Diversos – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 15 Sep 2026 16:39:23 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Diversos – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Uma data para reforçar cuidados que devem ser diários https://spsp.org.br/uma-data-para-reforcar-cuidados-que-devem-ser-diarios/ Wed, 09 Sep 2026 16:09:49 +0000 https://spsp.org.br/?p=58947 Mais uma vez somos lembrados de que os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF), entre eles a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), quadro mais grave e completo desses transtornos, podem ser totalmente prevenidos. Em nível global, no dia 9 de setembro comemora-se o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal. Os TEAF podem se manifestar em qualquer pessoa que tenha sido exposta ao álcool durante a vida intrauterina. Durante a gestação, quando uma mulher consome álcool etílico (etanol), este, por meio da placenta, chega ao embrião/feto em desenvolvimento. Essa droga lícita, presente em todas as bebidas alcoólicas, mas também em outros produtos, como diversos alimentos, é capaz de interferir na multiplicação, organização e amadurecimento de quaisquer células. Assim, pode alterar o desenvolvimento anatômico e funcional de diferentes órgãos, principalmente do cérebro, que começa a sua formação nas primeiras semanas de gravidez e só termina, muito tempo depois, já na vida extrauterina. A ação do álcool na vida intrauterina pode levar a manifestações capazes de se perpetuar por toda a vida do indivíduo acometido. Além das malformações com as quais pode nascer, uma criança com TEAF pode apresentar comprometimento de diferentes áreas do neurodesenvolvimento, como o de atenção, aprendizado, memória, comportamento, controle das emoções e de impulsos, linguagem, habilidades sociais e a realização de atividades do dia a dia. Algumas dessas dificuldades são reconhecidas apenas com o crescimento da criança e, muitas vezes, são confundidas com preguiça, desobediência ou falta de interesse. Com frequência são taxadas como sendo crianças “mal-educadas”, mas, na verdade, possuem um cérebro que funciona diferente e que, assim, precisa ser entendido, para ser ajudado. E para ser ajudado durante toda a sua vida, já que a cura não existe. Não existe um período da gestação em que se possa afirmar que o consumo de álcool é seguro. Não se conhece uma quantidade de álcool que possa ser considerada segura para o desenvolvimento do embrião/feto. Cada organismo é único e responde de maneira diferente. Não é possível prever quem será afetado ou qual será a intensidade das futuras consequências. Por isso, durante a gestação, a escolha mais segura é não consumir álcool em nenhum período, nem em nenhuma quantidade. E, na situação em que a gestante já tenha consumido álcool, a orientação deve ser a de interromper o seu consumo. A interrupção do consumo de álcool reduz a continuidade da exposição do embrião/feto e, por consequência, o risco e a severidade dessa exposição. Nenhuma mulher deveria e/ou precisa fazer isso sozinha. Apoiar uma gestante a não consumir álcool, oferecer alternativas sem álcool com naturalidade, evitar pressões sociais para o seu consumo e conversar sobre o assunto, de maneira respeitosa, são formas de prevenção que podem e devem ser exercidas pelos companheiros, familiares, amigos, profissionais de saúde e por toda a sociedade. Os profissionais de saúde, entre eles os pediatras, têm um papel fundamental. Devem perguntar sobre o consumo de álcool com respeito e acolhimento, orientar sem julgamentos e oferecer ajuda e apoio quando necessário. Como muitas gestações não são planejadas ou reconhecidas no seu início, conversar sobre álcool e saúde reprodutiva com mulheres em idade fértil é uma forma importante de cuidado da mulher e da futura criança. Uma forma indispensável para se prevenir possíveis danos que podem acompanhar uma pessoa por toda a vida. Dia 9 de setembro não é apenas uma data de conscientização. É, também, uma data para reforçar cuidados que devem ser diários: Relatora: Maria dos Anjos MesquitaVice-Presidente do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP]]>

Mais uma vez somos lembrados de que os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF), entre eles a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), quadro mais grave e completo desses transtornos, podem ser totalmente prevenidos. Em nível global, no dia 9 de setembro comemora-se o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal.

Os TEAF podem se manifestar em qualquer pessoa que tenha sido exposta ao álcool durante a vida intrauterina.

Durante a gestação, quando uma mulher consome álcool etílico (etanol), este, por meio da placenta, chega ao embrião/feto em desenvolvimento. Essa droga lícita, presente em todas as bebidas alcoólicas, mas também em outros produtos, como diversos alimentos, é capaz de interferir na multiplicação, organização e amadurecimento de quaisquer células. Assim, pode alterar o desenvolvimento anatômico e funcional de diferentes órgãos, principalmente do cérebro, que começa a sua formação nas primeiras semanas de gravidez e só termina, muito tempo depois, já na vida extrauterina.

A ação do álcool na vida intrauterina pode levar a manifestações capazes de se perpetuar por toda a vida do indivíduo acometido. Além das malformações com as quais pode nascer, uma criança com TEAF pode apresentar comprometimento de diferentes áreas do neurodesenvolvimento, como o de atenção, aprendizado, memória, comportamento, controle das emoções e de impulsos, linguagem, habilidades sociais e a realização de atividades do dia a dia. Algumas dessas dificuldades são reconhecidas apenas com o crescimento da criança e, muitas vezes, são confundidas com preguiça, desobediência ou falta de interesse. Com frequência são taxadas como sendo crianças “mal-educadas”, mas, na verdade, possuem um cérebro que funciona diferente e que, assim, precisa ser entendido, para ser ajudado. E para ser ajudado durante toda a sua vida, já que a cura não existe.

Não existe um período da gestação em que se possa afirmar que o consumo de álcool é seguro. Não se conhece uma quantidade de álcool que possa ser considerada segura para o desenvolvimento do embrião/feto. Cada organismo é único e responde de maneira diferente. Não é possível prever quem será afetado ou qual será a intensidade das futuras consequências.

Por isso, durante a gestação, a escolha mais segura é não consumir álcool em nenhum período, nem em nenhuma quantidade. E, na situação em que a gestante já tenha consumido álcool, a orientação deve ser a de interromper o seu consumo. A interrupção do consumo de álcool reduz a continuidade da exposição do embrião/feto e, por consequência, o risco e a severidade dessa exposição.

Nenhuma mulher deveria e/ou precisa fazer isso sozinha. Apoiar uma gestante a não consumir álcool, oferecer alternativas sem álcool com naturalidade, evitar pressões sociais para o seu consumo e conversar sobre o assunto, de maneira respeitosa, são formas de prevenção que podem e devem ser exercidas pelos companheiros, familiares, amigos, profissionais de saúde e por toda a sociedade.

Os profissionais de saúde, entre eles os pediatras, têm um papel fundamental. Devem perguntar sobre o consumo de álcool com respeito e acolhimento, orientar sem julgamentos e oferecer ajuda e apoio quando necessário.

