Covid-19 – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Mon, 17 Oct 2022 15:40:31 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Covid-19 – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Dia Nacional da Vacinação https://spsp.org.br/dia-nacional-da-vacinacao/ Mon, 17 Oct 2022 15:40:29 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=34946 ]]>

No dia 17 de outubro é comemorado o Dia Nacional da Vacinação.

A data acende um alerta e chama a atenção da sociedade para a importância da prevenção por meio da vacinação. Não se trata apenas de uma ação individual e sim coletiva.

No caso da poliomielite, por exemplo, enquanto houver uma única criança infectada, crianças de todos os países correm o risco de contrair a poliomielite. Se a doença não for erradicada, podem ocorrer até 200 mil novos casos no mundo, a cada ano, dentro do período de uma década.

As pessoas precisam entender que vacinar traz consigo amor-próprio e amor ao próximo. Sim, porque ao nos protegermos também estamos protegendo o próximo, para não transmitirmos nenhuma doença que possa levar pessoas mais frágeis a complicações e até à morte.

Muitos pais não sabem, mas a vacinação é apontada como o segundo maior avanço da humanidade em termos de saúde pública, atrás apenas da ampliação da oferta de água potável.

Hoje, vivemos num mundo onde a mortalidade infantil por doenças imunopreveníveis diminuiu de forma significativa, gerando uma falsa sensação de segurança, porém um levantamento produzido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e publicado em maio de 2022 indica que o Brasil está retrocedendo quando o assunto é o controle da mortalidade infantil: a cada três mortes de bebês com menos de um ano de idade no país, duas poderiam ser evitadas com medidas básicas de saúde, entre elas, pré-natal adequado, incentivo à amamentação e vacinação adequada.

O processo de combate às mortes infantis é ainda mais preocupante frente à queda na cobertura vacinal que vem sendo registrada no país e no mundo.

Nos últimos quatro anos, nenhum Estado brasileiro atingiu a cobertura mínima de muitas vacinas importantes, que evitam doenças graves e fatais, como poliomielite, sarampo, febre amarela, meningites, diarreia, pneumonias, entre outras, cujas vacinas são oferecidas gratuitamente em todos os postos de saúde do país.

Anualmente nosso país registra mais de 20 mil casos de mortes que seriam evitáveis através da vacinação, em bebês menores de um ano.

Além de todas as dificuldades que já vinhamos enfrentando, a chegada da pandemia de Covid-19 em 2020 trouxe impactos sociais, econômicos e de saúde pública sem precedentes. As medidas de isolamento social impactaram a oferta de serviços de saúde em todo o mundo, incluindo os serviços de vacinação.

O Brasil tem vacinas para suprir toda a população, mas para que elas cheguem até as crianças, dependemos principalmente que os pais levem seus filhos para vacinar.

A queda nessas coberturas coloca o país sob o risco de ocorrência de surtos de doenças previamente controladas.

Vejamos alguns exemplos:

  1. Em 2016 o Brasil recebeu a Certificação de Eliminação do Sarampo. No entanto, em 2018, o intenso movimento migratório, turístico e comercial, aliado às baixas coberturas vacinais, contribuíram para a reintrodução e disseminação do vírus do sarampo no país e, em 2019, o Brasil perdeu esta certificação, por continuar a apresentar casos endêmicos de sarampo por mais de 12 meses.

Com isso, muitas crianças voltaram a adoecer, ser internadas e algumas morreram por uma doença passível de ser evitada pela vacinação.

 

  1. Em 1994, o continente americano recebeu o Certificado da Erradicação da Transmissão Autóctone do Poliovírus Selvagem (vírus que causa poliomielite ou paralisia infantil).

No Brasil, o último caso detectado de poliomielite foi em 1989 e nas Américas, em 1991.

De 1988 até 2016, a incidência mundial da doença diminuiu 99% e o número de países que apresentavam casos da doença passou de 125 para apenas 2 (Paquistão e Afeganistão).

Com a cobertura vacinal extensa, a poliomielite foi eliminada mundialmente por várias décadas, porém novos casos surgiram a partir de 2021, inicialmente no Malawi e recentemente em países desenvolvidos como Israel e Estados Unidos, que não conviviam com a doença há mais de 30 anos.

A poliomielite afeta principalmente crianças com menos de cinco anos de idade e uma em cada 200 infecções causa uma paralisia irreversível, que exigirá inúmeras cirurgias, fisioterapias, próteses, pelo resto da vida, para amenizar as graves sequelas da doença.

Entre os casos mais graves, 5% a 10% ainda poderão morrer por paralisia dos músculos respiratórios.

No Brasil, a vacina é gratuita em todos os postos de saúde para crianças entre 2 meses e 5 anos de idade e, infelizmente, as taxas de vacinação contra a poliomielite não alcançam nem 70% dessa população.

 

  1. Doença meningocócica: na década de 1970, o Brasil enfrentou um surto sem precedentes causado pelo meningococo, que leva a uma doença gravíssima e que pode evoluir para a morte em menos de 24 horas.

O que muitos pais e avós não sabem é que, apesar de o surto ter sido controlado pela vacinação em massa naquela época, essa bactéria tem se mantido de forma constante na população, especialmente em crianças pequenas e adolescentes, causando pequenos surtos de tempos em tempos.

As vacinas meningocócicas C e ACWY estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes, respectivamente. Além disso, pessoas com condições que conferem maior risco de doença invasiva também podem ter acesso a essas vacinas gratuitamente nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIEs), porém as coberturas vacinais, especialmente nos adolescentes, estão inferiores a 60%, o que só pode ser justificado pelo desconhecimento da população em relação à disponibilidade da vacina para essa faixa etária ou da gravidade da doença.

