Colunas (Home Portal e Artigos Recentes) – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 18 Sep 2026 18:41:10 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Colunas (Home Portal e Artigos Recentes) – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Retinoblastoma: o tumor ocular da primeira infância https://spsp.org.br/retinoblastoma-o-tumor-ocular-da-primeira-infancia/ Fri, 18 Sep 2026 18:40:24 +0000 https://spsp.org.br/?p=59096 O Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma acontece em 18 de setembro. O retinoblastoma é um tumor maligno originado na retina que acomete sobretudo crianças nos primeiros anos de vida. É o câncer intraocular mais frequente da infância, com cerca de 400 novos casos estimados por ano no Brasil, o que significa que muitos pediatras atenderão pouquíssimos casos ao longo da carreira e que a maior parte das famílias nunca ouviu falar da doença até que ela apareça em alguém próximo. Essa raridade torna o tema delicado. Como doença que pode demorar para ser detectada, no caso do retinoblastoma, o intervalo entre a primeira alteração percebida e a avaliação oftalmológica tem relevância no desfecho. Quando o tumor ainda está restrito ao olho, as taxas de cura são altas e existe chance concreta de preservar o globo ocular e alguma visão útil. Em fases mais avançadas, o tratamento se torna mais complexo e as alternativas se estreitam. O sinal mais característico é a leucocoria, um reflexo esbranquiçado na pupila que substitui o reflexo avermelhado normal. Costuma aparecer em fotografias com flash ou quando a criança olha em determinada direção sob certa iluminação, e é conhecida popularmente como “olho de gato”. A leucocoria tem várias causas possíveis, entre elas catarata congênita e outras doenças da retina, e na maioria das vezes não se trata de câncer. O que não se pode fazer é observar a alteração e esperar que ela desapareça. O segundo sinal relevante é o estrabismo, particularmente quando surge em uma criança cujos olhos eram alinhados. Alterações na visão, olho vermelho que não melhora, dor ocular e aumento do volume do olho também podem ocorrer, embora sejam manifestações mais tardias ou menos frequentes. Uma dúvida comum das famílias é como o tumor pode estar presente se a criança parece enxergar normalmente. Crianças pequenas raramente percebem ou verbalizam que a visão piorou ou que está embaçada, e quando um dos olhos está preservado vai compensar a perda, de modo que a criança continua brincando, reconhecendo pessoas e se deslocando sem dificuldade aparente. Por isso a observação dos adultos importa mais do que a queixa da criança, e qualquer mudança no aspecto da pupila ou no alinhamento dos olhos merece avaliação, mesmo que tudo o mais pareça normal. O retinoblastoma pode acometer um olho ou os dois. A maioria dos casos é unilateral, enquanto as formas bilaterais estão associadas a alterações genéticas hereditárias e tendem a se manifestar mais cedo. Quando há história familiar da doença, irmãos ou futuros filhos precisam de acompanhamento oftalmológico desde o nascimento, e o aconselhamento genético passa a fazer parte do cuidado. O tratamento é definido caso a caso, considerando tamanho e localização do tumor, estadiamento e envolvimento de um ou dos dois olhos. Existem hoje terapias locais, como laser e crioterapia, quimioterapia sistêmica, intra-arterial e intravítrea, além da braquiterapia, e a retirada do olho continua sendo necessária em parte dos casos mais avançados. A ordem de prioridades é sempre a mesma: preservar a vida da criança e, sempre que isso for possível, preservar o olho e a visão. A Sociedade de Pediatria de São Paulo aproveita este mês para reforçar uma orientação prática aos pais e pediatras. Se uma fotografia mostrar um reflexo esbranquiçado em uma das pupilas, se um olho começar a desviar ou se algo no olhar da criança parecer diferente, o encaminhamento ao oftalmologista deve ser feito urgentemente, e não na próxima consulta de rotina. Relator:Marcelo Alexandre A. CavalcantePresidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP]]>

O Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma acontece em 18 de setembro.

O retinoblastoma é um tumor maligno originado na retina que acomete sobretudo crianças nos primeiros anos de vida. É o câncer intraocular mais frequente da infância, com cerca de 400 novos casos estimados por ano no Brasil, o que significa que muitos pediatras atenderão pouquíssimos casos ao longo da carreira e que a maior parte das famílias nunca ouviu falar da doença até que ela apareça em alguém próximo.

Essa raridade torna o tema delicado. Como doença que pode demorar para ser detectada, no caso do retinoblastoma, o intervalo entre a primeira alteração percebida e a avaliação oftalmológica tem relevância no desfecho. Quando o tumor ainda está restrito ao olho, as taxas de cura são altas e existe chance concreta de preservar o globo ocular e alguma visão útil. Em fases mais avançadas, o tratamento se torna mais complexo e as alternativas se estreitam.

O sinal mais característico é a leucocoria, um reflexo esbranquiçado na pupila que substitui o reflexo avermelhado normal. Costuma aparecer em fotografias com flash ou quando a criança olha em determinada direção sob certa iluminação, e é conhecida popularmente como “olho de gato”. A leucocoria tem várias causas possíveis, entre elas catarata congênita e outras doenças da retina, e na maioria das vezes não se trata de câncer. O que não se pode fazer é observar a alteração e esperar que ela desapareça.

O segundo sinal relevante é o estrabismo, particularmente quando surge em uma criança cujos olhos eram alinhados. Alterações na visão, olho vermelho que não melhora, dor ocular e aumento do volume do olho também podem ocorrer, embora sejam manifestações mais tardias ou menos frequentes.

Uma dúvida comum das famílias é como o tumor pode estar presente se a criança parece enxergar normalmente. Crianças pequenas raramente percebem ou verbalizam que a visão piorou ou que está embaçada, e quando um dos olhos está preservado vai compensar a perda, de modo que a criança continua brincando, reconhecendo pessoas e se deslocando sem dificuldade aparente. Por isso a observação dos adultos importa mais do que a queixa da criança, e qualquer mudança no aspecto da pupila ou no alinhamento dos olhos merece avaliação, mesmo que tudo o mais pareça normal.

O retinoblastoma pode acometer um olho ou os dois. A maioria dos casos é unilateral, enquanto as formas bilaterais estão associadas a alterações genéticas hereditárias e tendem a se manifestar mais cedo. Quando há história familiar da doença, irmãos ou futuros filhos precisam de acompanhamento oftalmológico desde o nascimento, e o aconselhamento genético passa a fazer parte do cuidado.

O tratamento é definido caso a caso, considerando tamanho e localização do tumor, estadiamento e envolvimento de um ou dos dois olhos. Existem hoje terapias locais, como laser e crioterapia, quimioterapia sistêmica, intra-arterial e intravítrea, além da braquiterapia, e a retirada do olho continua sendo necessária em parte dos casos mais avançados.

A ordem de prioridades é sempre a mesma: preservar a vida da criança e, sempre que isso for possível, preservar o olho e a visão.

A Sociedade de Pediatria de São Paulo aproveita este mês para reforçar uma orientação prática aos pais e pediatras. Se uma fotografia mostrar um reflexo esbranquiçado em uma das pupilas, se um olho começar a desviar ou se algo no olhar da criança parecer diferente, o encaminhamento ao oftalmologista deve ser feito urgentemente, e não na próxima consulta de rotina.

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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Linfomas são altamente curáveis na infância https://spsp.org.br/linfomas-sao-altamente-curaveis-na-infancia/ Tue, 15 Sep 2026 14:07:54 +0000 https://spsp.org.br/?p=59023 No dia 15 de setembro é celebrado o Dia Mundial da Conscientização dos Linfomas, uns dos principais tipos de câncer na infância e sobretudo na adolescência. São doenças altamente curáveis e este texto visa chamar a atenção dos adolescentes, familiares, médicos, pediatras ou clínicos sobre os sintomas mais comuns. Os linfomas são neoplasias malignas com origem no sistema linforreticular. Este sistema é o responsável pela resposta imune, vigilância e detecção de elementos estranhos ao organismo, e está presente nos locais onde há um primeiro contato com o que ingerimos ou respiramos, como o trato gastrointestinal e as vias aéreas superiores. Está bem representado também nos linfonodos ou gânglios, estruturas que filtram o que não é desejado no organismo e produzem células de defesa, principalmente linfócitos. Os linfomas surgem quando ocorre uma mutação nos linfócitos e estes começam a se proliferar sem controle e se disseminar em outros linfonodos. Os linfonodos ou gânglios, também popularmente conhecidos como ínguas, são frequentemente palpáveis em crianças, nas regiões do pescoço, axilas e virilhas. Isto ocorre em geral em resposta a infecções de pele (couro cabeludo, mãos, pés), de boca, da faringe e do ouvido, comuns na infância. Podem ocorrer também como resposta inflamatória após a colocação de brincos e piercings em adolescentes. Os gânglios nestas situações crescem, podem ser dolorosos, apresentar vermelhidão e o paciente pode ter febre durante o processo. Uma vez encerrada a infecção ou a inflamação, os linfonodos tendem a regredir, porém podem não desaparecer. Nos linfomas, os linfonodos começam a aumentar de tamanho, e não param de crescer, formando em algumas situações blocos ganglionares. Podem ser indolores, não são necessariamente endurecidos, e em geral, não são móveis. No linfoma de Hodgkin, o câncer mais comum no adolescente, o processo se inicia na região do pescoço e se dissemina por contiguidade para as demais cadeias linfáticas: fossas supraclaviculares (conhecidas como “saboneteiras”), axilas, mediastino (espaço no centro do tórax onde existem gânglios), cavidade abdominal (em linfonodos e/ou no baço, órgão do sistema linforreticular), e região inguinal ou virilhas. Quando os gânglios crescem sem parar, são maiores de 3 cm de diâmetro, são coalescentes formando blocos e estão em locais não usuais, como fossa supraclavicular. Deve ser sempre realizada biópsia para esclarecer a causa da doença. O aumento de gânglios em mediastino pode causar dor torácica e falta de ar, e o acometimento dos linfonodos abdominais ou do baço pode causar dor e inchaço na barriga. Outros sintomas podem estar presentes, tais como febre, em geral vespertina, sudorese noturna e perda de peso. O pediatra ou clínico, frente a um paciente com estes sintomas, pode solicitar alguns exames simples e de rápida realização, tais como radiografia de tórax para avaliar o mediastino ou ultrassonografia de abdome; não deve atrasar o encaminhamento do paciente para um centro de oncologia pediátrica, visando ao diagnóstico mais preciso e início rápido de tratamento adequado. Nesses centros, exames de imagem mais acurados definem toda a extensão da doença e a biópsia de um gânglio acometido, define o tipo de câncer e suas características moleculares. A abordagem dos linfomas envolve múltiplas modalidades terapêuticas, como quimioterapia com drogas administradas em doses convencionais ou em altas doses para eliminar as células tumorais, a radioterapia nos locais acometidos, terapia-alvo contra alterações moleculares específicas e imunoterapia. O linfoma de Hodgkin é curável em cerca de 90% dos casos atualmente e os linfomas não Hodgkin, há variação de 70%-90%. A atenção aos sinais e sintomas por parte das famílias e médicos e o encaminhamento para centros especializados possibilitam essa história de sucesso na oncologia pediátrica. Relatora:Ethel F. GorenderPresidente do Departamento Científico de Oncologia da SPSP]]>

No dia 15 de setembro é celebrado o Dia Mundial da Conscientização dos Linfomas, uns dos principais tipos de câncer na infância e sobretudo na adolescência. São doenças altamente curáveis e este texto visa chamar a atenção dos adolescentes, familiares, médicos, pediatras ou clínicos sobre os sintomas mais comuns. Os linfomas são neoplasias malignas com origem no sistema linforreticular. Este sistema é o responsável pela resposta imune, vigilância e detecção de elementos estranhos ao organismo, e está presente nos locais onde há um primeiro contato com o que ingerimos ou respiramos, como o trato gastrointestinal e as vias aéreas superiores. Está bem representado também nos linfonodos ou gânglios, estruturas que filtram o que não é desejado no organismo e produzem células de defesa, principalmente linfócitos. Os linfomas surgem quando ocorre uma mutação nos linfócitos e estes começam a se proliferar sem controle e se disseminar em outros linfonodos.