Como muitas gestações não são planejadas ou reconhecidas no seu início, conversar sobre álcool e saúde reprodutiva com mulheres em idade fértil é uma forma importante de cuidado da mulher e da futura criança. Uma forma indispensável para se prevenir possíveis danos que podem acompanhar uma pessoa por toda a vida.

Dia 9 de setembro não é apenas uma data de conscientização. É, também, uma data para reforçar cuidados que devem ser diários:

  • Álcool e gestação não combinam.
  • Não existe quantidade nem momento seguro de consumo de álcool durante a gestação.
  • Informação não julga. Ela pode proteger vidas.
  • Prevenção começa antes da primeira dose. O cuidado é necessário por toda a vida.
  • Prevenir os TEAF, entre eles a SAF, é uma responsabilidade compartilhada.

Relatora:

Maria dos Anjos Mesquita
Vice-Presidente do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP

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Não à degradação da qualidade ambiental https://spsp.org.br/nao-a-degradacao-da-qualidade-ambiental/ Fri, 14 Aug 2026 11:17:24 +0000 https://spsp.org.br/?p=58260 Em 14/8 celebramos o Dia Nacional de Combate à Poluição. Tal data foi criada em 1975 a fim de alertar a sociedade sobre os danos causados ao meio ambiente pela atividade humana, implementar leis e políticas públicas para proteção de ecossistemas e estimular práticas sustentáveis. Essa necessidade de garantir desenvolvimento com preservação ambiental ganhou as agendas de entidades governamentais internacionais a partir da segunda metade do século XX. Em nosso país, vivíamos intensa aceleração da industrialização e da urbanização, com grande aumento do número de carros. O despejo de resíduos poluentes no ar, água e solo impulsionou a criação de programas regulatórios, tendo o ápice na promulgação da Constituição Federal em 1988, onde o Artigo 225 garante que um ambiente ecologicamente saudável é direito de todos. Apesar de tantos esforços jurídicos e dos alertas de entidades científicas, vivemos hoje uma crise climática sem precedentes, causada pela poluição antropogênica (gerada diretamente pelas ações humanas). Ondas de calor extremo, incêndios florestais, tempestades e inundações têm sido frequentes nos noticiários, mas são apenas a parte mais visível de uma situação dramática. Para exemplificar, vamos nos reservar a expor alguns dados que afetam diretamente a vida e saúde infantil, afinal estamos em um blog feito por pediatras para aqueles que cuidam de nossas crianças. Diante desse cenário, podemos nos perguntar, o que fazer? Algumas atitudes individuais são importantes, como o descarte adequado do lixo doméstico, o consumo consciente, a busca por meios de transporte mais sustentáveis, frequentar ambientes com áreas verdes, garantir alimentação saudável às nossas crianças, etc. Mas tão importante quanto, é necessária a cobrança dos poderes públicos e dos gestores da garantia da fiscalização e aplicação das leis e programas relacionados à proteção do meio ambiente. Relatora: Regina CarnaúbaMembro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP]]>

Em 14/8 celebramos o Dia Nacional de Combate à Poluição. Tal data foi criada em 1975 a fim de alertar a sociedade sobre os danos causados ao meio ambiente pela atividade humana, implementar leis e políticas públicas para proteção de ecossistemas e estimular práticas sustentáveis.

Essa necessidade de garantir desenvolvimento com preservação ambiental ganhou as agendas de entidades governamentais internacionais a partir da segunda metade do século XX. Em nosso país, vivíamos intensa aceleração da industrialização e da urbanização, com grande aumento do número de carros. O despejo de resíduos poluentes no ar, água e solo impulsionou a criação de programas regulatórios, tendo o ápice na promulgação da Constituição Federal em 1988, onde o Artigo 225 garante que um ambiente ecologicamente saudável é direito de todos.

Apesar de tantos esforços jurídicos e dos alertas de entidades científicas, vivemos hoje uma crise climática sem precedentes, causada pela poluição antropogênica (gerada diretamente pelas ações humanas). Ondas de calor extremo, incêndios florestais, tempestades e inundações têm sido frequentes nos noticiários, mas são apenas a parte mais visível de uma situação dramática. Para exemplificar, vamos nos reservar a expor alguns dados que afetam diretamente a vida e saúde infantil, afinal estamos em um blog feito por pediatras para aqueles que cuidam de nossas crianças.

  • Poluição do ar: É causada pela queima de combustíveis fósseis no transporte, pela indústria e pelas queimadas agrossilvipastoris. Segundo a OMS, mais de 99% da população mundial respira um ar considerado de qualidade inadequada, o que é responsável pela perda de 600.000 vidas ao ano. Provoca partos prematuros, crianças com baixo peso ao nascer, doenças respiratórias, endócrinas, reumatológicas, dermatológicas neurológicas e psiquiátricas.
  • Poluição da água: Causada pela presença de componentes químicos, elementos radioativos e organismos patógenos. Responsável pela morte anual de 4,6 milhões de crianças menores de cinco anos, devido a doenças diarreicas e infecções (OMS), além de comprometimento do desenvolvimento físico e cognitivo.
  • Poluição do solo: Causada pela presença de agrotóxicos, metais pesados e resíduos industriais, contaminando alimentos e levando a doenças neurológicas, hormonais e câncer.
  • Poluição sonora e luminosa: O ruído excessivo e a exposição exagerada à luz artificial, presentes principalmente em áreas urbanas, causam distúrbios do sono, estresse crônico, redução da capacidade cognitiva, obesidade e distúrbios endócrinos.

Diante desse cenário, podemos nos perguntar, o que fazer? Algumas atitudes individuais são importantes, como o descarte adequado do lixo doméstico, o consumo consciente, a busca por meios de transporte mais sustentáveis, frequentar ambientes com áreas verdes, garantir alimentação saudável às nossas crianças, etc. Mas tão importante quanto, é necessária a cobrança dos poderes públicos e dos gestores da garantia da fiscalização e aplicação das leis e programas relacionados à proteção do meio ambiente.

Relatora:

Regina Carnaúba
Membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP

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Conexão, oportunidades e a responsabilidade de proteger crianças e adolescentes https://spsp.org.br/conexao-oportunidades-e-a-responsabilidade-de-proteger-criancas-e-adolescentes/ Tue, 30 Jun 2026 17:48:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57628 ]]>

Celebrado em 30 de junho, o Dia Mundial das Redes Sociais marca uma das maiores transformações da comunicação nas últimas décadas. As redes encurtaram distâncias, aproximaram famílias, ampliaram o acesso à informação e criaram novas formas de aprender, trabalhar e compartilhar experiências.

Hoje, é difícil imaginar a vida sem elas. Para muitos pais, as redes sociais são uma forma de manter contato com amigos e familiares, buscar informações e até encontrar comunidades de apoio. Para adolescentes, representam também espaços de pertencimento, expressão e construção de identidade.

Mas, ao mesmo tempo em que oferecem oportunidades, as redes sociais exigem atenção e responsabilidade, especialmente quando falamos de crianças e adolescentes.

