversos propósitos, como aumentar a resistência da planta a pragas, elevar a produtividade, melhorar a resistência à seca ou enriquecer os nutrientes que normalmente estão em níveis insuficientes.

No Brasil, os OGMs mais frequentes na alimentação são a soja, o milho e o algodão geneticamente modificados. Esses ingredientes estão presentes de forma discreta em uma variedade de produtos industrializados que consumimos diariamente — desde óleos vegetais e farinhas até alimentos destinados a bebês e crianças.

Por que essa questão é especialmente relevante para crianças? As crianças não são apenas adultos em miniatura. Seus corpos ainda estão em desenvolvimento — incluindo o cérebro, o sistema imunológico e o sistema digestório , o que pode torná-las mais suscetíveis a algumas substâncias do que os adultos.

Em 2023, a revista Pediatrics — publicação oficial da Academia Americana de Pediatria — apresentou as opiniões de especialistas em saúde infantil e ambiental. A conclusão foi equilibrada: os alimentos OGM aprovados pelas agências reguladoras não demonstram risco direto comprovado à saúde das crianças. Entretanto, os especialistas destacaram um alerta importante: o uso extensivo de herbicidas nas lavouras, como o glifosato, pode deixar resíduos nos alimentos, o que é motivo de preocupação real na Pediatria.

Os benefícios reais são:

•Maior produção de alimentos: plantas resistentes a pragas geram mais, com menos perdas. Em áreas onde a fome ainda é um problema, isso impacta diretamente a disponibilidade de alimentos;

•Alimentos enriquecidos: pesquisadores estão criando culturas biofortificadas — como o “Arroz Dourado”, enriquecido com vitamina A — voltadas para crianças de regiões com carências nutricionais;

•Ingredientes seguros para fórmulas infantis: a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) já aprovou ingredientes produzidos por microrganismos geneticamente modificados para uso em fórmulas infantis, como a 3-fucosilactose, um açúcar naturalmente presente no leite materno.

Os riscos que preocupam os especialistassão: 

• Resíduos de herbicidas: a maior preocupação em relação à saúde infantil é o aumento no uso de herbicidas associado a determinadas culturas OGM. O glifosato pode permanecer nos alimentos e, quando consumido em quantidades acumuladas, gera incertezas sobre seus efeitos no desenvolvimento neurológico e hormonal das crianças.

 • Alergenicidade – Quando um gene é inserido em uma planta, surge a questão: a nova proteína produzida pode provocar reações alérgicas? Estudos recentes indicam que, até o momento, não houve reações alérgicas clinicamente comprovadas associadas aos OGMs aprovados. No entanto, especialistas defendem a necessidade de avaliações de segurança contínuas e rigorosas.

• Falta de estudos de longo prazo em crianças — essa é a grande incógnita: ainda não há pesquisas de acompanhamento que avaliem os efeitos do consumo contínuo de OGMs ao longo da infância e da adolescência. A ciência disponível é boa — mas ainda não é completa.

O que ainda não sabemos — a ciência é sincera ao reconhecer seus próprios limites. Entre as questões que necessitam de mais investigação estão:

Quais são os efeitos cumulativos dos resíduos de herbicidas durante o crescimento infantil? Como os OGMs interagem com a microbiota intestinal das crianças — essenciais para a imunidade? Existem grupos mais vulneráveis — como crianças prematuras, com sistemas imunológicos comprometidos ou com doenças intestinais — que precisam de orientações específicas? Essas indagações não indicam que os OGMs sejam perigosos. Elas mostram que a ciência ainda está em busca de respostas — e que, nesse ínterim, a precaução é uma abordagem sensata.

Dicas práticas para pais e cuidadores

  1. Optem por alimentos in natura ou minimamente processados. Frutas, legumes, verduras, ovos, carnes e grãos inteiros têm menos aditivos e resíduos, independentemente de serem OGM ou não.
  2. Verifiquem os rótulos. No Brasil, produtos que contenham mais de 1% de ingrediente transgênico devem exibir o símbolo do triângulo amarelo com a letra “T”.
  3. Diminuam o consumo de ultraprocessados. Grande parte da exposição infantil a ingredientes OGM provém de biscoitos recheados, salgadinhos, cereais açucarados e bebidas industrializadas. Reduzi-los faz diferença — e não apenas por conta dos OGMs.
  4. Variem a alimentação. A diversidade alimentar é uma proteção. Uma criança que consome uma ampla gama de alimentos naturais está menos exposta a substâncias específicas — e é mais bem nutrida.
  5. Consultem o pediatra. Se seu filho tem alergias, doenças intestinais ou imunidade comprometida, discuta essas questões com o médico. Cada criança tem sua própria história.
  6. Desconfiem de extremos. Tanto o alarmismo (“OGM é veneno!”) quanto a complacência total (“não há nenhum risco”) são posturas equivocadas diante da ciência atual. A posição crítica equilibrada é a mais honesta.