Os linfonodos ou gânglios, também popularmente conhecidos como ínguas, são frequentemente palpáveis em crianças, nas regiões do pescoço, axilas e virilhas. Isto ocorre em geral em resposta a infecções de pele (couro cabeludo, mãos, pés), de boca, da faringe e do ouvido, comuns na infância. Podem ocorrer também como resposta inflamatória após a colocação de brincos e piercings em adolescentes. Os gânglios nestas situações crescem, podem ser dolorosos, apresentar vermelhidão e o paciente pode ter febre durante o processo. Uma vez encerrada a infecção ou a inflamação, os linfonodos tendem a regredir, porém podem não desaparecer.

Nos linfomas, os linfonodos começam a aumentar de tamanho, e não param de crescer, formando em algumas situações blocos ganglionares. Podem ser indolores, não são necessariamente endurecidos, e em geral, não são móveis. No linfoma de Hodgkin, o câncer mais comum no adolescente, o processo se inicia na região do pescoço e se dissemina por contiguidade para as demais cadeias linfáticas: fossas supraclaviculares (conhecidas como “saboneteiras”), axilas, mediastino (espaço no centro do tórax onde existem gânglios), cavidade abdominal (em linfonodos e/ou no baço, órgão do sistema linforreticular), e região inguinal ou virilhas. Quando os gânglios crescem sem parar, são maiores de 3 cm de diâmetro, são coalescentes formando blocos e estão em locais não usuais, como fossa supraclavicular. Deve ser sempre realizada biópsia para esclarecer a causa da doença. O aumento de gânglios em mediastino pode causar dor torácica e falta de ar, e o acometimento dos linfonodos abdominais ou do baço pode causar dor e inchaço na barriga. Outros sintomas podem estar presentes, tais como febre, em geral vespertina, sudorese noturna e perda de peso.

O pediatra ou clínico, frente a um paciente com estes sintomas, pode solicitar alguns exames simples e de rápida realização, tais como radiografia de tórax para avaliar o mediastino ou ultrassonografia de abdome; não deve atrasar o encaminhamento do paciente para um centro de oncologia pediátrica, visando ao diagnóstico mais preciso e início rápido de tratamento adequado. Nesses centros, exames de imagem mais acurados definem toda a extensão da doença e a biópsia de um gânglio acometido, define o tipo de câncer e suas características moleculares.

A abordagem dos linfomas envolve múltiplas modalidades terapêuticas, como quimioterapia com drogas administradas em doses convencionais ou em altas doses para eliminar as células tumorais, a radioterapia nos locais acometidos, terapia-alvo contra alterações moleculares específicas e imunoterapia.

O linfoma de Hodgkin é curável em cerca de 90% dos casos atualmente e os linfomas não Hodgkin, há variação de 70%-90%. A atenção aos sinais e sintomas por parte das famílias e médicos e o encaminhamento para centros especializados possibilitam essa história de sucesso na oncologia pediátrica.

Relatora:
Ethel F. Gorender
Presidente do Departamento Científico de Oncologia da SPSP

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Um chamado à escuta e à conexão https://spsp.org.br/um-chamado-a-escuta-e-a-conexao/ Thu, 10 Sep 2026 19:56:56 +0000 https://spsp.org.br/?p=58975 Dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio e assistimos, entristecidos, a um aumento de casos entre jovens. Pensando nesse cenário, é importante refletirmos tanto sobre os sinais de atenção que devemos perceber quanto a respeito das ações que possam contribuir para a transformação desse quadro atual. De partida, é fundamental esclarecer que o suicídio tem causa multifatorial. Trata-se de um fenômeno complexo que não pode ser reduzido a explicações únicas e simplistas. Diante da dor que causa tanto ao sujeito quanto a todos que fazem parte de sua vida, é um tema que exige extrema delicadeza ao ser abordado. Todo respeito ao tema, porém, não deve afastar a importância de tratarmos dele. Pensar sobre o assunto é uma tentativa de avançarmos socialmente em um diálogo que, de tão sensível, historicamente permanece entre as subnotificações de causa mortis. O que já era delicado adquiriu caráter ainda mais desafiador nos tempos atuais, ao assistirmos, nos meios digitais e redes sociais, jovens criando fóruns de compartilhamento de conteúdo que vão desde o incentivo a desafios potencialmente mortíferos até transmissões ao vivo de suicídio. Diante desse cenário sócio-histórico, refletir sobre a sua prevenção, torna-se ainda mais urgente. Existem sinais de alerta e fatores associados a um maior risco de suicídio de forma geral, como tentativas anteriores, dependência ou abuso de álcool e drogas, comportamento autolesivo, histórico de abusos e traumas e transtornos mentais. É fundamental alertar que nenhum desses sinais, isoladamente, sentencia que algo dessa ordem acontecerá; eles podem, apenas, ser tomados como sinalizadores para um maior cuidado. A adolescência é um período em que ocorrem transformações velozes e grandiosas na vida de uma pessoa, tanto do ponto de vista biológico quanto psíquico. As transformações do corpo caminham de mãos dadas com a necessidade de maturidade psíquica para lidar com o complexo mundo dos relacionamentos e com as expectativas da futura vida adulta – com todos os desafios que ela envolve: a dimensão da vida sexual, os relacionamentos interpessoais mais refinados com os pares, a escolha da futura profissão e as exigências acadêmicas. O adolescente é convidado pelo mundo a abandonar seus aspectos infantis e seguir rumo a uma jornada da qual ele ainda tem poucas respostas. Ele experimenta um luto pela criança que foi e tem diante de si indagações sobre quem será. Junto desse processo de luto e transformações, é esperado – ainda que transitoriamente – que ele experiencie oscilações de sentimentos diante do turbilhão que vive. Nesse sentido, é fundamental estarmos atentos às conexões que o jovem estabelece com várias dimensões de sua vida, observando suas interações sociais de forma geral. É preciso ir além do âmbito do rendimento escolar e estar atento também aos engajamentos em grupos sociais (sejam amigos, esportes, música ou religião). São justamente essas conexões afetivas e sociais os grandes fatores de proteção nessa etapa da vida. Durante a adolescência, a noção de pertencimento ao grupo ganha uma importância enorme. Estar engajado com seus pares e ter ideais pelos quais se sinta conectado é o que contribuirá para que o jovem se sinta amarrado ao seu futuro e aos sonhos que eleger sonhar. De outro lado, existem situações que, quando presentes, exigem um olhar mais atento. Embora façam parte do período de experimentações de qualquer adolescência, podem traduzir uma expressão de sofrimento maior: isolamento súbito ou excessivo, compulsões em geral (por comida, telas, jogos, álcool ou drogas), praticar ou sofrer bullying, colocar-se constantemente em situações de risco e transtornos alimentares. Por ser a adolescência um período tão desafiador e importante, é fundamental olhar e acolher com atenção esses sinais quando surgem, interpretando-os como oportunidades de cuidado. Um sofrimento psicológico não precisa ser agravado para que possa ser acolhido como demanda de cuidado. Criar oportunidades de escuta ativa e qualificada para as angústias e desafios dessa fase da vida, portanto, é um elemento protetor quando pensamos em prevenção ao suicídio. Quando um sujeito se sente acompanhado e compartilha suas angústias, já não está mais só. Isso, em situações-limite de grande angústia, pode fazer toda a diferença no desfecho de um período de maior sofrimento. Pensando em elementos que contribuam para a prevenção ao suicídio entre os jovens, é interessante refletir como os tempos atuais e as configurações sociais a que estamos expostos impõem um grande desafio a essa discussão. Vivemos em uma era de extrema aceleração, em que os cuidadores de crianças e adolescentes, na maioria das configurações familiares, trabalham. Quando a família se reúne no fim do dia, em geral todos estão conectados em mídias digitais, muito cansados e atarefados, e invariavelmente não compartilham vivências e angústias uns com os outros. As muitas ferramentas digitais e sociais se tornaram incontornavelmente parte da vida de todos, inclusive de crianças e adolescentes. Se a escuta do sofrimento é parte fundamental da prevenção, devemos estar atentos ao tipo de escuta que podemos ter e oferecer a eles. Buscar conexões com os filhos, nesse sentido, é elemento fundamental nessa equação. É um desafio no nosso cenário sócio-histórico, porém essencial. Essa conexão pode não ser de longas horas diárias, mas deve se traduzir em uma busca por interesse mútuo, na criação de um espaço de diálogo e de algum prazer que possam usufruir juntos. A escola também terá papel fundamental se puder proporcionar espaços de conexão e reflexão entre os adolescentes sobre seus sentimentos e desafios. Ampliar todas essas redes de apoio faz com que o jovem não fique restrito à versão única que ele eventualmente possa encontrar em interações potencialmente nocivas nas mídias digitais, como os tais fóruns de incentivo a toda sorte de crueldades e situações perigosas. Por fim, e não menos importante, é fundamental ampliarmos a discussão sobre políticas públicas que respaldem as famílias nesse cuidado e na proteção digital dos jovens, com o intuito de evitar situações de risco como as que temos assistido atualmente. É igualmente importante que as redes de atenção em saúde mental forneçam informações pertinentes sobre a prevenção ao suicídio de forma permanente, disponibilizando dados sobre os locais...]]>

Dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio e assistimos, entristecidos, a um aumento de casos entre jovens. Pensando nesse cenário, é importante refletirmos tanto sobre os sinais de atenção que devemos perceber quanto a respeito das ações que possam contribuir para a transformação desse quadro atual.