A infância e a adolescência são períodos de intenso desenvolvimento emocional, cognitivo e social. Nesse contexto, a exposição precoce e excessiva às redes pode trazer impactos importantes, como alterações do sono, redução do tempo dedicado às brincadeiras e às interações presenciais, aumento da ansiedade, comparação constante com padrões irreais de beleza e sucesso, além da exposição a conteúdos inadequados, desinformação e situações de cyberbullying.

É importante lembrar que plataformas digitais são projetadas para captar e manter a atenção dos usuários. Crianças e adolescentes, por estarem em processo de amadurecimento, são mais vulneráveis aos mecanismos de recompensa, às notificações constantes e à busca por aprovação social por meio de curtidas e comentários.

Por isso, o debate não deve ser sobre demonizar a tecnologia, mas sobre promover um uso mais consciente e saudável.

Algumas atitudes podem fazer diferença:

  • Respeitar as classificações etárias das plataformas;
  • Adiar a entrada nas redes sociais sempre que possível;
  • Acompanhar e conversar sobre os conteúdos consumidos;
  • Estabelecer limites de tempo e momentos livres de telas;
  • Valorizar atividades presenciais, esportes, leitura e convivência familiar;
  • Ensinar pensamento crítico e educação midiática desde cedo;
  • Ser o exemplo, já que crianças aprendem observando os adultos.

As redes sociais fazem parte da sociedade atual e vieram para ficar. O grande desafio das famílias, educadores, profissionais de saúde e das próprias empresas de tecnologia é construir ambientes digitais mais seguros e adequados ao desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes.

Neste Dia Mundial das Redes Sociais, vale celebrar os avanços que elas proporcionaram, mas também reforçar que conexão não deve significar exposição sem limites. Mais do que ensinar nossos filhos a usar a tecnologia, precisamos ajudá-los a desenvolver a capacidade de viver bem com ela.

 

Relatora:
Betina Lahterman
Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da SPSP

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Quando o corpo diz “não” https://spsp.org.br/quando-o-corpo-diz-nao/ Tue, 16 Jun 2026 15:12:01 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57471 ]]>

Este mês é dedicado à Conscientização dos Transtornos Alimentares e, no que diz respeito a estas condições, proponho uma reflexão a partir de um caso clínico.

Marina, 15 anos, comparece à consulta acompanhada da mãe, cuja principal preocupação é o fato de a filha ter interrompido os ciclos menstruais há alguns meses. A adolescente veste um moletom largo estampado com o personagem Mickey Mouse. Durante a anamnese alimentar, mãe e filha entram em discussão sobre os hábitos alimentares. Marina acusa a mãe de também restringir a alimentação.

Ao abordar aspectos comportamentais, a mãe relata que Marina tem extrema dificuldade em se posicionar diante dos outros. Na escola, costuma responder “tanto faz” às perguntas e evita expressar preferências ou discordâncias, mesmo em situações que lhe causam sofrimento. Quando pergunto sobre o que vê nas redes sociais, responde sem muita personalidade: “o mesmo que minhas amigas”.

Na segunda parte da consulta, realizada sem a presença da mãe, observa-se uma mudança marcante em sua postura. A adolescente, antes hesitante e pouco assertiva, passa a se expressar de forma rígida e categórica. Ao falar sobre alimentação, afirma: “Não como nada que tenha mais de 200 kcal”. 

Discussão do caso clínico

O caso de Marina suscita uma questão frequente na clínica dos transtornos alimentares: em que medida o sintoma anoréxico pode expressar uma recusa das transformações inerentes à adolescência?

A adolescência exige a elaboração de importantes perdas psíquicas, frequentemente descritas como lutos pelo corpo infantil, pelo lugar protegido da infância e pelos pais idealizados. As transformações da puberdade tornam visível a perda do corpo infantil e anunciam a entrada em um corpo sexuado, submetido a novas e complexas exigências sociais, relacionais e subjetivas. Nesse contexto, o desenvolvimento corporal pode ser vivido não apenas como crescimento, mas também como legitimação da perda do lugar seguro da infância.

No caso de Marina, a amenorreia (falta da menstruação) secundária e os marcadores hormonais pré-púberes permitem pensar o sintoma alimentar como uma tentativa inconsciente de interromper ou retardar esse processo. Ao impedir a maturação corporal, a anorexia preserva características infantis do corpo e afasta, simbolicamente, aspectos da sexualidade e da feminilidade associados à puberdade. Nessa perspectiva, em alguns casos, a recusa alimentar pode ser compreendida como uma recusa do próprio crescimento.

Diante das incertezas próprias da adolescência no contexto de um mundo cheio de contradições e efemeridades, o sintoma alimentar pode funcionar como uma defesa psíquica. Em um momento marcado por mudanças corporais, conflitos de identidade e sentimentos de vulnerabilidade, a restrição alimentar proporciona uma sensação ilusória de controle. Compreender essa dimensão subjetiva não significa desconsiderar os graves riscos clínicos do transtorno, mas sim ampliar o olhar para além do sintoma alimentar, reconhecendo-o como uma expressão complexa do sofrimento psíquico.

A dinâmica familiar observada durante a consulta chama a atenção para a centralidade da alimentação nas relações interpessoais da paciente. O embate entre mãe e filha sobre quem come menos sugere um ambiente em que restrições alimentares e preocupações com peso e dieta desempenham papel relevante. Embora não se possa atribuir causalidade direta, tais modelos familiares podem influenciar a forma como adolescentes percebem alimentação, corpo e controle.

Outro aspecto marcante é a discrepância de comportamento apresentada por Marina na presença e na ausência da mãe. Inicialmente, mostra-se passiva, indecisa e excessivamente preocupada em agradar aos outros. Quando entrevistada sozinha, porém, revela rigidez cognitiva, pensamento obsessivo e regras alimentares extremamente restritivas, expressas na afirmação: “Não como nada que tenha mais de 200 kcal”. Essa mudança evidencia a importância da entrevista individual com adolescentes, permitindo o acesso a conteúdos que muitas vezes não emergiriam na presença dos pais.

Essa dinâmica parece encontrar eco no relato de Marina. Descrita como alguém que tem dificuldade em dizer “não” aos outros e frequentemente se submete às vontades alheias, incapaz de expressar seus desejos nas relações interpessoais. Se, por um lado, temos um apagamento do Eu, por outro, ele compensa quando o tema é alimentação: o que Marina não consegue negar aos outros, ela nega ao próprio corpo.

Assim, através desse caso clínico, entende-se que os transtornos alimentares, especificamente a anorexia, se apresentam como uma formação complexa, na qual se articulam conflitos relacionados ao crescimento, à sexualidade, à autonomia, à dinâmica familiar, ao se colocar perante os outros e ao controle. Mais do que um problema exclusivamente alimentar, os sintomas expressam tentativas singulares de enfrentar os desafios psíquicos impostos pela adolescência.