Nos últimos dias tem sido noticiado um novo surto de meningite meningocócica em algumas regiões de São Paulo e, apesar de estarmos em plena campanha de resgate dos atrasos vacinais pelo SUS, percebemos que inúmeras crianças e adolescentes não foram levados por seus pais para receberem essa e outras vacinas que previnem morte e sequelas irreversíveis.

 

  1. Síndrome da rubéola congênita: outra condição que há 8-10 anos causava muita angústia e preocupação nas famílias, onde esta doença, que parece simples na infância, quando presente na gestante causa graves sequelas nos bebês, semelhante à zika.

Graças à vacinação, desde 2015 na Região das Américas houve a eliminação da rubéola e da síndrome da rubéola congênita, e, a partir de então, ao contrário do esperado, temos visto baixa das coberturas vacinais para essas vacinas, pois, pelo desconhecimento da doença e da gravidade da mesma, muitos pais não vacinam mais seus filhos.

 

  1. Outra conquista importante: desde 2017 ocorreu a eliminação do tétano neonatal e tétano materno, que levavam à morte mais de 10.000 recém-nascidos por ano nas Américas. A vacinação das gestantes com a dT (difteria e tétano) e, a partir da 20ª semana, com a dTpa – difteria, tétano e coqueluche – (disponível no SUS desde 2014), além de evitar o tétano, evita também a coqueluche, uma doença extremamente grave em bebês abaixo de um ano de idade.

 

Na avaliação da Organização Mundial da Saúde (OMS), se seguirmos dessa maneira, deixando de vacinar nossas crianças, dificilmente será possível cumprir a meta de eliminação de doenças no planeta, pois as coberturas vacinais estão seriamente comprometidas em todo o mundo, especialmente no período pós-pandemia. 

O SUS oferece gratuitamente mais de 19 vacinas para diferentes faixas etárias, com campanhas periódicas de atualização das carteiras de vacinas, resgate dos que ficaram atrasados, disponibilização de novas vacinas para idades mais velhas, que não tiveram oportunidade de receber esses imunobiológicos na infância, vacinas diferenciadas para grupos em condições especiais de saúde através dos CRIEs, etc.

Sabemos que há diversos fatores que agravaram a baixa das coberturas vacinais, entre eles o isolamento social, a falsa sensação de segurança contra doenças comuns, o desconhecimento de muitos pais sobre a existência de algumas doenças que foram comuns no passado, baixa procura por postos de vacinação, horário restrito das salas de vacinação e dos postos de saúde, “fake news”, movimentos antivacinas, entre outros.

A sociedade precisa de informações de qualidade, oferecidas por profissionais de saúde que trabalham em salas de vacinação, enfermeiros, agentes de saúde, médicos de família, pediatras, sociedades médicas e do SUS, através de campanhas objetivas, simples e claras, que não sejam influenciadas por discursos equivocados e dados falsos, divulgados por pessoas e grupos que apresentam, sem nenhum embasamento científico, publicações para combater uma das medidas mais importantes na redução da mortalidade infantil.

Alguns fatores são primordiais na vacinação das crianças:

  1. Indicação e incentivo dos profissionais de saúde à vacinação, com aproveitamento máximo das oportunidades vacinais, resgatando atrasos e orientando os responsáveis sobre a importância da vacinação;
  2. Conscientização dos pais sobre a gravidade das doenças preveníveis pela vacinação e a colaboração dos mesmos, levando seus filhos para vacinar;
  3. Reverter urgentemente a queda das coberturas vacinais, e para isso contamos com todos os pais e profissionais de saúde, no sentido de garantir às crianças e adolescentes, que serão o futuro do nosso país, uma saúde integral, sem sequelas, sem medos e sem máscaras;
  4. Desenvolver mecanismos de combate às “fake news” e oferecer sempre informações de qualidade e embasadas em dados científicos.

 

Celebremos o Dia Mundial da Vacinação, vacinando!

 

Saiba mais:

https://www.spsp.org.br/

https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/calendario-de-vacinacao-da-sbp-atualizacao-2022/

https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/edicoes/2022/boletim-epidemiologico-vol-53-no28#:

http://conselho.saude.gov.br/

https://pebmed.com.br/meningite-meningococica-surtos-em-sao-paulo-acendem-alerta-sobre-prevencao

https://sbim.org.br/images/files/notas-tecnicas/informe-tecnico-recuperacao-esquema-vacinacao-atrasado.pdf

https://www.paho.org/pt/topicos/poliomielite

https://saudeamanha.fiocruz.br/regiao-das-americas-elimina-o-tetano-materno-e-neonatal/#.Y0ASZXbMK3A

 

Relatora:
Silvia Bardella Marano
Departamentos de Imunizações e Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Desenvolvimento da fala e a pandemia de Covid-19 https://spsp.org.br/desenvolvimento-da-fala-e-a-pandemia-de-covid-19/ Tue, 27 Apr 2021 19:34:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=28148 A primeira infância, período que corresponde aos 6 primeiros anos de vida, é a base para todas as aprendizagens humanas. É neste período que existe maior abertura para o desenvolvimento da comunicação. ]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 27/04/2021


A primeira infância, período que corresponde aos seis primeiros anos de vida da criança, é a base para todas as aprendizagens humanas. É neste período que existe uma maior abertura para o desenvolvimento, em especial da comunicação.

A pandemia de Covid-19 levou a um isolamento social que alterou o ambiente sonoro, o que pode afetar o desenvolvimento de linguagem e de audição, particularmente das crianças menores de 5 anos. As dificuldades ficam ainda mais evidentes para aquelas que já apresentam alguma alteração como perdas auditivas, visuais, motoras e intelectuais.