Conclusão

Os alimentos OGM são uma realidade na mesa das famílias brasileiras. Com base nas evidências científicas disponíveis, os que foram aprovados por agências reguladoras não apresentam risco comprovado à saúde das crianças. Contudo, a questão dos resíduos de herbicidas, as lacunas nos estudos de longo prazo e a necessidade de monitoramento contínuo são motivos válidos para cautela e atenção.

Informação de qualidade, diversificação alimentar e acompanhamento pediátrico regular permanecem as melhores formas de proteger a saúde de nossos filhos.

Relator:

Mauro Fisberg
Coordenador do Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares (CENDA), do Instituto Pensi – São Paulo
Professor Sênior Doutor do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo.
Presidente do Departamento Científico de Nutrição da SPSP

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Proteção desde os primeiros dias de vida https://spsp.org.br/protecao-desde-os-primeiros-dias-de-vida/ Wed, 01 Jul 2026 19:58:39 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57682 ]]>

Celebrado em 1º de julho, o Dia da Vacina BCG é uma oportunidade para lembrar a importância de uma das vacinas mais antigas e eficazes da história da saúde pública. Desenvolvida há mais de 100 anos pelos cientistas franceses Albert Calmette e Camille Guérin, a vacina BCG (abreviação de Bacilo de Calmette-Guérin) continua sendo uma ferramenta fundamental para reduzir complicações e salvar vidas, especialmente na infância.

Aplicada logo nos primeiros dias de vida, a BCG protege crianças contra as formas mais graves da tuberculose, uma doença infecciosa que ainda representa um importante desafio para a saúde em todo o mundo.

O que é a tuberculose?

A tuberculose é uma doença causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. A transmissão ocorre pelo ar, por meio da eliminação de pequenas partículas liberadas quando uma pessoa com a doença pulmonar ativa tosse, fala ou espirra.

Embora afete principalmente os pulmões, a tuberculose pode atingir praticamente todos os órgãos e sistemas do corpo. Em crianças pequenas, a infecção pode evoluir para formas particularmente graves, como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar, que podem causar sequelas importantes e até levar ao óbito.

Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, a tuberculose ainda está entre as doenças infecciosas que mais causam mortes no mundo. No Brasil, milhares de novos casos são registrados todos os anos, o que reforça a importância das medidas de prevenção.

Por que a vacina BCG é tão importante?

A principal função da BCG é proteger bebês e crianças pequenas contra as formas mais graves da tuberculose. Embora ela não impeça todos os casos da doença, sua eficácia na prevenção das complicações mais severas é amplamente reconhecida.

Estudos mostram que a vacina reduz significativamente o risco de meningite tuberculosa e tuberculose disseminada na infância, contribuindo para diminuir hospitalizações, sequelas e mortes relacionadas à doença.

Por esse motivo, a BCG faz parte do Calendário Nacional de Vacinação e é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Quando a vacina deve ser aplicada?

A recomendação é que a vacina seja administrada preferencialmente ainda na maternidade ou nos primeiros dias de vida. Caso isso não seja possível, ela pode ser aplicada posteriormente, conforme as orientações do calendário vacinal vigente. A aplicação é feita no braço direito, por via intradérmica, utilizando uma técnica específica que permite uma resposta adequada do organismo. Quanto mais cedo a criança estiver protegida, menor será o risco de desenvolver as formas graves da doença durante os primeiros anos de vida.

O que acontece após a vacinação?

Muitos pais ficam preocupados ao observar alterações no local da aplicação, mas a maioria delas faz parte da resposta normal à vacina. Nas semanas seguintes à vacinação, é comum surgir uma pequena área avermelhada, que pode evoluir para uma lesão semelhante a uma pequena ferida. Com o tempo, essa região cicatriza e geralmente deixa uma pequena marca no braço, característica da BCG.

Todo esse processo pode levar alguns meses para ser concluído e normalmente não exige nenhum cuidado especial, além da higiene habitual com água e sabão. Não é recomendado espremer, cobrir ou aplicar pomadas sem orientação médica. É importante destacar que a ausência da cicatriz não significa falta de proteção, e, por isso, atualmente não existe mais recomendação de revacinação apenas porque a marca não apareceu.