 

Relatora:

Maíra Terra Cunha Di Sarno
Secretária do Departamento de Adolescência da SPSP
Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da SPSP

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Como apoiar uma família após a morte de uma criança ou de um adolescente https://spsp.org.br/como-apoiar-uma-familia-apos-a-morte-de-uma-crianca-ou-de-um-adolescente/ Tue, 05 May 2026 15:18:39 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56819 Pensar e falar sobre a morte é sempre uma tarefa penosa e difícil. Mais difícil ainda é falar do sofrimento causado]]>

Pensar e falar sobre a morte é sempre uma tarefa penosa e difícil. Mais difícil ainda é falar do sofrimento causado pela morte de uma criança, tanto em sua família quanto em seu entorno. No entanto, é justamente o falar e refletir sobre essa dor, como veremos no decorrer do texto, que nos leva a uma possibilidade de lidar melhor com essa situação tão estressante.

O suporte teórico aqui apresentado baseia-se nas ideias de Cyrulnik, neuropsiquiatra, etólogo e psicanalista. Ainda criança, ele sobreviveu a um campo de concentração nazista e, mais tarde, já em liberdade, desenvolveu a Teoria da Resiliência. Nessa teoria, propõe que o trauma não é um destino, não é um “determinismo psicológico”, e muito menos um evento que condena alguém a uma vida futura de sofrimento. A resiliência é entendida como um processo de cicatrização dessa ferida, no qual cérebro e psique têm uma capacidade extraordinária de reorganização, desde que encontrem um ambiente propício.

Reforçando: a resiliência deve ser compreendida como a capacidade de retomar o desenvolvimento psíquico e o prazer de viver após um trauma, restabelecendo a convivência entre a dor da ferida e prazer de voltar a viver.

O autor trabalha com o conceito de Biologia do Apego, isto é, a ideia de que o contorno social altera a química cerebral. Palavras adequadas e gestos de cuidado influenciam o corpo e a própria resposta biológica ao trauma. O afeto e a palavra têm poder regulador sobre hormônios e neurotransmissores, organizando o cérebro, que não se desenvolve sozinho e depende sempre da relação com o outro. Como ele afirma, “não existe vida psíquica” sem encontro. Todo ser humano é biologicamente dependente de outro, é o vínculo que une o cérebro ao corpo.

Assim, o trauma desorganiza, mas não determina essa desorganização. Paradoxalmente, é essa desorganização que pode impulsionar a reparação biológica necessária. O luto, portanto, é sempre necessário. Falar do sofrimento também é fundamental, pois é por meio da fala e da escuta que se constrói o acolhimento do outro.

A morte deve ser encarada como um evento inexorável da vida e, portanto, precisa ser incorporada à existência. Fica claro que o luto pela perda de um filho não é um estado de “cura”, mas um processo de metamorfose. A dor da perda não é algo a ser simplesmente superado, mas algo que possibilita a retomada da vida cotidiana. Em outras palavras, é essa dor que permite a reconstrução do viver após a ruptura: o “fio” da vida precisa ser retomado.

Não se trata de esquecer, mas de reintegrar a perda à história da família. A resiliência não é uma característica individual, mas um fenômeno que acontece entre as pessoas. É exatamente o ambiente social, constituído por amigos e comunidade, que irá servir como um porto seguro para que a morte da criança seja expressa de uma maneira a não trazer em si um julgamento prévio que possa prolongar o sofrimento de todos.

O luto torna-se mais suportável à medida que o trauma deixa de ser um evento sem sentido e passa a ser transformado em narrativa dos próprios envolvidos. Dar nome à dor, falar sobre o filho falecido, recordar histórias e manter a memória viva são aspectos essenciais. O silêncio imposto pela sociedade, o tabu da morte infantil, constitui nesse sentido um “segundo trauma”, pois dificulta o processo de resiliência.

 

Resumo do pensamento:

  • “O encontro humano é o principal agente de cura.”
  • O trauma não é destino, mas um “azar da vida” que não determina o fim. É real e doloroso, mas não condena a pessoa a ser vítima para sempre. A resiliência é sempre a capacidade de retomar desenvolvimento apesar da ferida.
  • É possível ser feliz mesmo carregando uma memória de dor.
  • Ninguém se recupera sozinho. Há sempre a necessidade de um “Tutor de Resiliência”, uma figura (professor, vizinho, avô ou até mesmo um personagem de um livro) que proporciona um olhar de segurança. O tutor é o ponto de apoio indispensável para que se dê o processo de resiliência.
  • Eventos traumáticos, como a morte de uma criança, podem se tornar um “silêncio assassino”. A transformação do trauma em narrativa é fundamental para a elaboração. Quando a criança consegue desenhar, escrever ou falar sobre sua dor ela deixa de ser escrava do evento e passa a ser autora da sua própria narrativa.
  • O estresse traumático “atrofia” áreas cerebrais ligadas à memória e à emoção, enquanto um ambiente afetuoso e seguro atua como um “nutriente biológico”, favorecendo a recuperação.
  • A resiliência resulta do encontro entre a vontade de viver, o apoio de um tutor e a capacidade cultural de acolher e escutar a dor.
  • “O corpo fala o que a boca cala.”
  • Cérebro social: O isolamento emocional compromete o funcionamento cerebral, enquanto o vínculo seguro estimula novas conexões.
  • Um ambiente seguro e relações de apoio (Tutor de Resiliência) podem impedir que predisposições genéticas negativas se manifestem.
  • O encontro humano é o principal agente de cura.

Recomendações finais:

  • Evitar o “fantasma”: há o risco de transformar o filho que partiu em um mito intocável, o que pode fazer com que os irmãos sobreviventes se sintam invisíveis ou menos amados.
  • Sinceridade parcial: a verdade deve ser dita às crianças sobre a morte, com linguagem adaptada à idade, mas o fato nunca deve ser escondido. O não dito tende a gerar angústias profundas.
  • A perda de um filho representa uma ruptura no real, que pode ser “costurada” pela palavra e pela solidariedade, permitindo que a vida volte a fluir de forma saudável.

 

Relator:

Eduardo Goldenstein
Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da SPSP

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Transtorno do Espectro Autista: avanços, desafios e novos olhares em relação ao diagnóstico https://spsp.org.br/transtorno-do-espectro-autista-avancos-desafios-e-novos-olhares-em-relacao-ao-diagnostico/ Thu, 02 Apr 2026 18:02:02 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55750 O Transtorno do Espectro Autista (TEA) passou por profundas transformações conceituais ao longo das últimas décadas. Desde sua descrição inicial]]>

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) passou por profundas transformações conceituais ao longo das últimas décadas. Desde sua descrição inicial por Leo Kanner e Hans Asperger, na década de 1940, até as classificações atuais, o entendimento do autismo reflete não apenas avanços científicos, mas também mudanças na forma como compreendemos o desenvolvimento humano e como as neurodiversidades são percebidas e inseridas em nossa sociedade.