O desenvolvimento das crianças depende de interações sociais e comunicativas com adultos e com outras crianças, o que ocorre nas reuniões sociais, familiares e, principalmente, na escola. A diminuição da exposição à comunicação oral afeta o aparecimento e aperfeiçoamento da fala, aprendizagem e até mesmo da capacidade de pensamento abstrato.

Os ambientes de isolamento social são diferentes, dependendo da composição familiar: crianças de famílias com muitos membros (irmãos, parentes que moram juntos) têm maior exposição à comunicação, enquanto aquelas com menor número de pessoas morando juntas poderiam ser mais afetadas.

Outro fator é o aumento da exposição às telas (celulares, televisão, computador, tablets), devido à necessidade dos pais de trabalhar em casa e não poder contar com as escolas de forma presencial. Estes dispositivos não interagem; a criança fica passivamente assistindo, o que não contribui para o desenvolvimento de fala e da linguagem. Os dispositivos eletrônicos podem ser um instrumento útil de comunicação com amigos, parentes, mas para serem efetivos no desenvolvimento infantil devem ser usados com a mediação de um adulto. Ler livros no formato eletrônico, contando a história e interagindo auxilia no enriquecimento de vocabulário e aprendizado.

O isolamento social também causou perdas na quantidade e qualidade de sons aos quais a criança é exposta. A diminuição dos ruídos de fundo (barulhos) pode ser benéfica para o aprimoramento da audição, porém quanto menos palavras escutar pior será o desenvolvimento do pensamento e da linguagem.

O fechamento das escolas causa impacto no desenvolvimento social e emocional das crianças e adolescentes; a falta de experiência com a interação leva a menor habilidade para interagir com seus pares e com adultos. A escolarização online não tem a mesma qualidade de exposição social que o ensino presencial.

Converse bastante com seu filho, proporcione um ambiente comunicativo em que ele tenha espaço para se manifestar, de acordo com sua idade. Respeite a vez de cada um falar, escute com atenção e valorize suas manifestações, mesmo que ainda seja pequeno.

Precisamos estar atentos aos marcos do desenvolvimento da linguagem. Se você identifica que seu filho apresenta algum dos sinais de alerta a seguir, procure orientação com seu pediatra!

 

Idade

Sinais de alerta

2 meses

Não fixa o olhar

4 meses

Não mantém contato visual

6 meses

Não se vira na direção de sons ou vozes

9 meses

Não balbucia sons de consoantes

24 meses

Não utiliza palavras simples

36 meses

Não fala sentenças com 3 palavras

Fonte: Wilks T, Gerber RJ, Erdie-Lalena C. Developmental milestones: cognitive development.

Pediatr Rev. 2010;31;364-7.

 

Relatoras:

Sulene Pirana

Renata Di Francesco

Grupo de Trabalho de Desenvolvimento e Aprendizagem da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: syda_productions | depositphotos.com

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Vacina e escolas – expectativa que estejam juntas https://spsp.org.br/vacina-e-escolas-expectativa-que-estejam-juntas/ Tue, 23 Mar 2021 14:04:45 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=27871 Pais e professores têm vivido um dilema que parece não ter fim nessa pandemia de covid-19, quando nos referimos às crianças com deficiência. Algumas crianças com deficiência podem ter questões comportamentais e saúde. ]]>

Pais e professores têm vivido um dilema que parece não ter fim nessa pandemia de covid-19, principalmente quando nos referimos às crianças com deficiência.

Por um lado, algumas crianças com deficiência podem ter questões comportamentais e/ou de saúde que as colocam em maior risco de adquirir essa infecção, ou ainda, uma evolução mais grave caso desenvolvam a doença de forma sintomática.

Isso se explica pela dificuldade, em alguns casos, sobre o entendimento das medidas de proteção (uso de máscaras, manter o distanciamento ou fazer a higiene frequente das mãos), pela maior dependência de terceiros (contato com maior número de pessoas, sejam familiares ou cuidadores), ou ainda, que precisem do uso de objetos que possam levar a um maior risco de contaminação (uso de cadeira de rodas ou andadores, por exemplo).

Em relação à saúde, consideramos que algumas dessas crianças possam apresentar certa desregulação em seu sistema imune e outras condições que as colocam numa situação de maior gravidade, caso sejam infectadas (doenças pulmonares, obesidade, e cardiopatias descompensadas, por exemplo).

Por outro lado, o aprendizado “cara a cara” com o professor, utilizando as estratégias que cada criança necessita, o brincar com seus pares nesse ambiente inclusivo (mesmo com as regras necessárias) e esse retorno a algo que remete à rotina, melhora a ansiedade, traz felicidade e certamente, contribui para um melhor desenvolvimento global. As aulas online têm sido um desafio para a maioria das crianças, seus pais e professores, que se esforçam todos os dias. O lado bom desse desafio é que a educação também está passando por mudanças, descobrindo diferentes estratégias para construir conteúdos e novas maneiras de ensinar e aprender.

Portanto, dentro desse dilema, o pediatra pode ajudar na orientação da família em relação a volta à escola, pesando os prós e os contras, considerando a singularidade de cada criança. Precisamos agir com empatia e acolhimento diante de tantas incertezas, medos e todas as inseguranças que estamos vivendo.

E aí vem aquela esperança que as vacinas cheguem logo para todos, incluindo as crianças! E quando falamos em vacinas para as pessoas com deficiência, devemos lembrar que é importantíssimo vacinar também seus familiares e cuidadores, e isso precisa estar nos planos nacionais de imunização.