Quando a BCG não deve ser aplicada?

A vacina é segura para a grande maioria dos recém-nascidos. No entanto, existem situações específicas em que sua aplicação deve ser adiada ou evitada, especialmente em crianças com suspeita ou diagnóstico de imunodeficiências graves. Por isso, a avaliação médica e os programas de triagem neonatal são tão importantes. Quando o teste de triagem neonatal para erros inatos da imunidade (chamado TREC/KREC) for coletado na maternidade, recomenda-se aguardar o resultado do exame para liberação da aplicação da BCG.

Quando existe histórico familiar de imunodeficiência ou alguma condição que possa comprometer o sistema imunológico do bebê, a vacinação deve ser analisada individualmente pelo especialista. Algumas medicações que impactam o sistema imunológico da gestante (como o Rituximabe) também interferem parcialmente na imunidade do recém-nascido, por isso a BCG deve ser adiada de acordo com a medicação utilizada.

Um compromisso com a saúde das crianças

O Dia da Vacina BCG reforça uma mensagem simples, mas muito importante: a vacinação continua sendo uma das formas mais eficazes de prevenir doenças graves e proteger a infância. Ao garantir que os bebês recebam a BCG no momento adequado, pais, cuidadores e profissionais de saúde contribuem para reduzir o impacto da tuberculose e oferecem às crianças uma proteção essencial desde os primeiros dias de vida.

Vacinar é um gesto de cuidado, responsabilidade e amor. Afinal, proteger hoje é construir um futuro mais saudável para toda a sociedade.

 

Relatores:

Pedro Vale Bedê
Médico pela Universidade Federal do Ceará (UFC)
Infectologista Pediátrico pela Universidade de São Paulo (USP)
Médico Infectologista Pediátrico do Hospital Sírio-Libanês
Preceptor do Ambulatório de Infectologia Pediátrica do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus (HMIMJ)
Membro do Departamento Científico de Infectologia da SPSP

 

Daniel Jarovsky
Professor Instrutor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSC-SP)
Infectologista Pediátrico do Sabará Hospital Infantil e do Hospital Israelita Albert Einstein
Vice-Presidente do Departamento Científico de Imunizações da SPSP
Membro do Departamento Científico de Infectologia da SPSP

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Esporte é essencial para formar crianças mais saudáveis e confiantes https://spsp.org.br/esporte-e-essencial-para-formar-criancas-mais-saudaveis-e-confiantes/ Tue, 23 Jun 2026 18:41:19 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57566 ]]>

Para a criança, brincar para se movimentar e crescer com saúde é inicialmente o melhor esporte.

A atividade física faz parte do desenvolvimento saudável de toda criança, tanto para a parte motora quanto para a neurológica.

Mais do que melhorar o condicionamento físico, movimentar-se ajuda o crescimento dos ossos e músculos, o desenvolvimento da coordenação motora, da autoestima, da socialização e até do desempenho escolar.

Em uma época em que telas ocupam cada vez mais espaço no dia a dia, incentivar a prática de esportes tornou-se uma missão importante para pais, familiares e cuidadores.

Correr, pular, arremessar, pedalar e nadar são os chamados gestos olímpicos; estando também presentes no brincar ao ar livre, são atividades que ajudam a criança a descobrir suas capacidades, desenvolver confiança e criar hábitos saudáveis, que poderão acompanhá-la por toda a vida adulta.

O esporte também ensina valores fundamentais. Através dele, nossos filhos aprendem sobre disciplina, respeito às regras, trabalho em equipe, superação de desafios e convivência com vitórias e derrotas. Essas experiências contribuem para a formação de cidadãos mais resilientes e preparados para enfrentar as dificuldades da vida.

É importante lembrar que nem toda criança precisa ser atleta. O principal objetivo deve ser o prazer de se movimentar, de participar das atividades, sem a obrigação do bom desempenho.

Cada criança possui interesses, habilidades e ritmos diferentes. Algumas se identificam mais com esportes coletivos, como futebol, vôlei ou basquete. Outras preferem atividades individuais, como natação, ginástica, dança, artes marciais ou ciclismo. O mais importante é encontrar uma atividade que proporcione alegria e motivação.

Pais e cuidadores têm papel essencial nesse processo. O exemplo dos adultos costuma ser uma das maiores fontes de incentivo. Quando a família valoriza a atividade física e participa de momentos de lazer ativo, a criança tende a incorporar esses hábitos de forma mais natural.