Nas primeiras versões do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM), o autismo era visto de forma mais restrita e por muito tempo associado a quadros psicóticos e à esquizofrenia infantil. Foi a partir do DSM-III (1980) que o autismo passou a ser reconhecido como uma entidade diagnóstica própria. Já no DSM-IV (1994), o conceito foi ampliado para os chamados Transtornos Globais do Desenvolvimento, incluindo subcategorias, como a síndrome de Asperger, transtorno autista e transtorno invasivo do desenvolvimento sem outra especificação.

A grande mudança ocorreu com a publicação do DSM-5, em 2013, quando essas categorias foram unificadas sob um único diagnóstico: o Transtorno do Espectro Autista. Essa reformulação consolidou a ideia de que o autismo não é uma condição única e homogênea, mas um contínuo de manifestações clínicas, com diferentes apresentações. Para organizar essa variabilidade, o DSM-5 introduziu três níveis de suporte: o Nível 1, em que o indivíduo requer algum suporte; o Nível 2, que requer suporte substancial; e o Nível 3, que requer suporte muito substancial. O diagnóstico passou a considerar dois domínios centrais – comunicação e interação social, de um lado, e comportamentos e interesses restritos e repetitivos, de outro – e a levar em conta fatores modificadores, como presença de deficiência intelectual, comprometimento de linguagem, condições médicas associadas e intensidade dos sintomas.

Esse novo modelo trouxe ganhos importantes, como reconhecer a heterogeneidade do TEA, e com isso ampliou-se a capacidade de identificar indivíduos previamente não diagnosticados, especialmente aqueles com quadros mais sutis ou atípicos.

Nas últimas décadas, observou-se um aumento expressivo na prevalência do autismo em diversos países. Dados dos EUA (CDC) mostram um crescimento consistente nas estimativas, atualmente em torno de uma a cada 31 crianças aos oito anos de idade. O cenário internacional confirma a tendência. No Reino Unido, um grande estudo publicado em 2021 no JAMA Pediatrics, que analisou dados de mais de sete milhões de crianças em escolas inglesas, estimou que cerca de uma em cada 57 crianças estava no espectro autista – número significativamente superior às estimativas anteriores. Mais recentemente, um estudo de 2023, publicado no The Lancet Regional Health – Europe, estimou que entre 150.000 e 500.000 pessoas com idades entre 20 e 49 anos na Inglaterra podem ser autistas sem terem recebido diagnóstico – o que indica que a subestimação ainda é expressiva, especialmente na população adulta.

Diante desses números, surge a pergunta inevitável: estamos diante de um aumento real na ocorrência do autismo, ou estamos simplesmente ficando melhores em reconhecê-lo? A resposta é que provavelmente as duas coisas ocorrem, em proporções desiguais. Fatores ambientais e sociais têm sido estudados como possíveis contribuintes para um aumento real – entre eles, a maior idade paterna no momento da concepção, o crescimento das taxas de prematuridade extrema e de gestações múltiplas. Outros fatores, como mudanças nos hábitos alimentares e exposição a poluentes, seguem sob investigação. No entanto, o principal motor desse crescimento é o aumento no reconhecimento e no diagnóstico, impulsionado por razões convergentes: o desenvolvimento de ferramentas diagnósticas mais precisas e acessíveis; a ampliação da capacitação de profissionais de saúde; campanhas de triagem ativa nas consultas de puericultura – como as realizadas pela Academia Americana de Pediatria (AAP) desde 2006 e pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) desde 2017; a consolidação dos critérios diagnósticos com o DSM-5; e o aumento do conhecimento da população sobre os sinais de alerta do TEA, o que leva famílias e educadores a buscarem avaliações de forma mais precoce.

A ampliação do conceito diagnóstico trouxe ganhos inegáveis – mas também gerou um debate científico importante. A pesquisadora Uta Frith, professora emérita de desenvolvimento cognitivo no University College London e pesquisadora que ajudou a fundamentar a compreensão atual do autismo, expressou preocupação com a expansão do diagnóstico. Ela aponta que o conceito pode ter sido expandido a ponto de englobar quadros muito distintos, levantando a reflexão de que talvez estejamos agrupando condições extremamente heterogêneas sob uma mesma denominação. Em suas palavras, o autismo pode estar se tornando um “guarda-chuva” amplo demais para realidades clínicas muito diversas.

Sua preocupação central é de que o crescimento no número de diagnósticos – especialmente de TEA em Nível de Suporte 1 – leva ao risco de diluir a atenção, os recursos e as políticas públicas destinadas aos casos mais graves. Crianças e adultos com TEA de Nível 3, que apresentam comprometimentos significativos na comunicação e intensa dependência de cuidados, têm necessidades urgentes e específicas que não podem ser ofuscadas por uma narrativa única sobre o espectro. Por outro lado, seria um equívoco grave concluir que indivíduos com TEA de Nível 1 – mais funcionais em sua vida cotidiana – estejam isentos de sofrimento ou de necessidades de suporte. Ao contrário: a literatura científica evidencia que esses indivíduos apresentam altíssimas taxas de comorbidades psiquiátricas. Estudos populacionais estimam que, até os 30 anos de idade, mais de 54% dos indivíduos com TEA terão diagnóstico de depressão e 50% de transtorno de ansiedade – taxas significativamente superiores às da população geral. Comparados com indivíduos sem TEA, aqueles com o transtorno têm quatro vezes mais chance de desenvolver depressão ao longo da vida, e o risco aumenta com o nível de funcionamento intelectual mais elevado e com a idade, especialmente durante a adolescência – período em que a consciência das próprias diferenças se torna mais aguda e dolorosa.

Essa realidade aponta para uma necessidade fundamental: não existe uma conduta única no tratamento de indivíduos com TEA. É importante reconhecer a diversidade do espectro, as necessidades específicas de cada indivíduo e direcionar as intervenções mais adequadas caso a caso. Isso implica fortalecer políticas públicas que garantam acesso equitativo a intervenções, respeitando tanto aqueles com maior necessidade de suporte quanto aqueles cujas dificuldades são menos visíveis, porém igualmente relevantes.

No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, é fundamental reforçar que o avanço no conhecimento científico deve caminhar junto com uma prática clínica sensível, individualizada e baseada em evidências. O conceito de espectro não deve restringir o olhar clínico, pelo contrário, deve ampliá-lo.

 

Relator:
Grupo de Trabalho sobre o Transtorno do Espectro Autista da SPSP

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Meu filho está gaguejando – e agora? https://spsp.org.br/meu-filho-esta-gaguejando-e-agora/ Thu, 26 Feb 2026 14:22:32 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55207 O que é gagueira? é uma alteração da fluência da fala, caracterizada por repetições (por exemplo, “-pa-pa-papai”), prolongamentos de sons (“ssssala”) ou bloqueios (pausas em]]>

O que é gagueira? é uma alteração da fluência da fala, caracterizada por repetições (por exemplo, “-pa-pa-papai”), prolongamentos de sons (“ssssala”) ou bloqueios (pausas em que a palavra não sai). É comum em crianças pequenas, enquanto a fala e o controle da linguagem estão em desenvolvimento. Nem toda gagueira na infância vira gagueira persistente (aquela que acompanha a pessoa por mais tempo).