De partida, é fundamental esclarecer que o suicídio tem causa multifatorial. Trata-se de um fenômeno complexo que não pode ser reduzido a explicações únicas e simplistas. Diante da dor que causa tanto ao sujeito quanto a todos que fazem parte de sua vida, é um tema que exige extrema delicadeza ao ser abordado. Todo respeito ao tema, porém, não deve afastar a importância de tratarmos dele. Pensar sobre o assunto é uma tentativa de avançarmos socialmente em um diálogo que, de tão sensível, historicamente permanece entre as subnotificações de causa mortis.

O que já era delicado adquiriu caráter ainda mais desafiador nos tempos atuais, ao assistirmos, nos meios digitais e redes sociais, jovens criando fóruns de compartilhamento de conteúdo que vão desde o incentivo a desafios potencialmente mortíferos até transmissões ao vivo de suicídio. Diante desse cenário sócio-histórico, refletir sobre a sua prevenção, torna-se ainda mais urgente.

Existem sinais de alerta e fatores associados a um maior risco de suicídio de forma geral, como tentativas anteriores, dependência ou abuso de álcool e drogas, comportamento autolesivo, histórico de abusos e traumas e transtornos mentais. É fundamental alertar que nenhum desses sinais, isoladamente, sentencia que algo dessa ordem acontecerá; eles podem, apenas, ser tomados como sinalizadores para um maior cuidado.

A adolescência é um período em que ocorrem transformações velozes e grandiosas na vida de uma pessoa, tanto do ponto de vista biológico quanto psíquico. As transformações do corpo caminham de mãos dadas com a necessidade de maturidade psíquica para lidar com o complexo mundo dos relacionamentos e com as expectativas da futura vida adulta – com todos os desafios que ela envolve: a dimensão da vida sexual, os relacionamentos interpessoais mais refinados com os pares, a escolha da futura profissão e as exigências acadêmicas.

O adolescente é convidado pelo mundo a abandonar seus aspectos infantis e seguir rumo a uma jornada da qual ele ainda tem poucas respostas. Ele experimenta um luto pela criança que foi e tem diante de si indagações sobre quem será. Junto desse processo de luto e transformações, é esperado – ainda que transitoriamente – que ele experiencie oscilações de sentimentos diante do turbilhão que vive.

Nesse sentido, é fundamental estarmos atentos às conexões que o jovem estabelece com várias dimensões de sua vida, observando suas interações sociais de forma geral. É preciso ir além do âmbito do rendimento escolar e estar atento também aos engajamentos em grupos sociais (sejam amigos, esportes, música ou religião). São justamente essas conexões afetivas e sociais os grandes fatores de proteção nessa etapa da vida. Durante a adolescência, a noção de pertencimento ao grupo ganha uma importância enorme. Estar engajado com seus pares e ter ideais pelos quais se sinta conectado é o que contribuirá para que o jovem se sinta amarrado ao seu futuro e aos sonhos que eleger sonhar.

De outro lado, existem situações que, quando presentes, exigem um olhar mais atento. Embora façam parte do período de experimentações de qualquer adolescência, podem traduzir uma expressão de sofrimento maior: isolamento súbito ou excessivo, compulsões em geral (por comida, telas, jogos, álcool ou drogas), praticar ou sofrer bullying, colocar-se constantemente em situações de risco e transtornos alimentares.

Por ser a adolescência um período tão desafiador e importante, é fundamental olhar e acolher com atenção esses sinais quando surgem, interpretando-os como oportunidades de cuidado. Um sofrimento psicológico não precisa ser agravado para que possa ser acolhido como demanda de cuidado. Criar oportunidades de escuta ativa e qualificada para as angústias e desafios dessa fase da vida, portanto, é um elemento protetor quando pensamos em prevenção ao suicídio. Quando um sujeito se sente acompanhado e compartilha suas angústias, já não está mais só. Isso, em situações-limite de grande angústia, pode fazer toda a diferença no desfecho de um período de maior sofrimento.

Pensando em elementos que contribuam para a prevenção ao suicídio entre os jovens, é interessante refletir como os tempos atuais e as configurações sociais a que estamos expostos impõem um grande desafio a essa discussão. Vivemos em uma era de extrema aceleração, em que os cuidadores de crianças e adolescentes, na maioria das configurações familiares, trabalham. Quando a família se reúne no fim do dia, em geral todos estão conectados em mídias digitais, muito cansados e atarefados, e invariavelmente não compartilham vivências e angústias uns com os outros.

As muitas ferramentas digitais e sociais se tornaram incontornavelmente parte da vida de todos, inclusive de crianças e adolescentes. Se a escuta do sofrimento é parte fundamental da prevenção, devemos estar atentos ao tipo de escuta que podemos ter e oferecer a eles. Buscar conexões com os filhos, nesse sentido, é elemento fundamental nessa equação. É um desafio no nosso cenário sócio-histórico, porém essencial. Essa conexão pode não ser de longas horas diárias, mas deve se traduzir em uma busca por interesse mútuo, na criação de um espaço de diálogo e de algum prazer que possam usufruir juntos.

A escola também terá papel fundamental se puder proporcionar espaços de conexão e reflexão entre os adolescentes sobre seus sentimentos e desafios. Ampliar todas essas redes de apoio faz com que o jovem não fique restrito à versão única que ele eventualmente possa encontrar em interações potencialmente nocivas nas mídias digitais, como os tais fóruns de incentivo a toda sorte de crueldades e situações perigosas.

Por fim, e não menos importante, é fundamental ampliarmos a discussão sobre políticas públicas que respaldem as famílias nesse cuidado e na proteção digital dos jovens, com o intuito de evitar situações de risco como as que temos assistido atualmente. É igualmente importante que as redes de atenção em saúde mental forneçam informações pertinentes sobre a prevenção ao suicídio de forma permanente, disponibilizando dados sobre os locais disponíveis para acolhimento e escuta em situações-limite. Um jovem cercado de múltiplas referências, conexões e possibilidades de escuta terá maiores chances de ser acolhido em um eventual momento de maior desamparo.

Relatora:

Flavia Schimith Escrivão
Psicóloga e Psicanalista
Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da SPSP

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Uma data para reforçar cuidados que devem ser diários https://spsp.org.br/uma-data-para-reforcar-cuidados-que-devem-ser-diarios/ Wed, 09 Sep 2026 16:09:49 +0000 https://spsp.org.br/?p=58947 Mais uma vez somos lembrados de que os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF), entre eles a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), quadro mais grave e completo desses transtornos, podem ser totalmente prevenidos. Em nível global, no dia 9 de setembro comemora-se o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal. Os TEAF podem se manifestar em qualquer pessoa que tenha sido exposta ao álcool durante a vida intrauterina. Durante a gestação, quando uma mulher consome álcool etílico (etanol), este, por meio da placenta, chega ao embrião/feto em desenvolvimento. Essa droga lícita, presente em todas as bebidas alcoólicas, mas também em outros produtos, como diversos alimentos, é capaz de interferir na multiplicação, organização e amadurecimento de quaisquer células. Assim, pode alterar o desenvolvimento anatômico e funcional de diferentes órgãos, principalmente do cérebro, que começa a sua formação nas primeiras semanas de gravidez e só termina, muito tempo depois, já na vida extrauterina. A ação do álcool na vida intrauterina pode levar a manifestações capazes de se perpetuar por toda a vida do indivíduo acometido. Além das malformações com as quais pode nascer, uma criança com TEAF pode apresentar comprometimento de diferentes áreas do neurodesenvolvimento, como o de atenção, aprendizado, memória, comportamento, controle das emoções e de impulsos, linguagem, habilidades sociais e a realização de atividades do dia a dia. Algumas dessas dificuldades são reconhecidas apenas com o crescimento da criança e, muitas vezes, são confundidas com preguiça, desobediência ou falta de interesse. Com frequência são taxadas como sendo crianças “mal-educadas”, mas, na verdade, possuem um cérebro que funciona diferente e que, assim, precisa ser entendido, para ser ajudado. E para ser ajudado durante toda a sua vida, já que a cura não existe. Não existe um período da gestação em que se possa afirmar que o consumo de álcool é seguro. Não se conhece uma quantidade de álcool que possa ser considerada segura para o desenvolvimento do embrião/feto. Cada organismo é único e responde de maneira diferente. Não é possível prever quem será afetado ou qual será a intensidade das futuras consequências. Por isso, durante a gestação, a escolha mais segura é não consumir álcool em nenhum período, nem em nenhuma quantidade. E, na situação em que a gestante já tenha consumido álcool, a orientação deve ser a de interromper o seu consumo. A interrupção do consumo de álcool reduz a continuidade da exposição do embrião/feto e, por consequência, o risco e a severidade dessa exposição. Nenhuma mulher deveria e/ou precisa fazer isso sozinha. Apoiar uma gestante a não consumir álcool, oferecer alternativas sem álcool com naturalidade, evitar pressões sociais para o seu consumo e conversar sobre o assunto, de maneira respeitosa, são formas de prevenção que podem e devem ser exercidas pelos companheiros, familiares, amigos, profissionais de saúde e por toda a sociedade. Os profissionais de saúde, entre eles os pediatras, têm um papel fundamental. Devem perguntar sobre o consumo de álcool com respeito e acolhimento, orientar sem julgamentos e oferecer ajuda e apoio quando necessário. Como muitas gestações não são planejadas ou reconhecidas no seu início, conversar sobre álcool e saúde reprodutiva com mulheres em idade fértil é uma forma importante de cuidado da mulher e da futura criança. Uma forma indispensável para se prevenir possíveis danos que podem acompanhar uma pessoa por toda a vida. Dia 9 de setembro não é apenas uma data de conscientização. É, também, uma data para reforçar cuidados que devem ser diários: Relatora: Maria dos Anjos MesquitaVice-Presidente do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP]]>

Mais uma vez somos lembrados de que os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF), entre eles a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), quadro mais grave e completo desses transtornos, podem ser totalmente prevenidos. Em nível global, no dia 9 de setembro comemora-se o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal.

Os TEAF podem se manifestar em qualquer pessoa que tenha sido exposta ao álcool durante a vida intrauterina.

Durante a gestação, quando uma mulher consome álcool etílico (etanol), este, por meio da placenta, chega ao embrião/feto em desenvolvimento. Essa droga lícita, presente em todas as bebidas alcoólicas, mas também em outros produtos, como diversos alimentos, é capaz de interferir na multiplicação, organização e amadurecimento de quaisquer células. Assim, pode alterar o desenvolvimento anatômico e funcional de diferentes órgãos, principalmente do cérebro, que começa a sua formação nas primeiras semanas de gravidez e só termina, muito tempo depois, já na vida extrauterina.