Dicas para pais e cuidadores:

Incentive pelo exemplo; pratique atividades físicas sempre que possível; valorize a participação, não apenas os resultados; respeite os limites físicos e emocionais da criança/adolescente, evitando cobranças excessivas e comparações com outras crianças.

Certifique-se de que a criança esteja bem hidratada e utilize equipamentos de proteção quando necessários. Procure orientação médica caso haja dúvidas sobre a prática esportiva. Escolha uma atividade que ela goste.

Lembre-se de que aprender e se divertir são mais importantes do que vencer.

Neste Dia Nacional do Esporte, celebrado em 23 de junho, é essencial falar que este não forma apenas atletas; forma crianças mais saudáveis, confiantes e preparadas para os desafios da vida.

 

Relator:

Nei Botter Montenegro
Presidente do Departamento Científico de Ortopedia da SPSP

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Celebrar conquistas, combater a desinformação e proteger o futuro https://spsp.org.br/celebrar-conquistas-combater-a-desinformacao-e-proteger-o-futuro/ Tue, 09 Jun 2026 15:30:44 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57328 Relatores Tim MüllerPediatra Alergista e ImunologistaMembro do Departamento Científico de Imunizações da SPSPPresidente do Departamento Científico de Alergia e Imunologia da SPSP Renato KfouriPediatra InfectologistaMembro da Câmara Técnica Assessora do Programa Nacional de ImunizaçõesPresidente do Departamento Científico de Imunizações da SPSP]]>

O Dia da Imunização, celebrado em 9 de junho, nos convida a recordar uma das maiores conquistas da Medicina e da Saúde Pública: as vacinas. Mas essa data também traz um alerta importante. Muitas doenças que hoje parecem distantes deixaram de fazer parte do cotidiano de muitas famílias porque gerações inteiras foram vacinadas. Quando o número de vacinados cai, essas doenças podem retornar.

A história da vacinação começou há mais de dois séculos, com a vacina contra a varíola. Edward Jenner desenvolveu essa vacina no final do século XVIII. A partir daí, a ciência iniciou uma revolução silenciosa. O objetivo era prevenir doenças antes que causassem sofrimento, sequelas e mortes.

No Brasil, a vacinação contra a varíola foi uma das primeiras grandes experiências de imunização em massa. Com o passar do tempo, o país criou instituições fundamentais para a produção e distribuição de vacinas, como a Fiocruz/Bio-Manguinhos e o Instituto Butantan. Essas instituições ainda desempenham um papel essencial na saúde pública brasileira.

Um dos maiores marcos dessa trajetória foi a criação do Programa Nacional de Imunizações (PNI) em 1973. Desde então, o Brasil construiu um dos maiores programas públicos de vacinação do mundo, oferecendo vacinas gratuitamente pelo SUS para crianças, adolescentes, gestantes, adultos, idosos e grupos com necessidades especiais. Esse é um patrimônio da população brasileira: um programa que garante que vacinas gratuitas, seguras e eficazes cheguem a milhões de pessoas em todas as regiões do país.

O calendário de vacinação vem mudando muito ao longo das décadas. Antes, havia poucas vacinas disponíveis; agora, temos proteção contra várias doenças graves. Além do calendário do PNI, que define as vacinas oferecidas gratuitamente na rede pública, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) oferecem informações para médicos e famílias, incluindo recomendações complementares com base em idade, condições de saúde, riscos individuais e disponibilidade de vacinas na rede privada.

É muito comum que algumas famílias tenham dúvidas diante de tanta informação. O calendário vacinal atual inclui mais vacinas do que no passado, mas isso não sobrecarrega o sistema imunológico. Pelo contrário, todos os dias, desde o nascimento, as crianças entram em contato com milhares de micro-organismos e partículas do ambiente. As vacinas apresentam apenas pequenas partes dos agentes infecciosos ou versões enfraquecidas ou inativadas deles, suficientes para ensinar o corpo a se defender. Estudos mostram que receber mais de uma vacina ao mesmo tempo é seguro e não causa problemas ou “enfraquece” a imunidade.

Um exemplo recente de avanço é a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), recomendada para gestantes. O VSR é uma das principais causas de bronquiolite e internação em bebês pequenos. Ao vacinar a gestante, transferimos anticorpos para o bebê durante a gestação, oferecendo proteção nos primeiros meses de vida, quando ele é mais vulnerável. Essa conquista mostra que a vacinação continua evoluindo para responder a problemas reais na pediatria.