As causas prováveis, baseadas em evidências, incluem

  1. Alteração ou imaturidade do desenvolvimento neurológico: algumas crianças têm um padrão de desenvolvimento da fala mais sensível; há diferenças na forma como o cérebro processa a linguagem e a coordenação motora da fala.
  2. Genética: estudos mostram maior risco em famílias com histórico de gagueira.
  3. Fatores linguísticos e do ambiente: períodos de rápido ganho de linguagem, falar muito rápido ou frases complexas podem sobrecarregar a criança. Não é culpa dos pais, mas o ambiente pode influenciar a expressão.

Fatores emocionais e de temperamento, ansiedade e frustração, eventos estressantes podem agravar a gagueira, mas não são a causa dela.

Eventos estressantes: grandes modificações na vida da criança (mudança, chegada de irmão) podem coincidir com o início, mas também não são a causa da gagueira.

 

Como agir quando a criança começa a gaguejar

  • Manter a calma: reações de nervosismo ou correção imediata aumentam a pressão sobre a criança.
  • Escutar com atenção e paciência: oferecer tempo para que termine, manter contato visual e não completar as palavras.
  • Reduzir a pressa: falar de forma lenta e relaxada com a criança; usar frases curtas e pausas para modelar o ritmo natural.
  • Evitar cobrar falando: “diga certo” ou corrigir a fala durante a conversa. Elogiar tentativas de comunicação, não a fluência.
  • Criar momentos de interação tranquila: leitura conjunta, brincadeiras que valorizem a comunicação sem pressão.
  • Procurar orientação profissional se houver dúvida: foniatras e fonoaudiólogos.

 

Quando se preocupar (procurar avaliação em curto prazo)

  • Início após os 4–5 anos sem sinais de melhora em 3–6 meses.
  • A criança evita falar em situações sociais, demonstra angústia significativa, ou a gagueira aumenta em frequência/intensidade.
  • Há bloqueios longos, esforço evidente, sons cortados ou tremores na fala.
  • Histórico familiar de gagueira persistente.
  • Desenvolvimento da linguagem atrasado, problemas auditivos ou outras condições neurológicas/psicológicas associadas.

 

Quando é razoável aguardar (observação ativa)

  • Início entre 18 meses e 4 anos, especialmente durante um período de rápido desenvolvimento da linguagem.
  • Gagueira intermitente, com intensidade baixa e sem sinais de angústia ou evitação.
  • Melhora observada em semanas a poucos meses. Nesses casos, acompanhamento cuidadoso (monitoramento por pais e, se possível, por fonoaudiólogo) é apropriado. Manter estratégias de comunicação calmas e apoio emocional costumam ajudar.

 

A gagueira na infância é comum e muitas vezes melhora com apoio e tempo. Agir com calma, oferecer um ambiente de fala seguro e buscar avaliação profissional quando houver sinais de risco são as melhores atitudes.

 

Relatora:

Sulene Pirana

Médica Otorrinolaringologista com Área de Atuação em Foniatria e Medicina do Sono

Membro do Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP

Vice-Presidente do Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da SPSP

 

 

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Doenças negligenciadas https://spsp.org.br/doencas-negligenciadas/ Fri, 30 Jan 2026 14:47:12 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54900 ]]>

Talvez a grande questão deste tema seja entender do que estamos falando, quando nos referimos a doenças negligenciadas. Começamos contextualizando que essas infecções são impactantes na população, inclusive pediátrica, mas muitas vezes pouco divulgadas, e com ações para seu controle aquém do que deveríamos ter, seja pelas políticas públicas, nos meios de comunicação ou pelos serviços médicos/hospitalares.

Aqui pretendemos comentar algumas dessas doenças: como devemos iniciar seu reconhecimento e quais medidas iniciais podemos ou devemos realizar.

É fundamental saber, diferente do que muitas pessoas imaginam, que qualquer indivíduo, independentemente do nível socioeconômico, raça, idade e sexo está sujeito a desenvolver essas doenças.

A primeira delas a ser comentada trata-se da tuberculose. Endêmico no Brasil, o Mycobacterium (que são diversos e não só o tuberculosis) primariamente determina doença pulmonar. A tuberculose pulmonar se caracteriza por ser insidiosa, com tosse persistente, febre prolongada mais comum no final do dia e com emagrecimento frequente. Na criança, continua sendo um quadro mais arrastado; entretanto, o comprometimento respiratório é mais rápido e as imagens no Rx nem sempre são características.

A tuberculose também acomete outros órgãos com frequência elevada, como linfonodos (ínguas, gânglios…), ossos, sistema nervoso (meningites), entre outros órgãos.

É necessário, frente a febres pouco elevadas persistentes e emagrecimento ou não ganho de peso no paciente pediátrico, pensar em tuberculose. A disponibilidade de testes mais específicos e com resultados mais rápidos é uma realidade no SUS, facilitando o diagnóstico nas crianças, mas continua sendo mais difícil do que no adulto.

Não podemos nos esquecer das parasitoses, frequentes na população pediátrica. Cuidados de higiene alimentar, saneamento básico, recomendações no preparo dos alimentos e vigilância na produção dos alimentos são determinantes para a ocorrência dessas doenças. As manifestações gastrointestinais, anemia e dores abdominais ganham destaque na apresentação clínica.

Outra doença tão falada nos últimos dois anos, a dengue, teve seu recorde de internações e óbitos no mundo e no Brasil em 2024 (mais de 6 milhões de casos e mais de 6 mil óbitos). Muito pouco tem sido feito para o controle da dengue em relação à orientação da população, ações da saúde pública, incentivo à pesquisa e, mais recentemente, incentivo e orientação à vacinação. É verdade que ainda não há produção da vacina em escala suficiente para atender à demanda do Brasil, mas diversas medidas que deveriam ter sido adotadas foram negligenciadas, principalmente nesta última década.

A dengue se caracteriza por ser uma doença bifásica (que ocorre em duas fases), onde a febre, a dor no corpo e olhos e, eventualmente, as manifestações hemorrágicas iniciais são muito características, mas que, após uma melhora inicial, retorna com maior gravidade, com dores mais intensas, inclusive abdominais e quadros hemorrágicos com maior frequência. Uma segunda infecção pelo vírus da dengue determina maior risco para o desenvolvimento de quadros mais graves.

Os adolescentes estão entre a população que mais frequentemente necessita de internação, e por isso há a estratégia de vacinação nessa população. Apesar dos idosos estarem no grupo de maior ocorrência de óbitos, ainda não há dados adequados para a recomendação vacinal.