A ação do álcool na vida intrauterina pode levar a manifestações capazes de se perpetuar por toda a vida do indivíduo acometido. Além das malformações com as quais pode nascer, uma criança com TEAF pode apresentar comprometimento de diferentes áreas do neurodesenvolvimento, como o de atenção, aprendizado, memória, comportamento, controle das emoções e de impulsos, linguagem, habilidades sociais e a realização de atividades do dia a dia. Algumas dessas dificuldades são reconhecidas apenas com o crescimento da criança e, muitas vezes, são confundidas com preguiça, desobediência ou falta de interesse. Com frequência são taxadas como sendo crianças “mal-educadas”, mas, na verdade, possuem um cérebro que funciona diferente e que, assim, precisa ser entendido, para ser ajudado. E para ser ajudado durante toda a sua vida, já que a cura não existe.

Não existe um período da gestação em que se possa afirmar que o consumo de álcool é seguro. Não se conhece uma quantidade de álcool que possa ser considerada segura para o desenvolvimento do embrião/feto. Cada organismo é único e responde de maneira diferente. Não é possível prever quem será afetado ou qual será a intensidade das futuras consequências.

Por isso, durante a gestação, a escolha mais segura é não consumir álcool em nenhum período, nem em nenhuma quantidade. E, na situação em que a gestante já tenha consumido álcool, a orientação deve ser a de interromper o seu consumo. A interrupção do consumo de álcool reduz a continuidade da exposição do embrião/feto e, por consequência, o risco e a severidade dessa exposição.

Nenhuma mulher deveria e/ou precisa fazer isso sozinha. Apoiar uma gestante a não consumir álcool, oferecer alternativas sem álcool com naturalidade, evitar pressões sociais para o seu consumo e conversar sobre o assunto, de maneira respeitosa, são formas de prevenção que podem e devem ser exercidas pelos companheiros, familiares, amigos, profissionais de saúde e por toda a sociedade.

Os profissionais de saúde, entre eles os pediatras, têm um papel fundamental. Devem perguntar sobre o consumo de álcool com respeito e acolhimento, orientar sem julgamentos e oferecer ajuda e apoio quando necessário.

Como muitas gestações não são planejadas ou reconhecidas no seu início, conversar sobre álcool e saúde reprodutiva com mulheres em idade fértil é uma forma importante de cuidado da mulher e da futura criança. Uma forma indispensável para se prevenir possíveis danos que podem acompanhar uma pessoa por toda a vida.

Dia 9 de setembro não é apenas uma data de conscientização. É, também, uma data para reforçar cuidados que devem ser diários:

  • Álcool e gestação não combinam.
  • Não existe quantidade nem momento seguro de consumo de álcool durante a gestação.
  • Informação não julga. Ela pode proteger vidas.
  • Prevenção começa antes da primeira dose. O cuidado é necessário por toda a vida.
  • Prevenir os TEAF, entre eles a SAF, é uma responsabilidade compartilhada.

Relatora:

Maria dos Anjos Mesquita
Vice-Presidente do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP

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Miopia em crianças: quando enxergar de longe começa a ficar difícil https://spsp.org.br/miopia-em-criancas-quando-enxergar-de-longe-comeca-a-ficar-dificil/ Fri, 04 Sep 2026 16:19:03 +0000 https://spsp.org.br/?p=58911 “Meu filho está apertando os olhos para enxergar a lousa.” “Ele quer assistir TV bem próximo da televisão.” “Será que prejudica passar muito tempo no celular?” Essas são dúvidas bastante comuns entre os pais. E podem indicar e ser sinais de que é hora de avaliar a visão da criança. A miopia é uma condição visual na qual a criança consegue ver bem os objetos próximos, mas tem dificuldade para enxergar os que estão mais distantes. Por isso, uma criança míope pode ler um livro ou usar o celular sem problemas, mas ter dificuldade para ver o que está escrito na lousa da escola. A miopia está se tornando cada vez mais comum entre crianças e adolescentes em várias partes do mundo. E isso merece atenção, porque quanto mais cedo a miopia aparece e quanto mais ela aumenta ao longo da infância, maior pode ser o grau no futuro. Altos graus de miopia estão associados a um maior risco de problemas oculares ao longo da vida. Como saber se uma criança está ficando míope? Nem sempre a criança vai chegar aos pais e dizer: “não estou enxergando bem”. Ela pode simplesmente achar que todo mundo enxerga daquele jeito. Por isso, alguns comportamentos podem servir de alerta: É importante lembrar que esses sinais não significam necessariamente que a criança tenha miopia. Eles apenas mostram que vale a pena avaliar a visão. E o celular? Ele causa miopia? Essa é provavelmente uma das perguntas que os pais mais fazem. A resposta não é simplesmente “sim”. O aumento do uso de celulares, tablets e computadores faz parte de uma mudança maior no estilo de vida das crianças. Hoje elas passam mais tempo dentro de casa, realizando atividades de perto (usando celular) e menos tempo brincando ao ar livre. Estudos indicam que passar pouco tempo ao ar livre é um dos fatores mais relacionados ao desenvolvimento da miopia. Atividades de perto por muito tempo, como usar o celular ou ler, também podem estar ligadas ao risco, principalmente quando feitas por longos períodos e muito perto dos olhos. Por isso, mais do que simplesmente proibir o celular, precisamos ajudar as crianças a encontrar um equilíbrio entre atividades de perto e tempo ao ar livre. Brincar ao ar livre faz bem para os olhos. Essa talvez seja uma das recomendações mais simples e importantes. Incentivar a criança a brincar, caminhar, praticar esportes ou simplesmente passar tempo ao ar livre durante o dia – a recomendação é passar entre 90 minutos a 2 horas por dia ao ar livre – pode ajudar a prevenir ou atrasar e reduzir o risco de desenvolver miopia. Não precisa ser uma atividade específica. O importante é sair de casa e passar tempo em ambientes externos, com luz natural. E se a criança já tem miopia? Nesse caso, o acompanhamento é ainda mais importante. Ter miopia não significa apenas precisar de óculos. Em algumas crianças, o grau pode aumentar rapidamente durante os anos escolares. Por isso, o acompanhamento com o oftalmologista é fundamental. Hoje existem diferentes estratégias para o controle da progressão da miopia, incluindo algumas lentes especiais para óculos, lentes de contato específicas e tratamentos medicamentosos, que serão prescritos pelo oftalmologista infantil quando indicado. Seu uso depende da idade da criança, do grau, da velocidade de progressão e de outras características individuais. Por isso, não existe uma única solução que sirva para todas as crianças. O que os pais podem fazer? Algumas atitudes simples podem fazer parte da rotina da família: •Mais tempo ao ar livre: incentive a criança a brincar e praticar atividades fora de casa, se possível todos os dias. •Pausas nas atividades de perto: durante o uso de telas, leitura ou estudos, faça pausas regulares e evite longos períodos contínuos olhando para perto.  •Distância adequada: livros, cadernos e telas não devem ficar excessivamente próximos dos olhos. •Óculos quando prescritos: se a criança precisa de correção, é importante utilizar os óculos conforme a orientação do oftalmologista. Usar óculos não faz a miopia aumentar. •Acompanhamento: crianças com miopia precisam ser acompanhadas regularmente para verificar se o grau está estável ou aumentando. Cuidar da visão é cuidar do futuro. A miopia não deve ser encarada apenas como uma questão de “colocar óculos”. Quando aparece muito cedo ou evolui rapidamente, ela merece acompanhamento porque o aumento excessivo da miopia pode elevar, no futuro, o risco de algumas doenças oculares. A boa notícia é que hoje sabemos muito mais sobre miopia do que sabíamos alguns anos atrás. E algumas medidas são simples, seguras e fazem parte de uma infância mais saudável: menos tempo em atividades de perto, mais brincadeiras ao ar livre e acompanhamento oftalmológico adequado. No fim das contas, cuidar da visão da criança para evitar a miopia é ajudar a montar uma rotina mais equilibrada, com espaço para estudar, brincar, usar a tecnologia, descansar e, claro, garantir momentos ao ar livre, longe das telas. Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS), International Myopia Institute (IMI) e Sociedade Brasileira de Pediatria. Relator:Marcelo Alexandre A. CavalcantePresidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP]]>

“Meu filho está apertando os olhos para enxergar a lousa.”

“Ele quer assistir TV bem próximo da televisão.”

“Será que prejudica passar muito tempo no celular?”

Essas são dúvidas bastante comuns entre os pais. E podem indicar e ser sinais de que é hora de avaliar a visão da criança.

A miopia é uma condição visual na qual a criança consegue ver bem os objetos próximos, mas tem dificuldade para enxergar os que estão mais distantes. Por isso, uma criança míope pode ler um livro ou usar o celular sem problemas, mas ter dificuldade para ver o que está escrito na lousa da escola.

A miopia está se tornando cada vez mais comum entre crianças e adolescentes em várias partes do mundo. E isso merece atenção, porque quanto mais cedo a miopia aparece e quanto mais ela aumenta ao longo da infância, maior pode ser o grau no futuro. Altos graus de miopia estão associados a um maior risco de problemas oculares ao longo da vida.

Como saber se uma criança está ficando míope?

Nem sempre a criança vai chegar aos pais e dizer: “não estou enxergando bem”.

Ela pode simplesmente achar que todo mundo enxerga daquele jeito.

Por isso, alguns comportamentos podem servir de alerta:

  • apertar os olhos para enxergar de longe;
  • aproximar-se muito da televisão ou de outros objetos;
  • ter dificuldade para enxergar a lousa na escola;
  • sentar cada vez mais perto da tela;
  • apresentar dores de cabeça ou cansaço visual;
  • perder o interesse por atividades que dependem da visão de longe;
  • apresentar queda no rendimento escolar.

É importante lembrar que esses sinais não significam necessariamente que a criança tenha miopia. Eles apenas mostram que vale a pena avaliar a visão.

E o celular? Ele causa miopia?

Essa é provavelmente uma das perguntas que os pais mais fazem.

A resposta não é simplesmente “sim”.

O aumento do uso de celulares, tablets e computadores faz parte de uma mudança maior no estilo de vida das crianças. Hoje elas passam mais tempo dentro de casa, realizando atividades de perto (usando celular) e menos tempo brincando ao ar livre.

Estudos indicam que passar pouco tempo ao ar livre é um dos fatores mais relacionados ao desenvolvimento da miopia. Atividades de perto por muito tempo, como usar o celular ou ler, também podem estar ligadas ao risco, principalmente quando feitas por longos períodos e muito perto dos olhos.

Por isso, mais do que simplesmente proibir o celular, precisamos ajudar as crianças a encontrar um equilíbrio entre atividades de perto e tempo ao ar livre.

Brincar ao ar livre faz bem para os olhos. Essa talvez seja uma das recomendações mais simples e importantes.