Quando falamos de vacinas, devemos lembrar de doenças que muitos pais e mães jovens quase não conhecem mais. A poliomielite, por exemplo, podia causar paralisia permanente. O tétano pode surgir a partir de ferimentos e continua sendo uma doença grave. A difteria, hoje rara, pode comprometer a respiração e causar complicações severas. Essas doenças não desapareceram porque ficaram “fracas” ou porque simplesmente deixaram de existir; elas foram controladas porque a vacinação funcionou.

As vacinas também são essenciais no combate a epidemias e pandemias. Elas reduzem casos graves, internações e mortes, além de proteger os serviços de saúde contra sobrecarga. A experiência recente com a Covid-19 lembrou ao mundo que a ciência, a vigilância em saúde e a vacinação são ferramentas indispensáveis para responder a emergências sanitárias.

Outro ponto importante é entender que a vacinação não é apenas uma decisão individual. Quando uma pessoa se vacina, ela também contribui para proteger quem está ao seu redor: bebês que ainda não têm idade para receber algumas vacinas, pessoas com imunidade baixa, idosos e pacientes com doenças crônicas. Por isso, manter altas taxas de vacinação é um compromisso coletivo. O Ministério da Saúde considera a vacinação uma das estratégias mais eficazes para preservar a saúde da população e reduzir a disseminação de doenças infecciosas na comunidade.

Ao mesmo tempo, vivemos uma época em que informações falsas circulam rapidamente. Fake news sobre vacinas podem parecer convincentes, especialmente quando exploram o medo dos pais. Muitas vezes distorcem dados, ignoram evidências ou atribuem às vacinas problemas que não têm relação com elas. A hesitação vacinal deve ser recebida com escuta, orientação clara e informação confiável. Em caso de dúvida, a família deve conversar com o pediatra e buscar fontes reconhecidas, como sociedades científicas, o Ministério da Saúde e serviços de vacinação.

No Brasil, poucas imagens representam tão bem essa história quanto o Zé Gotinha. Criado em 1986, ele se tornou símbolo da vacinação infantil, ajudando a conectar as campanhas às crianças e suas famílias. Em 2026, o Zé Gotinha completará 40 anos, lembrando que uma comunicação clara, afetiva e confiável também faz parte da Saúde Pública.

Neste Dia da Imunização, a principal mensagem é simples: “Vacinas salvam vidas!” Vacinar é proteger. Proteger a criança, a família, a comunidade e as futuras gerações. Aproveitem a data para conferir a caderneta de vacinação de toda a família e atualizar as doses pendentes – de crianças, adolescentes, gestantes, adultos e idosos. Em caso de dúvida, procurem um médico da sua confiança.

As vacinas são vítimas do seu próprio sucesso: quando funcionam bem, tornam as doenças invisíveis. Mas é por isso que precisamos continuar vacinando. Celebrar a imunização é reconhecer o passado, combater a desinformação, cuidar do presente e proteger o futuro.

Relatores

Tim Müller
Pediatra Alergista e Imunologista
Membro do Departamento Científico de Imunizações da SPSP
Presidente do Departamento Científico de Alergia e Imunologia da SPSP

Renato Kfouri
Pediatra Infectologista
Membro da Câmara Técnica Assessora do Programa Nacional de Imunizações
Presidente do Departamento Científico de Imunizações da SPSP

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Cuidar do que importa https://spsp.org.br/cuidar-do-que-importa/ Fri, 05 Jun 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57300 ]]>

O Dia Mundial do Meio Ambiente e o Dia da Ecologia, ambos celebrados em 5 de junho, convidam à reflexão sobre a relação entre o ser humano e o planeta. Mais do que datas simbólicas, representam um chamado coletivo para repensarmos hábitos, escolhas e responsabilidades diante de um mundo que enfrenta mudanças climáticas, perda de biodiversidade, poluição e esgotamento de recursos naturais.

O meio ambiente enfrenta uma crise severa, caracterizada pelo aquecimento global acelerado, eventos climáticos extremos (secas e inundações) e perda rápida de biodiversidade, causados principalmente por atividades humanas como desmatamento, queimadas e emissão de gases de efeito estufa. O ano de 2023 teve a temperatura média mais alta que qualquer ano da história humana – foi o ano mais quente no planeta em 200 mil anos.