Além da dengue, outras doenças têm participação de insetos em sua transmissão, como Zika e Chikungunya. Aqui queremos dar destaque a outras duas doenças, Chagas e Leishmaniose, e algumas condições clínicas pelos próprios insetos, a Pediculose (piolho) e a Escabiose (sarna).

Chagas e Leishmaniose ocorrem em áreas chamadas endêmicas, e determinam doenças sistêmicas (disseminadas). Na doença de Chagas, comprometimentos cardíaco e intestinal ganham destaque, normalmente de evolução insidiosa. Na Leishmaniose, o comprometimento é habitualmente mais rápido e caracterizado por febre, aumento do fígado e do baço e diminuição na produção das séries vermelha (hemácias) e de plaquetas.

A promoção de medidas de saúde, como higiene alimentar, o saneamento básico, a orientação e educação da população sobre essas doenças, assim como seu diagnóstico clínico e laboratorial e tratamento adequados são a base mestra para o controle dessas doenças.

O controle dos focos para Dengue, Chikungunya, Zika, Chagas, Leishmaniose, parasitoses, Escabiose e Tuberculose deve ser meta prioritária em Saúde Pública.

Cabe também a todos nós a busca por informações adequadas, de procedência segura e validada, bem como adoção das medidas corretas para prevenção dessas e tantas outras doenças, para conseguirmos a melhor qualidade possível na saúde das crianças.

 

Saiba mais:

. Médicos sem fronteiras. Acesso em https://www.msf.org.br/noticias/5-doencas-negligenciadas-que-afetam-milhoes-de-pessoas-todos-os-anos/

. Ministério da Saúde. Brasil. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/janeiro/ministerio-da-saude-divulga-boletim-epidemiologico-sobre-o-impacto-das-doencas-tropicais-negligenciadas-nas-criancas#:~:text=A%20an%C3%A1lise%20dos%20dados%20epidemiol%C3%B3gicos,das%20Na%C3%A7%C3%B5es%20Unidas%20(ONU).

. Agência Fiocruz de notícias. Acesso em https://agencia.fiocruz.br/doen%C3%A7as-negligenciadas

 

Relator:
Marcelo Otsuka
Presidente do Departamento Científico de Infectologia da SPSP

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“Pessoas com nanismo: vidas inteiras, cuidados integrais” https://spsp.org.br/pessoas-com-nanismo-vidas-inteiras-cuidados-integrais/ Sat, 25 Oct 2025 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53791 O Dia Nacional de Combate ao Preconceito contra as Pessoas com Nanismo, instituído no dia 25 de outubro, convida a sociedade e os profissionais de saúde a refletirem]]>

O Dia Nacional de Combate ao Preconceito contra as Pessoas com Nanismo, instituído no dia 25 de outubro, convida a sociedade e os profissionais de saúde a refletirem sobre a importância do cuidado integral e da valorização da diversidade humana. O nanismo, especialmente a acondroplasia, é uma condição genética rara que afeta o crescimento ósseo e resulta de uma variante patogênica do gene que codifica o receptor 3 do fator de crescimento de fibroblastos (FGFR3) localizado no braço curto do cromossomo 4. Estima-se que sua incidência seja cerca de 1/25.000 nascidos vivos, mas cada pessoa com nanismo traz consigo uma história e uma forma singular de estar no mundo – e o papel da medicina é assegurar que todos possam viver com saúde, dignidade e oportunidades plenas.

O pediatra deve exercer um papel central nessa trajetória, acompanhando o desenvolvimento da gestação, nascimento, até a transição para a vida adulta. É ele quem escuta, acolhe, orienta e articula os diferentes profissionais envolvidos no cuidado. Seu olhar atento é essencial para identificar precocemente complicações mais comuns na população com nanismo e realizar os encaminhamentos necessários a uma equipe interdisciplinar, que pode ser composta por geneticistas, neurologistas, otorrinolaringologistas, ortopedistas, endocrinologistas e equipe terapêutica, indicada de acordo com as necessidades individuais de cada criança, como fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, entre outros.

A atuação integrada e o encaminhamento precoce são fundamentais para garantir qualidade de vida e bem-estar. Entre as manifestações que requerem atenção especial do pediatra estão:

  • as alterações neurológicas, como a estenose do forame magno, a compressão cervicomedular e a hidrocefalia
  • as condições otorrinolaringológicas e respiratórias, como a otite média de repetição, a obstrução das vias aéreas superiores e a apneia do sono
  • as alterações ortopédicas, como a cifose toracolombar, a lordose lombar, a estenose medular e o genu varo
  • atraso do desenvolvimento motor e da fala.

Nos últimos anos, o avanço científico trouxe novas possibilidades de tratamento, ampliando o horizonte do cuidado clínico. A vosoritida, aprovada no Brasil em novembro de 2021 para pacientes com acondroplasia, atualmente a partir de seis meses de vida, tem se mostrado eficaz na melhora da velocidade de crescimento, provável redução das comorbidades ortopédicas e da dor e no ganho de qualidade de vida. É importante que pediatras conheçam os novos tratamentos e indiquem em conjunto com a equipe interdisciplinar, acompanhando seu uso de forma responsável e integrada ao conjunto de medidas clínicas e psicossociais que compõem o cuidado.

As pessoas com nanismo são parte viva da pluralidade humana, com talentos, afetos e projetos de vida que enriquecem a sociedade. Garantir acessibilidade, combater o preconceito e reconhecer suas potencialidades é uma responsabilidade compartilhada entre todos os profissionais de saúde. Promover o cuidado das pessoas com nanismo é reconhecer que cada corpo e cada trajetória carrega uma potência única. É fazer da escuta, da ciência e da empatia instrumentos de transformação. E é, acima de tudo, reafirmar que o papel da pediatria vai muito além da prevenção e do tratamento de doenças: é um compromisso com a vida, com a diversidade e com o respeito à singularidade de cada ser humano.

Saiba mais:

. Savarirayan R et al. International consensus statement on the diagnosis, multidisciplinary management and lifelong care of individuals with achondroplasia. Nature Reviews Endocrinology, 2021.

. Sociedade Brasileira de Pediatria. Diretrizes acondroplasia: etiologia, apresentação clínica e tratamento. Departamento Científico de Genética, 2023.

 

Relator:

Fábio Watanabe
Médico Pediatra
Membro do Núcleo de Estudos sobre a Criança e o Adolescente com Deficiência da SPSP

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Qual o valor da sua vida? https://spsp.org.br/qual-o-valor-da-sua-vida/ Wed, 10 Sep 2025 15:36:39 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53107 ]]>

O dia 10 de setembro foi instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela International Association for Suicide Prevention (IASP) como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, mobilizando profissionais de saúde e a sociedade em torno de ações de conscientização, prevenção do suicídio e valorização da vida. A campanha Setembro Amarelo é realizada desde 2015 no Brasil. A cor amarela, inspirada na história de Mike Emme e seu Mustang amarelo, nos EUA, tornou-se símbolo de esperança e acolhimento, representando a luz que atravessa as sombras da depressão e do sofrimento psíquico. Seu objetivo principal é reduzir o estigma, promover a discussão aberta sobre saúde mental e divulgar canais de apoio para pessoas em risco.