Incentivar a criança a brincar, caminhar, praticar esportes ou simplesmente passar tempo ao ar livre durante o dia – a recomendação é passar entre 90 minutos a 2 horas por dia ao ar livre – pode ajudar a prevenir ou atrasar e reduzir o risco de desenvolver miopia.

Não precisa ser uma atividade específica. O importante é sair de casa e passar tempo em ambientes externos, com luz natural.

E se a criança já tem miopia?

Nesse caso, o acompanhamento é ainda mais importante.

Ter miopia não significa apenas precisar de óculos. Em algumas crianças, o grau pode aumentar rapidamente durante os anos escolares. Por isso, o acompanhamento com o oftalmologista é fundamental.

Hoje existem diferentes estratégias para o controle da progressão da miopia, incluindo algumas lentes especiais para óculos, lentes de contato específicas e tratamentos medicamentosos, que serão prescritos pelo oftalmologista infantil quando indicado. Seu uso depende da idade da criança, do grau, da velocidade de progressão e de outras características individuais.

Por isso, não existe uma única solução que sirva para todas as crianças.

O que os pais podem fazer? Algumas atitudes simples podem fazer parte da rotina da família:

•Mais tempo ao ar livre: incentive a criança a brincar e praticar atividades fora de casa, se possível todos os dias.

•Pausas nas atividades de perto: durante o uso de telas, leitura ou estudos, faça pausas regulares e evite longos períodos contínuos olhando para perto.

 •Distância adequada: livros, cadernos e telas não devem ficar excessivamente próximos dos olhos.

•Óculos quando prescritos: se a criança precisa de correção, é importante utilizar os óculos conforme a orientação do oftalmologista. Usar óculos não faz a miopia aumentar.

•Acompanhamento: crianças com miopia precisam ser acompanhadas regularmente para verificar se o grau está estável ou aumentando.

Cuidar da visão é cuidar do futuro. A miopia não deve ser encarada apenas como uma questão de “colocar óculos”.

Quando aparece muito cedo ou evolui rapidamente, ela merece acompanhamento porque o aumento excessivo da miopia pode elevar, no futuro, o risco de algumas doenças oculares.

A boa notícia é que hoje sabemos muito mais sobre miopia do que sabíamos alguns anos atrás. E algumas medidas são simples, seguras e fazem parte de uma infância mais saudável: menos tempo em atividades de perto, mais brincadeiras ao ar livre e acompanhamento oftalmológico adequado.

No fim das contas, cuidar da visão da criança para evitar a miopia é ajudar a montar uma rotina mais equilibrada, com espaço para estudar, brincar, usar a tecnologia, descansar e, claro, garantir momentos ao ar livre, longe das telas.

Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS), International Myopia Institute (IMI) e Sociedade Brasileira de Pediatria.

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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Bets, best e bestas https://spsp.org.br/bets-best-e-bestas/ Mon, 31 Aug 2026 19:51:54 +0000 https://spsp.org.br/?p=58745 Setembro Laranja: Combate à obesidade infantil | SPSP Vocês se lembram da Lei de Gerson (Gerson de Oliveira Nunes, ex-jogador e meio-campista da Seleção Brasileira tricampeã mundial em 1970)? Era a propaganda de uma marca de cigarro, Vila Rica, que dizia algo como “levar vantagem em tudo”. A ideia original da agência de publicidade era remeter à “lei da vantagem” do futebol, sugerindo que o consumidor levava mais produto pagando menos. Com o passar dos anos, a frase foi desvinculada do produto e passou a simbolizar o “jeitinho brasileiro” de agir com malandragem para obter benefício próprio em qualquer situação. O próprio ex-jogador Gerson lamentou publicamente por décadas ter ficado associado a esse sentido negativo, a Lei de Gerson. Na mesma época, Pelé não fez propaganda de cigarro ou bebida alcoólica. O consumo de cigarros caiu muito no nosso meio e a bebida alcoólica vem diminuindo entre os adolescentes (Lenad 2023/25). Mas surgem novas atrações que seguem características semelhantes à dependência de cigarros e álcool. Na Copa do Mundo houve uma avalanche de publicidade de casas de apostas na imprensa e nas transmissões esportivas e sabemos que o resultado disso foi e será atingir a renda e a saúde mental das famílias brasileiras. O sistema de dependência de jogatina e apostas é o mesmo da dependência de álcool, cigarros e outras drogas. Pesquisas recentes já mostraram que essas plataformas geram vício e são uma das principais causas de endividamento no país. Mas Danilo Luiz, o lateral da Seleção Brasileira, contrariou os seus colegas da seleção, ao ser um dos primeiros a utilizar as redes sociais para criticar a divulgação de plataformas de apostas on-line. Filipe Luis, técnico de futebol, também recusou ofertas milionárias que ligariam sua imagem às bets. Pelé seguramente não faria propaganda de bets, pela mesma razão que não fez propaganda das drogas lícitas, álcool e tabaco. Como quase tudo no Brasil, os nossos mandatários vão permitir que a desgraça ocorra no nosso meio para depois vir com medidas protetoras ou tratamento no SUS para a dependência de jogos. Sabemos que uma vez instalada a dependência, muitos não sairão dessa vida, semelhante ao que ocorreu com o tabaco. Comemoramos 17 anos da lei de ambiente fechado livre do tabaco em São Paulo (2009) e 12 anos no Brasil (2014), e mesmo assim estamos presenciando o uso de vapes (cigarros eletrônicos), com propaganda livre na internet. O mecanismo de atrelar o cigarro e a cerveja ao esporte, assim como as bets, é “do mal”. E o setor de marketing continua insistindo nessa tecla. A propaganda de cigarro na mídia está proibida, mas a propaganda indireta continua. Mbappé, jogador francês, não conseguiu passar para a final da Copa, mas deixou uma mensagem muito bonita em vídeo: ele diz com suas próprias palavras que a Seleção Francesa estava promovendo bets e sua seleção estava inspirando muitas pessoas nesse mau caminho. Diz que muitos de nós vêm de lugares onde as bets destroem um número incalculável de pessoas e ele disse à sua equipe e à sua mãe que ele não jogaria pela Seleção. Responderam o que as pessoas pensariam dele, e ele respondeu que não se importava. Venceu! O que faz jogadores ou pessoas famosas se renderem a ofertas de dinheiro, que já possuem de sobra, para ajudar a lesar a população, principalmente os menos afortunados, tanto na área da saúde como na área financeira? Atletas não deveriam associar o uso de drogas lícitas ou ilícitas e mesmo jogos com o esporte. Termino com a frase de Charles Chaplin, que disse: “Pensamos demasiadamente e sentimos muito pouco”. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura. Gastemos um tempo com nossos filhos ou netos comentando atitudes que previnem e que não serão logo esquecidas. A esses atletas não fica a derrota de uma partida, mas fica a decência e o amor ao próximo. Relator: João Paulo Becker Lotufo Vice-Presidente do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas da SPSP]]> Setembro Laranja: Combate à obesidade infantil | SPSP

Vocês se lembram da Lei de Gerson (Gerson de Oliveira Nunes, ex-jogador e meio-campista da Seleção Brasileira tricampeã mundial em 1970)? Era a propaganda de uma marca de cigarro, Vila Rica, que dizia algo como “levar vantagem em tudo”. A ideia original da agência de publicidade era remeter à “lei da vantagem” do futebol, sugerindo que o consumidor levava mais produto pagando menos.

Com o passar dos anos, a frase foi desvinculada do produto e passou a simbolizar o “jeitinho brasileiro” de agir com malandragem para obter benefício próprio em qualquer situação. O próprio ex-jogador Gerson lamentou publicamente por décadas ter ficado associado a esse sentido negativo, a Lei de Gerson.

Na mesma época, Pelé não fez propaganda de cigarro ou bebida alcoólica. O consumo de cigarros caiu muito no nosso meio e a bebida alcoólica vem diminuindo entre os adolescentes (Lenad 2023/25). Mas surgem novas atrações que seguem características semelhantes à dependência de cigarros e álcool.

Na Copa do Mundo houve uma avalanche de publicidade de casas de apostas na imprensa e nas transmissões esportivas e sabemos que o resultado disso foi e será atingir a renda e a saúde mental das famílias brasileiras.

O sistema de dependência de jogatina e apostas é o mesmo da dependência de álcool, cigarros e outras drogas. Pesquisas recentes já mostraram que essas plataformas geram vício e são uma das principais causas de endividamento no país.

Mas Danilo Luiz, o lateral da Seleção Brasileira, contrariou os seus colegas da seleção, ao ser um dos primeiros a utilizar as redes sociais para criticar a divulgação de plataformas de apostas on-line. Filipe Luis, técnico de futebol, também recusou ofertas milionárias que ligariam sua imagem às bets. Pelé seguramente não faria propaganda de bets, pela mesma razão que não fez propaganda das drogas lícitas, álcool e tabaco.

Como quase tudo no Brasil, os nossos mandatários vão permitir que a desgraça ocorra no nosso meio para depois vir com medidas protetoras ou tratamento no SUS para a dependência de jogos. Sabemos que uma vez instalada a dependência, muitos não sairão dessa vida, semelhante ao que ocorreu com o tabaco.

Comemoramos 17 anos da lei de ambiente fechado livre do tabaco em São Paulo (2009) e 12 anos no Brasil (2014), e mesmo assim estamos presenciando o uso de vapes (cigarros eletrônicos), com propaganda livre na internet.

O mecanismo de atrelar o cigarro e a cerveja ao esporte, assim como as bets, é “do mal”. E o setor de marketing continua insistindo nessa tecla. A propaganda de cigarro na mídia está proibida, mas a propaganda indireta continua.

Mbappé, jogador francês, não conseguiu passar para a final da Copa, mas deixou uma mensagem muito bonita em vídeo: ele diz com suas próprias palavras que a Seleção Francesa estava promovendo bets e sua seleção estava inspirando muitas pessoas nesse mau caminho. Diz que muitos de nós vêm de lugares onde as bets destroem um número incalculável de pessoas e ele disse à sua equipe e à sua mãe que ele não jogaria pela Seleção. Responderam o que as pessoas pensariam dele, e ele respondeu que não se importava. Venceu!

O que faz jogadores ou pessoas famosas se renderem a ofertas de dinheiro, que já possuem de sobra, para ajudar a lesar a população, principalmente os menos afortunados, tanto na área da saúde como na área financeira? Atletas não deveriam associar o uso de drogas lícitas ou ilícitas e mesmo jogos com o esporte.

Termino com a frase de Charles Chaplin, que disse: “Pensamos demasiadamente e sentimos muito pouco”. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura.

Gastemos um tempo com nossos filhos ou netos comentando atitudes que previnem e que não serão logo esquecidas. A esses atletas não fica a derrota de uma partida, mas fica a decência e o amor ao próximo.