Quando florestas são destruídas, rios contaminados ou espécies desaparecem, os impactos ultrapassam a natureza e alcançam diretamente a vida das pessoas, especialmente das crianças, que são mais vulneráveis às consequências ambientais – três milhões de crianças com menos de cinco anos morrem anualmente devido a doenças relacionadas ao meio ambiente. Como exemplo, uma análise realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) demonstrou que as mudanças climáticas aumentaram a suscetibilidade humana a infecções por patógenos. Os impactos na saúde ocorrem direta e indiretamente por meio de seus efeitos na produção de alimentos, na migração, na instabilidade econômica e nas desigualdades sociais.

Cuidar do meio ambiente não significa apenas preservar paisagens distantes. Significa também cultivar atitudes cotidianas: reduzir desperdícios, economizar água, reciclar, evitar o consumo excessivo, valorizar áreas verdes e ensinar às novas gerações o respeito pela natureza. Pequenas ações, quando compartilhadas coletivamente, têm força para transformar comunidades inteiras:

  • Reduza, Reutilize, Recicle: diminua o desperdício usando sacolas reutilizáveis, minimizando o uso de plásticos descartáveis ​​e separando corretamente os materiais recicláveis. O plástico é responsável por mais emissões ao ano do que a aviação e o transporte marítimo, principalmente devido à sua dependência do petróleo, contribuindo para as mudanças climáticas (são 353 milhões de toneladas de plástico descartadas por ano!).
  • Conserve Recursos: apague as luzes ao sair dos cômodos, conserte torneiras com vazamento e fique atento ao seu consumo diário de energia e água. Invista em energias renováveis ​​para sua casa.
  • Repense o Transporte: opte por caminhar, andar de bicicleta ou usar o transporte público em vez de dirigir sempre que possível para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
  • Apoie o Comércio Local e a Sustentabilidade: compre produtos cultivados localmente ou de empresas que utilizam práticas éticas e sustentáveis ​​para reduzir emissão de carbono. Reduza o consumo de carne (ou evite-a completamente) e evite o desperdício de alimentos.

A infância ocupa papel central nessa transformação. Crianças que crescem em contato com a natureza desenvolvem maior consciência ambiental, empatia e senso de responsabilidade. Educar para a sustentabilidade é investir em um futuro mais saudável, equilibrado e humano.

O planeta não precisa apenas de grandes discursos, mas de compromisso contínuo. O Dia Mundial do Meio Ambiente e o Dia da Ecologia lembram que proteger a Terra é, acima de tudo, proteger a própria vida.

 

Saiba mais:

https://www.eea.europa.eu/en/newsroom/editorial/editorial-caring-for-the-environment

https://ccarbon.usp.br/the-importance-of-the-environment-for-global-sustainability/

https://www.wwf.org.uk/what-we-do/valuing-nature

https://www.fao.org/4/y4256e/y4256e04.htm

 

Relatora:

Tania Zamataro
Membro do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Desporto escolar: uma ferramenta de saúde e desenvolvimento https://spsp.org.br/desporto-escolar-uma-ferramenta-de-saude-e-desenvolvimento/ Mon, 25 May 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57045 ]]>

O Dia Nacional do Desporto Escolar, celebrado em 25 de maio e instituído pela Lei nº 14.579/2023, reforça um ponto essencial: o esporte na escola não é complemento. É parte da formação.

Quando falamos em desporto escolar, não estamos falando de rendimento ou de formar atletas. Estamos falando de um espaço educativo – onde a criança experimenta o movimento, aprende regras, convive, erra, tenta de novo e se desenvolve.

É nesse contexto que entra um conceito ainda pouco explorado na prática: a alfabetização física.

Alfabetizar fisicamente significa dar à criança as ferramentas básicas para se movimentar com confiança e competência: correr, saltar, arremessar, receber, equilibrar, mudar de direção. Essas habilidades motoras fundamentais têm uma janela de desenvolvimento privilegiada entre os 3 e 8 anos de idade – período em que a plasticidade motora é maior e a base se consolida para toda a vida ativa que virá.

E os números mostram por que isso importa. A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa para crianças e adolescentes de 5 a 17 anos. No Brasil, a maioria não chega perto desse alvo e o tempo de tela em pré-escolares, com frequência, ultrapassa três horas diárias – o triplo do limite recomendado para essa faixa etária.

Crianças que não desenvolvem competência motora tendem a evitar a atividade física. E esse afastamento não atinge apenas o corpo: impacta a autoestima, a função executiva, gera sintomas ansiosos e depressivos, atrapalha o sono e convivência social. A literatura é consistente em mostrar que crianças mais ativas apresentam melhor desempenho cognitivo e maior bem-estar emocional.