As vacinas utilizadas até agora no Brasil e nos mais diversos países têm se mostrado seguras e uma ferramenta poderosa contra a covid-19. Então, quem já está elegível para receber a vacina, corre lá para um posto de vacinação!

É de extrema importância que os fabricantes e institutos de pesquisa incluam o quanto antes as crianças de todas as idades nos ensaios clínicos. Assim, teremos uma vacinação mais generalizada, que protegerá toda a comunidade, incluindo a população mais vulnerável e, entre elas, as crianças com deficiência.

Os pediatras terão um papel fundamental quando essas vacinas estiverem disponíveis, pois são os grandes incentivadores da vacinação e os orientadores dessas famílias. Vacina e escola: não tem combinação mais desejada!

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Relatora:
Ana Claudia Brandão
Coordenadora do Núcleo de Estudo sobre a Criança e o Adolescente com Deficiência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: zgel | depositphotos.com

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Volta às aulas na pandemia https://spsp.org.br/volta-as-aulas-na-pandemia/ Mon, 01 Mar 2021 19:43:53 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3626 Após quase um ano do início da pandemia do novo coronavírus no Brasil, nós pediatras já temos material e vivência suficientes para avaliar os impactos da Covid-19 na população infantil, tanto em decorrência da própria doença, como também do longo período de isolamento social e fechamento de escolas.

Os estudos mostraram que as crianças não são “super transmissores” como se acreditava no começo da pandemia. Além disso, as crianças possuem menos chance de desenvolverem a doença comparado aos adultos, evoluindo na grande maioria das vezes de forma assintomática ou com quadros leves; necessitam menos de hospitalização e os casos graves na população pediátrica são muito raros (muito mais raros do que em infecções por outros vírus respiratórios, como influenza e VSR – vírus sincicial respiratório).

Legenda: halfpoint | depositphotos.com

Em contrapartida, as repercussões na saúde física e mental na população infantil em decorrência do longo período de isolamento são preocupantes e de difícil abordagem.

Dentre os principais e frequentes problemas de saúde podemos destacar os transtornos psiquiátricos (como ansiedade, depressão, ideação suicida), alterações emocionais e de comportamento, distúrbios do sono, atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor, obesidade e insegurança alimentar, distúrbios oftalmológicos como aumento dos casos de miopia, dor e ressecamento ocular, acidentes domésticos como traumas e queimaduras, etc. Não é difícil perceber que muitos destes problemas surgem ou se intensificam devido ao uso excessivo de dispositivos eletrônicos.

Associados a isso, devemos nos atentar aos prejuízos pedagógicos, evasão escolar, aumento nos casos de violência doméstica e agravamento das disparidades sociais, uma vez que o acesso a dispositivos eletrônicos para realização de aulas online não é universal, sendo, nitidamente, os alunos da rede pública os mais prejudicados.

Chama a atenção que muitos destes problemas sociais e de saúde que se iniciaram e/ou se agravaram de forma tão aguda durante a pandemia são de difícil identificação, quer seja pela sua complexidade, quer seja pelas dificuldades no acesso aos serviços de saúde especializados. Estas questões são potencializadas pela ausência da escola como um importante local para detecção destes problemas.

Frente a esta situação, entendemos que a reabertura das escolas é um tema urgente e essencial, que deve ser abordado pela comunidade científica, famílias, educadores e poder público.

Diversos estudos relatando experiências internacionais e nacionais de retomada segura das escolas foram publicados nos últimos meses. Há evidências científicas robustas de que a abertura de escolas, seguindo protocolos sanitários bem planejados e executados, não acrescenta maiores riscos para a propagação do vírus, comparado a outras atividades e setores da sociedade.

Nós, do Grupo de Trabalho de Desenvolvimento e Distúrbios de Aprendizagem da Sociedade de Pediatria de São Paulo, apoiamos a volta às aulas presenciais, seguindo os protocolos de segurança, por entendermos que é possível que isso seja realizado de forma segura e que a ausência de aulas presenciais há quase um ano gera prejuízos imensuráveis ao desenvolvimento e aprendizado das crianças e adolescentes não só no nosso país, mas em todo o mundo. Entendemos também que, apesar da “polarização” vivida nas redes sociais nos dias atuais, pediatras e educadores possuem mais ideias e objetivos em comum do que divergências, sendo importante neste momento o diálogo e o trabalho em conjunto.

Vale ressaltar que a possibilidade da permanência das escolas abertas está diretamente relacionada à situação de controle da pandemia na comunidade local e que é responsabilidade de todos que os protocolos sejam seguidos dentro das escolas e que as medidas de controle da disseminação da doença sejam rigorosamente mantidas fora das escolas. Uso de máscaras, higienização das mãos e distanciamento social continuam sendo as medidas mais eficazes contra o aumento de novos casos. Privilegiar atividades ao ar livre, em ambientes abertos, além de trazer benefícios às crianças, agregam menos riscos de transmissão de doenças infectocontagiosas.

Além disso, é fundamental o comprometimento das famílias em reduzir o risco de circulação do novo coronavírus dentro das escolas.