Relator:
João Paulo Becker Lotufo

Vice-Presidente do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas da SPSP

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Por uma geração livre de nicotina https://spsp.org.br/por-uma-geracao-livre-de-nicotina/ Fri, 28 Aug 2026 17:01:09 +0000 https://spsp.org.br/?p=58668 Quando pensamos em tabagismo, é comum lembrarmos imediatamente das doenças que podem atingir quem fuma. Mas, quando existem crianças e adolescentes por perto, a questão vai muito além: eles também podem sofrer as consequências do cigarro, mesmo sem nunca terem fumado. A fumaça do cigarro contém milhares de substâncias químicas, muitas delas tóxicas. Quando uma pessoa fuma perto de uma criança, ela respira parte dessas substâncias. É o chamado tabagismo passivo. Essa exposição está associada a maior risco respiratório, com crises de asma, infecções respiratórias, além de otites e outros agravos à saúde. Para os bebês, além de tudo, aumenta o risco da síndrome da morte súbita. Não há uma quantidade de fumaça considerada segura para uma criança. “Puxa, eu nunca fumo perto do meu filho!” Isso é muito importante, mas existe outro problema menos conhecido: o chamado tabagismo de terceira mão. Depois que o cigarro é apagado, resíduos de nicotina e de outras substâncias permanecem no ambiente, podendo se depositar nas roupas, cabelos, sofás, cortinas, tapetes, paredes e bancos dos automóveis. Crianças pequenas são particularmente vulneráveis porque engatinham, brincam no chão, colocam objetos e as próprias mãos na boca e têm contato muito próximo com os adultos. A propósito: abrir a janela, fumar em outro cômodo, ligar o ventilador ou usar spray aromatizante não transformam o ambiente em um local livre de tabaco. A recomendação mais segura é simples: casa e carro devem ser ambientes 100% livres de cigarro … e vapes.! Isso mesmo: vapes (cigarros eletrônicos). O aerossol produzido pelos dispositivos eletrônicos pode conter nicotina, partículas ultrafinas, compostos orgânicos voláteis, metais e outras substâncias potencialmente prejudiciais. Além do fato de que muitos dispositivos conseguem fornecer grandes quantidades de nicotina: aparelhos descartáveis ou recarregáveis de grande capacidade (com 10 ml a 20 ml de líquido) acumulam uma carga de nicotina equivalente a dezenas de maços de cigarro tradicional! O adolescente pode começar experimentando por curiosidade, influência dos amigos, pelos sabores atrativos ou pela ideia de que “vape não faz mal”. A nicotina chega ao cérebro em cerca de oito segundos após a tragada e gera uma sensação de prazer. Com o uso repetido, porém, pode surgir a necessidade de consumir nicotina em quantidade e frequência cada vez maior para conseguir o mesmo efeito, fenômeno conhecido como TOLERÂNCIA. A dependência química está instalada: quando o nível da substância cai no sangue, o corpo reage com irritação, ansiedade, insônia e falta de concentração, fenômenos de abstinência. A dependência de nicotina é real e parar pode ser difícil. Por isso, a conversa sobre vape não deve começar apenas quando os pais descobrem um dispositivo escondido na mochila. A prevenção deve começar antes da primeira experimentação. E lembre-se: o exemplo dos adultos também importa. O Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, não deve ser apenas uma data para falar com quem já fuma. É também uma oportunidade para falar sobre prevenção. Proteger crianças da fumaça e dos resíduos do tabaco, impedir o acesso precoce à nicotina e conversar abertamente com adolescentes sobre cigarros eletrônicos são medidas que podem ter repercussões por toda a vida. “A melhor relação de uma criança ou adolescente com a nicotina é aquela que nunca começa”. Relatora: Tania ZamataroPresidente do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSPCoordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP]]>

Quando pensamos em tabagismo, é comum lembrarmos imediatamente das doenças que podem atingir quem fuma. Mas, quando existem crianças e adolescentes por perto, a questão vai muito além: eles também podem sofrer as consequências do cigarro, mesmo sem nunca terem fumado.

A fumaça do cigarro contém milhares de substâncias químicas, muitas delas tóxicas. Quando uma pessoa fuma perto de uma criança, ela respira parte dessas substâncias. É o chamado tabagismo passivo. Essa exposição está associada a maior risco respiratório, com crises de asma, infecções respiratórias, além de otites e outros agravos à saúde. Para os bebês, além de tudo, aumenta o risco da síndrome da morte súbita.

Não há uma quantidade de fumaça considerada segura para uma criança. “Puxa, eu nunca fumo perto do meu filho!”

Isso é muito importante, mas existe outro problema menos conhecido: o chamado tabagismo de terceira mão. Depois que o cigarro é apagado, resíduos de nicotina e de outras substâncias permanecem no ambiente, podendo se depositar nas roupas, cabelos, sofás, cortinas, tapetes, paredes e bancos dos automóveis. Crianças pequenas são particularmente vulneráveis porque engatinham, brincam no chão, colocam objetos e as próprias mãos na boca e têm contato muito próximo com os adultos.

A propósito: abrir a janela, fumar em outro cômodo, ligar o ventilador ou usar spray aromatizante não transformam o ambiente em um local livre de tabaco.

A recomendação mais segura é simples: casa e carro devem ser ambientes 100% livres de cigarro … e vapes.!

Isso mesmo: vapes (cigarros eletrônicos). O aerossol produzido pelos dispositivos eletrônicos pode conter nicotina, partículas ultrafinas, compostos orgânicos voláteis, metais e outras substâncias potencialmente prejudiciais. Além do fato de que muitos dispositivos conseguem fornecer grandes quantidades de nicotina: aparelhos descartáveis ou recarregáveis de grande capacidade (com 10 ml a 20 ml de líquido) acumulam uma carga de nicotina equivalente a dezenas de maços de cigarro tradicional!

O adolescente pode começar experimentando por curiosidade, influência dos amigos, pelos sabores atrativos ou pela ideia de que “vape não faz mal”. A nicotina chega ao cérebro em cerca de oito segundos após a tragada e gera uma sensação de prazer. Com o uso repetido, porém, pode surgir a necessidade de consumir nicotina em quantidade e frequência cada vez maior para conseguir o mesmo efeito, fenômeno conhecido como TOLERÂNCIA. A dependência química está instalada: quando o nível da substância cai no sangue, o corpo reage com irritação, ansiedade, insônia e falta de concentração, fenômenos de abstinência.

A dependência de nicotina é real e parar pode ser difícil. Por isso, a conversa sobre vape não deve começar apenas quando os pais descobrem um dispositivo escondido na mochila. A prevenção deve começar antes da primeira experimentação.

E lembre-se: o exemplo dos adultos também importa.

O Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, não deve ser apenas uma data para falar com quem já fuma. É também uma oportunidade para falar sobre prevenção.

Proteger crianças da fumaça e dos resíduos do tabaco, impedir o acesso precoce à nicotina e conversar abertamente com adolescentes sobre cigarros eletrônicos são medidas que podem ter repercussões por toda a vida.

A melhor relação de uma criança ou adolescente com a nicotina é aquela que nunca começa”.

Relatora:

Tania Zamataro
Presidente do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Educação é direito e cuidado https://spsp.org.br/educacao-e-direito-e-cuidado/ Tue, 25 Aug 2026 17:37:53 +0000 https://spsp.org.br/?p=58538 Celebrar o Dia Nacional da Educação Infantil, em 25 de agosto, é lembrar que educar não significa apenas transmitir conteúdos. Desde os primeiros anos de vida, educação é cuidado, vínculo, estímulo à curiosidade e oportunidade de desenvolver capacidades físicas, emocionais, sociais e cognitivas. A educação infantil, prevista na Lei de Diretrizes e Bases, deve promover o desenvolvimento integral da criança, em parceria com a família e a comunidade.1 O Brasil tem uma rede ampla e diversa. O Censo Escolar 2025 registrou 46 milhões de matrículas na educação básica, sendo 9,2 milhões na educação infantil e 25,8 milhões no ensino fundamental. Também contabilizou 2,5 milhões de matrículas na educação especial. Esses números revelam avanços, mas não garantem, sozinhos, uma experiência educacional de qualidade. Persistem diferenças importantes entre regiões, cidades, áreas urbanas e rurais, redes públicas e privadas e grupos definidos por renda, raça, deficiência e condições de moradia.2 Na infância, os desafios se tornam ainda mais complexos. Professores e profissionais de saúde acompanham crianças com diferentes ritmos de aprendizagem e transtornos do desenvolvimento, como autismo, deficiência intelectual, TDAH e dificuldades de linguagem. Identificar sinais precocemente é importante, mas não devemos transformar toda diferença em doença. O caminho é observar, escutar a família, avaliar com cuidado e construir, com a escola, estratégias individualizadas de apoio e inclusão. A criança precisa de recursos e oportunidades, não de rótulos que limitem seu futuro. Outro desafio atual é o uso excessivo de telas. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda evitar telas até os dois anos e, dos dois aos cinco, limitar seu uso a até uma hora diária, sempre com a presença de um adulto. Mais importante que contar minutos é proteger o sono, as refeições, o movimento, a leitura, o brincar e a convivência olho no olho. A escola também pode estabelecer regras claras, formar educadores e orientar as famílias, sem culpar quem enfrenta rotinas exaustivas ou falta de espaços seguros para brincar.3 Solucionar esses problemas exige investimento contínuo em creches e escolas, valorização e formação dos professores, equipes multiprofissionais, acessibilidade, transporte, alimentação e políticas que reduzam a pobreza. Exige ainda aproximar pediatras, educadores e famílias, compartilhando observações e responsabilidades. Educação de qualidade não é privilégio nem tarefa isolada: é uma construção coletiva e um compromisso com a saúde, a autonomia e a cidadania. Defender esse direito é oferecer a cada criança a possibilidade real de aprender, participar e florescer. Saiba mais: Relator:Fausto Flor CarvalhoVice-Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da SPSP Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP]]>

Celebrar o Dia Nacional da Educação Infantil, em 25 de agosto, é lembrar que educar não significa apenas transmitir conteúdos. Desde os primeiros anos de vida, educação é cuidado, vínculo, estímulo à curiosidade e oportunidade de desenvolver capacidades físicas, emocionais, sociais e cognitivas. A educação infantil, prevista na Lei de Diretrizes e Bases, deve promover o desenvolvimento integral da criança, em parceria com a família e a comunidade.1

O Brasil tem uma rede ampla e diversa. O Censo Escolar 2025 registrou 46 milhões de matrículas na educação básica, sendo 9,2 milhões na educação infantil e 25,8 milhões no ensino fundamental. Também contabilizou 2,5 milhões de matrículas na educação especial. Esses números revelam avanços, mas não garantem, sozinhos, uma experiência educacional de qualidade. Persistem diferenças importantes entre regiões, cidades, áreas urbanas e rurais, redes públicas e privadas e grupos definidos por renda, raça, deficiência e condições de moradia.2

Na infância, os desafios se tornam ainda mais complexos. Professores e profissionais de saúde acompanham crianças com diferentes ritmos de aprendizagem e transtornos do desenvolvimento, como autismo, deficiência intelectual, TDAH e dificuldades de linguagem. Identificar sinais precocemente é importante, mas não devemos transformar toda diferença em doença. O caminho é observar, escutar a família, avaliar com cuidado e construir, com a escola, estratégias individualizadas de apoio e inclusão. A criança precisa de recursos e oportunidades, não de rótulos que limitem seu futuro.