No Brasil, observa-se aumento das taxas de suicídio entre adolescentes e jovens, representando a terceira maior causa de morte entre a população masculina na faixa etária de 15 a 29 anos e a oitava maior causa de mortalidade entre a população feminina nessa mesma faixa.

A adolescência é um período de intensas mudanças, marcado por busca de identidade, maior sensibilidade a pressões externas e vulnerabilidade emocional. Assim, a travessia entre a infância e a vida adulta é, ao mesmo tempo, uma aventura e uma tormenta. Durante a adolescência, tudo parece girar depressa demais – o corpo se expande, as emoções se chocam e velhos referenciais desmoronam. É nesse momento que muitos jovens esbarram na pergunta: “para que tudo isso?” Quando a resposta não vem, o vazio existencial se torna terreno fértil para a depressão.

A depressão vai muito além da tristeza. Pode se manifestar como apatia, irritabilidade, alterações de humor, sentimento de desesperança e falta de motivação para o futuro, dificuldade em sentir prazer em atividades do dia a dia.

O adolescente vive um ciclo da falta de sentido, de falta de propósito na vida e de pertencimento e isso pode agravar a depressão. A depressão, por sua vez, obscurece a busca por sentido e o encontro de um propósito. E a ausência de propósito contribui para a solidão e o isolamento.

Hoje a depressão é denominada como transtorno no DSMV, porém é importante dizer que não foi sempre assim. Os sintomas e o tratamento da depressão na Idade Média eram objeto de disputa de padres e médicos, descritos pela Igreja como obra do demônio. Atualmente, vários medicamentos estão disponíveis e, quando bem indicados, melhoram os sintomas que surgem e persistem decorrentes da depressão. Apesar de não termos um exame laboratorial ou de imagem capaz de diagnosticar essa entidade nosológica, o insight psiquiátrico pode salvar uma vida – um indivíduo prestes a saltar de uma ponte, certo de que só assim pode se livrar de seu sofrimento, precisa saber que seu cérebro não está funcionando bem e que há possibilidades diversas de tratamento.

A depressão nunca tem causa única: biologia, ambiente, história pessoal e cultural se entrelaçam. Todavia, existe um elo invisível que frequentemente passa despercebido – a falta de sentido. Sem um “porquê”, cada obstáculo parece insuportável, cada vitória soa vazia. Valores que antes forneciam bússola (família, religião, amizades estáveis) entram em choque. A formação da identidade – inacabada – carece de algo novo para colocar no lugar. Redes sociais amplificam o desconforto: comparações constantes, pressa pelo “sucesso” e relações descartáveis reforçam o sentimento de não pertencimento. Surge o trio clássico da depressão existencial: isolamento, inutilidade e desesperança. O mundo interno perde “o norte”, tornando-se demasiadamente pesado e sem sentido para o adolescente, causando um insustentável sentimento de não pertencimento.

Assim, vêm os questionamentos: Qual seu valor na vida? O que faz a vida valer a pena?

Numa tentativa de suicídio, o desejo não é realmente acabar com a vida, mas com o sofrimento e a angústia na qual está mergulhado. Esse gesto sinaliza que o jovem está enfrentando um sofrimento intenso, com ideias e impulsos de autodestruição que não devem ser minimizados ou rotulados como simples “dramatização”. A sensação de vazio que atravessa essas vivências não só impede a descoberta de novos caminhos como também obstrui a percepção de que a vida pode ter valor e significado. É importante, sempre, se lembrar de transmitir aos jovens o valor de ser e não apenas de ter, especialmente através de exemplos que falam mais que mil palavras.

Descobrir um propósito na vida passa pela redescoberta de si mesmo.

A presença de um sentido pessoal – um propósito – funciona como um mecanismo protetor, que oferece a possibilidade de transformar a dor em uma oportunidade de crescimento.

O apego exerce um papel essencial como fator de proteção. O apego refere-se ao vínculo emocional que o adolescente estabelece com figuras de cuidado, principalmente pais ou responsáveis, e se forma nos primeiros anos de vida, por meio de interações que combinam sensibilidade, disponibilidade e resposta consistente às necessidades básicas e afetivas do jovem. Fortalecer o apego seguro não apenas diminui o risco de suicídio, mas também potencializa o desenvolvimento emocional saudável. O suporte social – compreendendo qualidade de amizades, envolvimento escolar e coesão familiar – é um fator protetor robusto contra a ideação e tentativas de suicídio.

Qual o valor da vida? A resposta se encontra em um processo íntimo e contínuo de autoconstrução, não pode ser imposto de fora para dentro. Cada indivíduo precisa descobrir seus próprios motivos para persistir – seja ele o amor, a paixão por uma causa, a busca por conhecimento ou a simples alegria de viver. O enfrentamento e o confronto com a própria vulnerabilidade são uma oportunidade para o jovem, gradativamente, reescrever sua história e encontrar um pertencimento.

Esse caminho envolve o autoconhecimento, mas também a coragem de buscar  apoio, da família, da escola, de profissionais de saúde, o que pode se tornar difícil para o jovem, quando ele percebe seus sentimentos e seus atos como algo que os outros desaprovam, julgam, repudiam. É fundamental a presença de um outro, capaz de escutá-lo sem pressa e sem exigências, sem atribuição de culpa ou desvalorização, para permitir que, ao contar, ao falar sobre o que o aflige, isso permita que ele “se escute” e possa construir novos significados para suas vivências. Ter ferramentas capazes de ajudar na construção da autoestima e de uma identidade faz a diferença no vínculo com os familiares, os profissionais de saúde e a sociedade.

Mas é preciso destacar que indivíduos que se sentem sobrecarregados e com muita dificuldade, e principalmente os deprimidos, muitas vezes comunicam seu sofrimento e seu apelo por ajuda de forma não tão escancarada; eles vão dando sinais sutis. Então, cabe ao interlocutor – seja a família, o educador ou o pediatra – estar muito atento aos sinais e manifestações que indiquem essa sobrecarga e esse sofrimento.

A prevenção começa com escuta, vínculo e presença.

Pais e educadores não precisam ter todas as respostas, mas precisam estar disponíveis para caminhar junto com o adolescente, sustentando e acompanhando a busca por ajuda, que representa a possibilidade de encontrar novas razões para viver, para fazer a vida valer a pena.

Propiciar a construção de uma narrativa pessoal que ressignifique a própria existência é dar ao adolescente uma oportunidade para descobrir um verdadeiro valor para sua vida, aquele que ilumina o futuro.

 

Relatoras:

Cristiane da Silva Geraldo Folino
Fernanda Pilate Kardosh
Vera Ferrari Rego Barros
Núcleo de Estudos de Saúde Mental da SPSP

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