Algumas das principais medidas que devem ser adotadas nesse sentido são:

  • Não enviar para a escola a criança que apresentar qualquer um dos sintomas sugestivos de Covid-19: febre, diarreia, vômito, coriza/congestão nasal, tosse, dor de garganta, dor de cabeça, dor no corpo, perda de olfato e/ou paladar.
    Qualquer um desses sintomas pode ser indicativo de Covid-19, mesmo os quadros leves. Não é necessário ter febre ou sintomas intensos!
  • Em caso de ocorrência de qualquer um desses sintomas, a criança pode retornar às atividades presenciais após ter cumprido 10 dias de isolamento a partir do início dos sintomas ou depois do teste de Covid-19 ter dado negativo (realizado idealmente a partir do 3º dia após o início dos sintomas), devendo estar sem febre ou sintomas respiratórios há pelo menos 24 horas.
  • Caso algum morador do mesmo domicílio seja diagnosticado com Covid-19 ou apresente sintomas sugestivos da doença, a criança não deve frequentar a escola.
  • Caso a criança tenha tido contato com caso confirmado, deve permanecer em quarentena por um período de 14 dias ou realizar o teste para Covid-19 entre o 5º e o 7º dia após o último contato. Caso ela teste negativo e não esteja com nenhum sintoma sugestivo da doença, pode sair da quarentena após 7 dias do último contato.
  • A família deve se mobilizar para buscar a criança imediatamente na escola caso os sintomas tenham início dentro do ambiente escolar, visando minimizar a transmissão.
  • A família deve informar a escola caso o aluno tenha diagnóstico de Covid-19 (suspeito ou confirmado), para que as medidas de prevenção de transmissão possam ser adotadas.
  • Todos (alunos, familiares, professores e funcionários) devem evitar festas e aglomerações fora do ambiente escolar.

Toda criança que possua ou conviva com alguém que tenha fator(es) de risco para o desenvolvimento de quadros mais severos de Covid-19 deve ter a opção de ensino remoto integral.

A ciência conseguiu de forma inédita e em tempo recorde a elaboração de vacinas que se tornaram a grande esperança no combate ao vírus. Entretanto, ficou claro durante este último ano, que qualquer forma de solução no combate aos problemas relacionados a esta pandemia se encontra no âmbito coletivo e todos têm seu papel nesse processo.

*Nota: este texto foi avaliado e aprovado por Dr. Eitan Berezin – Departamento de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

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Relatores:
Fernando Lamano
Mariana Granato
Grupo de Trabalho de Desenvolvimento e Distúrbios de Aprendizagem Sociedade de Pediatria de São Paulo



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O que mudou na pandemia? https://spsp.org.br/o-que-mudou-na-pandemia/ Tue, 02 Feb 2021 20:32:05 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3583 O texto anterior, publicado em 17 de março de 2020, tem trechos destacados em itálico e entre aspas e o texto atual está em negrito.

Assim começava o texto publicado no BLOG em março de 2020:

Coronavírus: sem pânico, com responsabilidade.

“Parece estranho esse título? Nem tanto”.
Passamos, no momento, por uma situação desconhecida ou já esquecida por grande parte dos brasileiros (última em 2009 – H1N1): PANDEMIA.
Quase um ano depois, com mais conhecimento, muitos estudos, muito progresso da ciência (e da “anticiência”, mais conhecida como fake news), sim, tivemos mudanças. Mas, com certeza, a imensa maioria delas não representa o que todos imaginavam.

No momento, os países mais afetados com novos casos são a Itália (cerca de 3.500), Espanha (1.500), Irã (1.365), França (830) e Alemanha (735)”.
Esses números também mudaram muito desde então, e de forma incontestável:
Com quase 103 milhões de casos e mais de 2.2 milhões de mortes no mundo, o Brasil agora ocupa o 3º lugar nas estatísticas mundiais de COVID-19 (perto de 9.3 milhões) e o 2º na contagem de óbitos (225 mil).
Apesar de incansáveis pesquisas, tentativas de evitar a disseminação do vírus (lockdown, fronteiras fechadas, distanciamento social), os números são implacáveis. E se antes alguns imaginavam que a pandemia fosse uma “nuvem passageira”, agora estamos todos no “olho do furacão”.

nghi nguyen | pixabay.com

Por ser um coronavírus novo (há outros que já circulam entre nós, mas sem as mesmas características), ninguém está naturalmente protegido contra ele e não existem nem vacinas e nenhum tratamento milagroso que aumente a imunidade geral ou específica em relação ao vírus”.
Agora, presenciamos o aparecimento de mutações do SARS-Cov-2, que se espalham com velocidade maior e, no mínimo, mantém o nível de letalidade, trazendo, a cada dia, mais leitos de UTI ocupados no Brasil, esgotando recursos materiais (até o oxigênio na Amazônia), logísticos (leitos em hospitais) e humanos (muitos trabalhadores da saúde perdendo suas vidas).

Não. Não existe soro preparado que aumente a imunidade contra o vírus.
Não. Não existem nem preparados vitamínicos ou dieta específica contra o vírus.
Não. Não existe nenhum tratamento homeopático ou fitoterápico contra o vírus.”
A isso, poderíamos acrescentar:
Não. Não existe nenhum tratamento medicamentoso preventivo ou curativo comprovado por estudos até hoje contra o vírus.

Existem, nas redes sociais e na internet, “estudos” que mostram a ação de determinadas drogas e substâncias na prevenção da COVID-19. E, infelizmente, além da população que recorre à internet em busca não filtrada de informações, há profissionais de saúde que ainda acreditam nesses “estudos”, constantemente desmentidos pela comunidade científica nacional e internacional. 

Quem não gostaria que isso fosse verdade? Quem não gostaria que fosse apenas tomar essas substâncias e não aconteceria a transmissão incontrolável do vírus que tirou a vida de familiares, amigos e até de quem usou esses “tratamentos milagrosos” na esperança de vida?