Outro desafio atual é o uso excessivo de telas. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda evitar telas até os dois anos e, dos dois aos cinco, limitar seu uso a até uma hora diária, sempre com a presença de um adulto. Mais importante que contar minutos é proteger o sono, as refeições, o movimento, a leitura, o brincar e a convivência olho no olho. A escola também pode estabelecer regras claras, formar educadores e orientar as famílias, sem culpar quem enfrenta rotinas exaustivas ou falta de espaços seguros para brincar.3

Solucionar esses problemas exige investimento contínuo em creches e escolas, valorização e formação dos professores, equipes multiprofissionais, acessibilidade, transporte, alimentação e políticas que reduzam a pobreza. Exige ainda aproximar pediatras, educadores e famílias, compartilhando observações e responsabilidades. Educação de qualidade não é privilégio nem tarefa isolada: é uma construção coletiva e um compromisso com a saúde, a autonomia e a cidadania. Defender esse direito é oferecer a cada criança a possibilidade real de aprender, participar e florescer.

Saiba mais:

  1. [gov](https://www.gov.br/inep/pt-br/centrais-de-conteudo/noticias/saeb/dia-nacional-da-educacao-infantil-e-celebrado-nesta-segunda-25)
  2. [gov](https://www.gov.br/inep/pt-br/centrais-de-conteudo/noticias/censo-escolar/conheca-o-perfil-dos-46-milhoes-de-estudantes-da-educacao-basica-no-dia-do-estudante/)
  3. [sbp.com](https://www.sbp.com.br/nova-lei-sobre-protecao-digital-reforca-recomendacoes-da-sbp-para-a-primeira-infancia/)

Relator:
Fausto Flor Carvalho
Vice-Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da SPSP Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Orientações para crianças com Gastrostomia https://spsp.org.br/orientacoes-para-criancas-com-gastrostomia/ Fri, 21 Aug 2026 18:36:06 +0000 https://spsp.org.br/?p=58489 Introdução Estas orientações foram elaboradas para apoiar mães e cuidadores de crianças que necessitam de gastrostomia. O objetivo é explicar de forma simples o que são esses procedimentos, por que são indicados, quais os cuidados necessários no dia a dia e quais complicações podem ocorrer. O que é a Gastrostomia? A gastrostomia é um procedimento em que se coloca uma sonda ou botão no estômago, por meio de um pequeno orifício no abdome, permitindo alimentação e medicação diretamente. ● Indicações principais: o Dificuldade de engolir (disfagia) ou risco de aspiração. o Necessidade de nutrição especial por tempo prolongado. o Falha no ganho de peso com alimentação oral. Cuidados diários ● Higiene: limpar ao redor do botão/sonda com água e sabão neutro diariamente, ou soro fisiológico, e secando a pele posteriormente. Você pode manter uma gaze ao redor da gastrostomia que deverá ser trocada sempre que houver umidade ou sujidade. ● Protetor cutâneo: pode ser usado protetor cutâneo spray para promover a proteção da pele ao redor da gastrostomia (por exemplo o Cavilon® ou similares) ● Administração da dieta: sempre devagar, conforme prescrição, evitando refluxo. ● Posição: manter a criança semideitada (cabeceira elevada) durante e após a alimentação. ● Manutenção do dispositivo: trocar sondas ou botões no prazo recomendado pela equipe de saúde. O extensor da gastrostomia deve ser higienizado sempre antes e após as refeições. No caso de botton, a extensão deve ser limpa sempre com água morna e detergente para retirar os resíduos. Após a limpeza, deve-se injetar ar para secar a parte interna do tubo. Preparação antes da alimentação ou medicação ● Higiene das mãos: lave bem as mãos antes de manusear a sonda/botão e os utensílios. ● Ambiente limpo e tranquilo: evite correria e distrações. ● Na administração de dieta, checar a posição da criança: mantenha-a semissentada (cabeceira elevada a 30–45°), tanto durante como por pelo menos 30 minutos após a dieta, para prevenir refluxo e engasgos. ● Ao final da dieta e medicação: SEMPRE fazer um flush (lavagem) com 10–20 ml de água filtrada ou fervida, para evitar entupimento. ● Verificar o dispositivo: observe se não há vermelhidão, vazamento, secreção ou dor no local. Tipos de dieta ● Dieta industrializada enteral: fórmulas prontas, balanceadas, prescritas pelo nutricionista. ● Dieta caseira liquidificada/peneirada: alimentos naturais preparados em casa, desde que bem processados e coados, seguindo orientação profissional. ● Hidratação: pode ser necessário oferecer água ou soro entre as dietas, conforme prescrição. Formas de administração Existem duas principais maneiras: a) Bolus (seringa ou gravidade) ● Coloca-se a dieta em uma seringa grande (sem êmbolo) ou frasco e deixa-se escorrer lentamente por gravidade. ● O tempo médio deve ser de 15 a 30 minutos. ● Nunca empurrar a dieta com força — isso pode causar refluxo, vômito e desconforto. b) Infusão contínua (bomba de infusão) ● A dieta é administrada lentamente por várias horas através de bomba ou equipo de gotejamento. ● Geralmente indicada para crianças que não toleram bolus ou têm refluxo grave. Cuidados durante e após a alimentação ● Observar sinais de desconforto: tosse, engasgos, distensão abdominal, vômitos. ● Nunca deitar a criança imediatamente após a dieta. ● Manter rotina de horários regulares, conforme orientação do nutricionista. ● Administrar medicações somente com orientação médica e sempre lavando a sonda antes e depois. Possíveis complicações ● Vômitos/ Refluxo gastroesofágico: pode ser excesso de volume ou dieta rápida demais. ● Entupimento da sonda: geralmente por dieta grossa ou falta de lavagem com água. ● Vazamento no local: pode indicar problema de posicionamento do botão. ● Dor abdominal: deve ser avaliada pelo médico. ● Infecção ou vermelhidão no local. ● Granulação ao redor do orifício. Quando procurar ajuda médica imediata o Vermelhidão intensa, pus ou sangramento. o Febre sem causa aparente. o Vômitos frequentes ou dor abdominal forte. o Rompimento do balão da sonda/botton o Saída acidental do dispositivo com dificuldade ou impossibilidade de recolocar a mesma sonda/botton. *A imagem de ilustração, publicada antes do texto, foi desenhada por IA (ChatGPT) Relatora:Monica Yukie KagoharaMembro do Departamento Científico de Atenção Domiciliar da SPSP]]>

Introdução

Estas orientações foram elaboradas para apoiar mães e cuidadores de crianças que necessitam de gastrostomia. O objetivo é explicar de forma simples o que são esses procedimentos, por que são indicados, quais os cuidados necessários no dia a dia e quais complicações podem ocorrer.

O que é a Gastrostomia?

A gastrostomia é um procedimento em que se coloca uma sonda ou botão no estômago, por meio de um pequeno orifício no abdome, permitindo alimentação e medicação diretamente.

● Indicações principais:

o Dificuldade de engolir (disfagia) ou risco de aspiração.

o Necessidade de nutrição especial por tempo prolongado.

o Falha no ganho de peso com alimentação oral.

Cuidados diários

● Higiene: limpar ao redor do botão/sonda com água e sabão neutro diariamente, ou soro fisiológico, e secando a pele posteriormente. Você pode manter uma gaze ao redor da gastrostomia que deverá ser trocada sempre que houver umidade ou sujidade.

● Protetor cutâneo: pode ser usado protetor cutâneo spray para promover a proteção da pele ao redor da gastrostomia (por exemplo o Cavilon® ou similares)

● Administração da dieta: sempre devagar, conforme prescrição, evitando refluxo.

● Posição: manter a criança semideitada (cabeceira elevada) durante e após a alimentação.

● Manutenção do dispositivo: trocar sondas ou botões no prazo recomendado pela equipe de saúde. O extensor da gastrostomia deve ser higienizado sempre antes e após as refeições. No caso de botton, a extensão deve ser limpa sempre com água morna e detergente para retirar os resíduos. Após a limpeza, deve-se injetar ar para secar a parte interna do tubo.

Preparação antes da alimentação ou medicação

● Higiene das mãos: lave bem as mãos antes de manusear a sonda/botão e os utensílios.

● Ambiente limpo e tranquilo: evite correria e distrações.

● Na administração de dieta, checar a posição da criança: mantenha-a semissentada (cabeceira elevada a 30–45°), tanto durante como por pelo menos 30 minutos após a dieta, para prevenir refluxo e engasgos.

● Ao final da dieta e medicação: SEMPRE fazer um flush (lavagem) com 10–20 ml de água filtrada ou fervida, para evitar entupimento.

● Verificar o dispositivo: observe se não há vermelhidão, vazamento, secreção ou dor no local.

Tipos de dieta

● Dieta industrializada enteral: fórmulas prontas, balanceadas, prescritas pelo nutricionista.

● Dieta caseira liquidificada/peneirada: alimentos naturais preparados em casa, desde que bem processados e coados, seguindo orientação profissional.

● Hidratação: pode ser necessário oferecer água ou soro entre as dietas, conforme prescrição.

Formas de administração

Existem duas principais maneiras:

a) Bolus (seringa ou gravidade)

● Coloca-se a dieta em uma seringa grande (sem êmbolo) ou frasco e deixa-se escorrer lentamente por gravidade.

● O tempo médio deve ser de 15 a 30 minutos.

● Nunca empurrar a dieta com força — isso pode causar refluxo, vômito e desconforto.

b) Infusão contínua (bomba de infusão)

● A dieta é administrada lentamente por várias horas através de bomba ou equipo de gotejamento.

● Geralmente indicada para crianças que não toleram bolus ou têm refluxo grave.

Cuidados durante e após a alimentação

● Observar sinais de desconforto: tosse, engasgos, distensão abdominal, vômitos.

● Nunca deitar a criança imediatamente após a dieta.

● Manter rotina de horários regulares, conforme orientação do nutricionista.

● Administrar medicações somente com orientação médica e sempre lavando a sonda antes e depois.

Possíveis complicações

● Vômitos/ Refluxo gastroesofágico: pode ser excesso de volume ou dieta rápida demais.