O desporto escolar tem papel central nesse cenário. É, muitas vezes, o primeiro – e em alguns casos o único – contato estruturado da criança com o esporte. Quando bem conduzido, ensina a lidar com frustração, respeitar regras, trabalhar em grupo e persistir. Valores que não aparecem em boletins, mas formam comportamento, autonomia e convivência.

Diferente do esporte competitivo, aqui o foco não é resultado. É vivência. É processo.

O que cada um de nós pode fazer

  • Pediatras: incluir, na puericultura de rotina, perguntas sobre tempo ativo, aulas de Educação Física e tempo de tela – com a mesma naturalidade com que perguntamos sobre alimentação e sono.
  • Famílias: valorizar e priorizar a Educação Física escolar; criar oportunidades diárias de brincar ativo, ao ar livre sempre que possível.
  • Escolas: garantir tempo, espaço e qualidade nas aulas de Educação Física, e formar professores capazes de promover alfabetização física com prazer e segurança.

No fim, não é só sobre esporte. É sobre promover saúde e formar crianças mais seguras, confiantes e preparadas para a vida.

 

Relatora:
Brizza Valeria Foianini Biassi
Membro do Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes na Infância e Adolescência da SPSP

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Doação de leite humano: solidariedade que nutre, vida que cresce https://spsp.org.br/doacao-de-leite-humano-solidariedade-que-nutre-vida-que-cresce/ Tue, 19 May 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57031 ]]>

Acima está o slogan vencedor deste ano da campanha celebrada em 19 de maio – o Dia Nacional da Doação de Leite Humano.

O leite humano é o alimento mais completo para nutrir os recém-nascidos nos primeiros dias de vida, sendo rico em nutrientes e substâncias que promovem saúde, desenvolvimento e qualidade de vida. Mas você sabia que esse alimento tão especial também pode salvar vidas quando é doado?

Muitas mulheres que amamentam produzem mais leite do que seus bebês necessitam. Esse excedente não deve ser desprezado, pois pode ser destinado aos Bancos de Leite Humano e utilizado em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal, contribuindo para a sobrevivência de muitos bebês. Esta afirmação é muito verdadeira: “cada gota salva vidas”.

Mas por que alguns bebês não podem ser amamentados por suas próprias mães? Em algumas situações, como em casos de doenças, como Aids, hepatites, uso de determinados medicamentos, entre outras condições, o leite materno da própria mãe não pode ser oferecido com segurança. Nesses casos, o leite doado torna-se essencial.

Embora o Brasil possua a maior rede de Bancos de Leite Humano do mundo, ainda não é possível atender a todos os bebês que necessitam desse alimento tão rico em nutrientes e anticorpos.

A doação de leite humano é um ato de solidariedade que faz toda a diferença, especialmente para bebês prematuros ou doentes que estão internados e não podem ser amamentados diretamente por suas mães. Para esses pequenos, cada gota de leite é valiosa.

Mulheres que possuem produção excedente podem se tornar doadoras e ajudar outros bebês. O processo de doação é simples, seguro e orientado por profissionais de saúde. O leite coletado passa por rigorosos controles de qualidade antes de ser oferecido aos recém-nascidos, garantindo sua segurança.

Além disso, a doação também beneficia a própria doadora. A retirada do excesso de leite pode evitar desconfortos, como o ingurgitamento mamário, que pode causar dor e inflamação nas mamas.

Doar leite não prejudica a amamentação do próprio filho. Pelo contrário, a retirada regular pode até estimular e manter a produção de leite. Além disso, a doadora ajuda muito outras crianças e suas famílias, fortalecendo uma rede de cuidado, amor e solidariedade.

Os Bancos de Leite Humano estão preparados para orientar, apoiar e acompanhar todo o processo de doação. Em muitos casos, oferecem coleta domiciliar e fornecem os materiais necessários, facilitando a participação das mães.

Se você pode doar, informe-se. Sua solidariedade pode salvar vidas e ajudar muitos bebês a crescerem fortes e saudáveis.

Para doar, entre no site da rede de Banco de Leite Humano* e localize o banco de leite mais próximo de sua residência.