Agora, ainda pela ação da ciência, da questionada ciência, parece haver luz no final do túnel com as vacinas, que passaram por todas as fases de estudos necessárias para serem liberadas. Quem, em sã consciência, pode sequer supor que cientistas e instituições liberariam um tratamento, qualquer que seja ele, nesse momento, sem a eficácia e a segurança exigidas? Para falarmos só no Brasil, quem pode questionar a idoneidade do Instituto Butantan e da FIOCRUZ?

A vacina é o maior avanço contra o coronavírus que começamos a ter em mãos. Mas isso está longe de significar que os vacinados podem sair sem proteção adequada. Ainda não há estoque de vacinas suficiente para todos e a previsão é de que o país seja imunizado, de forma satisfatória, apenas perto do final desse ano. Existe uma programação de vacinação e uma razão para isso (uma “fila”?). Não é educado, ético ou adequado “furar essa fila”. Sem a proteção de todos, a proteção individual é incompleta e não necessariamente eficaz.

O que funciona é INFORMAÇÃO AÇÃO.
O que funciona é PREVENÇÃO e (o nome do momento) CONTENÇÃO.
O que funciona é RESPONSABILIDADE e SOLIDARIEDADE.
Isso não mudou. Isso não vai mudar nunca.

E para concluir:
Não. Coronavírus não é um simples resfriado ou uma gripe.
Não. Coronavírus não é uma manobra política ou econômica.
Não. Coronavírus não é uma invenção da mídia.
Coronavírus existe, se espalha e pode matar.
As recomendações de contenção orientadas pelas sociedades (Sociedade Brasileira de Pediatria, Sociedade Brasileira de Infectologia, Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e órgãos oficiais (OMS e o nosso Sistema Único de Saúde) devem ser seguidas à risca: lavar as mãos, não beijar, não apertar as mãos, não abraçar, usar de álcool gel e tomar providências muito importantes como: lavar mais ainda as mãos, não sair correndo para estocar alimentos e evitar pânico e alarmismo.
Aqui vale acrescentar o uso de máscaras, que na época não tinha se mostrado ainda uma medida fundamental de segurança.

Quanto mais cedo nos distanciarmos fisicamente, mais cedo poderemos nos abraçar.
A cada mês que passa estamos mais distantes do começo da pandemia. O final dela depende da ciência, depende de cada um de nós, depende de todos nós. Somos todos pela vida.

Não é só sobre não ficar doente. É sobre querer que ninguém fique também.

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Relator:
Yechiel Moises Chencinski
Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Escola de Educação Infantil Grão de Mostarda – Retomada segura das escolas, com SPSP https://spsp.org.br/escola-de-educacao-infantil-grao-de-mostarda-retomada-segura-das-escolas-com-spsp/ Thu, 14 Jan 2021 17:44:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=26341 Veículo: Berçário e Escola de Educação Infantil Grão de Mostarda

Data: 14/01/2021

O Berçário e Escola de Educação Infantil Grão de Mostarda divulgou orientações da Sociedade de Pediatria de São Paulo a respeito da retomada segura das aulas presenciais para o controle da disseminação da Covid-19, ressaltando aspectos importantes, como a desinfecção adequada das escolas, uso de máscaras e controle de temperatura na entrada e saída.

Veja mais: https://www.instagram.com/p/CKCHJ-9jB7z/

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Alimentação infantil e saúde oral em tempos de pandemia https://spsp.org.br/alimentacao-infantil-e-saude-oral-em-tempos-de-pandemia/ Fri, 11 Dec 2020 13:57:04 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3549 As mudanças impostas pela quarentena impactaram os hábitos da família em todos os sentidos: rotina escolar dos filhos, horários de sono e de trabalho dos pais e, consequentemente, a rotina alimentar da casa.
O que parecia provisório tem se estendido ao longo dos últimos meses e as consequências para a saúde das crianças estão vindo à tona. Queixas como ganho de peso e mudança nos hábitos de higiene e saúde oral vêm crescendo e ganhando espaço nas famílias.
Os pais deixaram de fazer algumas refeições nos locais habituais e os filhos deixaram de receber alimentação no berçário, creche ou escola, sendo criada uma nova rotina de compra, preparo e oferta dos alimentos.

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O confinamento proporcionou maior convivência doméstica e permitiu que os pais conhecessem melhor os hábitos alimentares de seus filhos; com o surgimento de tarefas associadas à compra, preparo e consumo alimentar e aumento das refeições em família. 
Em paralelo, a quarentena colocou as crianças frente a frente com uma nova situação, despertando sentimentos como ansiedade, tédio, mudanças de humor e solidão (pela falta das atividades escolares e físicas, dos amiguinhos e dos pais, que estão “presentes”, mas trabalhando em casa). Em muitos casos, houve mudança total da rotina diária e dos cuidados com as crianças.
A criança ainda não possui conhecimento e autonomia para escolher o que é bom e necessário para o seu corpo e, nos momentos de alteração de humor, pode acabar procurando alívio no alimento. Nessas situações, é essencial que pais e cuidadores ajudem a criança a sair do “comer automático”, orientando-a na identificação de quando ela está sentindo fome e quando está saciada.
Os alimentos disponíveis em casa muitas vezes passaram a servir de conforto e companhia, especialmente os ultraprocessados, caracterizados por alto apelo sensorial, praticidade, disponibilidade, durabilidade e alto teor energético. Dentre eles, destacam-se as bolachas, salgadinhos, sucos prontos, doces, chocolate, congelados, macarrão instantâneo, pipoca de micro-ondas, bolos prontos e guloseimas em geral.
Sua fácil aceitação e consumo exagerado estão associados a altos teores de gordura + açúcar ou gordura + sal, que realçam os sabores; além de baixa demanda mastigatória e embalagens práticas e sedutoras, que favorecem o consumo a qualquer hora e local.
O consumo regular desses alimentos predispõe crianças a um risco maior para excesso de peso, desenvolvimento da cárie dentária e da erosão dental. Atitudes simples como deixar fácil acesso à criança uma fruta cortada, picada ou descascada podem facilitar seu consumo e resgatar um hábito saudável.