● Entupimento da sonda: geralmente por dieta grossa ou falta de lavagem com água.

● Vazamento no local: pode indicar problema de posicionamento do botão.

● Dor abdominal: deve ser avaliada pelo médico.

● Infecção ou vermelhidão no local.

● Granulação ao redor do orifício.

Quando procurar ajuda médica imediata

o Vermelhidão intensa, pus ou sangramento.

o Febre sem causa aparente.

o Vômitos frequentes ou dor abdominal forte.

o Rompimento do balão da sonda/botton

o Saída acidental do dispositivo com dificuldade ou impossibilidade de recolocar a mesma sonda/botton.

*A imagem de ilustração, publicada antes do texto, foi desenhada por IA (ChatGPT)


Relatora:
Monica Yukie Kagohara
Membro do Departamento Científico de Atenção Domiciliar da SPSP

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Orientações para crianças com Traqueostomia https://spsp.org.br/orientacoes-para-criancas-com-traqueostomia/ Tue, 18 Aug 2026 18:52:41 +0000 https://spsp.org.br/?p=58393 O que é a Traqueostomia? A traqueostomia é um procedimento cirúrgico no qual é feito um orifício na traqueia (pescoço), permitindo a entrada e saída de ar diretamente pelos pulmões. Como são as cânulas de traqueostomia? Atualmente existem diferentes marcas e tipos de materiais, com ou sem balonete (também chamado de cuff) Indicações principais: Cuidados Diários ● Higiene: manter o local limpo e seco, trocando as fitas de fixação sempre que estiverem úmidas ou sujas. Pode-se utilizar gaze ou espuma de proteção. ● Aspirar secreções sempre que houver chiado, tosse sem expulsão da secreção ou dificuldade para respirar. ● Banho: atenção para não deixar entrar água ou outros produtos. Passe água com sabonete ou xampu neutro na cabeça (pode virar a cabeça para trás) e na região cervical, limpe com suas mãos a região ao redor da cânula. FIQUE tranquilo, pois o pouco de água que possa entrar ao redor da cânula não causará problemas, no máximo alguma tosse ● Troca da cânula: deve ser feita de acordo com a orientação médica. ● Atenção: nunca deixar a criança sem supervisão. Passo a passo da aspiração traqueal 1. Higienização das mãos 2. Preparar o material 3. Posicionar o paciente 4. Colocar luvas 5. Introduzir a sonda 6. Realizar a aspiração 7. Repetir (se necessário) 8. Finalização Cuidados importantes ● Não aspirar por tempo prolongado → pode causar falta de ar e lesão na mucosa. ● Não usar pressão de sucção muito alta. ● Evitar aspiração muito frequente sem necessidade (apenas quando houver secreção visível ou sinais de obstrução). ● Observar sinais de desconforto: queda de saturação, batimento acelerado, coloração arroxeada, tosse intensa. ● A aspiração traqueal deve ser feita com técnica limpa, calma e rápida, sempre observando os sinais do paciente. Possíveis Complicações ● Perfuração do cuff ou quebra da cânula – ocorrem principalmente em crianças mais agitadas e que se movimentam muito, principalmente quando acopladas em ventilação mecânica. ● Obstrução da cânula – geralmente ocorre por secreções. Neste caso você pode prevenir realizando a umidificação no circuito da ventilação ou nebulização/inalação com soro fisiológico. ● Infecções locais – atenção à vermelhidão e secreção ao redor da traqueostomia. ● Sangramento – pode acontecer durante aspiração traqueal por trauma. ● Granulações – são pequenos tecidos ao redor do orifício. ● Deslocamento ou perda acidental da cânula – essa é a maior preocupação dos pais e da equipe, pois, dependendo do caso, pode colocar em risco a vida da criança. Atenção à fixação frouxa e à movimentação excessiva da criança. ● Quando Procurar Ajuda Médica Imediata  Lembrando que… 1- A Traqueostomia por si só não impede a realização de estimulação motora. 2- É possível comer pela boca mesmo com traqueostomia, desde que não exista comprometimento da deglutição e haja avaliação e liberação da equipe de saúde (fonoaudiólogo, médico). 3- É possível falar com traqueostomia, e isso pode ser feito de forma espontânea (tampando o orifício com o dedo, em alguns casos) ou com dispositivos especiais como Válvula de fala (ex.: Passy-Muir) ou tampas específicas de traqueostomia (cap de fala). É fundamental ter avaliação de fonoaudiólogo e médico antes de iniciar o treino de voz. 4- Crianças podem e devem brincar como qualquer outra criança: sempre com um adulto por perto para evitar que outras crianças possam puxar a cânula ou que a traqueostomia possa se prender em algum brinquedo. Apoio às Mães e Famílias A traqueostomia é um procedimento que pode melhorar muito a qualidade de vida da criança, garantindo respiração segura. Com informação, prática e apoio profissional, as mães podem cuidar com segurança, prevenindo complicações e proporcionando bem-estar aos filhos. *A imagem de ilustração, publicada antes do texto, foi desenhada por IA (ChatGPT) Relatora: Monica Yukie Kagohara Membro do Departamento Científico de Atenção Domiciliar da SPSP]]>

O que é a Traqueostomia?

A traqueostomia é um procedimento cirúrgico no qual é feito um orifício na traqueia (pescoço), permitindo a entrada e saída de ar diretamente pelos pulmões.

Como são as cânulas de traqueostomia?

Atualmente existem diferentes marcas e tipos de materiais, com ou sem balonete (também chamado de cuff)

Indicações principais:

  • Obstruções das vias aéreas superiores (ex.: malformações, tumores, estreitamentos).
  • Crianças que necessitam de ventilação mecânica prolongada.
  • Síndromes genéticas, doenças neurológicas ou musculares que dificultam a respiração.

Cuidados Diários

● Higiene: manter o local limpo e seco, trocando as fitas de fixação sempre que estiverem úmidas ou sujas. Pode-se utilizar gaze ou espuma de proteção.

● Aspirar secreções sempre que houver chiado, tosse sem expulsão da secreção ou dificuldade para respirar.

● Banho: atenção para não deixar entrar água ou outros produtos. Passe água com sabonete ou xampu neutro na cabeça (pode virar a cabeça para trás) e na região cervical, limpe com suas mãos a região ao redor da cânula. FIQUE tranquilo, pois o pouco de água que possa entrar ao redor da cânula não causará problemas, no máximo alguma tosse

● Troca da cânula: deve ser feita de acordo com a orientação médica.

● Atenção: nunca deixar a criança sem supervisão.

Passo a passo da aspiração traqueal

1. Higienização das mãos

  • Lavar bem com água e sabão ou usar álcool gel 70%.

2. Preparar o material

  • Colocar a sonda no aspirador.

3. Posicionar o paciente

  • Cabeça levemente inclinada para trás.
  • Se acamado, elevar a cabeceira a 30–45°.

4. Colocar luvas

  • Usar técnica limpa ou estéril, dependendo da orientação médica.

5. Introduzir a sonda

  • Sem aspirar, introduzir a sonda suavemente pela cânula até encontrar resistência leve ou o paciente tossir.
  • Nunca forçar a sonda.

6. Realizar a aspiração

  • Iniciar a sucção enquanto retira a sonda, fazendo movimentos circulares.
  • Tempo máximo de aspiração: 10–15 segundos.
  • Deixar o paciente descansar entre uma aspiração e outra (oxigenar, se necessário).

7. Repetir (se necessário)

  • Se ainda houver secreção, repetir o procedimento após alguns segundos de pausa.

8. Finalização

  • Lavar a sonda com soro fisiológico se for reutilizável no mesmo  procedimento.
  • Descartar materiais conforme normas de biossegurança.
  • Higienizar as mãos novamente.

Cuidados importantes

● Não aspirar por tempo prolongado → pode causar falta de ar e lesão na mucosa.

● Não usar pressão de sucção muito alta.

● Evitar aspiração muito frequente sem necessidade (apenas quando houver secreção visível ou sinais de obstrução).

● Observar sinais de desconforto: queda de saturação, batimento acelerado, coloração arroxeada, tosse intensa.

● A aspiração traqueal deve ser feita com técnica limpa, calma e rápida, sempre observando os sinais do paciente.

Possíveis Complicações

● Perfuração do cuff ou quebra da cânula – ocorrem principalmente em crianças mais agitadas e que se movimentam muito, principalmente quando acopladas em ventilação mecânica.

● Obstrução da cânula – geralmente ocorre por secreções. Neste caso você pode prevenir realizando a umidificação no circuito da ventilação ou nebulização/inalação com soro fisiológico.

● Infecções locais – atenção à vermelhidão e secreção ao redor da traqueostomia.

● Sangramento – pode acontecer durante aspiração traqueal por trauma.

● Granulações – são pequenos tecidos ao redor do orifício.

● Deslocamento ou perda acidental da cânula – essa é a maior preocupação dos pais e da equipe, pois, dependendo do caso, pode colocar em risco a vida da criança. Atenção à fixação frouxa e à movimentação excessiva da criança.

● Quando Procurar Ajuda Médica Imediata

  • Dificuldade para respirar mesmo após aspiração.
  • Cânula que saiu ou entupiu e não pode ser substituída.
  • Sangramento intenso.

 Lembrando que…

1- A Traqueostomia por si só não impede a realização de estimulação motora.

2- É possível comer pela boca mesmo com traqueostomia, desde que não exista comprometimento da deglutição e haja avaliação e liberação da equipe de saúde (fonoaudiólogo, médico).

3- É possível falar com traqueostomia, e isso pode ser feito de forma espontânea (tampando o orifício com o dedo, em alguns casos) ou com dispositivos especiais como Válvula de fala (ex.: Passy-Muir) ou tampas específicas de traqueostomia (cap de fala). É fundamental ter avaliação de fonoaudiólogo e médico antes de iniciar o treino de voz.

4- Crianças podem e devem brincar como qualquer outra criança: sempre com um adulto por perto para evitar que outras crianças possam puxar a cânula ou que a traqueostomia possa se prender em algum brinquedo.

Apoio às Mães e Famílias

  • Sempre mantenha contato com a equipe multiprofissional (pediatra, cirurgião, fonoaudiólogo, nutricionista e enfermagem).
  • Participe de treinamentos sobre manuseio da traqueostomia.
  • Não hesite em pedir apoio emocional e psicológico, pois o cuidado é intenso e pode gerar sobrecarga.

A traqueostomia é um procedimento que pode melhorar muito a qualidade de vida da criança, garantindo respiração segura. Com informação, prática e apoio profissional, as mães podem cuidar com segurança, prevenindo complicações e proporcionando bem-estar aos filhos.

*A imagem de ilustração, publicada antes do texto, foi desenhada por IA (ChatGPT)

Relatora:

Monica Yukie Kagohara

Membro do Departamento Científico de Atenção Domiciliar da SPSP

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