*https://rblh.fiocruz.br/localizacao-dos-blhs

 

Relatora:
Rosangela Gomes dos Santos
Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SPSP

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Prevenção com vacinas e reconhecimento precoce salvam vidas https://spsp.org.br/prevencao-com-vacinas-e-reconhecimento-precoce-salvam-vidas/ Fri, 24 Apr 2026 11:39:53 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56533 No Dia Mundial de Combate à Meningite, celebrado em 24 de abril, a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) reforça a urgência de conscientizar famílias sobre]]>

No Dia Mundial de Combate à Meningite, celebrado em 24 de abril, a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) reforça a urgência de conscientizar famílias sobre essa doença grave. A meningite é uma inflamação das meninges, as membranas que protegem o cérebro e a medula espinhal, causada principalmente por bactérias, vírus ou fungos. No Brasil, os dados do Informe Meningites – 2ª edição (novembro/2025) do Ministério da Saúde revelam um cenário alarmante no primeiro semestre de 2025: 6.169 casos confirmados, com 781 óbitos e letalidade de 12,7%. Desses, as meningites bacterianas somaram 2.643 casos e 537 mortes (letalidade de 20,3%), destacando a necessidade de ação imediata.

Entre as meningites bacterianas, a doença meningocócica foi responsável por 486 casos e 96 óbitos (letalidade 19,8%). Os sorogrupos mais frequentes foram B (146 casos) e C (90 casos), afetando especialmente crianças menores de 5 anos – incidência de 12,29/100 mil em < 1 ano e 2,05/100 mil em 1-4 anos. A meningite pneumocócica registrou 714 casos e 202 óbitos (letalidade 28,3%), enquanto a por Haemophilus influenzae teve 78 casos e 13 óbitos (16,7%). Esses números mostram que apesar das quedas históricas de casos graças às vacinas, a doença persiste, com maior impacto entre as crianças.

A boa notícia é a prevenção eficaz pelas vacinas. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda, em seu Calendário Nacional de Vacinação, a vacinação ampliada para a doença meningocócica com as vacinas MenACWY e MenB, contra doenças pneumocócicas (incluindo as meningites) com as vacinas VPC20 ou VPC15, e para Haemophilus influenzae tipo b (Hib) com as vacinas combinadas pentavalente ou hexavalente na primeira infância. Essas vacinas reduziram drasticamente a incidência das meningites desde 2010, como evidenciado na série histórica do informe, salvando milhares de vidas e prevenindo sequelas como surdez, amputações e déficits neurológicos.

Para famílias, reconhecer os sinais precocemente é crucial. Procurar atendimento imediato se a criança apresentar febre alta persistente, rigidez de nuca, fotofobia (desconforto intenso com a luz), irritabilidade extrema, vômitos em jato, manchas roxas na pele (petéquias/púrpura) e/ou convulsões. Em bebês, observar fontanela (conhecida como moleira) abaulada, choro inconsolável ou letargia (criança fica mole, sonolenta). A detecção em até 24 horas pode reduzir a letalidade de 20% para níveis muito menores, conforme indicadores de vigilância do informe (97,6% dos casos investigados em 48 h).

O que fazer? Levar a criança ao pronto-socorro mais próximo ou ligar para o SAMU (192). Não esperar: a meningite progride rapidamente. Antibióticos intravenosos e suporte intensivo são essenciais. A ação da vigilância epidemiológica para realizar a quimioprofilaxia para contatos domiciliares previne surtos e é por isso que a notificação dessa doença é compulsória e imediata.

Globalmente, a iniciativa Defeating Meningitis by 2030 (Derrotando as Meningites até 2030), da Organização Mundial da Saúde e parceiros, visa eliminar meningites epidêmicas, reduzir casos em 50% e óbitos em 70% até 2030. No Brasil, ações incluem fortalecimento da vigilância (38,7% foram confirmados laboratorialmente em 2025), ampliação de coberturas vacinais e educação comunitária. A SPSP apoia essas metas, promovendo imunizações em dia e conscientização para uma sociedade livre de meningites.

Famílias: verificar a Carteira de Vacinação no posto de saúde ou no app Conecte SUS ou em um serviço de imunização privado. Estejam com as vacinas em dia e ensinem os sinais da doença aos avós e cuidadores das crianças. Juntos, podemos combater sequelas e óbitos – em 2025, crianças abaixo de um ano tiveram uma letalidade de 14,6%, mas as vacinas podem zerar isso!

A SPSP parabeniza todos os profissionais de saúde pela vigilância e assistência aprimoradas e convoca: previna, reconheça, atue. Uma infância saudável começa com a vacinação em dia.

 

Relatora:
Melissa Palmieri
Secretária do Departamento Científico de Imunizações da SPSP

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