A importância da rotina para a saúde oral

Nesse período é essencial que a família estabeleça uma rotina para as crianças, incluindo horários regulares de alimentação, sono, estudo, higiene pessoal e atividade física.  A criança precisa de modelos alimentares e os pais devem assumir esse papel, valorizando os momentos da refeição, sentando à mesa com acolhimento, num ambiente saudável, com uma boa apresentação dos pratos, tempo para uma mastigação adequada, conversas leves, sem cobranças e presença de TV e outras telas que possam distrair a todos. A afetividade e cuidado dos pais são essenciais no processo da alimentação infantil, assim como a manutenção dos hábitos de higiene oral, que ao final constituem-se em cuidados importantes, traduzidos como atos de amor para com as crianças.   
A pandemia trouxe muitos desafios para as famílias. No início, tudo parecia difícil ou até impossível. A convivência no mesmo ambiente 24 horas por dia exige muito diálogo e criatividade e aos poucos as coisas vêm se acomodando. As famílias terão muito aprendizado com essa experiência ímpar na história da humanidade.

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Relatoras:
Cristina Giovannetti Del Conte
Vera Dishchekenian
Grupo de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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ALERTA: O álcool pode causar queimadura química na superfície ocular https://spsp.org.br/alerta-o-alcool-pode-causar-queimadura-quimica-na-superficie-ocular/ Fri, 25 Sep 2020 18:26:53 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3412 Com o uso constante do álcool gel para antissepsia em todos os locais – por causa da pandemia de Covid-19 -, temos visto crianças que, ao acionar o display ou mesmo ao coçar os olhos com a substância, acabam ferindo o olho. O álcool gel pode causar uma queimadura química na superfície ocular.

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A conduta nesses casos é lavar imediatamente com água corrente para retirar o máximo da substância química, depois ocluir o olho com gaze e levar ao pronto-socorro de Oftalmologia, onde será feito um exame biomicroscópico para saber se houve lesão na córnea.


Caso não seja possível o exame com oftalmologista, manter o curativo oclusivo por no mínimo 12 horas.

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Relatora:
Marcia Keiko Uyeno Tabuse
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Aniversário de 30 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) https://spsp.org.br/aniversario-de-30-anos-do-estatuto-da-crianca-e-do-adolescente-eca/ Thu, 20 Aug 2020 20:15:23 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3367 O ECA completou 30 anos em 13/07/2020. Trata-se da Lei 8.069/1990, a partir do artigo 227 da Constituição Federal e representou para nós, brasileiros, um marco jurídico na proteção integral da infância e da adolescência. Se você quiser ler a versão atual do ECA, lançada em 2019, clique aqui.

Foi necessário o ECA ser elaborado e promulgado para que as crianças e adolescentes passassem a ser reconhecidos como cidadãos de direitos e deveres, sendo obrigação da família, da sociedade e do Estado assegurar estes direitos de cidadania, o que não ocorreu somente no Brasil.

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O ECA é considerado internacionalmente como instrumento legislativo de vanguarda, de referência para outros países e um “divisor de águas” para a proteção da infância e da adolescência. Fundamentou-se nas Declarações Universais dos Direitos Humanos (1948) e da Criança (1959) e reflete o conteúdo da Convenção dos Direitos da Criança da ONU (promulgada pelo Brasil em 1990).

A Convenção dos Direitos da Criança é o tratado de direitos humanos mais validado e legitimado da história da humanidade – por 196 países (destaca-se que os Estados Unidos não a subscreveu) – e que vem ajudando muito a transformar a vida das crianças e dos adolescentes em todo o mundo, segundo o UNICEF. Para conhecer a Convenção sobre os Direitos da Criança, saber quais são esses direitos e os 54 artigos da Convenção, clique aqui.

E não podemos tratar dos direitos das crianças e adolescentes sem nos referirmos às violências e agressões que sofrem. Em 2017, segundo o UNICEF, três em cada quatro crianças de 2 a 4 anos no mundo (cerca de 300 milhões) eram regularmente submetidas à disciplina violenta (punição física e/ou agressão psicológica) por seus pais ou outros cuidadores em casa.

No Brasil, ainda hoje, muitas vidas são interrompidas por causas externas de mortalidade (acidentes e violências – não intencionais e intencionais), que desde 2002 representam a primeira causa de morte a partir de 1 ano de vida e determinam a cada ano a morte de cerca de 23.000 menores de 19 anos, sendo que a maioria poderia ter sido evitada.

A situação durante a pandemia

Com a pandemia mundial causada pelo novo coronavírus, na situação que vivemos há mais de 5 meses de confinamento, o que está acontecendo? A violação dos direitos das nossas crianças e adolescentes, com acréscimo significativo de vítimas de violência física, sexual, negligência e psicológica.

A ONG World Vision estima que, desde o início da quarentena, poderá ocorrer um acréscimo de até 85 milhões de crianças e adolescentes (entre 2 e 17 anos) ao 1 bilhão que já estão expostos à violência. Este número representa um aumento que pode alcançar até 32% da média anual das estatísticas oficiais. O confinamento em casa, essencial para conter a pandemia da Covid-19, expõe essa população a uma maior incidência de violência doméstica. 

Este levantamento incluiu o aumento de relatos, do número de denúncias por telefone, de informações de escritórios de campo e de estimativas baseadas em epidemias anteriores. No caso do Brasil, a projeção é de um aumento de 18% de denúncias de violência doméstica. Acesse o estudo aqui.

Voltando à Convenção dos Direitos da Criança da ONU, sabe-se que, desde 1990, a vida das crianças e adolescentes no mundo se transformou: houve redução de mais de 50% nas mortes de menores de 5 anos e a desnutrição caiu quase pela metade. No entanto, milhões ainda são deixados para trás: 262 milhões de crianças e adolescentes ainda estão fora da escola e 650 milhões de meninas e mulheres se casaram antes de completar 18 anos, segundo dados d UNICEF. Mas com a tragédia do novo coronavírus que se impôs ao mundo em 2020, o que podemos esperar desses indicadores? 

Temos conseguido avanços significativos na identificação do fenômeno das violências, abusos e agressões e por meio de legislação protetora, mas os números continuam muito altos.

Por fim, temos muito a comemorar com os 30 anos do ECA, considerada por muitos a idade na qual a maioria das pessoas se tornam adultas! Mas temos muito a avançar em defesa dos direitos de nossas crianças e adolescentes, garantindo a proteção e os cuidados em todas as fases de seu crescimento e desenvolvimento, por toda a sociedade.

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Relatora:
Renata D. Waksman
Vice-presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Núcleo de Estudos da Violência contra Crianças e Adolescentes da SPSP



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Diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) chora em apelo contra a COVID-19: “Por que é tão difícil para os humanos se unirem?” https://spsp.org.br/diretor-da-organizacao-mundial-da-saude-oms-chora-em-apelo-contra-a-covid-19-por-que-e-tao-dificil-para-os-humanos-se-unirem/ Tue, 21 Jul 2020 12:54:26 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3311 Com 12 milhões de pessoas contaminadas pela COVID-19 e 550 mil mortos no planeta até o dia 9 de julho, o diretor da OMS fez um apelo emocionado ao mundo.  Tedros Adhanom Ghebreyesus chorou por estar vivendo um estresse muito grande. A pandemia do novo coronavírus segue fora de controle e, em prantos, pediu unidade para a humanidade, dias depois de os Estados Unidos entrarem com pedido formal de saída da OMS: “A grande ameaça que enfrentamos agora não é o vírus em si, mas a ameaça é a falta de liderança e solidariedade em níveis globais e nacionais”.
Em um discurso emotivo, Tedros Adhanom declarou: “Esta é uma tragédia que está nos fazendo sentir falta de nossos amigos que estão morrendo. E não podemos enfrentar essa pandemia com um mundo dividido”.
O mesmo acontece com as drogas. É um tema frequente, mas as pessoas acabam se acostumando com ele, que passa a ser considerado normal.

michal jarmoluk | pixabay

Tedros Adhanom indagou em seu discurso: “Por que é tão difícil para os humanos se unirem, para lutar contra um inimigo comum?” A pandemia “é uma prova de solidariedade e liderança global” e voltou a pedir a unidade de todos os países. “Isso está matando pessoas de forma indiscriminada. Não podemos ser capazes de identificar um inimigo comum? Não podemos entender que as divisões ou separações entre nós são realmente vantajosas para o vírus? A única maneira é estarmos juntos.”
Além do novo coronavírus, temos o problema das drogas, que é endêmico no Brasil. Vi pessoas chorarem a perda de entes queridos e há um em especial que vai ficar guardado na memória para sempre: jovem de 21 anos saiu de casa terça-feira à noite para colocar gasolina e não retornou. A comunidade o procurou por três dias e só foi encontrá-lo na sexta-feira num necrotério com um tiro na cabeça. Vi o pai deste garoto enterrá-lo no sábado e pregar no domingo em sua Igreja – era o presbítero. Ele disse que continuaria sua peregrinação na terra que era divulgar a palavra de Deus, pois o que faltou para os assassinos de seu filho era o que ele pregava.
Muitas pessoas choram, porque seus parentes estão na Cracolândia de um lado para outro, outros choram de tristeza quando nos procuram, pois o filho está preso ou em surto psicótico e outros também choram, mas de alegria, porque conseguem largar as drogas, quer seja o tabaco, quer seja a cocaína ou o álcool, pois o esforço é muito grande.
O choro de Adhanom ocorreu no momento em que os EUA anunciaram abandonar a OMS. Nosso choro acontece no momento em que o combate às drogas perde espaço para a pandemia e é um pouco esquecido nos noticiários, mas continua contaminando os nossos jovens. Choramos por isso, mas não desistimos de combatê-lo.

Cinco itens são fundamentais para evitarmos estes problemas:

1. Família estar unida e com limites. Limites estão em extinção na humanidade.
2. Ter Espiritualidade é um dos fatores que evita a iniciação precoce do uso de drogas. Não importa qual, mas tem relação com o propósito e sentido para a vida.
3. Manter atividades culturais e esportivas, aliadas a um controle familiar de horário e cobranças foi o que fez diminuir a iniciação no uso de álcool e drogas da juventude na Islândia, projeto este copiado por 20 países.
4. Ter atividades sociais: é muito importante a família ter pelo menos um projeto social e inserir seus filhos. A vida não é só balada. A ajuda ao próximo, principalmente nos dias de hoje, é fundamental.
5. Cultivar boas amizades: onde está seu filho, com quem e fazendo o quê?

Acesse e consulte material a respeito destes assuntos:

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Relator:
João Paulo Becker Lotufo
Coordenador do Grupo de Trabalho no Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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